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Marabá

Procuram-se pacientes para cirurgias eletivas em Marabá

“A fila andou” e técnicos da Secretaria de Saúde têm dificuldades para encontrar pacientes agendados há vários anos. De cada 10, apenas 3 são localizados.

Durante reunião com vereadores na Câmara Municipal de Marabá, no final da tarde desta terça-feira, dia 20, o secretário municipal de Saúde, Marcones José Santos da Silva e a enfermeira Dármina Duarte, revelaram que a Secretaria Municipal de Saúde está com dificuldades para encontrar pacientes cadastrados para realizar cirurgias eletivas.

Marcones ressaltou que desde o final do ano passado as cirurgias eletivas foram retomadas pela gestão municipal, depois de oito anos paralisadas. Havia uma fila com cerca de 9.000 pessoas aguardando com seus processos devidamente guardados na sede da SMS. “A ordem do prefeito Tião Miranda é zera a fila das eletivas. Estamos fazendo o que podemos, mas há alguns entraves”, ressalta ele.

Atualmente todos os centros de saúde estão interligados com a regulação, que recebe a demanda e imediatamente efetiva o cadastro no Sistema Nacional de Regulação (SISREG). “No início demos prioridade aos pacientes que tinham menos complicações, pacientes abaixo de 40 anos e hoje estamos buscando os demais pacientes”, explica Dármina, ressaltando que a população procure a unidade de saúde mais próxima para fazer o recadastramento, pois alguns pacientes podem ter mudado de número ou endereço e isso tem dificultado o contato.

A enfermeira explica que as eletivas estão sendo realizadas no HMM, HMI e Hospital Santa Terezinha (privado), com vários procedimentos diferentes: ginecológicas, laqueaduras, histerectomia, vasectomia, entre outras. “A fila que se formou ao longo dos anos é muito grande. Há dificuldade em achar as pessoas que aguardam por essas cirurgias. Temos telefones exclusivos para entrar em contato com os pacientes. De cada 10 ligações, conseguimos encontrar três pacientes, o que acaba retardando um pouco a realização do procedimento, que envolve avaliação e exames pré-operatórios”, conta a enfermeira.

Segundo o secretário Marcones, as cirurgias de cataratas estão sendo realizadas normalmente e lamenta que haja carência de centros cirúrgicos em Marabá com estrutura para atender a grande demanda existente nessa área.

Marcones, que está há menos de dois meses no cargo de secretário municipal de Saúde, esteve na Câmara acompanhado também da enfermeira Camila Lopes, diretora de Atenção Básica da SMS. A reunião foi solicitada pela Comissão de Saúde da Câmara Municipal, presidida pela vereadora Priscila Veloso, que conduziu as discussões, ocorridas na Sala de Comissões do Poder Legislativo.

O presidente da Câmara, Pedro Corrêa, elogiou a gestão municipal por ter, finalmente, resolvido um problema crônico e antigo, que era a aquisição do arco cirúrgico, um equipamento de raio-x no qual é possível produzir imagens em tempo real através de geração de imagens digitais.

Através deste equipamento, explicou Dármina Duarte, é possível a elaboração de diagnósticos por imagem instantânea, sendo a solução mais eficaz atualmente nos centros cirúrgicos, apresentando excelência na qualidade das imagens com baixa dose de radiação.

CASA DE APOIO

Sobre a necessidade de uma casa de apoio em Belém, para atender pacientes em tratamento de câncer, Marcones Santos reconhece que tão logo assumiu o cargo, detectou essa carência e foi entender como é a rotina de atendimento na Capital e se convenceu que essa estrutura tem de ser instalada. “Fizemos estudo do tipo de imóvel, material humano necessário e vamos garantir esse serviço em breve”, garantiu.

Em relação à instalação de um terceiro mamógrafo na rede municipal, revelou que a Secretaria de Saúde pretende implantá-lo, mas que a intenção do governo é retirar a UBS (Unidade Básica de Saúde) do Crismu, na Folha 33, para que ele seja de fato um centro de referência exclusivo à saúde da mulher. Para isso, está procurando um imóvel no mesmo bairro para transferir a UBS, retirando inclusive o mamógrafo existente no HMM e centralizar esse serviço na Folha 33.

ATENÇÃO BÁSICA

Na Atenção Básica, a enfermeira Camila explicou que todas as unidades de saúde realizam diariamente exames de PCCU e que nos pontos de da zona rural, eles ocorrerem em regime de escala. “Atualmente, temos 42 equipes de Estratégia de Saúde da Família, que estão funcionando de acordo com as normas do Ministério da Saúde, inclusive na zona rural”, sustentou Camila.

Marcones Santos destacou, depois de indagado por vereadores, que a gestão municipal decidiu reformar todos os postos de saúde, diante de uma demanda do Ministério Público Estadual, comunidade e da própria Secretaria de Saúde, mas que a ordem da execução está sendo definida ainda.

Outra demanda apontada pelos vereadores é em relação às ambulâncias traçadas para atender comunidades da zona rural, a partir de emendas impositivas. Marcones esclareceu que o prefeito Tião Miranda garantiu que vai atender a todas elas e que serão adquiridas em lote, numa mesma licitação. “Reconheço que a frota atual de ambulâncias está defasada, inclusive para a zona rural”, disse o secretário.

SERVIÇO:

Quem tem cirurgia agendada para realizar na rede municipal, pode entrar em contato pelo telefone com o setor de regulação da SMS: (94) 98180-9286.

Por Ulisses Pompeu – correspondente em Marabá

saúde

Prefeitura de Marabá realiza mais de 1.200 cirurgias eletivas em dois meses

Cerca de 8 mil pacientes aguardavam desde 2008 e agora estão sendo chamados para serem submetidos às cirurgias

Desde dezembro último, a Prefeitura de Marabá vem convocando pacientes que estavam em fila de espera desde 2012 para a realização de cirurgias eletivas. Os Hospitais Municipal e Materno Infantil, da rede pública municipal, e o Hospital Santa Terezinha e uma clínica oftalmológica, estes da rede privada, vêm atendendo a uma demanda reprimida que chega perto de 8 mil pessoas. Atendentes dos postos de saúde e funcionários designados pela própria SMS (Secretaria Municipal de Saúde) estão entrando em contato com os pacientes em lista de espera e agendando o atendimento.

Para que esse mutirão fosse realizado, a prefeitura investiu recursos próprios além de recursos federais, para equipar os hospitais, para os quais foram adquiridos kits instrumentais, o que não ocorria desde 2008. Equipes de cirurgiões estão fazendo em forma permanente o mutirão, atingindo uma meta histórica de 1.261 procedimentos nos últimos dois meses.

Pessoas que estão sendo beneficiadas pelo mutirão dizem que já tinham perdido a esperança, como é o caso do paciente Advan de Jesus, de 59 anos, que passou por cirurgia de catarata: “Eu estava correndo o risco de ficar cego. Hoje me sinto agradecido pelo atendimento”, comemora ele.

Dona Maria Miguel de Araújo, de 63 anos, estava na fila havia mais de dois anos. “Eu recebi a ligação do pessoal do postinho e eles já me disseram a data e o lugar onde eu ia fazer a cirurgia. Agora eu tô feliz”, completa.

Seu Tivenio, de 68 anos, mora há 45 anos em Marabá e estava em fila de espera havia cinco anos. “Nunca vi um serviço feito desse jeito. Ligaram pra mim, marcaram e em uma semana tava tudo resolvido”.

Segundo a diretora de alta e média complexidade da Secretaria Municipal de Saúde, Dármina Duarte, todo o esforço está sendo feito para zerar a demanda, pois “o mutirão só termina quando todos forem atendidos”.

Ela ressalta ainda que muitos cadastros estão desatualizados e que há certa dificuldade em fazer contato com alguns pacientes. Dármina apela aos pacientes que estiverem com a documentação, mesmo que desatualizada, de requerimento de cirurgias, que entrem em contato com o posto de saúde mais próximo e atualizem o cadastro para que sejam convocados.

A atual gestão ressalta que o mutirão seguirá continuamente como pauta prioritária, dentro das limitações do município, até que seja cumprida a meta de zerar a demanda acumulada há anos.

Os números

Em dezembro foram realizadas:

– 187 cirurgias de hérnias (inguinal, epigástrica e umbilical);

– 65 colecistectomias (retirada de cálculos);

– 265 de catarata;

– 16 histerectomias;

– 04 postectomias (procedimento de próstata);

– 03 orquidopexias (correção de má formação de testículos);

– 02 hidroxilas (retirada de líquido testicular);

– 14 de hemorroida;

– 149 laqueaduras

Já em janeiro, os hospitais e clínica credenciados fizeram 561 cirurgias, sendo 95 no Hospital Santa Terezinha, 72 no HMI, 172 no HMM e 222 nas clínicas oftalmológicas.