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Pará

Cacique mais velho dos índios Gavião morre aos 89 anos

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Faleceu na madrugada desta quarta-feira, dia 19, o cacique Krôhôkrenhum, do Povo Gavião, que habita em oito aldeias da Terra Indígena Mãe Maria, no município de Bom Jesus do Tocantins, a 30 km de Marabá.

Krôhôkrenhum faleceu no Hospital Adventista de Belém, onde estava internado para tratamento de uma tuberculose. Seu corpo está sendo trasladado para Marabá, de onde segue em cortejo fúnebre até a aldeia Parkatejê, com velório previsto para iniciar às 20 horas de hoje.

Por telefone, em Belém, Ubirajara Sompré, membro da aldeia Parkateje e vereador em Marabá, disse que todo o povo Gavião está de luto, independente das diferenças que afastaram alguns grupos nos últimos anos e levaram à criação de novas aldeias dentro da TI Mãe Maria. “Também conhecido como “Capitão”, o cacique foi um ponto catalisador no nosso povo. Sua história é um referencial para todos nós e sua partida é uma grande perda para nossa comunidade”, lamentou Sompré.

Em 2011, com ajuda de duas antropólogas, os índios Gavião festejaram a publicação do livro e filme que imortaliza a luta e resistência de seu Capitão e seu povo. Com 196 páginas, o livro é o resultado de entrevistas com o cacique Krôhôkrenhum registradas por voluntários da própria aldeia.

Quando Krohokrenhum se mudou para Mãe Maria, em 1966, transformou-se em “capitão”, como desde 1913 o SPI denominava os chefes indígenas – nem sempre reconhecidos como tal pelos povos. No início, ele ficou satisfeito com o acordo, que proporcionava ao grupo condições de adquirir produtos industrializados. Os Parkatêjê fabricavam aguardente, melado e rapadura para consumo próprio e comercialização. E extraíam castanha para ser vendida por eles, junto a servidores do órgão tutelar, em Marabá, distante 30 quilômetros da aldeia.

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