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Saúde

Prefeitura de Breu Branco emite nota sobre macacos encontrados mortos

Na nota, a coordenação de Vigilância Epidemiológica tranquiliza a população quanto ao contágio da febre amarela
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A prefeitura de Breu Branco, no sudeste paraense, por meio da Secretaria de Saúde emitiu na manhã desta terça-feira (27) uma nota técnica esclarecendo sobre dois primatas encontrados mortos na localidade de Pintinga, zona rural daquele município no último domingo (25). A suspeitos é que os macacos tenham sido acometidos por febre amarela silvestre, o que causou Pânico na localidade.

Na nota, a coordenação de Vigilância Epidemiológica esclarece que todas as medidas necessárias em prol do bem estar e saúde da população da região foram tomadas e tranquiliza a população quanto a possibilidade da doença, ressaltando que os primatas não transmitem a febre amarela, sendo apenas portadores.

A Secretaria de Saúde informou que toda a agenda de vacinação foi cumprida com êxito e orienta caso alguém não tenha tomado a vacina que procure os vários postos de saúde do município.

A causa da morte dos primatas está sendo investigado pelo Instituto Evandro Chagas, em Belém, e algumas das hipóteses seriam a morte por causa natural, brigas por território, doenças naturais, velhice dentre outras.

A nota orienta que a população não deve matar os animais, já que eles não oferecem riscos alem de ser crime ambiental. Os macacos são dispersores de sementes e fundamentais para que a floresta seja saudável.

Nos últimos dias, houve a vinculação de que os referidos macacos estariam pondo em risco a saúde da população por transmitir a febre amarela e o descaso por parte das autoridades municipais.

A Prefeitura informou que os macacos não são transmissores e sim hospedeiros da doença, sendo as notícias veinculadas nas redes sociais infundadas, sem embasamento científico e mentirosas.

Ações vêm sendo realizadas pela Secretaria de Saúde desde o ano de 2017, e diversas buscas ativas de primatas na zona rural de Breu Branco, na Ilha Grande de Jutaí, foeam realizadas onde foi encontrado um primata em avançado estado de putrefação o que impossibilitou a coleta de material.

A Prefeitura está cumprido o protocolo com o bloqueio vacinal da população da região (vacinação das pessoas que ainda não haviam recebido ou não poderiam comprovar que foram vacinadas para febre amarela) onde o referido primata foi encontrado, sendo que um Biólogo e um Veterinário procederam a remoção e retirada de vísceras do animal para análise no Instituto Evandro Chagas, em Belém.

Região

Reportagem da Época destaca violência e assassinato de prefeitos da região

Matéria faz análise detalhada sobre os assassinatos dos prefeitos de Goianésia do Pará, Breu Branco e Tucuruí, ocorridos em 2017
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A edição da Revista Época deste domingo traz reportagem especial sobre a violência na região Sudeste do Pará: sob o título “Corrupção, pobreza e morte”, a matéria faz uma análise detalhada sobre os assassinatos dos prefeitos de Goianésia do Pará, Breu Branco e Tucuruí, ocorridos em 2017. A ameaça de morte do prefeito de Novo Repartimento também é um dos destaques da reportagem.

A circulação da revista vem causando embates acalorados nas redes sociais em Tucuruí. De um lado, os apoiadores do grupo que exige a resolução do caso do assassinato do prefeito Jones William; do outro, os apoiadores do prefeito afastado, Artur Brito, e sua família, acusados de serem mandantes do crime que chocou a população de Tucuruí.

A reportagem traz à tona, mais uma vez, detalhes das investigações, dando ênfase nos nomes dos suspeitos apontados pela policia como executores e mandantes. Em um dos trechos, o texto cita os motivos que teriam levado os investigadores a afirmarem que Josenilde Silva Brito, a Josi, mãe do prefeito afastado Artur Brito, fora a mandante do assassinato.

Um dos motivos teria sido a dívida com agiotas para bancar a campanha, via caixa dois: “depois da vitória, Josi apresentou a conta: o prefeito eleito tinha uma dívida de R$ 2 milhões com o esquema. Deveria saldar o compromisso contratando empresas de fornecimento de combustível, terceirização de pessoal e coleta de lixo ligadas a Josi e aos agiotas.

William consultou a mulher, Graciele, que havia cuidado do caixa na campanha. Pelas contas dela, o débito não passava de R$ 400 mil. O prefeito pagou a dívida diretamente ao primeiro agiota de quem o dinheiro fora tomado emprestado, ignorando os intermediários”, cita parte da reportagem.

“Os fatos irritaram e estremeceram a relação entre o prefeito, o vice Artur e a mãe deste, Josi”, é o que aponta o relatório final da Polícia Civil sobre a investigação, conforme a reportagem.

À reportagem, Artur Brito foi enfático ao declarar que ele e sua família são vítimas de “grande armação política”. “O prefeito estava envolvido num grande esquema de agiotagem, com muita gente de fora e muito perigosa”, disse Brito. “Temos testemunhas que, na hora certa, vão se manifestar. Ninguém vai botar esse crime nas nossas costas.”

Enquanto os fatos não são elucidados, a reportagem é um pouco mais de combustível em uma região onde grupos políticos rivais brigam pelo poder e estão em ponto de ebulição.

comércio

Ideflor-bio vai cadastrar pescadores e compradores do Lago de Tucuruí

O cadastramento faz parte das atribuições prevista na lei de criação da APA Lago de Tucuruí
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O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio) vai realizar o cadastramento do todos os pescadores e compradores de pescado (intermediários) que utilizam os recursos pesqueiros do Mosaico de Unidades de Conservação Lago de Tucuruí.

O cadastro inicia por Tucuruí e Breu Branco a partir do dia 22 e seguindo até o dia 3 de fevereiro. Pescadores e compradores dos municípios de Novo Repartimento, Goianésia do Pará, Jacundá, Itupiranga, Nova Ipixuna e Marabá também deverão realizar o cadastro até o dia 10 de março, prazo final do cadastramento.

Mariana Bogéa, gerente do Mosaico do Lago de Tucuruí, explica que o cadastramento faz parte das atribuições prevista na lei de criação da APA Lago de Tucuruí e será integrado ao Sistema de Monitoramento do Desembarque Pesqueiro e Aquícola do Mosaico Lago de Tucuruí, que irá emitir o documento oficial de identificação dos usuários dos recursos pesqueiro do Mosaico, assim como o comprovante de produção dos pescadores. “O cadastro é gratuito, e os pescadores e comerciários não pagarão nenhuma taxa para efetivar o cadastramento e nem para adquirir a declaração junto às entidades do setor da Pesca”, enfatiza a gerente.

O Sistema de Monitoramento tem o apoio da Justiça Federal, Ministério Público Federal e da Polícia Federal, com o objetivo de auxiliar nas práticas adotadas por esses órgãos para coibir os ilícitos que envolvem o setor da pesca.

Os convocados deverão comparecer aos locais indicados no Chamado Público publicado no Diário Oficial do Estado do Pará n° 33527, de posse dos documentos pessoais e de específicos como o original e cópia da carteira de Pescador Profissional Artesanal (RGP); carteira da entidade de classe a qual é filiado; declaração da entidade representante de classe preenchida e assinada pelo representante legal da entidade; documento de comprovação de propriedade de embarcação, quando houver.

Mais informações:

Sede das colônias de Pescadores dos municípios envolvidos.

Sede do Ideflor-bio em Belém (AV. João Paulo II, s/n. Curió-Utinga) ou em Tucuruí (Rua Groelândia, n°01. Vila Marabá), de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.

Ou por meio do e-mail: grtuc.ideflorbio@gmail.com

Os cadastramentos serão realizados nos seguintes períodos e locais:

Período

Público

Local de cadastramento

Horário

22/01/2018 à 03/02/2018

Pescadores e Compradores dos municípios de Tucuruí e Breu Branco

Sede do Mosaico Lago de Tucuruí (Rua Groelência, n°01. Vila Marabá-Tucuruí)

08:00 às 12:00 e de 14:00 às 18:00 horas.

05/02 à 10/02/2018

Pescadores e Compradores do Município de Novo Repartimento

Barracão da Colônia de Pescadores Z-78 Novo Repartimento – Polo Pesqueiro.

12/02 à 17/02/2018

Pescadores e Compradores do município de Goianésia do Pará

Sede da Colônia de Pescadores Z-61 Goianésia do Pará, na Vila São Pedro.

19/02 à 24/02/2018

Pescadores e Compradores do município de Jacundá

Sede da Colônia de Pescadores Z-43 de Jacundá.

26/02 à 03/03/2018

Pescadores e Compradores do município de Itupiranga e Nova Ipixuna

Sede da Colônia de Pescadores Z-44 Itupiranga.

05/03 à 10/03/2018

Pescadores e Compradores do município de Marabá

Sede da Colônia de Pescadores Z-30 de Marabá.

Meio Ambiente

Operação apreende 2,5 toneladas de pescado na região do lago de Tucuruí

Polícia tirou ainda de circulação João Batista Xavier Garcia, o Capadinho, um dos maiores atravessadores de pescado da região
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A ação integrada entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), o Ideflor-bio e as Secretarias de Meio Ambiente de Tucuruí e de Goianésia do Pará resultou na apreensão de mais de 2,5 toneladas de pescado. A apreensão do pescado irregular aconteceu nesta segunda-feira (11) na Vila das Placas, no município de Breu Branco.

Com o apoio do 13º Batalhão de Polícia Militar de Tucuruí foi detido um dos maiores atravessadores de pescado da região, João Batista Xavier Garcia, conhecido como Capadinho, que já foi conduzido à 15ª Zona de Policiamento de Tucuruí (Z-pol) para os procedimentos criminais.

Conforme o delegado de Tucuruí, Washington Santos de Oliveira, Capadinho é acostumado a cometer esse tipo de crime e somente ele já chegou a desviar e comercializar mais de 50 toneladas de pescado no período do defeso. O atravessador foi preso em flagrante e foi apreendido o veículo utilizado para transportar o pescado. “Já estávamos tentando fazer a prisão dele há algum tempo e o infrator evadiu do local abandonando o veículo que foi apreendido junto com o pescado, mas conseguimos pegar ele”, falou o delegado.

Mariana Bogéa de Souza, gerente do Mosaico Lago de Tucurui, falou sobre as diversas atividades de fiscalização que estão sendo realizadas na região do Mosaico. Até o mês de dezembro já foram apreendidos mais de 5 toneladas de pescado e somente nesta operação, três veículos de pequeno porte e dois caminhões foram apreendidos e os infratores foram conduzidos a delegacia. Todo o pescado foi doado para as comunidades e entidades que prestam serviços sociais.

Cotidiano

Breu Branco: Falta de energia gera reclamação dos moradores

Problema se repete por várias vezes, inclusive em um mesmo dia.
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Os moradores do bairro Japonês, em Breu Branco, estão revoltados! O motivo é a constante falta de energia que tem deixado os moradores daquele bairro completamente indignados.

Cristina Alamar, doméstica, conta que o problema tem sido recorrente e praticamente todos os dias falta energia. “Não é normal que a energia falte tanto. E se falta de manhã, por exemplo, mesmo que consertem, a chance de faltar de novo no fim do dia é grande. Eu não consigo entender. Isso sem falar que tem dias que a luz vira um verdadeiro pisca-pisca”, comenta Cristina, que recentemente teve sua TV queimada por conta das constantes quedas de energia.

Segundo os usuários do serviço, o problema se repete por várias vezes, inclusive em um mesmo dia. Quem depende da energia para trabalhar, por exemplo, acaba prejudicado e os moradores acreditam que o problema é reflexo da falta de investimento da operadora Celpa na rede de Breu Branco.

Ainda segundo os moradores ouvidos pela reportagem, o problema se agrava quando chove. “No último domingo eu liguei quatro vezes para conseguir falar com um atendente. Uma hora caía a ligação, outra eu digitava o número e o sistema não reconhecia, um transtorno”, conta revoltado Paulo da Costa, morador do bairro.

A Celpa é a campeã de reclamações em todo o estado do Pará. Entre as queixas mais frequentes estão as cobranças abusivas, tarifas exorbitantes, cortes indevidos e interrupção no fornecimento. A empresa não se manifestou quanto às reclamações. (Com informações de Charles Amorim)

saúde

Raro, câncer de pênis é o segundo tipo mais comum da doença na região de Tucuruí

Especialista da Unacon explica que tumor é o segundo mais frequente nos homens, atrás apenas do câncer de próstata. Doença é causada pela falta de higiene e em homens com fimose.
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Na semana em que a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia Dr. Vítor Moutinho (Unacon), em Tucuruí, encerra as ações de educação em saúde do Novembro Azul, contribuindo para o diagnóstico precoce do câncer da próstata em homens dos municípios de Breu Branco, Goianésia do Pará e Novo Repartimento, além de Tucuruí, uma surpresa nada agradável está sendo a descoberta de casos recorrentes de câncer de pênis. No último ano, foram três casos diagnosticados na região, o que deixa Tucuruí e os municípios como uma área de alta incidência da doença.

Conforme explica a médica oncologista, Ana Paula Borges, os cânceres mais recorrentes na região são o de pele, mama, próstata, gástrico, colo do útero e pênis. Sendo nos homens o de próstata e pênis prevalentes na região de Tucuruí.

A médica explica que o câncer de pênis foi um achado aqui na região, pois, mesmo sendo esse tipo de doença muito comum na região norte e nordeste, a equipe da Unidade não esperava encontrar tanta incidência.

Ana Paula explica que em todo o país, os índices da doença atingem 2% ao ano. Tucuruí foram registrados três casos avançados de câncer de pênis. Parece pouco, mas no Maranhão, onde a doença atingiu status de problema de saúde pública, em 2016, em seis meses foram diagnosticados quatro casos, sendo oito casos ao todo. “Por diversos fatores, dentre eles alimentares, de higiene e culturais, os homens da região deixam de fazer exames periódicos. É preciso orientar e educar essa população porque muitos homens não atentam para sintomas e a alternativa, no caso do câncer de pênis avançados, é a amputação”, explica a médica.

FALTA DE HIGIENE
A doença é causada principalmente pela falta de higiene e tem forte prevalência em homens com fimose (quando o estreitamento na abertura do prepúcio, a pele que reveste a glande, impede que ela seja exposta). Estudos científicos sugerem que a doença também está associada à infecção pelo vírus HPV.

Ana Paula explica que o tumor no pênis acomete principalmente homens que vivem em regiões rurais, com pouca cultura e que só procuram ajuda quando o pênis já está muito ferido, às vezes com o tumor exposto, saindo sangue e pus. Medidas simples como a circuncisão evitaria o câncer de pênis.

Outra forma de melhorar o diagnóstico e o tratamento seria aumentar a atenção sobre a doença cujo número de casos não é relatado com rigor, o que trava investimentos em pesquisas e remédios.

CAUSAS, SINTOMAS E TRATAMENTO
O câncer de pênis inicialmente não apresenta sintomas, mas tem como causa principal o acúmulo de secreções na glande. Essa ‘sujeira’ pode evoluir para uma infecção que se transforma em ferida. Se não curada, vira um tumor que aos poucos vai lesionando a região.

Mas sua prevenção é simples: basta lavar a cabeça do pênis com água e sabão, puxando a pele na hora do banho, depois da masturbação e depois de ter relações sexuais, além de usar camisinha para evitar a infecção pelo HPV.

Outro problema é que a quimioterapia e a radioterapia pouco funcionam nestes casos, por isso a amputação parcial ou total é frequente. “Quando se dá o diagnóstico do tumor, o que é confirmado por biópsia da lesão suspeita, geralmente o tratamento é extirpa-la, retirá-la. O que geralmente é feito por mutilação, amputação do pênis, parcial ou total, ou até por emasculação que é amputar toda a genitália inclusive testículos e bolsa escrotal”, explica a especialista.

Por isso, em caso de vermelhidão ou feridas no pênis, o ideal é procurar um urologista. Se o tumor for pequeno, o câncer pode ser eliminado com cirurgia. “Atenção a todas as lesões, ferimentos, manchas no pênis que não melhoram após tratamentos mais comuns como cremes, pomadas. Lembrando que muitas lesões no pênis podem ser micoses, infecções de pele, ou até DSTs e que se submetidas aos tratamentos específicos saram. O ideal é procurar um médico para avaliação. Mas a maneira simples de tentar evitar tão triste história é algo fácil, prático e barato: lavar o pênis”, orienta.

Referência para tratamento de câncer na região, a Unacon tem equipe especializada que trata diretamente, com atendimento seguro, de qualidade e humanizado, de 24 pacientes com neoplasia maligna de próstata.

Somente no sudoeste do Pará a Unacon é responsável pela assistência de uma população estimada em quase 1,8 milhão de habitantes. A unidade atende usuários adultos egressos da própria unidade e também os encaminhados pela Central de Regulação de Marabá.

SERVIÇO

A Unacon Tucuruí funciona em frente ao Hospital Regional, na Vila Permanente. Mais informações pelos fones: (94) 3778-4928 / 4599.

Polícia

Homem é morto a tiros em Breu Branco

Antes de receber os disparos, a vítima foi agredida, provavelmente por populares
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Um homem ainda não identificado morreu após ser alvejado com diversos disparos de arma de fogo em Breu Branco. O caso, que causou espanto em alguns moradores, ocorreu no final da tarde desta quinta-feira (09) em Placas do Pitinga, Zona Rural do município.

De acordo com a polícia, a vítima é suspeita de praticar crimes contra o patrimônio na região. A morte, supostamente, foi provocada por populares revoltados, já que o homem apresentava ferimentos em várias partes do corpo, inclusive na parte superior. Devido a estes ferimentos o homem teve morte declarada ainda no local.

A polícia foi acionada e compareceu ao local do crime, que fica localizado a cerca de 25 quilômetros da zona urbana da cidade. Uma equipe do Instituto Médico Legal IML de Tucuruí foi acionada e realizou a remoção do cadáver.

A vítima, ainda não identificada, passou por perícia, mas o corpo ainda permanece no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves aguardando por familiares que venham fazer o reconhecimento e a retirada para os serviços fúnebres.

A polícia imediatamente deu início às investigações e espera contar com a colaboração de moradores da Vila para elucidar o caso. Até o momento ninguém foi preso.

Propina

Em coletiva, PF e Ibama detalham início meio e fim da Operação Concisor

Em relação promíscua com madeireiros, servidores se passavam por fiscais e avisavam sobre as operações do órgão ambiental. Confira os áudios.
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Por Eleutério Gomes – de Marabá

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje (31), a Operação Concisor, com objetivo de coibir crimes ambientais no Estado. Cerca de 60 agentes cumpriram 15 mandados judiciais: quatro de prisão, cinco de busca e apreensão e seis de conduções coercitivas, bem como ordens judiciais de afastamento de servidores da função pública, em Marabá, Parauapebas, Breu Branco, Canaã dos Carajás e Eldorado dos Carajás.

Embora a PF mantenha sob sigilo os nomes dos envolvidos, o Blog levantou que o empresário de Parauapebas Sidney Carlos Osterman, mais conhecido como “Macarrão”, proprietário da Madeiras Rio Verde, de cujo escritório foram apreendidos computadores e documentos, foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos. Em Marabá havia mandados de prisão temporária para três servidores do Ibama , além de um de condução coercitiva. Os servidores envolvidos são os de prenome Noleto, Ramon, Cláudio e Marinho, mas, segundo o Blog apurou, apenas três destes foram presos. O quarto prestou esclarecimentos e foi liberado.

A operação, que contou com o apoio de informações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), durante toda a investigação, tem entre os presos, servidores do órgão ambiental suspeitos de repassar informações para madeireiras e outras pessoas fiscalizadas pela autarquia federal em troca de vantagens indevidas ou dinheiro em espécie.

Os investigados vão responder por corrupção passiva, ativa e concussão. Se condenados, podem pegar penas de prisão de até oito anos de reclusão, além de multa.

Sobre a operação, Polícia Federal e Ibama concederam entrevista coletiva na Delegacia da PF em Marabá, dando conta de que as investigações, iniciadas há mais de um ano, partiram de uma suspeita levantada dentro da própria Gerência Executiva do Ibama, em Marabá, de que servidores poderiam estar passando informações privilegiadas a empresários madeireiros denunciados por crimes ambientais. Essas suspeitas foram motivadas pelo fato de, ao chegarem ao local em que estariam acontecendo as irregularidades, geralmente serrarias, os fiscais encontrarem estas fechadas, com as máquinas paradas e sem movimentação de pessoas, como se ali nada estivesse acontecendo. Fato que se repetiu inúmeras vezes. “Isso causou prejuízo fortíssimo para as atividades do Ibama durante a fiscalização”, disse o delegado Josiel Brito, responsável pela investigação.

Ele contou ainda, que na manhã de hoje, durante o cumprimento dos mandados, quando teve acesso aos aparelhos celulares dos envolvidos, constatou, ao verificar mensagens de WhatsApp, um “íntimo relacionamento entre fiscalizados e fiscalizadores”, embora não se tratem de fiscais e sim de servidores de outras atividades que se faziam passar por fiscais. “Alguns desses fiscalizados estavam envolvidos em outras atividades irregulares, transportando madeira em meio a caminhão de tijolos e diversas outras”, detalhou o delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Rômulo Rodovalho.

Hildemberg da Silva Cruz, gerente executivo do Ibama em Marabá, que assumiu o órgão em fevereiro do ano passado, disse que as suspeitas foram levantadas ainda pela gerente que o antecedeu, a qual comunicou à Polícia Federal que várias fiscalizações em madeireiras que exploravam a espécie castanheira e também em áreas de preservação nunca eram pegas em flagrante.

“Na minha gestão intensificamos e mostramos claramente que, quando o Ibama chegava até o local de empreendimentos que seriam alvo de fiscalização, encontrava tudo fechado, não conseguindo flagrar o crime ambiental sendo cometido”, reforçou o gerente.

Segundo Hildemberg, uma das graves consequências disso foi que, em 2016, de 40 ações de fiscalização desencadeadas, baseadas em denúncias concretas, metade caiu por terra devido ao vazamento de informações. De acordo com Rodovalho, as recompensas não eram pagas em valores altos e muitas vezes se traduziam em benefícios pessoais como abastecimento de veículos, entre outros, “embora qualquer propina seja condenável”, resultando em grande prejuízo “para o meio ambiente e ao órgão fiscalizador”.

Durante as investigações, segundo Rômulo Rodovalho, a PF começou a observar o estreitamento das relações entre madeireiros ilegais e os servidores do Ibama: “Isso, por si só, de ter várias ligações e íntimo contato de amizade, amistosidade, é como se um policial fosse amigão de um criminoso. Já é uma conduta suspeita, além das provas que conseguimos angariar durante tanto tempo de investigação”.

Indagado se os madeireiros conduzidos estão contribuindo com as investigações, o delegado afirmou que alguns se negam a  admitir envolvimento, mas disse que a PF, em um caso, identificou uma pessoa “que era uma peça que faltava no quebra-cabeça” da investigação, e esta delatou toda a atividade da propina e confessou que pagou aos servidores pelo vazamento de informações.

Relação promíscua
A PF também divulgou três áudios que provam a relação promíscua entre servidores e madeireiros. No primeiro, um dos servidores presos e um amigo fazem chacota a respeito do desmatamento no País. Nos outros dois, mais um servidor, também preso, avisa um madeireiro sobre operações na região e pede R$ 200,00 a título de empréstimo. Confira:

Áudio 1

Amigo – Tá de folga?
Servidor – Nós estamos indo ali resolver um problema…
Amigo – Qual o problema? É mineração ou é madeireira?
Servidor – (risos) Rapaz, pare com isso, rapaz (risos).
Amigo – Se o Brasil um dia precisasse de oxigênio e dependesse
de vocês pra sobreviver, com uma árvore em pé, virava o deserto
do Saara. Era mais fácil plantar árvore no Saara.
Servidor – Se o Brasil perder oxigênio, nós estamos f… (risos)

Áudio 2

Servidor – Nós estamos retornando amanhã.
Madeireiro – Estão retornando pra Marabá. Hoje não tem ninguém pra cá, não? Só amanhã?
Servidor – Só amanhã.
(…)
Servidor – Aí eu tô indo também acompanhando eles, segunda-feira a gente vai pra Anapu ou então São Félix do Xingu.
Madeireiro – É? Essa turma que saiu daí ainda vem hoje à noite e ainda dorme em Marabá?
Servidor – É, dorme em Marabá. E aí segunda-feira é que nós vamos pra um lado e pra outro. Pois é, hein? Tem jeito de me emprestar aí 200 reais, que as nossas diárias não saíram e nesse período de meio-dia eu tava passando amanhã aí.
Madeireiro – Tá, aí tu me avisa aí, manhã…
Servidor – Quando eu tiver no posto, né?
Madeireiro – É. E eu vejo o que é que eu faço.

Áudio 3 

Madeireiro – Fale, doutor.
Servidor – O rapaz falou que vinha cedo. Não veio não?
Madeireiro – Foi nada.
Servidor – Aquele negócio que eu te falei já começou.
Madeireiro – É? E não sabe pra que lado vai?
Servidor – Já começou aqui mesmo.
(…)
Madeireiro – Mas… chegou a equipe de fora?
Servidor – É.
Madeireiro – Vai cumprir as demandas todas.

Confira as fotos: