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Parauapebas

Coletiva: autoridades explicam morte de cabo PM, execuções em Parauapebas, e prometem prender os assassinos

"Isso não vai ficar impune. Vamos identificar e prender os assassinos do Cabo Nonato", disse o Comandante-Geral da PM do Pará em coletiva realizada hoje (13) em Parauapebas

O Comandante-Geral da Polícia Militar do Pará, Coronel Hilton Celson Beningno de Souza esteve nesta quarta-feira, 13, no município de Parauapebas. Ele participou do enterro do policial militar, Raimundo Nonato Oliveira de Sousa, de 51 anos, que foi torturado e assassinado por quatro criminosos na última segunda-feira. Em seguida, participou de uma entrevista coletiva, ao lado da Diretora da 20ª Seccional da Policia Civil, Yanna Kaline Azevedo, para falar sobre as investigações e as mortes registradas após o assassinato do PM.

Para a polícia civil, a principal linha de investigação da morte do Cabo Nonato é homicídio e não latrocínio, que é roubo seguido de morte, como chegou a ser divulgado no dia do crime. Segundo a delegada, Yanna Azevedo, os bandidos teriam invadido a casa do PM com intenção de matá-lo. “As investigações ainda estão em curso. A gente não descarta nenhuma linha, mas a mais forte é de homicídio. Tudo indica que os bandidos sabiam que ali morava um policial militar”, destacou a delegada.

Sobre a divulgação nas redes sociais de supostos criminosos, a delegada fez um alerta. “Muitas postagens com informações inverídicas e as pessoas têm que ter cautela, quanto o que posta. A conduta delas pode ser incriminada porque a rede social não é campo sem lei”.

A delegada Yanna não confirmou se já existe a identificação de suspeitos, mas disse que que a polícia civil recebeu apoio da Secretaria de Segurança Pública para elucidar o caso.

Mas foi em tom de desabafo que o Coronel Hilton Beningno falou à imprensa sobre a violência que tem vitimado policiais. São 21 PM’s mortos, este ano, no Pará“. Pessoal, a gente vive num país em guerra. Um país que tem 60 mil homicídios por ano. Essa guerra só não está declarada, mas ela existe. O país que mais morre policias no mundo é o Brasil. Nós temos que mudar nossa legislação. Na semana passada foi preso um elemento que estava assaltando um ônibus em Belém, pela 12º vez. Não estou adiantando, mas é possível que o cabo Nonato tenha sido vítima de pessoas que ele tenha prendido”. O coronel explicou que já pediu ao delegado geral da polícia civil do Pará que designe uma equipe específica para apurar a morte do cabo Nonato. “Isso não vai ficar impune. Nós vamos chegar aos autores, vamos identificá-los e prendê-los, como deve ser feito, na forma da lei”, desabafou.

Oito integrantes do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar já estão em Parauapebas para auxiliar a PM e a Polícia Civil nas diligências. Também, para dar apoio na busca pelos criminosos, foi deslocada uma guarnição da Policia Rodoviária Estadual.

O Comandante também foi questionado sobre a violência crescente em Parauapebas. Hoje, o efetivo do 23º Batalhão da PM é de 240 policiais militares, responsáveis não só por Parauapebas, mas também pela segurança de Curionópolis, Canaã, Eldorado de Carajás, Serra dos Carajás, Serra Pelada e a área do Contestado. “A partir do dia 2 de outubro inicia o curso de formação de praças, aqui em Parauapebas, com 90 alunos e a partir de março do ano que vem, eles já estarão prontos para fazer o estágio nas ruas da cidade”, declarou o comandante, informando que a frota de veículos deve ser renovada ainda esse ano, com mais viaturas para a cidade.

Execuções em Parauapebas.

Depois do assassinato do Cabo Nonato, na última segunda-feira, seis pessoas foram mortas em Parauapebas. Mas, uma das vítimas de arma de fogo morreu durante a ação Policia Militar e, por isso, não faz parte das investigações sobre as execuções na cidade. Para a delegada Yanna, ainda é prematuro relacionar esses crimes com o assassinato do PM, mas ela confirma que a maioria das vítimas tinha passagem pela polícia. “Ainda estamos investigando se alguma das vítimas conhecia o cabo Nonato, mas tudo ainda está sendo apurado”, declarou.

O Coronel Hilton Benigno também acha prematuro qualificar como chacina, as cinco mortes em Parauapebas. “Tive conhecimento dessas mortes assim que cheguei, e é preciso investigar a causa de cada uma delas para saber se há relação com a morte do cabo Nonato”, disse o coronel, que durante a coletiva citou a prisão de policiais militares em Belém, suspeitos de participar da chacina de 21 pessoas depois da morte de um PM, na capital. “A partir de hoje será instaurado um inquérito policial e, se, durante o inquérito eles encontrarem, também, alguma conexão dessas cinco mortes com o assassinato do cabo Nonato, obviamente que isso será levado em consideração”, enfatizou o Coronel.

A polícia militar informou que vai intensificar o trabalho ostensivo nas ruas de Parauapebas para evitar o clima de insegurança entre a população. “Esse ano nós retiramos das mãos de criminosos mais de 70 armas que foram apreendidas. Temos recuperados motos e veículos roubados e vamos continuar o nosso trabalho de combate à criminalidade” destacou o Comandante da PM de Parauapebas, Luiz Vallinoto.

O Prefeito de Parauapebas, Darci Lernem, também participou da coletiva e disse que vai realizar uma reunião de trabalho com os órgãos responsáveis pela segurança pública como Poder Judiciário, Policia Militar e Secretaria de Segurança Pública para traçar um plano de combate a violência na cidade. “Parece que toda vez que alguém morre, aí é que a gente consegue se mobilizar, mas a mobilização tem que ser permanente”, destacou o prefeito que também foi cobrado sobre os Equipamentos de Proteção Individual dos guardas municipais. “Nós já solicitamos a Policia Federal a autorização para o uso de armas de fogo. Mas estamos resolvendo o problema das Epi’s”, concluiu.

A violência em Parauapebas também chamou atenção das pessoas nas redes sociais. O juiz, Doutor Líbio Moura, que trabalhou em Parauapebas durante vários anos, falou sobre a tentativa de grupos em criar pânico com a disseminação de informações desencontradas “Nenhum grupo de criminosos tem força para se sobrepor às instituições. Outras situações, semelhantes, já foram vividas na cidade e devem servir para que as discussões sobre prevenção e repressão aos crimes sejam melhoradas.

O enterro do policial militar aconteceu sob forte comoção de familiares, amigos e companheiros de farda, no final da manhã desta quarta-feira no cemitério Jardim da Saudade, em Parauapebas.