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Saúde

Secretaria de Saúde de Marabá desmente notícia de mortes por chikungunya ou febre amarela

Em 2016, o número de pacientes diagnosticados com Chikungunya foi de 81. Este ano já foram registrados 28 casos, mas nenhuma das pessoas diagnosticadas morreu

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Ao contrário do que vem se propagando em redes sociais, o município de Marabá não registrou nenhum caso de morte devido à Chikungunya ou à febre amarela, em 2016, nem neste ano de 2017, até o momento. É o que informa, de maneira categórica, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVS), procurada pelo blog nesta na tarde desta quinta-feira (16). O transmissor dessas doenças é o mosquito Aedes Aegypti, que também é vetor da dengue e do vírus Zika.

De acordo com a enfermeira Fernanda Miranda (foto), da DVS, no ano passado 81 pessoas foram acometidas de Chikungunya e, em 2017, até hoje, 28 casos foram confirmados, mas nenhum dos pacientes morreu. “Essas notícias não passam de boato. Já dizem até que houve mortes por febre amarela. Também não é verdade”, afirma Fernanda.

Sobre a febre amarela, esta não registrou vítimas em Marabá em 2016. E neste ano de 2017 apenas um paciente está internado com suspeita de ter adquirido a doença, “mas se recupera bem e os sintomas ainda estão sob investigação para que se confirme ou não a ocorrência desse mal”.

A respeito da dengue, Fernanda Miranda informa que no ano passado foram confirmados 517 casos do tipo clássico, 13 desses com sinais de alarme, quando o paciente passa a ter vômito e dores abdominais, sintomas considerados mais graves. “Porém, não foram registradas mortes”. Já em 2017 o número de registros de dengue clássica, até o momento, é de 106 casos.

Quanto ao Zika, em 2016, o vírus atingiu 14 pessoas em Marabá, porém foi constato somente um caso de microcefalia em recém-nascido.

Sintomas

“Os sintomas da dengue são febre alta, dor no corpo, dores musculares, dores de cabeça e dores nos olhos”, descreve Fernanda, acrescentando que a Chikungunya apresenta os seguintes sinais: febre alta, dores intensas e incapacitantes com (edema) inchaço nas articulações, “como característica mais forte”.

De acordo com ela, as sequelas da Chikungunya podem levar bem mais de seis meses e se prolongar por até cinco anos, conforme registra a literatura médica. “A pessoa continua sentindo dores nas articulações e inchaços. Eles melhoram e voltam durante um bom período. Nos casos mais graves e cujas sequelas levam anos, o paciente pode, inclusive, sofrer de artrite e artrose”, afirma a enfermeira.

Já o vírus Zika, ainda conforma Fernanda, quase não apresenta sintomas: “A pessoa não tem febre ou a febre é muito baixa e os sintomas são benignos, como exantema (vermelhidão na pele) e vermelhidão ocular, os quais desaparecem em três dias”.

Por fim, Fernanda Miranda orienta às pessoas com esses sintomas a evitarem a automedicação, sobretudo a ingestão de anti-inflamatórios, que pode levar a sequelas mais graves. “Elas devem ficar alertas aos sintomas para saber diferenciar dengue de Chikungunya e procurar uma unidade de saúde para que sejam diagnosticadas corretamente e não tirem conclusões erradas”.

Saúde

Xinguara (PA) tem situação de emergência, por doenças infecciosas, reconhecida pela Defesa Civil

Medida permitirá que a Prefeitura solicite apoio do Governo Federal para intensificar ações de combate ao Aedes aegypti

A situação de emergência causada pelo elevado número de casos de febre Chikungunya, Dengue e Zika vírus na cidade de Xinguara (PA) foi reconhecida nesta sexta-feira (17) pelo Ministério da Integração Nacional. O município possui mais de 3,8 mil casos de doenças infecciosas virais registradas. O percentual de infestação do mosquito Aedes aegypti na região também já alcança a margem de 17% – o valor de referência recomendado pelo Mistério da Saúde é de 1%. A medida vai permitir que a prefeitura solicite apoio emergencial da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec-MI) para ações de socorro e assistência à população. O reconhecimento federal foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) de hoje.

Para atender de forma rápida o município, o Ministério da Integração Nacional já iniciou a articulação com o Ministério da Defesa o apoio das tropas do Exército Brasileiro, reforçando as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti – vetor transmissor das doenças. A medida também deve integrar agentes da Defesa Civil local e da Secretaria Municipal de Saúde.

Desastres naturais biológicos

Os surtos e epidemias de doenças infecciosas virais são considerados desastres naturais e classificadas como ocorrências biológicas pela Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade). Dentre os critérios para o reconhecimento federal estão adificuldade no controle da doença, danos humanos consideráveis e casos em que a situação de normalidade pode ser restabelecida com o apoio complementar dos governos estaduais ou federal.

Agentes de endemias

Crise do Aedes: Marabá e Parauapebas têm déficit de 175 agentes de endemias

Como o aumento dos casos de doenças causadas pelo mosquito Aedes Aegypti, a preocupação com o mosquito deve ser redobrada, tanto pelas secretarias de saúde como pela população

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Os maiores municípios da região sudeste do Pará – Marabá e Parauapebas – têm um grande número de casos de doenças relacionadas ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Chikungunya, Dengue e Zica vírus. Enquanto isso, esses mesmos dois municípios têm déficit de agentes comunitários de endemias para entrar em cada imóvel da cidade, vasculhar e acabar com focos do mosquito.

Marabá deveria ter, atualmente, 140 agentes, mas possui em seus quadros apenas 26. No final do ano passado, 75 foram distratados e muitas partes da cidade ficaram descobertas da atuação da equipe que faz visita casa a casa.

Já Parauapebas tem uma deficiência de 47% de cobertura dos profissionais para eliminar os focos de doenças nas residências. Deveria ter 150 atuando nas ruas, mas possui apenas 71 para dar contas de dezenas de bairros, o que é praticamente impossível.

Canaã dos Carajás, que precisaria de pelo menos 21 Agentes de Endemias, tem 21; Jacundá necessitaria de 25, mas possui nas ruas somente 11 profissionais.

Na região, quem cumpre com a cobertura recomendada para os profissionais de endemias são os municípios de Curionópolis, Brejo Grande do Araguaia, Itupiranga, São João, São Domingos do Araguaia e Bom Jesus do Tocantins.

Nesta terça-feira, numa reunião na Câmara Municipal de Marabá, 75 agentes demitidos no final do ano passado pleitearam a recontratação por parte do Poder Executivo. Ouviram e debateram, juntamente com os vereadores, a real situação do sistema de saúde em Marabá.

O secretário de Saúde, Marcone Leite reconheceu que é indiscutível a necessidade de contratação dos agentes de endemias. Para ele, existem muitos focos do mosquito Aedes Aegypti e é preciso combater esse agente de doenças.

Por outro lado, Marcone explicou que existem entraves de natureza burocrática e reafirmou que o Ministério da Saúde possibilita o aumento no número de 50 profissionais no combate às endemias, e que o ingresso no cargo só será possível seguindo os critérios do próprio Ministério. “A contratação deve ser através de processo seletivo nos critérios exigidos, porque com isso se consegue garantir o financiamento para o pagamento desse profissional. Sem isso, não temos como arcar com a despesa. Não adianta criarmos uma expectativa de contratar os agentes que já estavam no cargo, se não temos como pagar com recursos próprios”, advertiu o secretário.

Contudo, garantiu que será dada prioridade a quem tem experiência, como é feito em qualquer concurso, com prova de títulos. “Quem já tem experiência com endemias pontua mais de início do que quem não tem”.

Os vereadores pediram celeridade na contratação dos agentes porque a cidade vive uma pandemia de doenças causadas pelo famigerado mosquito Aedes.

O vereador Ilker Moraes solicitou que seja restabelecido rapidamente um cronograma de ações para as contratações. “É preciso que se defina quando será aberto o edital de contratação. O mosquito está tomando conta de Marabá, é preciso agir, a população vem sofrendo com dengue e Chikungunya”, clamou.

Miguel Gomes Filho, o Miguelito, observou que, como se trata de uma imposição do Ministério da Saúde é preciso informar que esse pessoal já fez o processo seletivo anteriormente. Já trabalharam, já foi gasto dinheiro na qualificação dos profissionais que estão aqui, ou seja, já estão preparados e são selecionáveis. Caso não seja possível, que se dê a esses agentes uma pontuação maior no processo seletivo que será feito, dando prioridade a quem já tem experiência”, opinou Miguelito.

O presidente da Câmara, vereador Pedro Correa ponderou que é preciso que haja responsabilidade para entender o momento atual. Considerou que há um surto do mosquito Aedes Aegypti, e a partir do momento que houve a demissão dos agentes de endemias a situação se agravou ainda mais e também quer rapidez para contratação de agentes para o serviço de visitação de residências.

O Blog enviou pedido de explicação à Assessoria de Comunicação da prefeitura de Parauapebas para saber a posição da PMP sobre o assunto; se há previsão para contratação; e quais ações estão sendo providenciadas para a melhoria no combate ao mosquito no município. Todavia, até o fechamento dessa matéria não recebeu nenhuma resposta.

Conferindo a Folha de Pagamento de janeiro de 2017 da PMP verifica-se que 90 funcionários estão qualificados e receberam o salário como agentes de endemias no município. Segundo a Sespa, os 71 mencionados acima são aqueles que vão verificar se existem focos do mosquito de porta em porta.

A Secretaria de Saúde de Parauapebas enviou a seguinte nota sobre o assunto:

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) esclarece que em breve fará a convocação de novos candidatos aprovados no último concurso público para o cargo de agente comunitário de Endemias para suprir a demanda do município.

Os números citados na lista da Secretaria de Estado da Saúde do Pará, 71, e o que foi apresentado pela Semsa, 90, correspondem à diferença entre o pessoal ativo e aqueles que atualmente estão de férias, de licença maternidade, além dos supervisores de equipe.

A Semsa informa também que atualmente todas as equipes de agentes estão realizando visitas domiciliares e conta com a cooperação de toda a população para eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti em Parauapebas. Alguns agentes encontram dificuldades para entrar nas residências porque alguns moradores têm receio de serem assaltados.

A Semsa pede à população que receba os agentes. E para que não haja dúvidas explica que todos eles trabalham de uniformes e crachá de identificação da Prefeitura Municipal de Parauapebas. A Semsa aproveita para conclamar a população a participar da campanha de combate ao mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus.

Assessoria de Comunicação/PMP

Saúde

Brejo Grande do Araguaia: executivo e legislativo fazem arrastão contra Aedes aegypti

Um dos menores municípios da região dá exemplo de como se combate o transmissor do Zika vírus, Dengue e Chikungunya

Ulisses Pompeu – de Marabá

O município de Brejo Grande do Araguaia saiu na frente de todos os outros da região em 2017 no combate ao mosquito Aedes aegypti, que transmite o Zika vírus, Dengue e Chikungunya. Uma ação coordenada pela Secretaria de Saúde, através do departamento de Vigilância em Saúde, contou com a participação do prefeito municipal, Marcos Dias do Nascimento, que fechou as demais secretarias e conclamou os servidores para participarem do Dia D, fazendo um arrastão de casa em casa, até a última, para eliminar os focos existentes do mosquito.

Até os vereadores de Brejo Grande tiveram de vestir a camisa da campanha, realizada no dia 1º deste mês de fevereiro, e foram para as ruas coletar lixo e sensibilizar os moradores para serem vigilantes no combate aos criadores do Aedes aegypti.

Segundo Larissa Ribeiro, coordenadora da Atenção Básica, Imunização e Vigilância em Saúde do município, a Secretaria de Saúde colocou à frente um batalhão de 80 agentes de endemias, que faziam coleta dos focos da doença para eliminação de larvas de Aedes aegypti. Outra equipe coletava o lixo. Até o cemitério da cidade foi alvo da varredura, porque muitas catacumbas ficam cheias de água nesta época de chuva. Um prédio antigo, onde funcionou o Hospital Municipal e que agora está abandonado, também foi passado a limpo.

“Realizamos essa ação conjunta devido ao grande número de casos que estávamos recebendo nos hospitais, e de focos que encontramos durante o LIRA (Levantamento Rápido de Índice de Infestação do Aedes Aegypti). Esse levantamento é uma metodologia que ajuda a mapear os locais com altos índices de infestação do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, alerta sobre os possíveis pontos de epidemia da doença”, explica Larissa.

A enfermeira revela que a secretária de Saúde, Vaniscleia Deise, conseguiu doar 200 kits para as pessoas mais carentes. Os kits contém repelentes e inseticidas. “Notificamos as famílias onde mais havia focos. A maioria era encontrada aos arredores de casas, ou seja, o lixo que a população jogava achando que fosse inofensivo. Coletamos o lixo, mas ao mesmo tempo informamos aos residentes o porquê da ação, mostrando a forma de prevenir para que a saúde de todos não ficasse prejudicada”, observa.

Passado o Dia D, os agentes de endemias continuaram a visitar e realizar as buscar por focos, informando e prevenindo os moradores para que não venha mais ocorrer tantos casos. Após 15 dias, as equipes voltarão aos endereços que foram notificados para avaliar como está a situação.

Embora seja um município pequeno, com apenas 7.200 habitantes e que não tem o foco da mídia, os grupos de profissionais de saúde nas redes sociais difundiram a ação exemplar de Brejo Grande e, agora, outras prefeituras da região estão fazendo o “Control C + Control V” da ação de Brejo. No caso de Marabá, o Dia D está marcado para 10 deste mês, com exposição no Shopping Pátio Marabá.

Saúde

Parauapebas: epidemia de Chikungunya lota Pronto Socorro Municipal

Estima-se que a cada 10 atendimentos, sete são de pacientes com sintomas de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

De acordo com a vigilância epidemiológica do município de Parauapebas, 36 casos de Chikungunya foram registrados na cidade durante o mês de janeiro deste ano, o que representa 26% de todas as ocorrências da doença no ano passado inteiro. Em janeiro de 2016, por exemplo, não houve um registro da doença. Porém, esse número pode ser muito maior. De acordo com informações levantadas pelo Blog, estima-se que a cada 10 atendimentos no Pronto Socorro Municipal, sete são de pacientes com sintomas de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, entre elas, a Chikungunya.

Nos últimos dias, quem tem procurado a referida unidade de saúde, tem se deparado com um grande número de pessoas aguardando por atendimento, mesmo com uma quantidade razoável de médicos disponíveis no plantão. Só nesta quarta-feira (1º) foram realizados 580 atendimentos no Pronto Socorro. Um aumento considerável na procura pelos serviços de saúde já que a média é de 300 atendimentos diários.

Recentemente a Unidade Pronto Atendimento (UPA)  de Parauapebas voltou a funcionar 24 horas por dia. Pacientes com sintomas de Dengue, Zika ou Chikungunya também podem procurar a unidade de saúde para receber pronto atendimento.

Combate aos agentes transmissores da doença

O combate aos mosquitos que transmitem essas doenças, além do Aedes aegypti tem também o Aedes albopictus, é realizado no município pela Coordenação de Vigilância Ambiental, setor da Secretaria Municipal de Saúde. O trabalho é encabeçado pelos agentes de endemias, que percorrem as residências da cidade, nas áreas cobertas, realizando orientação aos moradores, verificação e eliminação de criadouros dos mosquitos e outras ações de combate aos agentes transmissores.

Áreas cobertas são os bairros que os agentes de endemias conseguem realizar o devido acompanhamento. Dos mais de 100 bairros que o município tem, conforme a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semurb), apenas 29 bairros são atendidos diretamente com esse monitoramento, os demais somente são alcançados com ações de mutirões. Dentre os bairros que não são cobertos estão alguns muito populosos: Nova Vida, Morada Nova, Caetanopólis e Jardim América.

Essa realidade não é de hoje e a dificuldade de cobertura se dá pelo crescimento acelerado em Parauapebas e, respectivamente, a insuficiência de pessoal. Para minimizar esse problema foi realizado concurso público, ainda em 2014, ofertando 100 vagas de agentes de endemias, no entanto, 19 dos classificados não foram empossados e oito, depois de tomarem posse, pediram exoneração, conforme informações repassadas pelo coordenador de Vigilância Ambiental, Mickael Gross.

“Temos atualmente 88 agentes de endemias no município. Para conseguirmos atender toda zona urbana da cidade, precisaríamos ter entre 120 e 125 profissionais”, afirmou o coordenador. A Prefeitura deve realizar em breve convocação de mais candidatos aprovados no concurso para aumentar o número de pessoal.

Apesar do quadro insuficiente, as equipes têm se desdobrado para realizar um trabalho eficiente de acompanhamento e monitoramento das áreas cobertas. Segundo o último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti, realizado entre os dias 9 e 13 de janeiro, o percentual da cidade, contando apenas as áreas cobertas, é de 5,4% e os bairros em que a situação está mais crítica são Palmares I, com um índice de 8,1%, e Liberdade I, com 6,2%. O Ministério da Saúde estabelece como parâmetro o percentual de 1%, quando passa disso, é sinal de alerta.

Neste levantamento os agentes de endemias visitam as residências e fazem coletas de larvas do mosquito para identificarem se são do Aedes aegypti, Aedes albopictus ou outros. Com base nesses dados são definidas ações estratégicas de combate, como o mutirão que deverá ser realizado no final deste mês nos bairros com maiores índices de infestação.

Além das visitas domiciliares, ações em escolas e empresas são realizadas continuamente e reforçadas neste período de intensificação das chuvas. A reprodução do Aedes aegypti ocorre em água suja também, principalmente em criadouros artificiais, como copos descartáveis e caixas d’água, já o Aedes albopictus só se reproduz em criadouros naturais, como folhas e pedaços de árvores, com maior incidência nos bairros próximos de córregos e rios.

“A orientação é evitar água parada a todo custo, seja ela suja ou limpa. Quem precisar armazenar água precisa tampar seus reservatórios. Se não houver contribuição efetiva da população o nosso trabalho será em vão e as unidades de saúde continuarão superlotadas”, acrescentou Mickael Gross.

Saúde

Xinguara está em estado de alerta por causa da febre chikungunya

Somente nas três primeiras semanas deste ano, já foram registrados 174 casos suspeitos da doença.

Xinguara, no Pará, está em estado de alerta por causa da febre chikungunya. Segundo a Secretaria de Saúde do município, até o momento, foram confirmados dois óbitos. Outros três casos estão sob investigação. Alguns bairros apresentam índices de infestação predial de 17%, muito acima do percentual máximo de 1% recomendado pelo Ministério da Saúde.

Diante da situação, a Secretaria de Saúde do Pará e as secretarias do município planejam uma força-tarefa para o combater a proliferação do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da doença. Entre as ações desempenhadas estão: a eliminação de focos do mosquito por meio dos Agentes de Controle de Endemias, a utilização do carro-fumacê e o atendimento de denúncias recebidas por meio do Disque Dengue.

As equipes também estão orientando a população sobre a limpeza de entulhos ou depósitos irregulares. O estado recomenda o uso frequente de repelentes durante o dia, o uso de roupas de manga longa e de cores claras.

A doença preocupa autoridades brasileiras. Em 2016, o número de registros de febre chikungunya cresceu 620% em relação à 2015. Foram mais de 260 mil casos no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, este ano, os casos de dengue e zika devem se manter estáveis. Já as infecções por chikungunya devem aumentar ainda mais.

A febre chikungunya provoca febre e intensas dores nas articulações. Os sintomas duram entre 10 e 15 dias, mas as dores podem permanecer por meses, e até anos. (EBC)

Pará

Sespa monta força-tarefa com Forças Armadas, Defesa Civil e Unicef para o combate ao mosquito Aedes aegypti no Pará

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) montou uma força-tarefa para conter a disseminação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus. Em entrevista coletiva realizada na tarde desta quinta-feira, 21, no prédio da Sespa, foram apresentadas as frentes de trabalho que irão fortalecer as ações, que agora receberão o reforço inédito das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), Defesa Civil e Fundo para a Infância das Nações Unidas (Unicef). As ações começam na próxima segunda-feira, 25.

Em entrevista coletiva realizada na tarde desta quinta-feira, 21, na Sespa, foram apresentadas as frentes de trabalho que irão fortalecer as ações, que agora receber o reforço inédito das Forças Armadas (Marinha, exército e Aeronáutica), Defesa Civil e Fundo para a Infância das Nações Unidas (Unicef).

FOTO: CARLOS SODRÉ / AG. PARÁ
DATA: 21.01.2016
BELÉM - PARÁ

“A novidade é a inserção das Forças Armadas e da Defesa Civil. Esses parceiros vão somar com os trabalhos para o combate e para que possamos intensificar as estratégias de combate ao Aedes aegypti em todo o Estado. Primeiro vamos intensificar do ponto de vista estratégico com a criação de uma sala de situação na própria Sespa que monitora tanto a questão epidemiológica dos casos de infestação predial, bem como ocorrências em relação às gestantes, e às questões relacionadas à microcefalia”, anunciou o secretário estadual de Saúde, Vítor Mateus.

Os novos parceiros foram treinados e capacitados para lidar com diversas situações junto à educação da população. “A prioridade é para os municípios da Região Metropolitana de Belém. Alguns municípios do interior como Altamira e Santarém já estão com o reforço das Forças Armadas”, afirmou o diretor do Departamento de Controle de Endemias da Sespa, Bernardo Cardoso.

Mais de 600 homens do Exército atuarão no trabalho de prevenção. “Estamos primeiramente capacitando nosso pessoal, e juntamente com os agentes de saúde, eles terão um caráter fundamental que é o educativo, junto à população. Em conjunto, estamos fazendo isso pela primeira vez no Pará e vamos trabalhar fardados, com isso a população vai se sentir mais segura”, disse o Coronel do Exército, Mário Brayne, diretor de operações do Comando Militar do Norte.

“Da parte do governo do Estado foram tomadas todas as providências necessárias para intensificar essas ações de campo. Compramos inseticidas e estamos reforçando as equipes, além de deslocarmos equipamentos para os municípios. Mas é importante ter a mobilização da população, sem ela não vamos conseguir combater, isso é fundamental”, completou Vítor Mateus.

Durante a coletiva o secretário municipal de saúde, Sérgio Figueiredo, anunciou a contratação de mais 400 novos agentes de endemias para atuar na capital.

Casos – O primeiro informe epidemiológico de 2016 foi divulgado no dia 15 de janeiro pela Coordenadoria Estadual do Programa Estadual de Controle da Dengue. Até o dia 14 foram confirmados onze casos de dengue no Pará, redução de 89% em relação ao mesmo período do ano passado, que chegou a registrar 102 casos. A respeito da febre chikungunya, há registros somente de um caso confirmado por critério laboratorial. Já com relação ao zika vírus, até a 2ª semana foram confirmados quatro também por critério laboratorial. (SECOM)

Sespa divulga balanço de 2015 sobre dengue, chikungunya e zika

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Um total de 4.944 casos de dengue, 14 de febre chikungunya e outros 42 pacientes com zika compõem o 14º e último Informe Epidemiológico de 2015 emitido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) sobre os casos confirmados no Pará das três doenças que são transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. Segundo os dados, houve um aumento de 51,60% na quantidade de doentes com dengue no Estado em relação a 2014, que terminou com 3.261 ocorrências. Em relação à zika, o cenário paraense vem se mantendo estável desde o início de dezembro.

Dos 13 municípios paraenses com maior ocorrência da dengue, Belém ainda lidera no ranking, com 1.201 casos confirmados no decorrer de 2015. No ano anterior, 365 pessoas desenvolveram a doença. Este ano, o cenário da dengue foi mais abrangente em Parauapebas, com um total de 377 casos confirmados; seguido por Altamira, com 257; Senador José Porfírio (185), Marituba (163), Canaã dos Carajás (148) e Ananindeua (124).

Como em 2014, cinco mortes por dengue foram confirmadas ao longo de 2015, sendo duas na capital e outras três em Altamira, Irituia e Rurópolis. O óbito ocorrido no município de Breves, relatado em dezembro do ano passado, foi descartado e retirado por ter tido resultado laboratorial para leptospirose. A Sespa orienta que as Secretarias Municipais de Saúde informem num período de 24 horas a ocorrência de casos graves e mortes suspeitas.

Para a confirmação de óbitos é necessária a investigação epidemiológica com aplicação do Protocolo de Investigação de Óbito do Ministério da Saúde, que prevê exames específicos em laboratórios credenciados do Estado, como o Laboratório Central (Lacen) e Instituto Evandro Chagas (IEC) – que são preconizados pelo Programa Nacional de Controle da Dengue – para o correto encerramento de casos graves e óbitos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

A execução de ações contra a dengue é de competência dos municípios, que devem cumprir metas, entre as quais destacarem agentes de controle de endemias para fazer visitas domiciliares. Paralelamente, a Sespa faz o monitoramento dos 144 municípios que receberam o incentivo do Ministério da Saúde para vigilância, prevenção e controle da dengue, e distribui às prefeituras inseticidas (larvicidas e adulticidas) para o controle. A secretaria também faz visitas técnicas aos municípios para assessoramento das ações do programa da dengue, além de apoiar a capacitação sobre a febre chikungunya.

Quando há necessidade, a Sespa também faz o controle vetorial, como bloqueio de transmissão viral nas localidades, e articula ações com órgãos municipais de saneamento e limpeza urbana, tendo em vista a melhoria da coleta e destinação adequada de resíduos sólidos. Também fazem parte das ações atividades de educação e mobilização, visando a participação da população no controle da dengue.

Chikungunya – O vírus da febre chikungunya também está controlado, e não há registros de transmissões ocorridas dentro do Estado. Em 2015, 14 casos importados da doença foram confirmados no Pará por critério laboratorial adotado pelo Instituto Evandro Chagas.

Os vírus da dengue, chikungunya e zika levam a sintomas parecidos, como febre e dores musculares, mas as doenças têm gravidades diferentes, sendo a primeira a mais perigosa. A dengue, que pode ser provocada por quatro sorotipos diferentes do vírus, é caracterizada por febre repentina, dores musculares e falta de ar. A forma mais grave da doença é caracterizada por hemorragias e pode levar à morte.

O chikungunya caracteriza-se principalmente pelas intensas dores nas articulações. Os sintomas duram entre dez e 15 dias, mas as dores articulares podem permanecer por meses e até anos. Complicações sérias e morte são muito raras. Já a febre por zika vírus leva a sintomas que se limitam a, no máximo, sete dias e não deixa sequelas. Não há registro de casos de morte provocados pela doença no Pará.

Zika – A Sespa também deixa claro que a preocupação com a zika segue os mesmos procedimentos em relação à dengue e chikungunya. Só em 2015, foram registrados 42 casos da doença no Estado. Todas as ocorrências foram confirmadas pelo IEC como autócones – quando a doença é contraída dentro do município. O tratamento para a zika é apenas paliativo, de suporte e de correção de sequelas. Logo, é preciso diminuir a incidência do mosquito transmissor.

Fonte: Ag.PA