Internet de qualidade é WKVE Liga você ao mundo!
Tucupi

Pesquisa da Embrapa-PA estabelece protocolo de segurança para a fabricação de tucupi

A pesquisa apresenta ainda mais importância, pois o produto começa a conquistar paladares fora da região Norte e já é conhecido como um dos carros-chefes da culinária amazônica.

Chamado de “shoyo do novo século”, o tucupi é um líquido de cor amarela, coproduto da mandioca, típico da rica e exótica gastronomia amazônica. É feito de maneira artesanal, tendo como matéria-prima a mandioca ou mandioca-brava, tubérculo que ganhou essa definição de “brava” por apresentar altos índices de ácido cianídrico (HCN) em sua composição, ou seja, um veneno conhecido como cianeto.

Para garantir a segurança microbiológica e toxicológica do produto, pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental (PA) estabeleceram um protocolo com as diretrizes básicas à padronização da produção do tucupi, definindo critérios no processo de fabricação do líquido.

De acordo com a pesquisadora Ana Vânia Carvalho, uma das autoras do trabalho, o resultado da pesquisa indica que, para ser segura ao consumo humano, a iguaria amazônica precisa passar por 24 horas de fermentação e 40 minutos de cocção. “Se não for processado de maneira adequada, o tucupi pode apresentar níveis elevados de HCN e, consequentemente, riscos ao consumo humano”, alerta.

A cientista esclarece, no entanto, que não é preciso deixar de consumir o produto, que faz parte da cultura alimentar do amazônida, porém frisa que alguns cuidados no preparo devem ser tomados e dá uma dica importante: “ao levar o produto para casa, o consumidor deve ferver o líquido por 40 minutos e, depois, acrescentar água, para completar o que foi reduzido com o cozimento, caso necessário”, recomenda.

A pesquisa apresenta ainda mais importância, pois o produto começa a conquistar paladares fora da região Norte e já é conhecido como um dos carros-chefes da culinária amazônica, que está sob constante holofote da mídia e no radar de chefs nacionais e internacionais. A iguaria é indispensável, por exemplo, aos tradicionais pato no tucupi e tacacá.

O produto final, elaborado a partir do chamado “parâmetro ótimo” de processamento, se apresentou condizente ao padrão de identidade e qualidade do tucupi estipulado pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepara), órgão estadual que regulamenta a fabricação e comercialização dos produtos de origem animal e vegetal no estado, além de níveis microbiológicos e de toxidade seguros. A legislação, no entanto, não determina os índices de ácido cianídrico para a comercialização do produto.

De acordo com Ana Vânia, o trabalho de pesquisa teve diversas etapas, que envolveram desde a análise de amostras de tucupi comercializado nas feiras e supermercados da capital paraense e entrevistas com produtores artesanais, até o planejamento experimental, no qual o processo de fabricação foi reproduzido em laboratório para se chegar aos parâmetros estabelecidos como seguros. “Testes sensoriais para garantir o sabor característico do tucupi e o tempo de prateleira também foram observados”, explica.

Riscos

Para entender os riscos e o que isso representa, é necessário conhecer o processo de fabricação e o tubérculo que dá origem ao tucupi. A mandioca (Manihot esculenta Crantz) é uma raiz que apresenta glicosídeos cianogênicos em sua composição, pertencendo, dessa forma, ao grupo de plantas classificadas como cianogênicas. Os compostos cianogênicos (linamarina e lotaustralina) por si só não são tóxicos, mas liberam o ácido cianídrico (HCN), responsável pela toxidez, após a ação de enzimas (linamarase).

O tucupi é um coproduto da mandioca, obtido durante a fabricação da farinha. O tubérculo é descascado, higienizado e depois triturado, resultando em uma massa úmida que então é levada a uma prensa, que no processo de fabricação artesanal é um utensilio de palha chamado de tipiti.

Com a prensagem, obtém-se a massa mais seca que será torrada e transformada em farinha e um líquido residual conhecido como manipueira. É da manipueira que se faz a goma (fécula) e tucupi. Para se chegar ao produto final, o tucupi, o líquido passa por um processo de fermentação e cozimento (cocção).

Identidade do produto é mantida após padronização

De sabor e cheiro marcantes, caracteristicamente ácido, o tucupi recebe temperos como alho e ervas aromatizantes regionais, tais como o coentro, chicória e alfavaca, antes de ser comercializado ou utilizado na culinária.

Ao propor uma padronização, enfatiza Ana Vânia, a Embrapa não quer tirar a identidade do produto, mas sim trazer segurança a quem consome e, com isso, agregar valor e abrir a possibilidade de novos mercados.

A especialista defende que o charme do produto é ser artesanal e ter um toque especial, o gosto particular associado a cada fabricante, com os temperos de preferência. “Quando se fala em padronizar, na área de alimentos, é manter um nível mínimo de segurança. O tucupi começa a rodar o mundo e queremos um produto seguro em termos microbiológicos no que se refere a níveis de cianeto”, defende.

No caso do tucupi, destaca Ana Vânia, a pesquisa revelou que os produtos existentes no mercado não têm padrão de fabricação e não há tempo mínimo de fermentação e de cocção. Assim, cada fabricante prepara do seu jeito. Além da análise laboratorial, entrevistas com fabricantes  revelaram que a variação de tempo de fermentação e cozimento era desproporcional, de dez minutos de fervura até o cozimento de duas horas. “Um produto seguro, somado às características marcantes presentes no tucupi, possui potencial para ganhar o mundo”, afirma.

Fabricação em pequena escala ainda é barreira para expansão

Um dos mais conhecidos chefs brasileiros, Alex Atala, se confessa apaixonado pela gastronomia amazônica e tem um interesse especial pelo tucupi, ingrediente que usa em seus pratos e divulga aos colegas de ofício por onde anda.  “O tucupi é bom com tudo, de qualquer jeito, quente, frio, na pimenta. Eu sei que no Pará se usa muito, mas o Brasil ainda desconhece e ainda existe um certo preconceito pelo desconhecimento, mas o tucupi está ganhando cada vez mais espaço no Brasil”, declara o chef.

Para ele, o tucupi pode ganhar o status de “shoyo do novo século”, frase repetida por ele em diversas ocasiões, e várias são as razões para essa afirmação. Ele conta que a comparação do tucupi com o molho de soja tem relação com o potencial de ganhar mercado e ao sabor, pois o produto paraense tem uma nota de sabor ácido muito presente e bastante apreciada principalmente na culinária asiática. “O molho de soja tem uma alta concentração de glutamato monossódico também presente no tucupi naturalmente. É fascinante”, relata.

Uma das barreiras para o produto alcançar seu potencial, analisa o chef, é a escala de fabricação e exportação para outros estados, mas ele lembra que a empresária Joanna Martins, filha do chef paraense Paulo Martins, que abriu a cozinha da Amazônia para o Brasil e o mundo, já consegue fazer com que o tucupi chegue aos chefs de São Paulo e do resto do País.

O sobrenome Martins é conhecido no mercado gastronômico associado ao chef Paulo Martins, idealizador do festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, que potencializou a difusão da culinária regional durante cerca de 15 anos trazendo para Belém renomados chefs nacionais e internacionais. Após a morte do pai, a empresária Joanna Martins continuou, com a irmã Tânia, no mercado da comida regional.

A empresa de Joanna é uma das únicas no Pará que possui autorização para comercializar para fora do estado produtos alimentícios regionais amazônicos, como o tucupi. Para Joanna, a ausência de uma padronização dificulta a expansão. Ela conta que, como não existe na legislação normatização da composição química, a escolha dos fornecedores é muito cuidadosa e laboratórios particulares são contratados para testar também o teor de cianeto e garantir a segurança do produto comercializado.

“A cadeia da mandioca ainda carece de organização e pesquisa para que os coprodutos possam ganhar mercado. O trabalho da Embrapa é um alento, pois a regularização vai trazer desenvolvimento, emprego e renda ao setor”, enfatiza.

Em busca da qualidade e da rastreabilidade

Na Embrapa Amazônia Oriental, o trabalho foi desenvolvido pelas pesquisadoras Ana Vânia Carvallho e Rafaella de Andrade Mattietto, juntamente com a bolsista Ana Paula Rocha Campos, resultando em diversas publicações técnicas e uma tese de mestrado.

A Embrapa espera que o resultado da pesquisa possa servir de embasamento para que os órgãos reguladores estabeleçam um padrão mínimo de comercialização, facilitando a inserção no mercado nacional de produtos artesanais.

E exatamente por ser eminentemente artesanal, não há dados de quanto tucupi se produz ou se comercializa no estado, mas o produto é facilmente encontrado nas feiras e mercados ou, ainda, como ingrediente em pratos típicos em restaurantes e nas tradicionais barraquinhas de comida de rua, comuns nas esquinas e praças da capital e das principais cidades do Pará.

Para garantir a qualidade e rastreabilidade dos ingredientes das comidas típicas que comercializa, o microempresário Daniel Mendonça de Souza passou a fabricar seu próprio tucupi e até a plantar as hortaliças utilizadas. Há mais de 30 anos no ramo como “tacacazeiro”, como são chamados no Pará, Daniel chega a produzir mil litros de tucupi por semana.

Ele explicou que o produto feito por ele fermenta por 12 horas e em seguida é levado aos caldeirões para cozinhar por até quatro horas seguidas. “Sei dos riscos, por isso cozinho muito bem para fornecer um produto saudável e com a cara do Pará”, garante.

Agricultura

Produção agrícola de Parauapebas ainda é insuficiente para atender consumo local

O prefeito Darci Lermen disse no início do seu governo que pretende investir na produção rural do município com o objetivo de fortalecer o segmento e de o consolidar como uma das matrizes econômicas de Parauapebas.

A dependência econômica da mineração em Parauapebas é um assunto bastante lembrado pelos políticos em geral, porém, são raras as ações concretas no sentido de fomentar novas matrizes econômicas. A produção rural é apontada por muitos como um segmento potencial, que pode contribuir para o desenvolvimento econômico do município.

O atual prefeito, Darci Lermen disse no início do seu governo que pretende investir na produção rural do município com o objetivo de fortalecer o segmento e de o consolidar como uma das matrizes econômicas de Parauapebas.

Nesta sexta-feira (28) é comemorado o Dia do Agricultor, data sugestiva para se falar sobre como anda um dos pilares da produção rural no município, a produção agrícola.

De acordo com um representante da rede de supermercado Hipersena, apenas 15% do que é comercializado nas unidades da empresa é comprado dos produtores rurais locais, o restante vem de Goiânia e de Petrolina, no Pernambuco. O diretor de operações do Atacadão Macre, Gilberto Menezes, disse que a rede compra dos produtores rurais locais hortaliças diversas, frutas e verduras. Ele aponta algumas dificuldades encontradas na aquisição de produtos locais.

“Compramos de fora o que não é produzido aqui, como a uva, por exemplo. Mas, mesmo os produtos que as condições climáticas favorecem a sua produção local, como a banana, o maracujá, o limão, entre outros, não há, por parte dos produtores, frequência, não tem produção o ano inteiro”, relata Gilberto Menezes apontando também que nem sempre os produtos têm a qualidade que a rede prima por ofertar aos seus clientes.

O agricultor Francisco Nunes Pereira, que tem uma propriedade pequena perto da zona urbana da cidade e trabalha no ramo desde 87, diz que já vendeu para grandes supermercados de Parauapebas, mas não conseguiu manter o ritmo de produção e nem a qualidade do produto. “Eu vendi mamão para os supermercados por um bom tempo, mas deu um amarelão neles e eu não consegui mais recuperar”, disse o agricultor, que hoje comercializa seus produtos apenas no Centro de Abastecimento de Parauapebas (CAP) e no Mercado Municipal. Ao ser perguntado se haveria motivos para comemorar o Dia do Agricultor, seu Francisco Nunes relatou seu anseio.

“Infelizmente nossa classe tem pouco o que comemorar. Meu sonho é ver a Feira do Produtor (atual CAP) funcionando igual antigamente, quando a gente vendia barato e as pessoas nos procuravam. Hoje, lá no CAP, não é do mesmo jeito, eu vendo toda a minha produção por que sou eu quem planto e colho, por isso consigo fazer um preço bom. Vendo mamão, macaxeira, por R$ 2,00 o quilo. Lá no CAP tem muito atravessador e poucos agricultores, isso afasta os clientes. Um dia fui comprar uma batata doce e o preço lá era R$ 4,00. Preferi comprar no supermercado que tava de R$ 2,50”, relatou o agricultor.

Solicitamos uma nota para a Assessoria de Comunicação da Prefeitura e também enviamos uma mensagem ao secretário de produção rural do município solicitando algumas informações como: qual a quantidade aproximada de agricultores da cidade? Que produtos têm maiores índices de produção no município? Por que a produção rural do município ainda é insuficiente para atender a demanda local e quais ações a Prefeitura tem feito no sentido de fomentar esse segmento? Até o fechamos desta matéria as informações ainda não tinham chegado ao Blog.

Marabá

ATUALIZADO – Corpo de Demétrius Ribeiro está sendo velado no Parque das Flores, em Marabá

Família está decidindo se o sepultamento ocorrerá em Marabá ou em Imperatriz (MA)

Começou às 17h, no Cemitério Parque das Flores, Km 5,5 da Rodovia Transamazônica, sentido Itupiranga, o velório do corpo do empresário Demétrius Fernandes Ribeiro, 61 anos, executado na manhã desta sexta-feira (21). No início da tarde, o IML de Marabá expediu o laudo da necropsia. O documento aponta que Ribeiro levou 12 tiros, 11 do lado esquerdo do peito e um no pescoço. As balas provavelmente são de pistola calibre 380, cujas cápsulas foram encontradas no local do crime.

O corpo do empresário será sepultado em Marabá mesmo, no Parque das Flores, às 9 horas. A princípio, cogitou-se fazer o traslado para sepultamento em Imperatriz (MA), onde ele viveu por muito tempo. Demétrius era natural de Tumtum, também no Maranhão.

Ele foi morto por volta das 8h30, no carro que dirigia, ao lado da mulher, Ielma Silva, que não saiu ferida, quando dois homens em uma motocicleta encostaram no veículo e dispararam a saraivada de balas.

Demétrius deixa viúva Ielma Silva e órfãos de pai seis filhos, três do primeiro casamento, dois do segundo e um do último.

Manifestação

Passeata paralisou por algumas horas Centro Comercial da Marabá Pioneira, mas não houve greve geral

Aproximadamente 850 militantes de sindicatos, partidos de esquerda, movimentos sociais e centrais de trabalhadores protestaram contra o Governo Temer

Por Eleutério Gomes – de Marabá

A não ser pela paralisação no expediente interno de algumas agências bancárias e pela passeata organizada por sindicatos, centrais de trabalhadores, partidos de esquerda e movimentos sociais, Marabá funcionou normalmente nesta sexta-feira (3), dia de greve geral em muitas cidades do País, em protesto contra o Governo Temer e contra as reformas trabalhistas e da previdência social. Secretarias municipais funcionaram sem alterações, assim como órgãos do governo do Estad0. Na esfera federal, poucas repartições e as instituições de ensino paralisaram as atividades. Comércio, indústria, setor de serviços, casas de saúde e transporte público também não aderiram à greve.

De acordo com o professor universitário Rigler Aragão, um dos organizadores da manifestação, aproximadamente 850 pessoas participaram da passeata, que se iniciou logo cedo, com concentração em frente ao Estádio Municipal “Zinho Oliveira”, no Núcleo Pioneiro, e, por volta das 9h seguiu pela Avenida Antônio Maia, principal via do comércio, ocupando a pista no sentido Nova Marabá.

Depois, por volta das 10h, os manifestantes fecharam o bambuzal de acesso ao Núcleo Pioneiro, permanecendo assim por cerca de uma hora, o que provocou protestos de condutores e passageiros de ônibus, mototáxis e táxis-lotação. Às 11h a passeata seguiu rumo ao Núcleo Cidade Nova, onde ocupou uma das pistas da ponte do Rio Itacaiúnas, se dispersando logo após o meio-dia. A manifestação não teve o acompanhamento da Polícia Militar, DMTU ou Guarda Municipal.

Comércio

Basa disponibiliza mais de R$ 90 milhões para investimentos na região de Carajás

A Instituição realizou visita à Parauapebas na última sexta-feira (26) para apresentar suas propostas de crédito ao empresariado local

Grandes e pequenos empreendedores, na zona urbana ou rural, podem contar com linhas de créditos facilitadas pelo Banco da Amazônia (Basa), por meio do Fundo Constitucional do Desenvolvimento do Norte (FNO). A instituição financeira está realizando uma série de visitas aos municípios pólos da Região Norte para apresentar as propostas de crédito: é a ROTA do FNO.

Parauapebas foi o décimo primeiro município que recebeu a caravana da ROTA do FNO, o evento contou com a parceria da Prefeitura e ocorreu no auditório do Centro Administrativo, nesta sexta-feira (26). Entre outras destinações, o crédito pode ser disponibilizado para a aquisição de máquinas e equipamentos, custeio ou capital de giro, com uma margem de juros baixa – dependendo da opção, pode chegar à 0,53% ao ano.

De acordo com Luiz Sampaio, diretor comercial do Basa, são 90 milhões de reais de investimentos destinados às cidades de Parauapebas, Canaã dos Carajás, Curionópolis e Eldorado dos Carajás. “Sei que muitos estão temerosos em investir, mas temos dados que apontam para um novo aquecimento na economia, tanto que vamos criar uma nova superintendência do Basa só para atender a região sul e sudeste do Pará”, adiantou o representante do banco.

O empresariado local compareceu em peso ao evento e saiu satisfeito, não só com as facilidades de crédito apresentadas pela instituição financeira, mas também com as notícias compartilhadas pelo prefeito de Parauapebas, Darci Lermen, sobre as ações locais para o desenvolvimento da economia.

“Tudo isso é muito bom, sou cliente do Basa há 17 anos e 98% da minha movimentação financeira é toda por lá. Fiquei também muito satisfeito em ouvir do prefeito os investimentos e ações para as áreas de turismo e formação superior. Precisamos reagir, nossa cidade tem potencial”, disse o pecuarista Magliano Baesse Carvalho, um dos clientes que assinou contrato de financiamento com a Basa, durante o evento.

As dificuldades enfrentadas pelos empresários do município também foram destacadas durante o evento. “Nossos colegas empresários estão pedindo socorro; pessoas competentes, que estão no mercado há anos, estão com suas empresas quebrando”, relatou Leonardo Pinheiro, que representou a Associação Comercial e Industrial em Parauapebas (ACIP), durante o evento.

Cenário com boas perspectivas

Darci Lermen apresentou uma série de possibilidades de desenvolvimento da economia local em seu discurso e elencou algumas ações que a gestão municipal tem realizado no sentido de diversificar a economia e de reaquecer o movimento no mercado local. “Temos que fazer um pacto por essa cidade, precisamos nos unir”, declarou o prefeito, deixando os empresários animados quando informou que, dentro de poucos dias, mais de R$ 30 milhões estarão nas mãos dos professores da rede pública, graças ao repasse de verbas da educação, conquistado depois de um processo judicial.

“Quase 100 mil metros cúbicos de madeira estão se estragando em Carajás. Com essa quantidade, é possível o pessoal do Pólo Moveleiro trabalhar por uns 10 anos, gerando emprego e renda, por isso estamos lutando para conseguir esse matéria-prima junto à Vale; temos um potencial turístico enorme: são 111 mil hectares de floresta, com cavernas, cachoeiras, temos aldeias indígenas, águas termais; o porto-seco também é outro foco de trabalho nosso, em junho faremos a primeira visita; vamos contar com o apoio do ministro Helder Barbalho para asfaltar até as Quatro Bocas, o que vai possibilitar a implantação de frigorífico; temos o projeto da Orla, os consultores contratados pelo BID já estão em nossa cidade, é uma obra de 400 milhões de reais; na agricultura familiar, estamos implantando 140 pastos rotacionados, para o pequeno produtor trabalhar com o leite, temos um laticínio subutilizado na Estação do Conhecimento, na Apa, precisamos investir lá; até o final do ano, Parauapebas contará com um curso de medicina, de uma faculdade particular, e estamos avançando para a implantação do Campus da UEPA, que foi iniciado na gestão anterior”, acrescentou Darci Lermen.

Seguindo a “Rota do FNO”

A Rota do FNO é uma ação promovida pela área comercial do Banco da Amazônia e que objetiva dinamizar a aplicação do FNO através da divulgação das linhas de crédito de forma próxima aos empreendedores de todos os portes e segmentos da cadeia produtiva.

Assim, foi traçado um percurso e cronograma de realização dos eventos que ocorrerão em 25 municípios pólos de toda a Região Norte, abrangendo os Estados do Pará, Amapá, Rondônia, Tocantins, Amazonas, Roraima e Acre. Na oportunidade, serão apresentadas as linhas de financiamentos disponíveis para fomentar os negócios do empreendedor individual, agricultor familiar, produtor rural, micro e pequena empresa, bem como a média e grande empresa, e com destaque para as contratações destinadas ao custeio agrícola e pecuário, capital de giro e aquisição de máquinas e equipamentos, utilizando a metodologia de crédito pré-aprovado.

Para atender toda demanda existente, o Banco da Amazônia dispõe de R$4,6 bilhões de recursos do FNO para o ano de 2017, e quem participar da Rota do FNO irá conhecer o diferencial do Banco da Amazônia que são suas linhas de crédito, tanto comercial e de fomento. Terá a oportunidade de conhecer também sobre às condições de acesso ao FNO, linhas de crédito com prazos, limites e encargos financeiros diferenciados. Além disso, conhecerá sobre os benefícios da Lei 13.340 que informa sobre soluções para liquidar ou renegociar suas dívidas, com descontos de até 85%.

Comércio

Setor automobilístico reage e venda de carros cresce no Pará, em março

Parauapebas foi o segundo município na venda de veículos comerciais leves, com 14,27% do mercado

O mercado de carros novos deu sinal de reação em março. Segundo dados divulgados esta semana pelo Sindicato das Concessionárias e Distribuidoras de Veículos do Pará e Amapá (Sincodiv PA/AP), o mês passado fechou com venda acima de oito mil unidades. Foram comercializados, exatamente, 8.240 veículos no estado, a grande maioria (7.969) automóveis, comerciais leves e motos.

As vendas totais, representando todos os segmentos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos rodoviários, subiram 37,56% em comparação com fevereiro, um mês tradicionalmente muito fraco. No entanto, o mês que passou ainda não conseguiu reverter o saldo negativo de 2017, agora em 21,46% e somando 21.191 veículos comercializados.

As vendas de comerciais leves, que são os carros utilitários, apresentaram 708 veículos emplacados contra 393 em fevereiro, aumento de 80,15%. Houve um expressivo crescimento também no emplacamento de motos, de 37,55% em um mês. Em março, foram vendidas 4.909 motocicletas novas contra 3.569 em fevereiro, mas em comparação com o mesmo período do ano passado, a queda é de 23,60%, já que em 2016 foram emplacadas 6.425 motos novas em março.

Segundo o presidente do sindicato, Leonardo Pontes, “houve uma pequena recuperação nas vendas, mas ainda é preciso esperar para saber como está o mercado, já que janeiro e fevereiro são meses tipicamente fracos nas vendas”. Ele acredita que para este ano a recuperação será gradual.

Dados municipais

Entre os municípios paraenses, Belém se destaca na venda de todos os segmentos, seguida por Ananindeua na venda de automóveis, com 9,44%; Parauapebas em segundo na venda de comerciais leves, com 14,27%; Paragominas em segundo na venda de caminhões, com 10,53%; novamente Parauapebas em segundo na venda de motos, com 6,11%; e Barcarena na vice-liderança na comercialização de ônibus, com 23,08%. 

Nacional

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê uma alta de 4% nos negócios neste ano, com a venda de 2,13 milhões de veículos. Desde janeiro era esperado o início da recuperação, mas só agora as expectativas foram confirmadas.

Estatísticas

Número de passageiros no Aeroporto de Marabá despenca 27% em 2016

Um levantamento feito pelo Ministério do Turismo no ano passado constatou que o avião é o meio de transporte preferido dos turistas.

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

O número de passageiros transportados que passaram pelo Aeroporto de Marabá, João Correa da Rocha, em 2016 apresenta queda de 27% neste ano, quando comparado a 2015. Segundo a estatística da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), até novembro deste ano passaram 287.375 passageiros, contra 397.175 em todo o ano de 2015 (este ano ainda falta contabilizar dezembro).

O número de aeronaves em trânsito teve queda maior ainda — 38,42%. Foram 7.621 aviões e helicópteros que passaram pelo terminal que serve a Marabá e diversos municípios da região, contra 12.375 em 2015. A crise é o principal fator na queda verificada neste ano na Rede Infraero.

O recorde histórico de número passageiros desde 2011 é de 47.462 passageiros, ocorrido no mês de maio de 2013. Naquele ano, a aviação alcançou crescimento de 22,12%, empolgando as companhias aéreas naquele momento. Gole TAM duplicaram seus voos para Marabá e a Azul também veio conhecer os céus da cidade.

Mas este não foi o melhor ano. Em 2014, a média de passageiros aumentou bastante, mas caiu em 2015 e despencou em 2016, fazendo com que a Gol diminuísse uma rota para este município. Foi também deste ano que a Sete deixou de operar suas linhas regionais e até mesmo retirou toda sua estrutura do Aeroporto de Marabá.

O ano de 2016 precisa acabar logo para as companhias aéreas. A série histórica prova que este foi o pior ano na década, com a média mês de 26.125 passageiros por mês.

O volume de cargas também despencou. Em 2016 – até novembro, passaram pelo aeroporto de Marabá pouco mais de 900 mil quilos contra 1.618.639 quilos do mesmo período do ano passado. Em 2011, quando o volume de cargas bateu o recorde nos últimos seis anos, a média de cargas por dia era de 7.204 quilos e de lá para cá nunca foi inferior a 4.400 quilos. Até novembro de 2016 a média era de 2.649 quilos.

Outro fato preocupante é que a licitação realizada este ano para que uma empresa construísse e administrasse um hotel nas dependências do Aeroporto de Marabá acabou esvaziada. Nenhuma empresa no circuito nacional resolveu comparecer. A mesma coisa para a gestão do estacionamento do local.

A situação preocupante nos aeroportos de todo o País começou a se alterar no segundo semestre do ano passado. Até o primeiro semestre, embora a crise já estivesse em cena, os aeroportos brasileiros ainda não sentiam tanto a crise. De janeiro a junho de 2015, os brasileiros tiveram 107,7 milhões de embarques e desembarques, o melhor resultado da série histórica, segundo dados divulgados pela Secretaria de Aviação Civil.

Um levantamento feito pelo Ministério do Turismo no ano passado constatou que o avião é o meio de transporte preferido dos turistas.

Sem licitação, Banco do Brasil ganha contrato com Prefeitura de Marabá e pagará R$ 15 milhões para ter a Folha de Pagamento

Ulisses Pompeu – de Marabá

A Prefeitura de Marabá vai vender, mais uma vez, os direitos de processamento da folha de pagamento dos servidores municipais ao Banco do Brasil, agora por R$ 15 milhões. O banco será responsável por fazer o depósito do salário de 9.702 funcionários ativos, mais inativos durante 60 meses (cinco anos), podendo ser prorrogado por mais um ano.

A contratação do serviço de banco é para recolhimento de tributos, impostos, taxas, dívida ativa e demais receitas públicas devidas à municipalidade, processamento de toda a folha de pagamento, disponibilização dos contracheques e utilização do banco de preços para realização de pregões e outros serviços bancários.

O Banco do Brasil ganhou o direito de pagar a folha não através de licitação, como ocorre em outras partes do País. Esse serviço é operado pelo BB há mais de 20 anos em Marabá, sempre gerando dividendos para o município. O contrato em vigor expira agora no final de dezembro, segundo apurou a Reportagem.

O secretário municipal de Administração, Ademir Martins, informou que não tinha detalhes do contrato com o Banco do Brasil. Outra fonte do blog dentro da Prefeitura disse que não tem certeza se a renovação do contrato com o banco sai ainda este ano, mas caso isso ocorra, a administração atual só pode ter acesso a 50% do valor total, ou seja, R$ 7,5 milhões. “O banco não libera mais todo o recurso, pois o TCU (Tribunal de Contas da União) não permite que se pague o valor total no final de um governo. Se entrar esse ano, será só 50% e o restante na gestão do Tião Miranda”, explicou o informante, que pediu reserva de seu nome.

Mesmo assim, esse seria um valor bastante razoável para uma prefeitura como Marabá, que está com dificuldades de fazer caixa para pagar a folha de pagamento de novembro, dezembro e ainda o décimo terceiro salário. No mês de novembro, a Folha de Pagamento bruta da Prefeitura ficou em R$ 26.007.507,93.

Todos os servidores da Prefeitura, teoricamente, recebem via Banco do Brasil. Todavia, há a opção de fazer uma conta-salário em outro banco por causa da lei da portabilidade, onde o valor de pagamento é repassado automaticamente à instituição financeira de preferência do trabalhador.

O Banco do Brasil ganha bastante mantendo as contas da prefeitura em suas agências. Além de taxas cobradas no dia a dia, o banco também fatura alto com empréstimos consignados e uso de limite da conta por parte de milhares de servidores municipais.

O edital de Dispensa de Licitação foi publicado no Diário da Famep (Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará) pela Comissão de Licitação da Prefeitura.

O grande questionamento que se faz neste momento é: por que não foi feita licitação desse serviço, como ocorre em cidades do porte de Marabá para cima? É importante frisar que Caixa Econômica, Bradesco e Itaú têm condições de pagar a folha da Prefeitura e gerenciar outros serviços.

Para questionar esse assunto, a Reportagem procurou o secretário municipal de Finanças, George Hiroshy Acácio, mas ele informou que não sabia de nada sobre a renovação desse contrato. O presidente da Comissão Permanente de Licitação Chardes Chaves dos Santos, também procurado, afirmou que não passaria nenhuma informação por telefone e convidou o repórter a ir à sede da Sevop na manhã desta quarta-feira, 21, que ele passaria todas as informações. Todavia, não apenas ele não compareceu como não atendeu mais as ligações.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura também foi procurada, e Eleutério Gomes informou que o prefeito João Salame iria enviar uma nota para esclarecer por que não houve processo de licitação para esse serviço. Todavia, até o momento da publicação a nota não chegou ao blog.

Congem não fez vista grossa

A reportagem teve acesso ao parecer da Congem sobre o tema. Nele, há referência da existência de proposta apresentada também pela Caixa, Bradesco e Itaú, mas não tivemos acesso aos valores destas outas instituições financeiras. Mas a PMM buscou apenas uma planilha de cotação junto a esses outros bancos, sem realizar licitação. A Congem diz que a Secretaria de Administração justificou a escolha do Banco do Brasil “por considerá-la adequada, tendo em vista que a mesma atende às necessidades da Secretaria Municipal de Administração e já prestou serviços com qualidade e tempo hábil.

Em seu parecer datado do dia 9 deste mês de dezembro, a Congem informou o seguinte: “O entendimento dessa Controladoria é de que diante do regime privado e concorrencial aplicável para empresas estatais que desempenhem atividade econômica em sentido estrito (Banco do Brasil), não há como se considerar dispensável a licitação para contratação de bancos públicos no caso presente, uma vez que isso implicaria numa vantagem que contraria frontalmente a Constituição Federal.

Caberia dispensa de licitação para os casos dos itens exclusivos, conforme planilha de cotação, mas para os itens que podem ter competição entre as instituições financeiras, o aconselhável é que se proceda à licitação.

Todavia, a Congem usa de pareceres recentes do TCU sobre a matéria. Informa que este último se manifesta no sentido de que a administração pública possui discricionariedade para optar pelo processo licitatório ou pela dispensa de licitação.

Mais à frente, a Congem faz uma observação importante sobre esse assunto: “Quanto à demonstração de vantajosidade, esta não restou devidamente comprovada, posto que os itens 2 e 6 estão acima dos preços médios orçados pela Administração, bem como necessários esclarecimentos quanto às propostas apresentadas pelas instituições financeiras, posto que o Banco do Brasil apresentou proposta direta para o município de Marabá. Por sua vez, as demais instituições tiveram os orçamentos extraídos dos respectivos sítios eletrônicos, com preços de serviços para qualquer interessado, sem opção de lançarem proposta específica para o município”.

Dentre outras orientações e alertas, a Congem informou também aos responsáveis pela Dispensa de Licitação: “É necessário que se esclareça nos autos como será feita a contrapartida por parte da instituição financeira ao município de Marabá, bem como, qual a periodicidade”.