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Crise no mercado imobiliário: cai o valor dos alugueis e do metro quadrado em Marabá

Se não baixarem os valores, o mercado continua engessado, segundo a delegada do Creci 12ª Região.
Por Eleutério Gomes – De Marabá

Em meio à crise econômica que parece não ter fim, embora as autoridades financeiras digam que está havendo uma “pequena reação”, o mercado imobiliário, um dos setores mais afetados pela falta de investimentos e de dinheiro em circulação, começa a reagir em Marabá, pelo menos na parte de locação. Porém isso vem exigindo sacrifício, segundo a corretora de imóveis e delegada do Creci (Conselho Regional de Contabilidade Imobiliária) – 12ª Região, Mércia Spíndola.

Segundo ela, a reação ainda é pequena porque exige que o proprietário de imóvel reduza o valor da locação. “Hoje, o que era alugado por mil R$ 1.000,00 baixou para R$ 700,00. Então, o proprietário se encaixa na nova realidade do mercado ou vai ter seu imóvel desocupado por muito tempo. Deixa de ganhar, não consegue recuperar e o imóvel fica depreciado”, adverte ela.

A Nova Marabá tem maior demanda de aluguel, segundo Mércia, porque é nesse núcleo que estão localizados os principais órgãos da administração do município, da Segurança Pública, várias Unidades de Saúde, bancos e cartórios. Mesmo assim ainda há muitos imóveis fechados e, caso os donos não baixem o valor do aluguel, vão continuar fechados.

“Eu aconselho os clientes a baixarem os preços dos alugueis. No início eles acham ruim, mas é melhor baixar e ter alguém cuidado do seu patrimônio, morando e pagando, mesmo que não seja o valor que era dito do mercado, do que vazio e depreciando, porque uma casa vazia se acaba bem mais rapidamente”, analisa.

Vendas engessadas

Quanto às vendas de imóveis, Mércia afirma que o único financiador é a Caixa, mas a instituição resolveu mudar o sistema e engessou mais ainda o mercado. “Na semana passada disse que vai melhorar, mas não sabe quando nem como. Hoje a inadimplência está alta, por causa do desemprego, eles estão retomando muitos imóveis. A pessoa com o nome sujo não financia. Então, o mercado está engessado”, reclama.

Além disso, ainda segundo a delegada do Creci, Marabá, além das dificuldades enfrentadas pelo mercado, tem um grande gargalo: 90% dos imóveis habitacionais são irregulares. “Isso significa que não há um registro cartorário nem averbação da obra e o impossibilita qualquer tipo de financiamento”, afirma, explicando que, para negociar com o banco, o proprietário tem de ter escritura e averbar a obra. Isto é pagar INSS mais os impostos. “Aí isso significa custo e a pessoa não aguenta, não vende e o dinheiro não circula”, lamenta.

M² também tem queda de valor

Indagada sobre se o valor do metro quadrado em Marabá também caiu, Mércia Spíndola afirma que hoje, quem quiser comprar um terreno e tiver dinheiro, interesse e confiança no futuro, compensa fazê-lo, “está comprando bem”. “Hoje, o metro quadrado na área urbana da Rodovia Transamazônica, no perímetro da Nova Marabá até à altura da Avenida Nagib Mutran, que custava R$1.000, está custando R$ 500,00. Caiu drasticamente”, informa.

“Na VP-08, Nova Marabá, o metro quadrado custava até R$ 1.200,00, hoje a pessoa acha até por R$ 300,00. É aquele lote em que o comprador ainda vai fazer terraplenagem, vai ter um custo. Mas, mesmo que o terreno esteja pronto, vai custar em torno de R$ 550,00 o metro quadrado”, acrescenta.

Quanto às vendas, Mércia Spíndola diz que a situação é a mesma. “Você faz uma venda hoje e demora dois ou três meses para fazer outra. Porque não acha comprador para valor que o proprietário pretende e o financiamento precisa de documentação”, comenta.

Já para quem pretende comprar diretamente, sem intermediário, valem as mais diversas propostas. Mesmo assim, os valores também têm baixado. “As pessoas têm aceitado proposta tipo carro como parte do pagamento, troca por um imóvel de menor com volta em dinheiro etc. “Então, a gente está voltando para aquelas vendas casadas. Quer dizer, eu te dou uma casa maior, você me dá uma menor e paga a diferença, dá um carro… É desse jeito”, frisa.

Imobiliárias em crise

“Hoje temos em torno de 28 imobiliárias, infelizmente há alguns colegas que estão saindo do mercado, porque não estão aguentando manter as portas de abertas. Há algumas que têm carteiras de aluguel cuja taxa de administração está segurando. Tem outras que são correspondentes bancários, mas não conseguem gerar o financiamento, mas o que segura hoje uma imobiliária é a carteira de locação”, responde Mércia quando indagada sobre a situação das imobiliárias.

Ela diz que o corretor que é antigo, que recebe R$ 100 mil em alugueis e tem R$ 10 mil de rendimento, consegue se segurar, se empresa forme pequena, consegue ainda manter a porta aberta.  “Mas, muitos, infelizmente fecharam, pediram a suspensão do registro no Creci. Com isso, lamentavelmente, a gente está tendo muita execução federal. Como o Conselho é uma autarquia federal, o corretor que não recolheu suas contribuições é executado”, lamenta.

Incorporadoras renegociam

Em relação aos loteamentos, Mércia conta que muitas pessoas que compraram áreas estão renegociando as parcelas. “Tem gente que comprou por R$ 60 mil e está vendo o vizinho do lado vender por R$ 30 mil. Então, não dá conta de pagar e tem de negociar com a incorporadora”, afirma, justificando a existência de campanhas de incorporadoras oferecendo descontos, acordos ou redividindo. “Ou seja, aumentando o número de parcelas, para poder enquadrar na realidade do seu mutuário”.

O silêncio

A solução para reaquecer o mercado imobiliário em Marabá, segundo Mércia Spíndola, seria desenvolver uma campanha séria de regularização imobiliária, partindo da prefeitura, reduzindo o valor dos seus impostos, por exemplo, em 50%.

“Com isso, a pessoa regulariza, paga, o cartório também dá um desconto, ela recebe o registro. Aí consegue vender o imóvel, vendendo vai movimentar o mercado”, detalha.

Indagada se essa sugestão já foi feita ao Poder Público Municipal, a delegada do Creci afirma que vem mantendo conversação com os três últimos governos, incluindo o atual, mas, nunca obteve resposta. Eles nunca se manifestaram.

“O mercado é penalizado, a comunidade é penalizada e a própria prefeitura é penalizada. Porque, se faz esse mutirão, vai recolher aquele imposto que não está recebendo, vai recolher IPTU, ITBI, vai recolher tudo. Quer dizer, vai gerar uma renda que não está entrando. Eu não sei por que eles não abraçam a ideia. É ruim, principalmente, para o cidadão, porque ele não consegue adquirir seu imóvel e quem possui não consegue regularizar, porque assim diz a lei, só é dono quem registra”, encerra.

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