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Direitos Humanos

Ator Osmar Prado e padre Ricardo Rezende estão em Redenção e Pau D’Arco

De passagem por Marabá concederam coletiva aos meios de Comunicação locais sobre as famílias das vítimas da chacina da Fazenda Santa Lúcia

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Na manhã desta sexta-feira (28) estiveram de passagem por Marabá, rumo a Redenção e Pau D’Arco, o padre Ricardo Rezende e o ator Osmar Prado, ambos integrantes do Movimento Humanos Direitos. Eles foram àquelas duas cidades do sul do Estado ver de perto a situação das famílias dos 10 camponeses mortos em chacina no dia 24 de maio passado, durante operação policial na Fazenda Santa Lúcia. Na ocasião, ambos concederam coletiva na sede da CPT (Comissão Pastoral da Terra), na Velha Marabá, acompanhados do advogado do órgão, José Batista Afonso.

Ricardo Rezende, que viveu durante 20 anos nesta região, lembrou que o Movimento Humanos Direitos existe há 14 anos, foi fundado pelo ator Marcos Winter e dele hoje participam mais de uma dezena de atores e atrizes, que, com a visibilidade que possuem devido à profissão, “buscam lançar uma luz na luta pelos direitos humanos e até têm conseguido salvar vidas”.

Exemplificou lembrando a morte dos sindicalistas Expedito Ribeiro e João Canuto, e dos filhos deste, em Rio Maria, em meados dos anos 1980, quando os atores Ângelo Antônio, Letícia Sabatela, Cristina Pereira e Sérgio Mamberti, entre outros, estiveram naquele município e, a partir dessa movimentação, os assassinatos cessaram.

Disse ainda que o Movimento vem ao Pará para tentar dialogar com as autoridades, conversar com a Imprensa, visitar os familiares das vítimas e, inclusive, auxiliar na aquisição das sepulturas, haja vista que “elas foram tratadas de forma indigna, para que tenham uma sepultura com dignidade e isso seja um alerta à consciência da região”.

Osmar Prado, por seu turno, disse que isso é muito triste, lembrou que, um mês atrás, quando esteve em audiência com o vice-governador do Estado, José da Cruz Marinho – Zequinha Marinho -, em Belém, cobrou apoio aos parentes dos chacinados, mas não viu, até hoje, avanços.

“Não houve assistência psicológica nem material. Eles estão entregues à própria sorte, fruto da luta pela terra. Pela não realização da Reforma Agrária, que na avaliação de Frei Beto está atrasada 500 anos. Continuamos no reino da pistolagem e do patrocínio dos mandantes, destruindo lideranças, destruindo aqueles que podem levar alento a quem não tem voz. Líderes que sabem que sua vida está sendo ameaçada, mas não desistem dessa luta”, desabafou o ator.

Segundo Osmar Prado, aquele que não tem sensibilidade pela dor do outro não merece viver. “Eu digo isso com muito pesar. Acho que esses desmandos avançaram muito mais no momento em que a presidente Dilma Rousseff foi deposta”, avaliou

Prado disse que hoje o País está sendo governado por “uma quadrilha ilegítima”. Afirmou que estamos retrocedendo e que isso se reflete em todos os segmentos, principalmente no campo. “Não vejo em curto prazo uma solução democrática”.

Um dos pedidos que ele faz é que a Polícia Federal não tenha sua participação encerrada na investigação da chacina. “Tentou-se dizer que foi um confronto, uma tentativa cômica, se é que se pode usar essa palavra, mas nenhum policial saiu ferido. Como, num confronto morrem 10 e nenhum policial foi ferido? Ainda bem que se assumiu a verdade. Foi uma chacina perpetrada por agentes de Segurança do Estado e, se não houver punição, aumentará a morte no campo”, advertiu o ator.

Para ele, é preciso dar visibilidade às ameaças de morte perpetradas contra as lideranças, “para que elas tenham um mínimo de proteção na defesa daqueles que não têm voz”.

“Nossa bandeira é a restauração do estado democrático de direito, nesse golpe midiático, congressual e judiciário que se implantou no País. Nós, que vivemos a ditadura militar de 21 anos, nunca poderíamos imaginar – embora houvesse a possibilidade, dada a fragilidade da democracia – que o conservadorismo fosse, em centros urbanos e no campo, atacar de forma tão agressiva, tão desleal, acobertado pela impunidade”, encerrou.

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