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Marabá

A revolta dos garis: sem receber há três meses, trabalhadores fecham a principal via de Marabá com fogo

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

A VP-8, principal avenida comercial de Marabá, está parcialmente fechada desde as 7 horas desta quinta-feira, dia 13. Embora o prefeito João Salame Neto tenha decretado ponto facultativo dias 13 e 14, para evitar maiores desgastes com manifestações do funcionalismo, acabou sofrendo um revés com a revolta dos garis, que trabalham para a Secretaria de Urbanismo, responsável pela limpeza urbana, como varrição de ruas.

O protesto começou logo cedo, na conhecida rotatória do Posto Verdes Mares, onde os garis colocaram fogo em pneus e impediram o acesso à Secretaria de Urbanismo. Embora já tivessem sido ameaçados de demissão se entrassem em greve, os três meses de salários atrasados foram o combustível para que eles ignorassem a ameaça da chefia imediata.

Edmilson Oliveira, presidente do Sindicato dos Servidores do Município de Marabá (Servimmar) disse que a manifestação dos servidores é legítima e só está ocorrendo depois de esgotadas todas as tentativas de negociação. “O atraso de salário, em si, já é motivo para a manifestação, mas eles também estão revoltados com as ameaças que vêm sofrendo do secretário municipal de Serviços Urbanos. Vamos ingressar com uma queixa-crime contra ele, porque entendemos que ninguém pode ser tratado da maneira como este senhor está fazendo com os trabalhadores”.

Segundo Edmilson, o prefeito jogou a toalha sobre o pagamento dos servidores municipais e essa situação é extremamente crítica para quem tem uma família para sustentar. “Alguns moram em casa alugada e como presidente do sindicato, recebo ligações o tempo todo, com pais de famílias chorando e reclamando da situação instalada nesta secretaria, onde a situação é humilhante”.

O prefeito João Salame, segundo Edmilson, não recebe mais os membros do Sindicato dos servidores municipais há mais de três meses. “Chegaram a demitir alguns servidores durante o período eleitoral, mas o Ministério Público ingressou com uma ação na justiça considerando a demissão um crime eleitoral. Da mesma forma vamos fazer aqui. Se demitirem, vamos ingressar na justiça alegando a mesma coisa, porque não pode haver demissão três meses antes da eleição e três depois”, sustentou Oliveira.

Antônio Souza, que trabalha há três anos na Secretaria de Urbanismo, conta seu drama e diz que mais de 150 colegas estão na mesma situação, sem conseguir receber o salário por três meses trabalhados. “Ninguém quer mais vender pra gente fiado. Como vamos pagar o comércio, se não temos dinheiro? O prefeito e esse secretário não estão nem aí pra gente. Para minha família não morrer de fome, estou vivendo de bico, roçando quintais lá por perto de casa. Não estou vindo trabalhar há cerca de 15 dias”, desabafou.

Souza questionou pela atuação do que chama de “órgãos competentes”, como vereadores e Ministério Público do Trabalho, que deveriam agir em defesa dos trabalhadores.

Carlos Alves Vieira, há quatro anos contratado como gari, reclamou dos discursos recentes do prefeito João Salame, o qual alegou que os salários dos servidores não estão atrasando tanto. “Estamos vivendo uma situação de trabalho escravo, porque não estamos recebendo salários e ainda sendo ameaçados. Vieira conta que trabalhava no aterro sanitário, mas “alguém” ficou com raiva dele e o mandou para varrer rua na cidade. “A fome dói e a gente é obrigado a fazer manifestação. Alguém precisa forçar esse prefeito a pagar nossos salários. Só vamos sair daqui quando ele depositar o dinheiro em nossa conta”, afirmou.

Carlos lembrou que o Círio vai acontecer no próximo domingo, 16, em Marabá, e o prefeito vai precisar deles para limpar o trajeto dos romeiros, que deixam muito lixo. “Mas só vamos trabalhar se pagarem nossos salários”, ameaçou.

Comentários ( 3 )

  1. João Salame teve muitos anos para observar e aprender com o sucesso e os fracassos de gestores de Marabá. Tanto como jornalista e empresário, quanto em mandato de Deputado. Contudo, nada disso lhe serviu de aprendizado levando-o a fazer uma gestão desastrosa, e acima de tudo, traiu a confiança do marabaense. Depois do péssimo desempenho do incompetente Maurino, esperava-se mais de uma pessoa do calibre de João Salame.

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