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Agricultura

Produtores de farinha de Parauapebas pedem apoio para consolidação do setor

Em média são produzidos 25 sacos de farinha por dia, comercializados no mercado de Parauapebas e até no vizinho município de Canaã dos Carajás.

Durante uma reunião realizada na quarta-feira (9) entre representantes da Cooperativa de Produtores de Alimentos da Palmares (Coopa) e o titular da Secretaria Municipal de Produção Rural (Sempror), Eurivan Martins, o Totô, o grupo reivindicou mais apoio da prefeitura para o setor.

As cobranças por melhorias e mais assistência para a expansão e consolidação do setor de produção de farinha, em especial, foram recebidas pelo secretário. “Aqui reafirmamos nosso compromisso com o setor e não mediremos esforços para que os benefícios cheguem, afinal, abrir mercado para os produtores oriundos da agricultura familiar é o nosso foco”, afirmou Eurival Martins.

A Cooperativa tem se destacado por produzir farinha de primeira qualidade. Atualmente, um núcleo de produção se organizou e hoje vive o desafio de expandir a atividade agrícola. Em média são produzidos 25 sacos de farinha por dia, comercializados no mercado de Parauapebas e até no vizinho município de Canaã dos Carajás.

De acordo com a Sempror, a plantação de mandioca faz parte do cultivo da maior parte dos produtores da zona rural de Parauapebas. Estima-se que quase todas as 1.500 propriedades, cadastradas pela equipe técnica da secretaria, têm mandioca plantada em suas terras.

O apoio do poder público municipal para a Cooperativa e demais produtores, de acordo com a Sempror, vai desde a assistência técnica oferecida, cursos de formação, disponibilização de horas de tratores para arar a terra e o transporte da produção para o Centro de Abastecimento de Parauapebas (CAP). A gestão da pasta afirma também que “serão implantados projetos que somam 15 milhões de Reais em investimento público a custo zero para o produtor, conforme a aptidão natural de cada região, isso com estudo de mercado para organizar a produção, pois o município ainda é abastecido com produtos agrícolas do Centro e do Sul do país”.

Turismo

Parauapebas: Comunidade da Vila Cedere se organiza em cooperativa para explorar potencial turístico

Os cooperados vão participar de um curso sobre cooperativismo, que será ministrado por professores da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), na próxima semana

Desde que se iniciaram as discussões de criação do Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, a comunidade da Vila Cedere, uma das portas de entrada para a área, tem sido provocada a estruturar uma cooperativa para explorar o potencial turístico da região, composto por belas cachoeiras, fauna e flora endêmicas, algumas em extinção, e mais de 300 cavernas.

“O ICMbio foi um grande incentivador da criação da nossa cooperativa. Hoje vemos tudo se concretizando e estamos avançando na legalização. Temos nosso estatuto e estão faltando só algumas questões burocráticas”, afirmou a secretária da Cooperativa, Elisama da Paixão Saraiva Silva. A Cooperativa conta atualmente como 75 cooperados.

Os cooperados vão participar de um curso sobre cooperativismo, que será ministrado por professores da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), na próxima semana. Em seguida, buscarão capacitações específicas para preparar guias turísticos que tenham condições de conduzir grupos dentro das rotas que serão criadas no Parque. “Nosso foco principal é trabalhar com o ecoturismo e turismo de aventura, e aproveitar para ter resultados extras com atividades agregadas como o artesanato e a culinária”, acrescentou Elisama Silva.

Dentre os pontos que poderão se tornar áreas de visitação estão cavernas enormes, que contam com registros arqueológicos das primeiras ocupações da Amazônia. O espeleólogo Bruno Santos Scherer, da Casa da Cultura de Marabá, que realiza estudos e monitoramento das cavernas no Parque, afirma inclusive que será necessário definir bem como será o acesso à essas cavernas para não prejudicar o material arqueológico disponível no local.

Outro grande desafio para iniciar o processo de exploração turística é a melhoria do acessos aos possíveis pontos de visitação. “É justamente nisso que precisaremos do apoio do poder público municipal. Temos uma cachoeira, por exemplo, que fica em uma grande ladeira, parte do trajeto para chegar até ela só é possível ser feito de carro traçado, e ainda correndo risco, o restante do percurso deve ser feito a pé. Na ida é um pouco tranquilo, por que é descida, mas na volta é bem puxado”, afirmou Lemoel Gonçalves, presidente da Cooperativa.

O Rio Parauapebas passa por dentro do Parque e também poderá ser explorado em atividades turísticas. O trecho conta com pontos belíssimos de águas tranquilas e algumas corredeiras. A paisagem encanta.

O Parque e a relação com a comunidade

A área total do Parque é de aproximadamente 80 mil hectares, composta por dois platôs ferruginosos: o primeiro denominado Serra da Bocaina, também conhecido como Serra do Rabo, e o segundo conhecido como Serra do Tarzan, próximo ao projeto Sossego e 118, que hoje fazem parte da Floresta Nacional de Carajás.

A Serra da Bocaina conta com uma extensa área e no seu topo encontra-se “um tipo raro de ecossistema, associado aos afloramentos rochosos de hematita, conhecido como vegetação de canga e, localmente, como Savana Metalófila. Este ecossistema é muito especial por sua singularidade, possuindo importantes atributos para conservação, entre eles: espécies da flora e da fauna raras, ameaçadas e endêmicas, ecossistemas aquáticos e cavernas”, informa o documento base para a criação do Parque.

A criação do Parque foi instituída por meio de decreto presidencial, publicado em junho deste ano. O trabalho junto às comunidades que estão no entorno da área é uma estratégia do ICMbio no sentido de conquistá-las com parceiros na preservação da área, o que é um grande desafio já que algumas propriedades rurais estão incluídas na área do Parque.

Um exemplo de que esse trabalho tem dado certo pode ser comprovado com relação à pesca, que hoje é proibida na área do Parque. Apenas a Associação de Moradores e Pescadores do Cedere I (Ampescoce) tem autorização do ICMbio para pescar e com certas limitações. “Não podemos usar tarrafas e nem malhadeira, e cada um de nós só pode pescar seis quilos e mais um exemplar por dia. Estamos conscientes da importância de preservar o meio ambiente”, relatou José Sebastião Moraes, que mora há mais de 25 anos no Cedere e integra a associação. Ele já foi caçador e hoje contribuiu com a fiscalização e vigilância de parte da área do Parque.

Cultura

Centro Mulheres de Barros recebe mais de mil visitas em pouco mais de dois meses de inaugurado

A manutenção do espaço conta com recursos e apoio do Ministério da Cultura e também da Vale, por meio da Lei Rouanet. Mas, a principal fonte de renda é a venda das peças produzidas. Em contrapartida, a cooperativa realiza atividades de educação patrimonial, dentro e fora do Centro.

Inaugurado em 12 de novembro de 2016, o Centro Mulheres de Barro de Exposição e Educação Patrimonial Serra dos Carajás já registrou em seus controles mais de mil visitas realizadas até o início de fevereiro de 2017. A maior parte dos visitantes são estudantes, mas tem também outras pessoas da comunidade que se interessam em conhecer o melhor espaço cultural de Parauapebas até então.

O espaço tem recebido visitantes até mesmo de fora do município, como o grupo de universitários de cursos de Comunicação de vários lugares do Brasil, trazido pela Vale, no início de fevereiro. Além de apreciar as peças e conhecer um pouco da trajetória da Cooperativa dos Artesãos da Região de Carajás – Mulheres de Barro, os alunos participaram de uma palestra e prestigiaram apresentações de Carimbó.

Eventos como o Sarau Cultural, também realizado no início de fevereiro, atraem público para o espaço. “Há um projeto, em parceria com o escritor Paulo Poeta, de realizarmos aqui, aos domingos, um Clube do Livro, para os filhos dos feirantes e também para as crianças trazidas pelos clientes que vem comprar no mercado municipal durante a feira de domingo de manhã”, informou Sandra dos Santos Silva, coordenadora do Centro.

O espaço é aberto ao público das 9 às 18 horas durante a semana, e aos feriados e fins de semana das 10 às 17 horas, e fica localizado à Alameda Castelo Branco, quadra 187, lote 107, ao lado do Mercado Municipal, no bairro Rio Verde. O Centro é de propriedade da Cooperativa que conta com 20 cooperados e atuam no segmento há dez anos. Até o fim do ano os visitantes poderão prestigiar a Exposição Mulheres de Barro: Identidade e Memória.

Entre as peças produzidas no Centro Mulheres de Barro estão esculturas, objetos de decoração e utilitários, como panelas, bules e xícaras, feitas de barro, além de quadros de artistas locais. Em algumas peças são registradas imagens arqueológicas que foram encontradas nas cavernas e grutas da Serra dos Carajás, registradas há cerca de seis mil anos.

“Aprendemos o grafismo patrimonial da nossa região durante oficinas com professores de Belém, trazidos pela Vale. A gente reproduz toda essa riqueza em nossas peças. Parauapebas ainda não tem noção da importância cultural desse projeto” afirmou uma das cooperadas mais antigas, Neuza Kluck, que tem 72 anos.

Além de registrar nas peças essas imagens que fazem parte da história da região de Carajás, algumas delas têm em sua composição minério, reforçando ainda mais a singularidade da produção cultural. “Na pigmentação de algumas peças utilizamos o minério de Ferro e o Manganês”, informou Flora Maria Pereira, de 62 anos, atual presidente da Cooperativa.

A manutenção do espaço conta com recursos e apoio do governo federal, por meio do Ministério da Cultura, e também da Vale, por meio da Lei Rouanet, mas, a principal fonte de renda é a venda das peças produzidas. Em contrapartida, a cooperativa realiza atividades de educação patrimonial, dentro e fora do Centro. “Realizamos ao longo da semana passada uma oficina com mulheres na Palmares. Foi muito produtivo. Aquelas que se identificarem e se interessarem, podem vir participar da cooperativa”, informou a presidente.

Mulheres de Barro, como tudo começou

Os fundadores da Cooperativa são oriundos do artesanato. No início não contavam com uma estrutura bem organizada, como hoje existe no Centro. A partir da participação em eventos e feiras, perceberam que seu produto precisava ser melhorado, principalmente no aspecto comercial. “Observamos que nossos produtos não tinham valor agregado, não tinham uma identidade. Eram apenas artes manuais. Isto ficou mais claro quando participamos de uma feira em Belém e vimos vários produtos sendo comercializados e os nossos sem saída. Faltava uma referência da nossa região”, informou Sandra dos Santos.

               Dona Flora, presidente da Cooperativa

“Identificamos, então, que em Canaã dos Carajás a Vale desenvolvia um projeto de educação patrimonial muito interessante. Tivemos a oportunidade de participar e entendemos que era aquilo que nos faltava. Conseguimos trazer o projeto para Parauapebas e passamos seis anos em qualificação. Então, levantamos um questionamento: moramos em um município que é celeiro de biodiversidade e matéria prima, cerca de 80% do seu território é de reserva natural que não é utilizada de maneira alguma por nós, produtores de artesanatos. Com essa reflexão e com os conhecimentos adquiridos nas capacitações começamos a desenvolver a identidade do nosso produto, que tem como objetivo difundir a identidade cultural da região, além de gerar emprego e renda” acrescentou a coordenadora do Centro.

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