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Coluna

Haltere-se

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Meu nome é Patrícia Alessi, tenho 26 anos e sou natural de Descanso, em Santa Catarina. Iniciei meus estudos no curso de Educação Física- Licenciatura, em 2010, na Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), complementando com um bacharelado pela Faculdade de Pinhalzinho (Hórus), em 2015; ainda neste ano, conclui minha pós-graduação em Educação Física. Faz um ano que me mudei para Parauapebas a trabalho e, atualmente, atuo como personal trainer.

Essa coluna tem por objetivo trazer  informações sobre a minha área de atuação como personal trainer: dicas de exercícios físicos, curiosidades do mundo fitness e, é claro, orientações valiosas para você praticar exercícios físicos de maneira segura.

Gostaria de agradecer imensamente toda a equipe do Blog Zé Dudu, especialmente o editor-chefe, José Eduardo, por me receberem com tanto carinho e confiarem no meu trabalho.

Talvez você tenha achado estranho o nome dessa coluna, “Haltere-se”, com a letra H, mas, na verdade, eu quis fazer uma junção da palavra Halter – aquele pesinho de academia, que é o meu local de trabalho – com alterar; no sentido de mudar sua situação atual.

Caso você ainda não pratique exercícios físicos, a partir de hoje, irá começar, pois, toda semana, lhe darei um motivo para não ficar parado. E para os que já fazem uso dessa substância poderosa que é o exercício físico, proponho que pense se tem algo que pode mudar: ter mais dedicação, entusiasmo e, por que não, mudar a atividade, caso você não esteja tão motivado assim?

Para estrear a coluna, falaremos sobre aquelas velhas promessas de ano novo. Tenho certeza absoluta que “entrar na academia”, isto é, dar início à prática regular de exercícios físicos, era um dos seus objetivos com a chegada do novo ano, não é mesmo? Mas surgiram aquelas dívidas das festas de Ano Novo, tão comuns em janeiro; vieram o Carnaval, Páscoa, Dia das Mães e até agora você só enrolou, nada de começar.

O trabalho, os estudos, os filhos, o marido ou a esposa, a falta de tempo são os campeões no que diz respeito à desculpas para não praticar nenhum tipo de exercício físico. Você, que não pratica nada, quais são os motivos que te impedem?

Todo mundo tem seus compromissos diários, mas a prática regular de exercícios físicos precisa ser uma prioridade, uma vez que as atividades da vida diária dependem de um bom condicionamento físico.

Você sobe escadas em sua casa ou no trabalho e fica ofegante, ou tem dificuldade, após subir alguns degraus? Você consegue carregar seu filho no colo por muito ou pouco tempo? Após fazer uma faxina, você se sente “acabado”? Parecem apenas atividades simples do nosso cotidiano, mas se você não tiver um bom condicionamento físico, se tornam demasiadamente cansativas.

É nesse e em outros assuntos que nos aprofundaremos nas próximas semanas. Nosso contato no Blog Zé Dudu acontecerá toda segunda-feira e será um prazer trazer mais informações a todos vocês. Estarei aberta a perguntas e até sugestões de conteúdo nos comentários abaixo.

Um ótimo começo de semana a todos!

Coluna

Rapidinhas

As últimas do cotidiano da região
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Moradias
O prefeito de Parauapebas Darci Lermen (MDB) esteve essa semana em Brasília, onde conseguiu junto ao Ministério das Cidades e Banco do Brasil a retomada da construção de 1.194 casas populares que estavam sendo construídas no bairro Nova Carajás e cujas obras foram paralisadas há alguns anos. A retomada do empreendimento, que deve acontecer em no máximo 60 dias, vai gerar cerca de 800 empregos diretos.

Prosap
Na segunda-feira 28, o Staff do governo municipal que está à frente do Projeto de Macrodrenagem, Proteção de Fundo de Vales e Revitalização da Margem do Rio Parauapebas (Prosap) terá uma reunião com uma Comissão do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, quando será apresentado o resultado da Análise do Perfil do município. Assim que esta etapa for vencida, ainda durante o mês de junho, deve ser iniciado o processo de licitação da primeira etapa da obra, que contempla esgotamento sanitário do Bairro da Paz, da área conhecida por Baixada Fluminense (no bairro Rio Verde), e da Lagoa em frente a sede da prefeitura, além da revitalização do Igarapé Ilha do Coco, que terá início na PA- 275 indo até o Rio Parauapebas.

Digital
O sinal analógico da TV Cultura do Pará será totalmente desligado na próxima quarta-feira (30) em Belém e Região Metropolitana, assim como nas demais emissoras do Brasil. Em breve, será iniciado o processo de digitalização das 77 repetidoras no interior do estado. A emissora já transmite a programação toda em HD, sistema com melhor qualidade de som e imagem, desde o ano passado.

Aftosa
Uma comitiva com representantes do setor agropecuário do Pará participa da 86ª Seção Geral da Assembleia Mundial de Delegados, promovida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE na sigla em inglês), que iniciou no domingo, 20, e segue até esta sexta-feira, 25, em Paris, na França. O estado do Pará, juntamente com os estados do Amapá, Amazonas e Roraima recebe, nesta quinta-feira, 24, a certificação internacional de área totalmente livre de febre aftosa com vacinação, tornando todo o Brasil 100% livre da doença.

TCE aprova
Reunido em sessão extraordinária nesta quinta-feira (24) o Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou, por unanimidade, parecer prévio sobre o Balanço Geral do Estado (BGE) 2017, do Governo do Pará. As contas do Governo serão encaminhadas, agora, à Assembleia Legislativa, para votação.

Ganância?
Aproveitando-se da grande demanda em virtude da greve dos caminhoneiros, donos de postos de combustíveis em Parauapebas deram um upgrade nos preços dos produtos aos consumidores nos últimos dias. A gasolina que estava sendo vendida há uma semana pelo preço médio de R$4,60 foi encontrada ontem por até R$5,12. O Procon divulgou nota esclarecendo aos consumidores como denunciar os abusos.

Concurso Susipe
A Secretaria de Estado de Administração do Estado (Sead) informa que a etapa de avaliação Psicológica e entrega da documentação para Investigação Social e Funcional dos Concursos C-199 e C-204 da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe) para provimento de vagas para agente prisional e demais cargos que ocorreria no período de 27 a 30 de maio foi cancelada. Os transtornos causados pela greve dos caminhoneiros, impediu a saída do material da cidade de Guarulhos (SP) e por conta disso a etapa precisou ser remarcada. As provas seriam aplicadas nas cidades de Belém, Castanhal, Marabá, Santarém, Itaituba e Altamira.

Trabalho Escravo
O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) e Repressão ao Trabalho Análogo ao de Escravo do Ministério do Trabalho resgatou em Santana do Araguaia, município no extremo sul do Pará, 15 trabalhadores encontrados em situação degradante de trabalho em fazendas da região. Eles não tinham registro em carteira e dormiam em condições precárias e insalubres nas propriedades. A ação ocorreu entre os dias 8 e 22 desse mês.

Adiada
Em Parauapebas, a Secretaria Municipal de Segurança Institucional e Defesa do Cidadão (Semsi) e o Departamento Municipal de Trânsito (DMTT) informam que devido à greve dos caminhoneiros e à redução no abastecimento de combustível na cidade, a ação educativa para promover o Dia da Gentileza no Trânsito com a entrega de rosas, música e sensibilização da comunidade foi adiada para a próxima semana em data ainda ser definida. A ação tem como objetivo principal despertar boas atitudes e estreitar os laços entre os agentes de trânsito, condutores e pedestres, buscando sempre o respeito e cidadania.

FAEPA
Não convidem para comerem juntos uma suculenta galinha caipira o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará – FAEPA -, Carlos Fernandes Xavier e boa parte dos pecuaristas paraenses. É que, para os pecuaristas, Carlos Xavier, que há 20 anos lidera a classe no Pará, tornou-se pessoa não grata. Os membros da classe que Xavier deveria defender já buscam destituí-lo do cargo. Carlos Xavier, segundo a turma do agronegócio, tem a gestão questionada por não ter prestado contas à classe.

Sinobras
A Siderúrgica Norte Brasil S.A. (SINOBRAS), do Grupo Aço Cearense, cedeu as dependências da empresa para o Exército Brasileiro realizar treinamento de Posto de Segurança Estático (PSE), nos dias 22 e 23 de maio, com exercícios e simulações para garantir a lei e a ordem. No primeiro dia de treinamento foram realizadas atividades do Programa de Adestramento Básico, com os soldados do Efetivo Variável. Já no dia 23, foi treinado o Efetivo Profissional, que permanece servindo o Exército após o serviço militar inicial e compõe a Força-Tarefa Transamazônica da 23ª Brigada de Infantaria de Selva.

Cidade Vazia…
A greve dos caminhoneiros não acabou. A gasolina e óleo diesel desapareceram em boa parte dos postos de combustíveis em Marabá. E como efeito dominó, o trânsito nesta sexta-feira está tranquilo na cidade, como se fosse feriado. Muitas pessoas não saíram de casa, mesmo trabalhando em repartições públicas. Em várias escolas, professores não compareceram e a justificativa é de que estavam sem combustível para ir trabalhar. No Ministério Público Estadual, a recomendação é que os veículos oficiais só saem da garagem se for para algo urgente e extremamente necessário.

E pode esvaziar mais
A coisa pode piorar mais ainda nas próximas horas. Os ônibus que fazem o transporte coletivo em Marabá podem parar de circular caso a paralisação nacional dos caminhoneiros perdure. Esse é o temor do presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Marabá, José Martins. Táxi, táxi lotação e mototaxistas estão cobrando valores acima da tabela porque alegam que andam muito para conseguir abastecer, sem contar o tempo que gastam em filas nos postos de combustíveis. No final da manhã de hoje, a Prefeitura anunciou que só vão circular veículos oficiais que realizam serviços essenciais, como ambulâncias do SAMU e caminhões da limpeza urbana.

Vale tudo
Agora sob a administração do Grupo Partage, o Shopping Pátio Marabá tenta de tudo para driblar a crise que fez mais de três dezenas de lojistas baterem em retirada desde que aquele centro de compras inaugurou, em 2013. Entre as estratégias, abriu espaço para abrigar um balcão de serviços do governo do Estado para emissão de carteiras de Identidade, do Trabalho, entre outros serviços. Agora, radicalizou e passou a receber até mesmo uma feira com verduras, furtas e polpas. Trata-se de uma Feira do Produtor Rural, com produtos da agricultura familiar. Atualmente, existem quatro expositores e a previsão é de que, em breve, sejam ofertados produtos derivados de leite e coco (embalados). A feira ocorre todos os sábados no Piso L2 do Pátio Marabá.

Sem foro
Atendendo a pedido feito pelo Ministério Público do Estado do Pará, o Conselheiro Andre Godinho, do CNJ, determinou a exclusão de trecho do Regimento do TJ-PA em que é exigido, mesmo sem força de lei, que os desembargadores autorizem o órgão acusatório a investigar agentes públicos com prerrogativa de foro na esfera estadual. No pedido, o MP afirma que ao menos outras quatro cortes estaduais têm a mesma regra.

Sem foro II
A decisão não trata do alcance do foro e tão somente estabelece, no caso concreto do Estado do Pará, que o Tribunal não pode criar obstáculos à fase preliminar de investigação, já que não encontra amparo legal para isso. A decisão do CNJ deve abrir precedente para que os demais tribunais também sejam questionados a respeito.

Dengue e chikungunya …
Em virtude da boa propaganda produzida pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Parauapebas, pelo excelente trabalho da equipe da Vigilância em Saúde da Semsa, e pela cooperação da população, o município conseguiu zerar o número de casos confirmados de Dengue em abril passado.

… nunca mais
Para se ter uma ideia da relevância do trabalho conjunto, em 2017 foram 1.097 casos da doença confirmados em Parauapebas. Já em 2018, apenas 59 casos foram confirmados (11 em janeiro; 31 em fevereiro; 17 em março; e zero em abril). Os casos de chikungunya seguiram o mesmo caminho. Em 2017 foram 1.495 casos, contra apenas 9 esse ano.

Coluna

Artigo: Mobilização dos caminhoneiros, uma causa justa!

A mobilização dos caminhoneiros pode determinar uma mudança de atitude da população e dos políticos
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Em julho de 2013 integrantes do Movimento Passe Livre iniciaram um manifesto contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. O movimento ganhou uma grande adesão da população brasileira e o que se viu, à época, foram manifestações em quase todos os municípios brasileiros, não só mais pelo preço da passagem, mas por mais segurança, melhor educação, saúde, etc, culminando com a invasão do Palácio do Planalto, em Brasília.

Outras manifestações vieram depois de 2013 e o país se acostumou à elas. Perdemos uma Copa do Mundo em casa, aliás fomos humilhados, e o país seguiu sem que nenhuma nova liderança tenha surgindo daquelas manifestações. Contudo, houve avanços no geral, principalmente na conscientização do brasileiro de que se pode lutar quando as situações são adversas.

De lá pra cá um ex-presidente foi preso e cumpre pena em Curitiba. Só esse fato serviria para provar que a impunidade já não é certeza para a maioria dos políticos e que a transparência tende a ganhar corpo nas administrações municipais, estaduais e federais.

Há quatro dias vivemos a manifestação dos caminhoneiros por todo o Brasil. Tal qual como em 2013, o que começou com uma pauta tende a se tornar algo gigantesco e deve culminar com ganhos reais, seja com a diminuição dos preços dos combustíveis, seja com a discussão da forma de cálculo destes, já que com a descoberta do pré-sal o país passou a ser autossuficiente em petróleo e não deveria receber influência dos preços internacionais do produto no preço final de venda aos consumidores tupiniquins.

Diferente das interdições feitas pelo MST e outros movimentos sociais, a causa dos caminhoneiros tem o apoio de grande parte da população, já que todos veem os preços dos combustíveis no país como abusivos e que interfere diretamente na vida de todos nós. Por outro lado, prova que quando a causa é justa, recebe o apoio irrestrito da população e provoca mudanças de atitude. Levar nossos nobres deputados ao plenário para colocar em pauta e votar assuntos tributários em caráter de urgência mostra o poder da mobilização. São, realmente, novos tempos!

Em outubro próximo viveremos mais uma vez o ápice da democracia. Escolheremos novos deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e o presidente da república. Políticos que terão a dura missão de colocar esse país nos eixos, coisa que eu, com os meus mais de cinquenta anos de vida, ainda não vi.

Outro dia me enviaram um vídeo pelas redes sociais em que o entrevistado dizia que o Brasil é o país dos esquemas. Que a política nacional, independente de partido, é um grande jogo de cartas marcadas em que as grandes empresas mandam. Elas bancam financeiramente os partidos (todos) e recebem de volta o investimento, através de obras superfaturadas e ou leis que as beneficiam, quando os novos dirigentes são eleitos. Só tem um problema: o dinheiro investido pelos empresários na política é fruto de corrupção, de superfaturamento de obras e serviços e quase nunca sai do bolso deles. Ou seja, nossos políticos são bancados pelo suor do povo e quem ganha são os empresários.

Há várias razões para o descontentamento dos brasileiros. Estamos insatisfeitos com nossa saúde pública, com a educação capenga que nossos filhos recebem, com a falta de empregos e com a segurança… E só há uma maneira de melhorar isso, elegendo políticos capazes, eficientes e, sobretudo, honestos. Mas, onde encontrá-los, já que pessoas capazes, eficientes e honestas dificilmente escolhem a política como meio de vida?

Resumo da ópera: o Brasil não tem jeito?

Tem sim! Precisamos confiar mais na justiça, mesmo aqueles que acreditam que esta é tendenciosa, que só pune um partido e que veem em Gilmar Mendes o libertador de políticos e empresários corruptos. Precisamos crer que em um futuro breve nossos políticos farão uma reciclagem e tomarão consciência que o bem comum é muito mais produtivo que o ganho pessoal, que o Brasil é um país especial e merece estar em um patamar melhor. Utopia? Eu chamaria de esperança. Só ela pode nos salvar!

Artigo

Parauapebas 30 anos

Uma breve reflexão e um vídeo em homenagem aos 30 anos de Parauapebas
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Tenho lido, nessa semana em que Parauapebas comemora seu 30º aniversário de emancipação política, vários artigos de blogueiros, jornalistas e afins, referentes à data. Alguns desses já fizeram parte de outras administrações e tratam logo de fazer comparações entre o atual governo municipal e os de outrora. Citando o volume de recursos arrecadados, tratam logo de dizer que Parauapebas é uma potência mal administrada prestes a quebrar.

Deles eu discordo completamente! Como o “trin-trin” de um despertador, aos trinta anos é preciso que despertemos e plantemos agora o futuro que queremos para essa cidade que nos recebeu de braços abertos e onde a maioria constituiu família. Muitos, assim como eu, chegaram aqui há longínquos anos para passar uma temporada, ganhar um bocado de dinheiro e voltar para as terras de origem.  Mas, como disse o poeta, “eu fui que fui ficando”. Fiquei sempre aguardando que a decrepitude política dos nossos governantes tomassem rumos melhores e que Parauapebas pudesse espelhar de igual forma a grandiosidade dos recursos financeiros que aqui são despejados ano após ano.

Nesses trinta anos, em minha opinião, podemos comemorar mais do que reclamar. Quando aqui cheguei, há 34 anos, Parauapebas não passava de cinco ou dez ruas encravadas ao pé da serra, algumas delas um antro de cabarés e casas de jogos. Hoje Parauapebas abriga mais de 120 bairros, a maioria planejado, com ruas, meio-fio, energia elétrica e abastecido por água tratada, e, com o mais importante, um povo trabalhador e que busca seu sustento de forma honesta. Esse sim o nosso maior patrimônio: nossa gente.

Passadas as festas de comemoração aos trinta anos, precisamos começar a discutir políticas públicas que melhorem a vida da nossa gente. Precisamos avançar na educação, criando mecanismos para que nossos filhos não precisem deixar a cidade para fazer um bom curso superior. Precisamos avançar na saúde, humanizando cada vez mais o atendimento e buscando qualificação técnica para que nossa gente não morra de doenças que hoje são curáveis. Precisamos avançar na segurança, mesmo esta sendo uma obrigação do estado, melhorando a iluminação pública e criando mecanismos para que os órgãos de segurança possam trabalhar de forma mais profissional no combate aos criminosos. Precisamos avançar culturalmente. Parauapebas tem um centro cultural belíssimo entregue pela Vale que jamais foi usado por pura burocracia, já que Vale e prefeitura ainda não chegaram a um acordo sobre a forma de gerir aquele espaço, que poderia estar recebendo peças teatrais, exposições de fotografias, artes, e formando atores, entre outras ações.

Mas, o que para mim deveria ser a mais importante ação que nossos políticos poderiam tomar seria a ampliação e criação de emprego e renda em Parauapebas, e isso passa por uma transformação no uso dos nossos recursos. É preciso que criemos um fundo financeiro oriundo de um pequeno percentual da arrecadação da CFEM para que, no futuro, quando o minério de ferro acabar, Parauapebas não se torne um grande buraco. Esse fundo financiaria estudos de viabilidade econômica para projetos de empresários que queiram se instalar em Parauapebas, e seria importante que esses projetos fossem alheios à mineração. Que tal investir na agricultura, na pecuária, em piscicultura, em laticínios, em pequenas indústrias de transformação que possam usar matéria-prima local, criando pequenas empresas  e gerando inúmeros empregos?

Claro que, quando se fala em política os ânimos se afloram. Se tem alguém no poder, tem sempre alguém querendo esse poder. Isso é natural e faz parte democracia. Mas, deixemos de pessimismos e de propagar o caos. Parauapebas é uma cidade maravilhosa que, como diz seu hino oficial, conquistou nossos corações, pois foi escolhida por Deus para abrigar o povo D’ele. Se acha que o prefeito está ruim, que os vereadores são ruins, que está tudo errado, espere até as próximas eleições e faça campanha pra mudar tudo, essa é a hora! Pessimismo e desdenho com quem está administrando só irá trazer mais caos em um momento de total instabilidade do país.

Hoje é dia de festa, de comemorar sim esses trinta anos. De glorificar as conquistas e agradecer a contribuição que cada ex-gestor deu à Parauapebas. Obrigado Faisal Salmen, Chico das Cortinas, Bel Mesquita, Darci Lermen e Valmir Mariano pelo empenho em tornar Parauapebas uma cidade melhor para o seu povo. Cada um de vocês certamente saíram da prefeitura com o sentimento de ter feito o melhor que era possível naquele momento. Hoje a batuta está novamente nas mãos de Darci e cabe a ele conduzir Parauapebas para um futuro não tão dependente da mineração. Temos recursos financeiros e um povo de mente aberta para inovações. Vale a pena tentar!

O vídeo abaixo é uma pequena homenagem do Blog aos 30 anos de Parauapebas. A letra da música é do jornalista Marcel Nogueira, a quem agradeço pela generosidade de ter emprestado “Rio de Águas Claras” para compor essa homenagem, e a à HD produções pela produção do vídeo.

Rio de Águas Claras (Marcelo Nogueira)

No sopé da serra,
entre as montanhas eu te vi menina a se fazer mulher.
No teu passo verdejante de felicidade, toda prosa
em vaidade, como tinha que acontecer.
Por tua beleza, és falada,
és comentada,
e o minério que insistes em nos ofertar.
No teu colo farto, generoso,
Acolheste brasileiros, como filhos do Pará.

Rio de águas claras de caipira, de caipora, pirararas,
Maravilha dos xicrins,
Preguiçosamente invadindo o Itacaiunas
Levas peixe ao “ribeirin”.
Namorada bela, a primeira do Rio Verde,
De tempos antigos e primaveris.
No teu colo farto, generoso
Acolhestes brasileiros, de todos os brasis.

Do Liberdade ao Altamira
A moça é bonita demais.
A lua nascendo no bairro da Paz.
As roupas quarando e tomando os varais
Na Cidade Nova os quintais simetricamente iguais,
Os bares da praça e os sons musicais, que nem impressões digitais
De tão parecidas, são tão desiguais.

Artigo

Sistema hipócrita?

A judicialização da gestão pública e suas consequências.
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Desde a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), oficialmente Lei Complementar nº 101, que visa impor o controle dos gastos da União, estados, Distrito Federal e municípios, condicionando-os à capacidade de arrecadação de tributos desses entes políticos,  promoveu-se o que passamos a chamar de transparência dos gastos públicos. A Lei Complementar foi sancionada em 2000 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Vivíamos, ou melhor, nossos políticos viviam em um momento em que dinheiro publico e dinheiro pessoal eram tratados da mesma forma. Aqui na região do entorno de Carajás, pra se ter uma ideia, havia prefeito que comprava bezerro com cheque da prefeitura.

Hoje, a contabilidade pública e as consequentes prestações de contas dos gestores são os calos dos políticos, e dos que gerem recursos.

Essa semana, em Conceição do Araguaia, um promotor de justiça pagou do próprio bolso para que um carroceiro transportasse processos do Fórum até a sede do MP. Isso porque a camionete que atende o parquet local não tem motorista, e, se um outro funcionário a usasse para o transporte seria caracterizado desvio de função.

Há exageros em tudo quando se fala em recursos públicos.

Recentemente, decisões judiciais puseram em xeque contratos de prefeituras da região com escritórios de contabilidade, assim como de advogados. Sob a égide da transparência, gestores e contratados foram condenados a devolverem recursos por serviços prestados. Prefeituras devem ter, e têm, seus contadores e advogados concursados. Diz a Lei que a prestação de serviços às prefeituras devem acontecer através de processos licitatórios, mas, será que aí não caberia uma exceção à regra.

A alegação jurídica é que os valores cobrados são altos demais. Sobre isso, cito a frase de um velho amigo, economista mineiro e profundo conhecedor das coisas do mundo: “Caro é o que não vale”.

Os serviços prestados por estes profissionais são de extrema confiança. Além disso, são continuados, já que os órgãos fiscalizadores demoram anos para analisar as prestações de contas das gestões. No futuro, caso esses gestores (fora do governo) necessitem de documentos que comprovem as prestações de contas, certamente não receberão a mesma contrapartida que tinham quando estavam no poder. Por falta de um simples documento, prefeitos e secretários correm o risco de perder seus patrimônios. Por isso acredito que esse tipo de contrato devem ser feitos analisando três pontos: competência, continuidade e confiança.

Se a LC 101 trouxe transparência às gestões, não há o que dizer o que ela provocou no tocante à eficiência e agilidade. Hoje os governos estão engessados financeiramente.  São burocráticos e sentem verdadeiras fobias dos órgãos fiscalizadores.

Salvo um ou outro caso, gestores são tratados pelos entes que praticam a justiça nesse país como verdadeiros bandidos. E, em assim sendo, agentes públicos buscam se defender de alguma forma, e uma delas é o foro privilegiado. Levantamento da Folha de São Paulo publicado nesta terça-feira (24) informa que, no Brasil, 58.660 agentes públicos têm a garantida da prerrogativa de foro privilegiado em todo o país.

Se um agente do Ministério Público do Pará tem receio de dirigir ou mandar que outro funcionário do órgão dirija um veículo lotado no MP, imagine o quão medrosos estão os gestores, que gerem milhões e milhões anualmente.

Não estou aqui defendendo corruptos e tampouco querendo a liberação da transparência, mas a judicialização da administração pública precisa ser revista urgentemente. Se isso não for feito, teremos que escolher entre os corruptos, pois nenhum gestor quer assumir um cargo para depois ter que dar seu patrimônio por erros nas prestações de conta. Para o corrupto isso pouco importa. Ele quase sempre não tem patrimônio no seu nome e, concluído o mandato, vai se refugiar em um paraíso fiscal qualquer.

Opinião

Artigo: Se descuidarmos, Judiciário comerá duas Serras Peladas a cada ano

Confira o artigo do colunista Elio Gaspari publicado hoje (06) na Folha de São Paulo
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Senhora presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça.

Vosmicê não me conhece. Vivi no mato, nas terras do “Velho Genésio”, perto de Marabá. Um dia meu filho achou uma pedra que brilhava. Isso foi quando a senhora era uma jovem advogada.

Era ouro. A gente estava na Serra Pelada e ela se tornou o maior garimpo a céu aberto do mundo. Em 1980 as gentes correram pra lá. Veio até estrangeiro, e durante cinco anos 120 mil homens carregaram sacos de cascalho naqueles barrancos.

Tiraram dali 30 toneladas de ouro.

Pois veja, há aqui um doutor que fez a conta. Na cotação de hoje essas 30 toneladas valem R$ 4,16 bilhões. Em 2015, os penduricalhos, gambiarras e puxadinhos dos magistrados e servidores do Judiciário custaram R$ 7,2 bilhões. Hoje, a conta deve estar por aí.

Em agosto passado, em Minas Gerais, quatro magistrados e 12 servidores receberam mais de R$ 100 mil líquidos cada um. Um juiz paulista que extorquia dinheiro de um empresário foi condenado a oito anos de prisão, está em regime semiaberto, foi aposentado compulsoriamente e em agosto recebeu R$ 52 mil. Se descuidamos, daqui a pouco, os doutores comerão duas Serras Peladas a cada ano.

A Constituição diz que existe um teto de R$ 33,7 mil mensais para cada brasileiro que trabalha para o governo, e os juízes garantem que cumprem as leis. Deve ser verdade, porque juiz não mente, mas eu penso naqueles caboclos que ralavam no morro. Teve muito sujeito que perdeu tudo com mulheres e cachaça. Foi dinheiro mal gasto, mas duas Serras Peladas anuais para pagar pelos penduricalhos desses doutores será dinheiro mal recebido.

A senhora veja como são as coisas deste mundo. Desde sempre, espanhóis, portugueses e brasileiros procuraram a tal montanha de ouro que existiria na Amazônia.

Há quase 500 anos o Francisco de Orellana desceu de Quito, passou fome, até couro comeu e não achou nada. Está aqui um Bartolomeu. Ele viveu no Pará e jura que por volta de 1640 passou a uns 200 quilômetros de Serra Pelada. A montanha de ouro existia. Como brasileiro não desiste, desentocamos 30 toneladas de riqueza. Pra quê? Pra pagar a cada ano uma Serra Pelada de “puxadinhos”. Talvez duas. É pena, mas a burocracia que cria prebendas não produz montanhas de ouro.

Gente de sabedoria me conta que o Brasil cresceu, os Três Poderes custam caro e isso é natural. Só quem não entende é o tabaréu sem estudo, gente como eu. Mas procurei saber melhor e li nos livros que o ouro das vossas Minas Gerais enricou maganos de Portugal.

O Francisco de Orellana, que até hoje masca pedacinhos de couro, ficou assombrando com a conta dos penduricalhos. Desde 2014 as gambiarras comeram o equivalente a 20 mil toneladas de prata das minas coloniais espanholas Os maganos de Madri tiraram da América umas 100 mil toneladas de prata e, mesmo assim, a Espanha teve pelo menos dez bancarrotas. Orellana explica o que houve: entre 1556 e 1700, quatro reis nomearam 334 marqueses e 171 condes, cada um deles com direito ao seu puxadinho.

Senhora, livre-se desse cascalho alheio.

Assino em cruz e respeitosamente despeço-me.

Zezinho do Genésio

Texto originalmente publicado aqui.

Saúde

Artigo: Quando o medo masculino está apenas em um toque.

O novembro azul pode ser um bom período para falarmos da detecção precoce do câncer de próstata, e é. No entanto, precisamos conversar também sobre o que é ser homem.
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Por Wagner Dias Caldeira ( *)

Gabriel Garcia Marquez, em uma de suas principais obras, O Amor nos Tempos do Cólera, faz Fermina Daza, a bela e delicada senhora que protagoniza o romance, lembrar de um fato de sua noite de núpcias com o Dr. Juvenal Urbino. Ele foi o primeiro homem que ela ouvira urinar e som daquele “manancial de cavalo tão potente e investido de tanta autoridade” a fizera temer os estragos vindouros.

Assim como na literatura, na vida que vivemos fora dos livros a masculinidade sempre esteve ligada a expressões de força, potência e autoridade, enquanto que à mulher e à feminilidade foram deixadas a submissão e a passividade. Não nascemos com esses lugares biologicamente reservados, eles são construídos socialmente e vêm mudando muito lentamente e a passos de bêbado.

Ambos, homens e mulheres, têm pago um preço alto pela manutenção dessa configuração social. Mulheres mais, é claro: enclausura no espaço doméstico, violências, exclusividade na criação dos filhos, dependências emocional e financeira.

Os homens, porém, passam por um momento de indisfarçável ameaça aos esteios da masculinidade. Um dos principais perigos nasce e cresce dentro do próprio corpo do homem. O de próstata é o segundo câncer que mais afeta a saúde dos homens – perde apena para os tumores de pele não melanoma. Mas porque esse câncer além de afetar a saúde ameaça junto a masculinidade?

As piadas com o toque retal parecem não ter fim quanto a número e criatividade. Pelo riso a angústia se ameniza, mas o exame de toque continua sendo o meio mais eficaz de detecção do enrijecimento da próstata, a ponto de que 10% dos casos só são diagnosticados no contato da ponta dos dedos com o órgão.

 Os homens falam pouco quanto aos medos que os afligem enquanto os 50 anos de idade vão se avizinhando, mas o extenso anedotário gira todo em torno da perda da masculinidade. Todos nós homens racionalmente sabemos que um simples exame não deveria mudar o que somos, mas parece que a condição de passividade e recepção incomoda por estar identificada com o papel sexual feminino das mulheres e dos homens homossexuais – que na fantasia do hétero é apenas o passivo.

A evolução do tumor faz com que os pilares da masculinidade dominante se esfumacem: o exame, as dores e a fraqueza que impedem o trabalho pesado, a disfunção erétil e até mesmo as alterações no fluxo urinário que aos poucos deixa de ser o “manancial de cavalo” capaz de encher uma garrafa com a precisão de um sniper e passam a assemelhar-se mais um riacho com destino incerto.

O novembro azul pode ser um bom período para falarmos da detecção precoce do câncer de próstata, e é. No entanto, precisamos conversar também sobre o que é ser homem. Pensarmos que não há só um modo de sê-lo. Tornar a masculinidade um substantivo plural. Masculinidades. O que esperamos dos novos homens é que tenham apenas algo em comum: que reconheçam seus medos e passem a cuidar mais de si.

( * ) – Wagner Dias Caldeira é psicólogo. Atualmente responde pela coordenação municipal de saúde mental e é Referência Técnica em Saúde Mental do 11º Centro Regional de Saúde/SESPA.

Música

Artigo: “A culpa deve ser do sol”.

Leia o que pensa o Juiz Líbio Moura sobre o novo e polêmico disco de Chico Buarque
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Por juiz Líbio Araújo Moura (*) 

Chico voltou. E para aqueles que justificaram a canção “Desaforos”, ele veio com o faro apurado como resposta. Voltou melhor ainda, como se em plena forma no “Jogo de Bola”.

Não há o que escrever de diferente ao tecer comentários de algumas das nove canções do novo álbum, sete inéditas e duas regravações. São os sinais habituais, com passagens que fazem remissões literárias refinadas e populares ao mesmo tempo.

Dentre eles um verso que é uma pérola: “oh mãe pergunta ao pai quando ele vai soltar a minha mão”. Simples, terno, suave e que remete a tantas mensagens que o velho Chico vem nos mandando nos últimos anos. O filho que quer alçar seu próprio voo.

O trecho é da canção “Massarandupió”, praia do litoral baiano reservada aos naturalistas, e que o poeta escreveu para uma valsa entregue pelo neto Chico Brown, quiçá o mesmo que deseja soltar a mão do pai, o também músico Carlinhos Brown, para mostrar seu talento próprio.

Desde o disco “As cidades”, Chico Buarque tem feito homenagem ao parceiro precoce.

Na canção “A ostra e o vento”, do filme homônimo, a música nasceu da cantiga de embalar o neto: “vai Chiquinho vai, Chiquinho vem” e daí o compositor fez o vento passar nas estrofes.

Na série de documentários dirigida por Roberto Oliveira, a partir de 2005, Chico Buarque desabafou sobre o preconceito que o xará Brown sofria nos ditos condomínios da elite branca carioca: “eles pensam que são brancos” – disse (DVD Saltimbancos).

Nas entrelinhas, a homenagem não veio apenas em “Massarandupió”, mas na canção que dá nome ao disco: “As Caravanas”.

“Tem que bater, tem que matar” a turba – em geral de negros suburbanos – que desce dos morros cariocas para ocupar a praia de Copacabana e acabar com a tranquilidade da “gente ordeira e virtuosa”. Essa gente são os mesmos brancos, dos mesmos condomínios. Mas a culpa deve ser do sol e de mais ninguém.

É sempre o Chico, com a extraordinária ironia na crítica ao cotidiano surrado, cansado.

E dele também nasce um elo para o amante rejeitado pela menina que não gosta de meninos (Blues pra Bia). Ou do marido, já inicialmente criticado pelas vozes autorizadas da cultura brasileira, por deixar “mulher e filhos” em nome do grande amor em “Tua Cantiga”. Ah, quem nunca…

O certo é que há costumeiramente uma euforia quando Chico escreve, canta ou se manifesta. E novamente ele veio falando sobre a réstia da sociedade: a lésbica, o negro, o adúltero, o jogador – e porque não também o cantor – ultrapassado pelo tempo.

E a excitação se explica porque se sabe que dele realça uma coerência opinativa de nossos tempos. E de todos os tempos.

(*) – Libio Moura – Juiz de Direito no estado do Pará – comarca de Castanhal.