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Desenvolvimento

Marabá recebe investimentos do Governo do Estado em diversas áreas

Entre as obras que estão em andamento em Marabá está o Centro de Internação de Adolescente Masculino (Ciam)
Por Lidiane Sousa – Secom

A forte vocação mineral e agrícola de Marabá faz do município, com mais de 270 mil habitantes – a quarta maior população do Estado -, o principal centro socioeconômico do sudeste paraense. E, assim como em outras regiões, mesmo em um período em que a economia nacional anda a passos lentos, o Governo do Estado investe em obras que contribuem para o desenvolvimento e asseguram melhores condições de vida para a população.

E para fomentar ainda mais o lado empreendedor e de negócios na região, até o final deste ano a cidade vai receber um grande Centro de Convenções e Eventos. As obras já estão na fase de acabamento e finalização de urbanização e paisagismo da área externa do empreendimento, localizado na rodovia Transamazônica, no bairro Nova Marabá.

“Estamos com cerca de 95% da obra pronta. Tivemos um prolongamento nos prazos em função de algumas melhorias no projeto, para dar mais conforto e reforçar a capacidade de receber diversos tipos de eventos. Este será o segundo maior do Estado, ficando atrás somente do Hangar, em Belém. Já estamos com toda a estrutura e instalações de esgoto e elétricas finalizadas. Muito em breve o espaço será entregue à população”, afirmou Flávio Bentes, engenheiro da obra.

Ao todo, são 13 mil m² de área construída em um terreno de mais de 33 mil m². O Centro de Convenções vai abrigar quatro grandes espaços, entre eles um para feiras, com 4.800 m² e capacidade para abrigar mais de 10 mil pessoas em pé. Possui palco fixo de 200 m², dois camarins, copa, banheiros e toda a estrutura necessária para abrigar grandes eventos. Já o segundo bloco abriga a área administrativa do espaço, no andar superior, e no térreo, a praça de alimentação, restaurante e lanchonete climatizados.

O terceiro prédio contempla um teatro com mil lugares e uma sala multiuso de mil metros quadrados com capacidade para 400 pessoas que pode ser subdividida em dez espaços menores, com 40 poltronas cada. Já o quarto espaço é dedicado a um auditório com capacidade para 520 pessoas, sendo que este poderá subdividir-se em cinco células de 104 lugares cada, com divisórias removíveis, isolamento acústico, além de palco e área de circulação, além de um amplo estacionamento.

“Cerca de 12 mil pessoas poderão usufruir dos espaços, já que todos poderão ser utilizados de forma simultânea”, explicou Flávio Bentes. “É um empreendimento que vai mexer com a economia local, uma obra que traz grandes novidades para a região até então nunca vistos”, acrescentou o engenheiro.

Marabá é o maior município da região Araguaia-Tocantins. Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Adnan Demachki, a cidade possui uma localização estratégica em todos os modais – rodoviário, ferroviário e hidroviário – e está localizada em uma região com grande potencial nas áreas mineral e agronegócio, que podem ser potencializadas com o novo empreendimento.

“O Centro de Convenções vai induzir o turismo de negócios e eventos, assim como o Hangar, em Belém. E nós sabemos o que isso impactou positivamente na geração de empregos e serviços na área de hotelaria e de alimentação. Marabá vai ter essa oportunidade, inclusive com a expectativa de melhoria da oferta de voos que, com a crise, foram reduzidos pelas companhias aéreas em todo o Brasil. Mas, havendo grande demanda, e aí o Centro de Convenções vai ajudar nesse sentido, com certeza voos novos serão criados”, avaliou o titular da Sedeme.

Educação

Além da área de infraestrutura e negócios, a educação no município também ganha atenção especial. O bloco de saúde do campus da Universidade Estadual do Pará (Uepa) também está com as obras em fase de finalização.

Para a coordenadora do Campus VIII, Danielle Monteiro da Costa, este é um sonho que se torna realidade para toda a comunidade acadêmica. “Com o novo bloco vamos praticamente duplicar o nosso espaço físico, que vai beneficiar aproximadamente 250 alunos de oito turmas dos cursos de medicina, biomedicina e engenharia florestal”, comemorou.

O prédio de três pavimentos foi construído em um terreno de 1.600 m² e possui 12 salas de aulas gerais e mais seis para tutoria, além de espaço para as coordenações dos cursos de graduação; professores, reunião, informática; laboratórios, uma piscina, entre outros. O local também possui elevador e estrutura adaptada para pessoas com deficiência física.

Segundo a coordenadora, com o novo espaço será possível aumentar o número de vagas no curso de medicina. “Estamos aguardando ansiosamente o espaço para que possamos acomodar as turmas que já existem e aumentar o número de ofertas de vagas em medicina, de 20 alunos atualmente para 40, como prevê o Projeto Pedagógico do Curso”, afirmou Danielle Costa.

No Campus funcionam 30 turmas de graduação e uma de pós-graduação, que juntas contabilizam mais de 900 alunos divididos nos turnos da manhã, tarde e noite. O novo prédio vai criar um cenário favorável para a ampliação da oferta de cursos no Campus. “O espaço foi projetado inclusive para ofertar cursos como fisioterapia e enfermagem. Estamos também com o concurso para docente em andamento, então a gente tem grandes expectativas que em breve a UEPA Campus Marabá vai ofertar novos cursos na área da saúde”, pontuou.

O Concurso Público para o cargo de professor efetivo da instituição foi aberto no mês de agosto e destina-se ao preenchimento de 45 vagas para o Magistério Superior, na categoria de professor auxiliar.

Atendimento ao Adolescente

Outra obra que está em andamento é a do Centro de Internação do Adolescente Masculino (Ciam), da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa). O espaço terá a sua capacidade de atendimento ampliada com a reforma e construção de alojamentos mais espaçosos e arejados e uma quadra de esportes coberta que já foram finalizados, tudo seguindo as normativas do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase). Com cerca de 85% das modificações finalizadas, o próximo passo é a revitalização da área administrativa para dar mais conforto e comodidade para os usuários.

Hoje a Unidade atende a demanda de 36 municípios da região do Carajás e do Lago de Tucuruí. Com a revitalização do prédio, a unidade irá melhorar o acolhimento de adolescentes que cometeram ato infracional. “Antes o espaço para provisórios atendia 18 meninos e agora vai passar a colher de forma adequada 36. Dos sentenciados que estão em Belém, atendíamos uma demanda de 20 e agora vamos poder receber 42. Tudo dentro do que é previsto no Sinase, contemplando um espaço mais humano que atenda adequadamente as necessidades para se cumprir uma medida de privação de liberdade”, afirmou Luciléia Cardoso Cavalcante, diretora do Ciam.

Na unidade são desenvolvidas várias atividades esportivas e pedagógicas, com oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e ensino médio por meio da parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Os internos também participam de cursos de artesanato e profissionalizantes oferecidos pela Fasepa, além de oficinas de teatro, música, percussão e artes em geral.

“Tudo isso faz parte de um atendimento psico-sócio-pedagógico. Dentro da privação de liberdade o adolescente precisa estar mais tempo fora do seu alojamento em atividade, para que eles realmente ressignifiquem os caminhos e possam visualizar outra vivência fora da unidade, fora do ato infracional”, destacou Luciléia Cavalcante.

Com o trabalho desenvolvido no local o número de reincidentes é mínimo. “Quanto mais você garante atividades, mais você dá oportunidade para que eles não retornem ao ato infracional. Os poucos que temos geralmente são aqueles que não possuem retaguarda familiar. Trabalhamos com uma equipe multidisciplinar com psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, professores de várias áreas, entre outros para dar o suporte que precisam”, finalizou Luciléia Cavalcante.

Saneamento básico

O município recebeu, ainda, importantes obras que garantem saúde e qualidade de vida para a população. A Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) finalizou recentemente a construção da Estação de Tratamento de Esgoto Sanitário (ETE), um moderno sistema de saneamento básico com capacidade para atender de 86.000 habitantes.

O sistema consiste na coleta e tratamento, por meio de filtragens, dos dejetos da rede de esgotamento sanitário de residências. Ao final do processo, a água retorna à natureza livre de impurezas. A Companhia está na fase de implantação das ligações intradomiciliares.

“Estamos conscientizando a população da importância de se integrar ao sistema para garantirmos o tratamento adequado desses resíduos e assim garantirmos mais saúde a todos”, destacou Paulo Barbosa, gerente regional da Cosanpa. Entre os bairros beneficiados estão o Amapá, Novo Horizonte e todo o núcleo da Nova Marabá.

A primeira etapa da Estação representa um investimento de mais de R$ 117 milhões, parte com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), através de empréstimo junto ao FGTS no valor de R$ 78,20 milhões, e mais R$ 38,97 milhões do Tesouro do Estado.

FUNDEF

Sindicato anuncia greve dos professores de Parauapebas

A decisão foi tomada após protestos na prefeitura e na Câmara de Vereadores, ocorridos na última terça-feira (3)

Com faixas, cartazes e narizes de palhaço, professores e representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) lotaram a Câmara de Vereadores nesta terça-feira, dia 3. Eles voltaram a cobrar a votação do projeto de lei que autoriza a prefeitura a conceder o abono aos professores da rede municipal, com recursos do pagamento da indenização referente ao FUNDEF – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.

Mesmo diante dos gritos e apitos dos manifestantes, o presidente da Câmara Municipal, Elias Ferreira (PSB), explicou que os vereadores estão impedidos de tomar qualquer decisão sobre o projeto por determinação do Tribunal de Contas do Município (TCM-PA) que, através de uma medida cautelar, impede qualquer procedimento administrativo relativo ao pagamento do abono aos professores. A decisão da conselheira e relatora do TCM-PA, Mara Lucia Barbalho da Cruz, foi tomada depois que a Prefeitura de Parauapebas encaminhou um ofício ao órgão, no dia 16 de agosto, como consulta sobre a possibilidade de aplicação de recursos atrelados ao FUNDEF.

Os professores também protestaram contra o arquivamento do projeto de lei, de autoria do executivo, sobre a gestão democrática do ensino municipal que, entre outras providências, regulamentava a escolha para o cargo de diretor e vice-diretor das unidades de ensino, através de uma eleição. Mas o parecer jurídico da câmara apontou que há inconstitucionalidade do projeto e as comissões de Constituição, Justiça e Redação, Finanças e Orçamento, e Educação e Cultura acompanharam o parecer da procuradoria e o PL foi arquivado, não indo a plenária. O vereador Elias também falou sobre o projeto e chamou atenção da procuradoria do município. “Solicito que o senhor procurador do executivo e os diretores do Sintepp se informem melhor, antes de encaminharem projetos a esta casa ou de requerer a aprovação de lei que afronte a Constituição Federal”, enfatizou o vereador.

Depois de mais de uma hora de protesto, os manifestantes decidiram deixar o plenário e seguiram para a frente da câmara, onde interditaram uma das avenidas. Depois seguiram para a sede da prefeitura, onde continuaram o protesto falando sobre as condições precárias das escolas. Por volta das 14h, os professores votaram pela deliberação da greve. Mas, como precisam fazer a comunicação prévia da paralisação, num prazo de 72 horas, respeitando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o Sintepp vai protocolar, nesta quarta-feira, na prefeitura, a decisão de paralisar o serviço a partir da próxima segunda-feira, dia 9.

O vereador Elias Ferreira (PSB) usou a plenária para falar sobre o protesto liderado pelo sindicato dos servidores da educação. “Quero informar ao Sintepp que cada um dos 15 vereadores desta casa tem o direito constituído por voto popular. Apesar de ser totalmente a favor dos professores, não permitirei que o Sintepp tire esse direito da câmara, por meio de ofensas pessoais ou pressão. Respeito o trabalho e a luta dos senhores, a favor da sua categoria, mesmo que haja discordância de pontos de vista, e esse mesmo respeito é que eu exijo do sindicato”, concluiu Elias.

A Prefeitura Municipal de Parauapebas manifestou-se sobre a utilização dos recursos do FUNDEF para a concessão de abonos aos professores da rede municipal através de nota emitida pela Ascom:

Nota de Esclarecimento

A Prefeitura de Parauapebas vem a público esclarecer que irá aplicar 100% dos recursos provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF) para melhoria do ensino público do município.

A gestão pretende criar um Plano de Aplicação desses recursos que deverá ser acompanhado pela sociedade civil organizada como: o Conselho de Educação e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp).

Prova desse compromisso foi demonstrada ainda este ano quando concedeu um dos maiores reajustes salariais do país (8%) aos seus servidores, além do aumento do vale-alimentação em 33%. Isso também foi observado no último mês, quando a Prefeitura efetivou o pagamento das rescisões dos funcionários distratados em 2016, totalizando quase R$ 9 milhões.

A Prefeitura continua empenhada em cumprir o acordo firmado com a categoria. Porém, o rateio do FUNDEF aos professores necessita de amparo legal para que nenhuma das partes seja prejudicada. Por se tratar de recurso Federal, a Prefeitura concorda com a proposta do sindicato em fazer uma homologação junto à Justiça Federal.

O governo municipal destaca ainda que a mesa de negociação permanece aberta com os representantes dos educadores para dirimir dúvidas e esclarecer todos os pontos da pauta como, por exemplo, a eleição direta para direção das escolas, que recebeu atenção especial e um Projeto de Lei foi enviado para aprovação na Câmara Municipal. No momento, a Prefeitura aguarda comunicado oficial por parte da Câmara sobre esse Projeto de Lei.

A Prefeitura Municipal de Parauapebas reafirma seu compromisso com a educação pública gratuita de qualidade e confia nos envolvidos para solução rápida e satisfatória para todos.

Ascom/PMP

Religião

Por 6 votos a 5, STF autoriza que aulas de religião em escolas públicas sigam um único credo

O Supremo tomou a decisão ao julgar uma ação de inconstitucionalidade movida pela Procuradoria-Geral da República, que queria que as aulas de religião oferecessem uma visão plural sobre as diferentes religiões.

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quarta-feira (27) por 6 votos a 5 que o ensino religioso em escolas públicas pode ter caráter confessional, ou seja, que as aulas podem seguir os ensinamentos de uma religião específica.

O Supremo tomou a decisão ao julgar uma ação de inconstitucionalidade movida pela Procuradoria-Geral da República, que queria que as aulas de religião oferecessem uma visão plural sobre as diferentes religiões.

Votaram contra o pedido da Procuradoria, e a favor do ensino confessional, os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e a presidente do STF, Cármen Lúcia. Os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello concordaram com a ação da Procuradoria e entenderam que as aulas em escolas públicas não poderiam ter conteúdo de apenas uma religião.

O STF analisou uma ação de inconstitucionalidade proposta pela Procuradoria-Geral da República contra o acordo entre o Brasil e o Vaticano e dispositivos da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação, que preveem o ensino religioso nas escolas públicas. O acordo com o Vaticano e o artigo 33 da LDB afirmam que o ensino religioso “constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas”.

Enquanto a LDB proíbe “quaisquer formas de proselitismo [doutrinação]”, o acordo com o Vaticano proíbe “qualquer forma de discriminação” e diz garantir “o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil”.

A Procuradoria defendia que o ensino de religião nas escolas públicas deve contemplar informações sobre a história e doutrina das diferentes religiões, sem tomar partido entre uma delas. O ensino religioso é previsto na Constituição Federal, que diz que “o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

Em seu voto, contrário ao pedido da ação, o ministro Dias Toffoli afirmou que a própria Constituição autoriza que o ensino religioso seja confessional. “Ocorreu, portanto, uma autorização expressa e consciente do constituinte de que o modelo de educação religiosa em sala de aula fosse sim o confessional”, afirmou. “O Estado brasileiro não é inimigo da fé. A separação entre Estado brasileiro e a igreja não é uma separação absoluta. A neutralidade diante das religiões encontra ressalvas”, disse Toffoli.

Gilmar Mendes ironiza Estado laico Ao votar a favor da possibilidade do ensino confessional, o ministro Gilmar Mendes lembrou que a religião está presente na cultura nacional. “Aqui me ocorre uma dúvida interessante: será que precisaremos em algum momento chegar ao ponto de discutir a retirada da estátua do Cristo Redentor do Morro do Corcovado [no Rio de Janeiro], por simbolizar a influência cristã em nosso país”, perguntou o ministro.

“Ou a extinção do feriado nacional da padroeira Nossa Senhora Aparecida? A alteração do nome dos Estados? São Paulo passaria a se chamar Paulo? Santa Catarina passaria a se chamar Catarina? Espírito Santo poderia se pensar em Espírito de Porco ou qualquer outra coisa”, disse Gilmar. Relator, Barroso defendeu o Estado laico.

O julgamento começou na sessão de 30 de agosto, com o voto do ministro Luís Roberto Barroso, relator do processo, contra a possibilidade de que as aulas tenham caráter confessional, ou seja, sejam ministradas com caráter de doutrinação religiosa, como nas aulas da catequese católica, por exemplo. Isso quer dizer, segundo o voto de Barroso, que os professores não poderiam atuar em sala de aula como representantes de uma determinada religião. Barroso afirmou que, apesar de o ensino religioso estar previsto na Constituição, seria preciso interpretar a questão a partir do princípio de que o Estado é laico.

“O ensino religioso convencional viola a laicidade [do Estado] por que identifica Estado e igreja, o que é vedado pela Constituição”, disse.

“Uma religião não pode pretender apropriar-se do espaço público para propagar a sua fé. Isso seria uma recaída no velho patrimonialismo brasileiro de apropriação privada do espaço público”, afirmou Barroso, que teve seu voto derrotado pela maioria.

Primeiro a divergir do voto de Barroso, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que, ao prever o ensino religioso, a Constituição quis que as aulas apresentassem a visão de mundo religiosa e não uma espécie de história das diferentes religiões.

“O Estado, substituindo os dogmas da fé por algo pasteurizado, algo histórico, algo neutro, na verdade ele está impondo o que ele acha que é ensino religioso, contra o que todas as religiões entendem ser ensino religioso, que são os dogmas da fé”, disse Moraes. “A ação pretende criar de forma ficta, de forma artificial, uma doutrina religiosa do Estado”

Educação

Marabá: Ensino em tempo integral vira polêmica e provoca reunião em escola

Está tudo caminhando, a compra da merenda está sendo feita, tudo está em andamento”, afirmou o diretor.

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Alunos, professores, pais, responsáveis e a direção da Escola Estadual de Ensino Médio “Gaspar Vianna”, em Marabá, mantiveram reunião na manhã desta quinta-feira (21) para tratar da situação do Ensino Integral, implantado este ano naquele estabelecimento e em três outros da cidade. Os estudantes e seus responsáveis, assim como seis professores em greve afirmam que a escola ainda não tem condições de manter esse regime.

Fernando Ferreira Santiago, diretor da escola, disse ao Blog que ainda estão havendo adequações, preparação de projetos, processos de licitação, em meio a mudanças que levam algum tempo para acontecer. Ele afirmou que a mobilização dos estudantes hoje teve o apoio de professores que estão em greve e se uniram aos alunos por considerarem que morosidade do Estado atrapalha rendimento. A escola mantém 800 alunos nos três turnos, mais 180 em estabelecimento anexo.

“Não atrapalha, porque as adequações já haviam sido esclarecidas, o Estado tem feito webconferências para nos deixar informados do passo a passo desse processo. Está tudo caminhando, a compra da merenda está sendo feita, tudo está em andamento”, afirmou o diretor.

Também ouvido, o professor Marcos Antônio Leal, um dos seis em greve, diz que a luta da categoria é para que o Estado pague o piso nacional, reajustado em 2015, de R$ 1.972,62 para R$ 2.298,80, mas que nunca chegou aos contracheques dos professores do Pará.

“A nossa luta também é pela reforma das escolas do Pará, todas estão em estado calamitoso, aqui mesmo, na Gaspar Vianna, não há condições de funcionar com o Ensino Regular, imagine com Ensino Integral. Os banheiros estão em situação precária, na cozinha faltam pratos e talheres, o refeitório não é adequado, os laboratórios de Física e Química e de Informática, além da biblioteca estão fechados e faltam funcionários e monitores”, relata Marcos Antônio.

A aluna Liandra Coelho, do primeiro ano do Ensino Médio, endossou e reforçou as palavras do professor e disse que a escola “está muito precária”. “Aqui nada funciona, não temos a mínima estrutura. Nós, alunos, já enviamos até documento ao Ministério Público do Estado relatando essa situação, aqui faltam até pratos e colheres”, afirmou.

Ouvida pelo telefone, a diretora da 4ª URE (Unidade Regional de Educação), da Secretaria de Estado de Educação, disse que tanto a Gaspar Vianna, quanto a Liberdade, a Plínio Pinheiro e a Gabriel Pimenta estão passando por adequações, adaptações e melhorias nas suas instalações para que, em 2018, possam funcionar efetivamente como Escolas de Ensino Integral.

Ela afirmou que, mesmo assim, em meio período, as primeiras turmas já estudam nesse regime, entrando às 7h30 e saindo a meio-dia: “Estamos passando por adaptações, esse projeto de Ensino Integral é do governo federal. Nas outras três escolas, onde não há essa revolução, o regime já é de Ensino Integral e, em todas, os professores já estão, inclusive, ganhado as 40 horas do Ensino Integral”.

Emenda parlamentar

Senador Flexa Ribeiro entrega ônibus escolares a 20 municípios paraenses

De acordo com o Siga Brasil, ferramenta digital desenvolvida pelo Senado Federal para acompanhar as emendas parlamentares, Flexa aparece na sétima posição nacional dos políticos com maior valor de emendas executadas

Com o compromisso de contribuir para a melhoria da qualidade da educação no Pará, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) entregará, nesta sexta-feira (18/08), ônibus escolares a 20 municípios do Estado. A aquisição dos veículos é fruto de emenda individual do parlamentar, que conquistou junto ao Ministério da Educação o valor de R$ 3,2 milhões destinados para essa ação.

A aquisição dos ônibus se coaduna com o Programa de Melhoria da Qualidade e Expansão da Cobertura da Educação Básica, desenvolvido pelo Governo do Estado do Pará no âmbito do Pacto Pela Educação. Com a meta de aumentar em 30% o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de todos os níveis: Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio, o Pacto já vem colhendo bons frutos.

O Pará foi o segundo Estado que mais cresceu no ranking nacional do Ideb em 2015. Além desse resultado positivo, no ano passado a Secretaria de Educação do Pará (Seduc) registrou crescimento, pelo segundo ano consecutivo, do índice de proficiência dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática.

“Investir em educação é assegurar às novas gerações as condições necessárias ao desenvolvimento pleno e à inclusão social e econômica do povo paraense. Este é meu compromisso e meu esforço diário. Lutar por uma educação de qualidade”, enfatizou Flexa Ribeiro que explicou ter buscado contemplar todas as regiões do Estado na escolha dos municípios. “Dessa vez, conseguimos recursos para apoiar a educação em 20 municípios, abrangendo a todas as regiões do Estado. Continuarei trabalhando para beneficiar outras cidades que precisam tanto deste apoio”.

Além dos 20 gestores municipais, que estarão presentes na cerimônia de entrega para receber as chaves dos veículos das mãos do senador Flexa Ribeiro, o governador Simão Jatene e a secretária de Educação, Ana Cláudia Hage, também devem participar do evento. Estão sendo esperados ainda os deputados estaduais e federais, vereadores e os secretários municipais de educação.

Emendas – Flexa vem se mostrando como um dos políticos de maior influência no Congresso Nacional. De acordo com o Siga Brasil, ferramenta digital desenvolvida pelo Senado Federal para acompanhar as emendas parlamentares, Flexa aparece na sétima posição nacional dos políticos com maior valor de emendas executadas, e o primeiro do Pará que conseguiu assegurar mais recursos ao Estado. Do começo do ano até o último dia 11, já foram liberados R$ 7,9 milhões das emendas apresentadas pelo senador.

“Quando nós levamos recursos para o nosso Estado, nós não estamos fazendo nada mais do que a nossa obrigação. Não existe dinheiro público. O dinheiro é da sociedade. É da população que, pagando os impostos, possibilita à União, Estados e municípios devolverem esses recursos em serviços prestados”, defendeu o senador.

Lista dos municípios que receberão ônibus escolares

         Acará

         Ananideua

         Baião

         Bragança

         Faro

         Floresta do Araguaia

         Mãe do Rio

         Marabá

         Mojuí dos Campos

         Novo Progresso

         Pau D’Arco

         Rio Maria

         Rondon do Pará

         Salvaterra

         São Miguel do Guamá

         Sapucaia

         Senador José Porfírio

         Trairão

         Vigia

         Xinguara

Notícia de que a Unifesspa não terá mais o curso de Medicina desencadeia reação na sociedade civil organizada de Marabá

Representantes da Associação Comercial e Industrial, e de mais 23 entidades, se reuniram com a reitoria da universidade para exigir explicações

Por Eleutério Gomes – de Marabá

A notícia de que o curso de Medicina não será mais implantado na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) desencadeou reação instantânea nos órgãos e instituições representativas da sociedade civil organizada de Marabá. Em movimento encabeçado pela ACIM (Associação Comercial e Industrial), e apoiado por outras 23 entidades, foi entregue à vice-reitora da universidade, Idelma Santiago da Silva, na tarde desta quinta-feira (20), um documento no qual é feita uma exposição de motivos pelos quais o curso deve ser instalado, citando, inclusive, que o bloco destinado a ela, no Campus III, já está com sua estrutura física pronta.

O ofício traça um diagnóstico da cidade do ponto de vista de logística, número de unidades hospitalares, modais de transporte e disponibilidade de moradia a professores e alunos no entorno do Campus III. “O descrito identifica na cidade um cenário favorável em uma nova dinâmica nos segmentos de educação superior, principalmente para a área médica, haja vista que Marabá já está na condição de Polo Universitário, além do que a própria universidade já tem estrutura física preparada para receber o Curso de Medicina”, diz o documento.

Ouvida pelo Blog, Idelma Santiago justificou que o curso de Medicina, cujo valor de implantação é bastante alto, estava previsto dentro do Programa Mais Médicos, do governo federal, porém, desde o ano passado, o programa entrou em extinção: “Deixamos de receber recursos e também ficamos sem previsão sobre a implantação do curso. Recentemente, tivemos notícias de que o governo federal estaria liberando a implantação do curso de Medicina, mas, para instituições privadas. Para a nossa universidade, não temos previsão”, afirmou Idelma.

A vice-reitora – que atendeu as entidades representando o reitor Maurílio Monteiro, que está de férias – também é de opinião que a sociedade, assim como a comunidade acadêmica, lute para que a Unifesspa se concretize totalmente, conforme foi previsto na lei que a criou em 2013, “incluindo o curso de Medicina”.

Também ouvido pelo Blog, o diretor Financeiro da ACIM, Raimundo Nonato Araújo Júnior, disse que, com o passar do tempo, Marabá vem adquirindo o status de cidade universitária, e isso tem trazido melhoria da qualificação do trabalhador da cidade e da região. “Tem trazido novos investimentos para Marabá e região, e o próprio desenvolvimento, com a abertura do mercado para novos investimentos que antes Marabá não possuía”, afirmou ele.

Para Raimundo, esse relacionamento entre sociedade e universidade é fundamental para que Marabá possa garantir que a população seja servida de boa educação, de boa qualificação, de nível superior.

Segundo ele, o movimento que a ACIM desencadeou, em conjunto com outras entidades da sociedade civil organizada, tem o papel de fazer com que a comunidade dialogue com a universidade para apoiá-la em suas demandas, e também verificar de que maneira pode contribuir para, não só a permanência dos cursos que já existem, quanto pela implementação de novos cursos.

“O curso de Medicina é o sonho de qualquer cidade, de qualquer região. E esse murmúrio de que não viria mais para Marabá desencadeou um movimento para buscar a universidade, a fim de que possamos unir forças e garantir que o curso seja efetivamente instalado em Marabá”, reforçou o diretor da ACIM.

Assinaram o documento entregue à Unifesspa, além da ACIM, as seguintes entidades: Conojve, Sindicom, Acomac Sul do Pará, Sinprorural, Prefeitura de Marabá, Câmara Municipal, OAB/PA –Subseção Marabá, Semed, SMS, Seasp, CME, CMS, CMAS, Lojas Maçônicas e clubes de Rotary e Lions.

PCCR

Em Marabá, vereadores que votaram a favor do PCCR da Educação pedem respeito e repudiam insinuações maldosas

Vereadores Alécio da Palmiteira e Cristina Mutran fizeram duros discursos e afirmaram que o voto não foi resultado de barganha

O vereador Alécio Stringari (PSB), mais conhecido como Alécio da Palmiteira pediu respeito na sessão desta quarta-feira (31), ao assumir a Tribuna da Câmara Municipal de Marabá. Ele é um dos 17 membros do Legislativo que, no último dia 23, aprovaram o polêmico Projeto de Lei 014/2017, que modifica vários pontos do PCCR da Educação. Acontece que Alécio assim como os demais que disseram “sim” ao projeto do Executivo, vêm recebendo críticas virulentas nas redes sociais e veladas nos discursos de alguns colegas contrários à aprovação do novo PCCR.

Alécio reagiu com veemência diante de insinuações de que ele e seus colegas se venderam ao Executivo e que aprovaram o projeto como barganha por nomeações de correligionários. “Não aceito isso, estou aqui no meu terceiro mandato e até aqui cheguei com muito trabalho, muito sacrifício. Nunca pedi nada ao governo em troca de benefícios para mim ou para quem quer que fosse”, bradou da Tribuna.

Sempre com a fisionomia fechada, demonstrando indignação, Alécio mais uma vez exigiu respeito e disse que votou de acordo com sua consciência, tendo em vista o momento difícil pelo qual o município atravessa. “Examinei minuciosamente o projeto e cheguei à conclusão de que as mudanças eram necessárias. Por isso aprovei, não porque alguém houvesse mandado. Repito, me respeitem, me respeitem e respeitem aos demais 16 vereadores ”, exigiu.

Em aparte, a também vereadora Cristina Mutran (PMDB) endossou as palavras do colega a também pediu respeito. Disse que, antes de dar seu voto, levou o projeto para casa e leu, estudou exaustivamente, reforçando ainda, que nunca barganhou nada com o Executivo, que aprovou porque concluiu que a proposta do governo estava correta, não deixava dúvidas de que tinha de ser aprovada e também exigiu que a respeitem.

Marabá

Adesão à greve dos professores ainda é baixa em Marabá, segundo números da Semed e do Sintepp

Secretaria de Educação está preocupada com comprometimento do ano letivo

Segundo a Assessoria de Comunicação (Ascom) da Prefeitura de Marabá, somente 44 escolas da zona urbana estão com as atividades paralisadas, 29 totalmente e outras 15 parcialmente. Já segundo o Sintepp (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará) – subsede local –, são 52 os estabelecimentos de ensino, cujos professores estão em greve, como forma de protesto pela aprovação do novo PCCR da Educação, que readéqua cargos e salários. Na cidade, as escolas municipais somam atualmente 97 e no campo são 109. Juntas, totalizam nas salas de aula 56 mil alunos. Ou seja, a greve atinge nesta terça-feira (30), totalmente, apenas 14,1% das escolas municipais.

A grande preocupação da secretaria neste momento é fazer com que os professores entendam corretamente as reformulações; muitas informações estão distorcidas e é importante que a verdade prevaleça. Quanto ao estado de greve, ainda com pouca adesão, a secretaria reafirma o seu compromisso com o diálogo, que sempre é a melhor saída para qualquer crise. Segundo o subsecretário, Orlando Moraes, é importante que os educadores lutem, mas que tenham como foco principal a educação das crianças que podem vir a ter o ano letivo comprometido.

Ainda segundo a Assessoria de Comunicação, por diversas vezes o Sinttep esteve reunido com o prefeito, vereadores e secretário de Educação. Todos os pontos foram debatidos de forma incansável, na sua maioria acordados pelo próprio sindicato e grupos de professores desvinculados da entidade, que mantiveram um diálogo direto e influência nas decisões tomadas. “Nada que consta desta reformulação do PCCR foi imposto, ou decidido unilateralmente. Ainda assim o diálogo sem mantém aberto entre prefeitura e professores”, finaliza a Ascom.

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