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Marabá

Açaí e chopp se misturam com revistas para tentar frear crise das bancas

DIVERSIFICAÇÃO – Quem ainda aposta no setor diz que precisa vender “de tudo” para não fechar as portas

Por Ulisses Pompeu – correspondente do Blog em Marabá

Procure uma banca de revistas e jornais em Marabá e você vai precisar andar bastante para encontrar uma. O número diminuiu nos últimos anos e as poucas que permaneceram em lugares esparsos precisaram se reinventar, encontrando alternativas para driblar a crise instalada com a popularização da internet e a facilidade de acesso à informação.

Até para os adeptos dos jornais diários e revistas, que no passado precisavam recorrer às bancas para comprarem as “notícias do dia” ou da semana, a expansão da internet e dos pontos de venda, que hoje incluem comércios e até as esquinas, facilitou o acesso à informação e criou uma distância dessa antiga tradição. Pudera: atualmente, a informação está, literalmente, na palma da mão, por meio de smartphones e tablets.

Os donos de bancas tradicionais venderam o ponto. Quem adquiriu também abandonou o segmento ou precisou ir atrás de novas estratégias contra a Internet. Para disputar espaço no mercado com essa “concorrência desleal”, proprietários de algumas das bancas de revistas de Marabá adaptaram seus pontos para não perder a clientela e acompanhar as mudanças editoriais que as publicações também estão promovendo para atrair leitores.

As bancas tiveram de se adaptar à nova realidade, aumentando o “cardápio” de serviços para atrair os clientes e manter uma tradição de décadas. Agora, têm internet para imprimir boleto, serviço de xerox, sorvetes e o indispensável açaí.

E foi no ápice da crise que Alan Borba comprou a banca Estado do Carajás, localizada na rotatória entre as folhas 16, 17, 21 e 20, na Nova Marabá. Inicialmente, pensou que apenas o bom atendimento faria a diferença, mas depois viu que precisava de uma alternativa se não quisesse fechar como os proprietários anteriores. Vendia créditos para telefone celular, balas, mas mesmo assim o lucro não era suficiente para manter as despesas.

Mesmo sendo do Mato Grosso, ele viu no açaí uma alternativa para atrair clientes e aumentar seu lucro. E junto veio a farinha de tapioca e a d’água, que estão fazendo sucesso e levando mais clientes à banca. “Comecei a vender açaí a três meses e de lá para cá as coisas mudaram muito para melhor”, comemora.

Ele explica que o lucro com venda de revista e jornais é de apenas 15%, enquanto do açaí e da farinha é de 30%. “Vendo dez revistas por dia e 30 litros de açaí e 30 litros de farinha”, comemora.

Alan é uma das poucas exceções no segmento. Uma das mais tradicionais bancas da cidade, a Superbanca Carajás, localizada na Folha 27, fechou as portas há mais de dois anos. Zé Carneiro estava cansado de atuar por mais de 10 anos na área no setor e, com dívidas, acabou passando o ponto.

O distribuidor de revistas na região, conhecido como Alexandre, comprou a banca, tentou revitalizar, colocou funcionários, mas acabou desistindo e vendeu para um terceiro, funcionário da Vale. Quando o Supermercado Valor, localizado em frente, fechou as portas, aconteceu o efeito dominó com vários comércios da área, entre eles um ponto de táxi e a banca de revista, que nunca mais reabriu.

Também fechou a banca que havia na Rodoviária da Folha 32, outra na Folha 12 e uma terceira em frente ao Hospital Municipal de Marabá. Liberdade e Morada Nova também perderam bancas.

Na Velha Marabá, a única banca que ainda resiste ficou fechada por mais de quatro meses este ano e só reabriu no último domingo, por intermédio de um morador do bairro (Webert Paixão), que resolveu apostar no escuro. Ao reabrir a banca, ele promoveu até uma festinha com amigos na Praça Duque de Caxias, que dá nome à banca.

Após uma reforma ampla na banca e uma pesquisa de mercado, Webert entendeu que precisava diversificar também para manter o negócio e não quebrar, como fizeram os outros dois últimos proprietários.

Por isso, oferece chocolate, água de coco, produtos de beleza de uma marca bem conhecida e até chopp (não a bebida alcóolica, mas o geladim). Este último produto é fabricado por sua mãe e bastante popular na Velha Marabá. Um carrinho com isolante térmico foi colocado do lado de fora da banca e passa a ser uma das apostas do rapaz. “Nos próximos dias vamos implementar outros produtos para atrair a clientela”, avisa.

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