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Centaurus Metals se esquiva de Audiência Pública e caixa-preta da Serra Misteriosa continua lacrada

DNPM revela, entretanto, que no local das pesquisas há indicativos de jazidas de cobre e ouro
Por Eleutério Gomes – de Marabá

A Centaurus Metals, mineradora australiana que faz pesquisas na Serra Misteriosa, território entre Marabá e Novo Repartimento, se esquivou da Audiência Pública promovida na manhã desta sexta-feira (27), na Câmara Municipal de Marabá, apesar de ter confirmado presença. De última hora, por meio de seus representantes, alegou ao vereador Ilker Moraes Ferreira (PHS), que presidiu a reunião, que a pesquisa não acontece em território marabaense e sim no solo de Novo Repartimento. A audiência tinha o objetivo de esclarecer os moradores daquela região, sobretudo da Vila Josinópolis, sobre o que vem ocorrendo na área há cerca de um ano.

Segundo relatos dos moradores, eles estão apreensivos com a movimentação dos técnicos que, munidos apenas da autorização do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) para a realização da pesquisa, agem como se o documento lhes abrisse todas as portas: entram em áreas particulares sem pedir licença ou explicar o que estão fazendo ali, perfuram, viram e mexem, sem explicação alguma.

Ilker Moraes lamentou a ausência da mineradora e, ao Blog, declarou que vai continuar tentando esclarecer à sociedade sobre as pesquisas da Centaurus e seguirá vigilante quando ao assunto, uma vez que, presente à audiência, o superintende do DNPM, Carlos Botelho, afirmou que na área pesquisada, segundo informações preliminares, há considerável concentração e ouro e cobre.

Botelho disse que o DNPM também não tem muitas informações, porque a Centaurus ainda não entregou ao órgão o relatório da primeira expedição de pesquisa. Ele explicou que a mineradora requereu, no final de 2016, autorização para pesquisa com duração de três anos, ao longo dos quais seriam feitos 19 furos de sondagem.

Até o momento, ainda de acordo com Botelho, já foram feitos nove furos de sondagem, numa área de 5 quilômetros, na tentativa de detectar ouro. Depois, segundo detalhou, vem a fase de ensaio do material retirado, quando a mineradora vai avaliar a possibilidade de execução do projeto de extração mineral.

Após os três anos de pesquisa e, na possibilidade de haver jazida, com o projeto aprovado pelo DNPM, a mineradora terá um ano para requerer o alvará e apresentar o plano de aproveitamento econômico, demonstrando que é viável, para, então aprovar a Licença de Operação.

E é nesse momento que, alerta Carlos Botelho, a população envolvida tem de estar atenta para os impactos que a exploração vai causar e cobrar as condicionantes. “Mesmo que a jazida seja em Novo Repartimento, vai impactar Marabá”, alerta o superintendente do DNPM.

Participaram ainda da audiência Lafaiete Bentes, presidente da Comissão Estadual de Assuntos Minerários da OAB-PA; Rodrigo Botelho, membro da Comissão de Assuntos Minerários da OAB-PA – Região de Carajás; Cláudia Chini, da OAB Subseção Marabá, os vereadores Irismar Melo, Tiago Koch, Mariozan Quintão, Frank Carreiro, Gilson Dias, além de sindicalistas e líderes comunitários da Vila Josinópolis.

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