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Evento

1º Negritude Marabá defende o respeito para com os afrodescendentes

Evento aconteceu na Praça Monsenhor Baltazar e foi o primeiro de outros que o movimento pretende fazer
Por Eleutério Gomes 

Aconteceu na tarde desta segunda-feira (20), Dia Nacional da Consciência Negra, na Praça Monsenhor Baltazar, Nova Marabá, o 1º Negritude Marabá, evento que procurou sensibilizar a sociedade e defender princípios e valores, como respeito, compreensão, amor e cidadania, segundo sua idealizadora Samira Prata. Ela é criadora do Movimento da Consciência Negra de Marabá, ao lado das também ativistas Brenda Letícia, Noelma Cristina e Daniela Garcia.

O movimento existe há três meses e foi criado a partir de uma página no Facebook – Negritude Marabá –  e da necessidade da troca de ideias, informações e até opiniões acerca de casos de discriminação racial em Marabá. “Por mais que a gente não veja, há muito racismo em Marabá, há muitas pessoas preconceituosas e a gente precisa passar isso para a sociedade, para que haja respeito. Por mais que você não ache bonito, tem de respeitar o teu próximo”, opina Samira.

Segundo ela, em Marabá, os negros chegam a se reprimir temendo o preconceito em relação à cor da pele e ao cabelo. “Existe preconceito demais em Marabá”, afirma Samira, relatando que em duas ocasiões, ao usar o serviço de mototáxi se sentiu ofendida: “Um disse para eu alisar o cabelo porque é feio. Outro falou que a minha cabeça não ia entrar no capacete porque meu cabelo é duro”, contou.

Mas não é só com palavras que o racismo se expressa no dia a dia, ainda de acordo com Samira. Os olhares reprovadores, aqueles que percorrem a pessoa da cabeça aos pés, também causam constrangimento, na rua, em estabelecimentos comerciais e em repartições públicas. “São olhares que deixam a pessoa desconfortável”, afirma ela.

“Entre os relatos que nos chegam há o de uma moça que trabalha no comércio e todas as colegas dela usam cabelos soltos, menos ela. O patrão a manda prender o cabelo, ‘porque é feio’. Outra moça é gerente de uma loja ao lado de um gerente branco, mas as pessoas, por mais que saibam que ambos têm a mesma autoridade, não a procuram por causa da cor”, conta Samira.

Indagada pelo Blog sobre quantas pessoas já aderiram ao movimento, ela afirmou que tudo ainda está na fase de formação, disse que pretende dar personalidade jurídica ao grupo, mas calcula, pelo número de interessados que já contataram com ela, uma centena de adeptos. “Nosso marketing é feito de boca em boca e pela página Negritude Marabá, no Face. Atualmente nos reunimos em pizzarias da Folha 22, mas pretendemos nos organizar definitivamente”, afirmou Samira.

Da programação constou a apresentação do Projeto, número de percussão com o Grupo Afro Raiz, palestra com o vereador Pastor Ronisteu Araújo, apresentação da Banda Municipal de Marabá, Projeto Cacheia Marabá, com a professora Elaine Ribeiro; Transição Capilar, com Nayelen Manson; apresentação das artes e artesanatos e momento de fotos.

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