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Marabá

Expedição Vozes do Futebol entrevista João Galvão, técnico do Águia de Marabá

Projeto de Veja e Mercedes-Benz esteve em Marabá para falar com o técnico mais longevo de todo o futebol brasileiro. Ele está no cargo há 4 anos

A Expedição Vozes do Futebol, projeto de VEJA em parceria com a Mercedes-Benz, que busca grandes histórias e personagens sobre a maior paixão nacional, esteve em Marabá (PA) e visitou a sede do maior clube da cidade, o Águia de Marabá. João Galvão, o técnico há mais tempo no comando de um time brasileiro, foi o entrevistado do repórter Alexandre Senechal.

O treinador está à frente do time paraense desde agosto de 2014 e só não está há 10 anos ininterruptos no banco de reservas da equipe porque a direção resolveu substituí-lo por Darío Pereyra no primeiro semestre de 2014. Três meses depois, porém, lá estava João Galvão novamente no cargo.

Com o Águia, disputou a Série C do Campeonato Brasileiro por oito anos, até o rebaixamento em 2015. A equipe disputou a Série D em 2016 e desde então não tem calendário nacional. Com a eliminação na primeira fase do Campeonato Paraense, o time de Marabá só voltará a disputar uma competição profissional no ano que vem.

Resignado com a situação, João Galvão reclamou da falta de investimento e preocupação com os campeonatos menores do Brasil. “As autoridades responsáveis deveriam olhar com mais carinho. A Série D é um torneio e os pais de família dos times que são eliminados cedo já estão desempregados em dois meses.”

Clique aqui pra ver o vídeo com a entrevista com João Galvão.

A Expedição Vozes do Futebol percorrerá 8.702 quilômetros de estradas ao longo de 40 dias, passando pelas cinco macro-regiões do país e por quinze Estados, para mostrar o impacto do esporte mais praticado no mundo na vida de brasileiros com perfis completamente distintos.

Produtor rural e empresário Jahyr Seixas se manifesta sobre momento de turbulência política em Tucuruí

Nonagenário e fundador do município, Seixas credita atual cenário de Tucuruí à instabilidade política provocada com a morte do prefeito Jones William

Jahyr Seixas, fluminense do Rio de Janeiro, foi um dos pioneiros a desbravar a antiga Alcobaça (hoje Tucuruí) no início dos anos 70. Hoje, aos 94 anos, o Senhor Jahyr – como é conhecido na cidade – encaminhou comentário onde se manifesta publicamente sobre a tempestade política que desestabiliza a cidade de Tucuruí.  De início, Jahyr lamenta sobre o fraco movimento no comércio, capitalizado pela insegurança política que amedronta os empresários, sobretudo  por não saberem como essa crise política terminará.

Além disso, Sr Jahyr reclama que não existem políticas para geração de emprego e renda no município. “Se o prefeito gasta o dinheiro público errado, investe em festas enquanto o povo passa fome, e deixa faltar remédios nos postos de saúde, ele não está se preocupando com a população. Uma coisa que eu admirava no Artur é que ele se preocupava com a saúde e educação, além de ter dado continuidade na implantação do Distrito industrial”.

Sr. Jahyr também acredita que a família Brito foi vítima de um golpe para tirá-los do poder. “Meus 94 anos de vida me ensinaram a diferenciar pessoas boas de ruins. Acredito que a mãe do Artur não tem nada a ver com esse crime. A polícia errou ao prender uma pessoa inocente sem provas. Tão grave quanto o crime contra o Jones foi essa humilhação que a família Brito passou por ter sido acusada inocentemente” assevera Jahyr Seixas, que  concluí reiterando que acredita na Justiça de Deus, principalmente porque a família de Jones Willian merece a verdade.

“O que eu vi até agora é somente briga pelo poder. Aquelas pessoas que antes pediam justiça agora se silenciaram com cargos na prefeitura. A mãe e os filhos de Jones merecem a verdade; Tucuruí merece a verdade. Não podemos nos calar e acreditar em boatos e fofocas,” finaliza o nonagenário tucuruiense.

Entrevista

“Fico, e deixarei um legado positivo na Saúde de Parauapebas”, afirma Coutinho

O Secretário de Saúde concedeu entrevista ao Blog, quando afirmou seu desejo de continuar à frente da Semsa

O Blog contactou o Secretário de Saúde do munícipio de Parauapebas, José das Dores Couto (Coutinho) para esclarecer comentários oriundos de grupos da rede social Whatsapp que dão conta de sua volta a Câmara Municipal de Parauapebas tão logo os trabalhos legislativos recomecem, deixando assim o cargo de gestor da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

Coutinho concedeu entrevista exclusiva ao Blog para esclarecer os fatos. Confira:

Zé Dudu – Coutinho, procede a informação veículada?

Coutinho – Não há nenhuma verdade nisso, não sei de onde o povo tira tanta especulação.

Zé Dudu – Não seria em virtude do atraso nos salários dos servidores da Saúde?

Coutinho – Os salários não estão atrasados. A Prefeitura tem até o quinto dia útil para quitar o salário do mês. Infelizmente, no final de ano não foi possível quitar antecipadamente os salários da Saúde. Talvez pelo motivo de eu ter externado publicamente em algum momento a minha insatisfação da Saúde ter ficado sem receber, esse boato tenha se originado.

Zé Dudu – Isso provocou uma crise entre você e o prefeito?

Coutinho – Não, pelo contrário. Darci foi e está sendo solidário a mim e aos funcionários da Saúde nessa situação. Mas, exerço um cargo de confiança desde setembro, e quem nomeia e exonera é o prefeito. Em momento algum ele me pediu o cargo ou eu pedi para sair e voltar à Câmara Municipal.

Zé Dudu – Em um outro momento houve a especulação de que você sairia da Saúde e iria para uma outra secretaria para ajudar a compor o governo? 

Coutinho – Realmente surgiram esses boatos de que eu teria sido convidado para ir a uma outra secretaria, por mais que essa conversa exista, ou existisse, eu não deixaria nesse momento a Saúde, em hipótese nenhuma. Seria demonstração de fraqueza da minha parte. Apesar de eu ter chegado lá em setembro, sem nenhum orçamento, sem nada, venho dando murro em ponta de faca, fazendo das tripas o coração. Mas as coisas vêm funcionando. Espero que no novo ano, com novo orçamento, e com alguns processos avançados pra dar uma solução administrativa mais rápida, mais eficaz e de funcionalidade, as coisas vão melhorar.

Estou construindo tudo isso, esperando para que a gente possa deixar um legado, pelo menos, quando sair. Se eu sair agora, seria demonstração de fraqueza, demonstração de irresponsabilidade, de covardia, que eu não faria em momento nenhum. Até porque eu não sou sozinho na história; quando eu fui para lá, convidei algumas pessoas para irem comigo, e, eu saindo, estaria abandonando o barco com eles dentro. Eu não faria isso. Então, não tem nenhuma verdade nessa história.

Zé Dudu – Já existe uma data prevista para o pagamento?

Coutinho – Na quinta-feira (5) sentei com o sindicato para resolver e amenizar as crises enquanto contruíamos o pagamento das férias do pessoal, o que aconteceu na quinta mesmo. Estamos construindo uma situação para que o pagamento dos salários de dezembro seja efetuado na segunda-feira (8).

Zé Dudu – Você como político experiente que é sabe do desgaste que o não pagamento da Saúde junto com os outros funcionários da administração lhe trouxe. Acredita que esse fato pode atrapalhar a sua convivência com os funcionários no futuro?

Coutinho – Tenho procurado fazer uma administração transparente e sempre em harmonia com os funcionários e não acredito que este fato venha a interferir na relação futura. Infelizmente aconteceu da Saúde ficar sem receber e não há como mudar isso. Mas, os funcionários podem ter a certeza de que não houve falta de empenho da equipe.

Parauapebas

Entrevista: Prefeito Darci Lermen fala sobre a saúde pública em Parauapebas

Logo após a posse de Coutinho, Darci falou sobre a gestão da saúde

O Blog entrevistou com exclusividade, logo após a posse de Coutinho como secretário de saúde, o prefeito de Parauapebas Darci Lermen. Basicamente, tratamos sobre a saúde do município. Confira o que disse Darci Lermen:

Zé Dudu – Com apenas 300 dias de governo o senhor faz a primeira mudança em seu secretariado e logo em uma pasta problemática como a saúde. Quais foram os motivos da mudança?

Darci Lermen – Trata-se de um ajuste normal na gestão pública. Tivemos alguns problemas que precisamos de uma carga de energia maior para resolver. O ex secretário continuará na rede pública, deve fazer um doutorado e se preparar para a instalação da Faculdade de Medicina em Parauapebas.

Zé Dudu – Coutinho, que acaba de assumir a Semsa, foi uma figura política importante dentro da atual conjuntura municipal. Todos sabemos que tem sua confiança, mas a situação na Semsa era tão grave assim, a ponto de ter que mexer em peça tão importante politicamente para o governo?

Darci Lermen – A saúde é um espaço que exige muita energia. Teríamos muitas outras pessoas capazes para encarar a empreitada. Quero demonstrar com isso que a saúde continua sendo a prioridade absoluta. Couto montou a equipe que me agrada muito e acho que é um grupo bastante resolutivo.

Zé Dudu – Foi notório durante a gestão do Dr. Francisco a ingerência da vereadora Eliene na pasta. Você exonerou a adjunta (Reijane), que era figura escancaradamente aliada da vereadora, mas a equipe de Coutinho conta com a Terezinha Guimarães, que é ligada à vereadora. Como administrar uma pasta tão importante como a saúde com intervenções políticas diárias de aliados?

Darci Lermen – Quando eu nomeio alguém, acredito que estou fazendo o melhor por nossa cidade. A maioria das pessoas que participam das gestões são ligadas à lideranças políticas.  Não vejo nenhum mal nisso. Só que não pode atrapalhar a vida do dirigente de determinada pasta.

Zé Dudu – No início do seu governo foi anunciado uma parceria entre Parauapebas, Curionópolis, Canaã e Eldorado, além dos governos federal e municipal para a gestão do Hospital Geral de Parauapebas – HGP, já que este atende aos pacientes de toda essa região. A quantas anda essa parceria?

Darci Lermen – Estamos construindo este Consórcio. Claro que não é fácil, mas já demos alguns passos importantes. Por exemplo, definir que a parte do governo do estado e 51 %.

Zé Dudu – Teremos novas mudanças no secretariado ou elas se resumirão à Semsa?

Darci Lermen – Teremos tantas quantas forem necessárias para o governo funcionar.

Zé Dudu – As redes sociais viraram um tormento hoje para os políticos. Você é um usuário contumaz delas e está antenado no que se passa por lá, onde muitos afirmam que o seu governo virou uma reunião de feudos… Ou seja, anda desconectado… Essa afirmação é verdadeira? Como anda a engrenagem, a relação institucional entre as diversas pastas?

Darci Lermen – Não é verdade isso. Temos reuniões onde são dados os rumos do governo. Temos uma forte participação popular (quase 30 plenárias do PPA e muitas Assembleias populares). Além disso temos o Conselho Gestor, de onde saem as orientações para as Secretarias. Não tem pequenas prefeituras e muito menos feudos no meu governo.

Saúde

Entrevista: José das Dores Couto, o novo secretário de saúde de Parauapebas

O Blog entrevistou com exclusividade o novo gestor da Semsa. Veja o que pensa Coutinho sobre o cargo.

O prefeito Darci Lermen deu posse ontem (18) a José das Dores Couto, o Coutinho, como secretário de Saúde de Parauapebas, em substituição ao médico Francisco Cordeiro. A solenidade ocorreu no gabinete do prefeito e foi prestigiada por boa parte dos vereadores. Com a saída de Coutinho da Câmara Municipal de Parauapebas, o jovem Rafael Ribeiro, 23 anos assume a vaga. O jovem Rafael será o primeiro vereador natural de Parauapebas a ocupar uma cadeira na CMP.

Perfil

Coutinho é mineiro, de Luz, administrador de empresas, tem 52 anos (15/07/1965) e chegou em Parauapebas em 1985 para trabalhar na então Companhia Vale do Rio Doce. De 1985 a 2000, Coutinho foi secretário e presidente do Sindicato Metabase, juiz classista quando Parauapebas ainda estava sob a jurisdição de Marabá. Em 2000 retornou para Minas Gerais, só voltando à Parauapebas em 2005 para ser o coordenador do Programa de Habitação do governo Darci Lermen. Durante sua gestão foram entregues 540 casas populares à cidadãos de baixa renda em Parauapebas. Em 2007 assumiu a Secretaria Municipal de Ação Social – SEMAS, lá permanecendo até meados de 2008, quando assumiu a coordenação da campanha municipal do Partido dos Trabalhadores, que conduziu Darci Lermen à reeleição. Em 2009 foi convidado e assumiu a chefia do gabinete do então prefeito Darci Lermen, cargo que ocupou até junho de 2010, quando assumiu a Secretaria de Obras de Parauapebas. Em 2012 Coutinho foi candidato a prefeito de Parauapebas e obteve 29.090 votos, perdendo a eleição para Valmir Mariano Queiroz. Em 2016 se elegeu vereador pelo PMDB com 1.068 votos, e foi nomeado líder de governo na CMP.

O Blog conversou com o recém nomeado secretário. Confira:

Zé Dudu – Coutinho, com esse curriculum você se acha capaz de assumir e resolver os problemas da saúde em Parauapebas? 

Coutinho – Sim, capaz de assumir e dedicar à  causa sim. Sabemos que a questão saúde é complexa, mas com comprometimento e uma boa equipe focaremos em avançar rumo à qualidade de atendimento.

Zé Dudu – Você já escolheu sua equipe?

Coutinho – Sim! A equipe de diretores terá Terezinha Guimarães (adjunta); Célio Kennedy (Diretor do HGP); Gleide Lacerda (Diretora da Atenção Básica); Diellin Michelli (Diretora de Vigilância e Saúde);  Eli Areias (Diretor Administrativo); João Alvaro (Diretor do Fundo Municipal de Saúde e Financeiro); Enfermeiro Manoel (Diretor de Média e Alta Complexidade) e Kélia (Diretora de Gestão e trabalho).

Zé Dudu – Como legislador que era até ontem, o senhor está ciente dos problemas que irá encontrar na Semsa. Um dos maiores diz respeito aos salários dos médicos, inchado com a remuneração referente aos plantões. O que fazer para corrigir isso?

Coutinho – Problemas têm de ser enfrentados de frente! Devemos, a princípio, levantar a real situação e procurarmos entender este processo. Certos de que as remunerações deverão ser justas, de acordo com o  que efetivamente se trabalha. Lembrando ainda que tramita na Câmara um projeto de Lei que, se  aprovado, regulamentará  os plantões médicos e valores.

Zé Dudu – Por falar em CMP, esses oito meses e meio que você passou lá lhe garantiram algum conhecimento além do que o senhor já tinha como gestor público? O que essa experiência pode ajudar agora à frente da Semsa?

Coutinho – Foi a minha primeira experiência no legislativo. Acredito que cada experiência nos ensina um pouquinho. A de legislar me ensinou muito. Estar do lado de quem representa os anseios da sociedade faz com que acordemos efetivamente para os problemas do próximo. Tenho certeza que, de volta ao executivo, trataremos com muito mais sensibilidade a vida do nosso povo.

Região

Incra vai tentar negociar novamente com o dono da Fazenda Santa Tereza a fim de evitar novos conflitos

Em entrevista ao Blog, o superintendente regional Asdrúbal Bentes fala das dificuldades que o órgão enfrenta para gerir 513 assentamentos e 73 mil famílias, com pouco mais de 100 servidores e um orçamento mínimo de R$ 10 milhões

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Nos próximos dias, o superintendente regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Asdrúbal Bentes, deve se reunir com o pecuarista Rafael Saldanha Camargo, proprietário da Fazenda Santa Tereza, onde, há três anos, 320 famílias de trabalhadores rurais sem-terra estão acampadas e denunciaram ataques de jagunços no fim de semana. O órgão vai tentar fazer uma nova proposta de compra das terras do fazendeiro a fim de solucionar o impasse.

Asdrúbal Bentes confirmou o que já havia dito ao Blog o advogado da CPT (Comissão Pastoral da Terra), José Batista Afonso: as terras são produtivas, particulares e o Incra já tentou comprá-las. Num primeiro momento, Rafael Camargo aceitou, mas, na hora de fechar o negócio, o instituto descontou o passivo ambiental e o preço baixou fazendo com que o proprietário recuasse.

A situação é a mesma da Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, onde, no último mês de junho, 10 pessoas morreram durante conflito com policiais. Bentes afirmou que a propriedade é produtiva e titulada pelo governo do Estado. O Incra tentou adquirir a fazenda, mas o dono não aceitou o valor oferecido. Ali também o instituto vai tentar nova negociação a fim de evitar novos conflitos.

Quanto à Fazenda Fazendinha, em Curionópolis, esta fica em terra da União e o Incra já foi investido na posse da área. Logo, nem aquele que se diz proprietário nem os invasores têm razão; ambos irão esperar por uma decisão da Justiça.

Dificuldades

Estão sob a responsabilidade da Superintendência Regional do Incra, 513 Projetos de Assentamento (PAs), onde vivem 73 mil famílias – cerca de 300 mil pessoas. Esses PAs estão distribuídos nos 39 municípios das regiões sul e sudeste do Estado.

Para gerir esses números gigantescos, Asdrúbal Bentes conta com apenas 132 funcionários e um orçamento de R$ 10 milhões. “É humanamente impossível dar conta, mas a boa vontade, a competência, a dedicação e o empenho do quadro funcional nos tem permitido tocar o órgão aqui”, afirma o superintendente.

Hoje, o Incra não é mais um órgão do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), do qual foi desligado, mas subordinado à Casa Civil da Presidência da República. Asdrúbal afirma que já se reportou ao presidente nacional do instituto, Leonardo Góes Silva, mas a orientação é de esperar passar a crise na qual o país se encontra para poder ter dias melhores.

“O país vive num clima de incerteza, de insegurança e qualquer paralisação é um retrocesso. Eu torço para que a crise possa ser superada o mais rapidamente possível e nós possamos retornar à normalidade”, afirma Bentes.

Entrega de títulos

Mesmo com orçamento limitado e as dificuldades do dia a dia, o Incra Regional retomou a entrega de títulos definitivos, o que não acontecia desde 1991. No último mês foram entregues 74 no PA Mamuí, em Itupiranga, e entre o final deste mês e o início de agosto, mais 200 serão entregues em Marabá, São Domingos do Araguaia, Conceição do Araguaia e Santana do Araguaia.

“Para quem não expedia títulos há 26 anos é um avanço significativo e agora a máquina entrou nos trilhos. Daqui para frente a tendência é expedir mais títulos”, anuncia o superintendente.

Duas áreas, porém, são emblemáticas para ele: o PA Tuerê, no município de Novo Repartimento, com 2.900 famílias; e o PA Tucumã, com 3 mil famílias, que, além de abranger parte do município do mesmo nome, toma parte de Ourilândia do Norte, Parauapebas e São Félix do Xingu.

Quanto ao Tuerê, Asdrúbal Bentes está animado com a iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Prefeitura de Novo Repartimento, que estão trabalhando em parceria no georreferenciamento daquela área. Ali, numa primeira etapa, ele espera entregar pelo menos mil títulos de uma só vez.

Em relação ao Tucumã, diz ser uma situação mais difícil, mas que espera resolver: “Depende de uma decisão da direção nacional do Incra. O presidente vai ter de entender que é preciso fazer, sob pena de deixar uma região de futuro e com terra boa à mercê de grilagem, à mercê de concentração de terras”, alerta.

Segundo ele, é necessário titular e entregar esses documentos para que, aqueles já em posse da terra − e que por estarem lá há décadas, mostram vontade de trabalhar − possuam segurança jurídica e fiquem protegidos.

Erros do passado

Indagado pelo Blog a respeito da assistência técnica aos assentados, Bentes disse que esse é outro problema grave, porque aconteceram “erros tremendos no passado e a direção geral do Incra não está olhando com bons olhos para essa parte, pelos péssimos serviços prestados por algumas empresas”.

Ele afirmou que não pretende generalizar, pois ainda existem algumas poucas empresas com contrato em vigor prestando assistência, mas disse ser necessário que isso seja solucionado logo.

Asdrúbal foi o segundo gestor do Incra, em 1985, sucedendo o primeiro superintendente, Iris Pedro de Oliveira, quando o órgão ainda se chamava Getat (Grupo Executivo de Terra do Araguaia Tocantins) e afirma que, nesses 32 anos, a Reforma Agrária na região deveria estar em outro nível. “Não culpo ninguém. Infelizmente, outros gestores, talvez tenham enfrentado os mesmos problemas que eu estou tendo − deficiência de recurso humano e financeiro – e o órgão foi perdendo aquela força que tinha, inclusive, orçamentária e financeira”, lamenta, acrescentando: “lembro que, quando fui superintendente estadual do Incra, em 1991, havia municípios cujo orçamento era menor que um convênio com o instituto. Hoje, a coisa se inverteu”.

O Incra, segundo o superintendente, alavancava a economia dos municípios e, mesmo com todas essas dificuldades, há de se reconhecer os relevantes serviços prestados pelo instituto na região. “Na Transamazônica, por exemplo, há vários municípios que surgiram do trabalho do Incra, como Medicilândia, Uruará e Rurópolis, entre outros”, afirma.

Conceito errado

Bentes acredita que se o governo federal voltar os olhos para o Incra como um órgão dirigido para desenvolvimento, entendendo que pode ser responsável por ele, principalmente na Amazônia Legal − e há esse interesse, pois ele foi relator da MP-458, para regularização das terras nesta região −, com certeza haverá um salto muito grande na Reforma Agrária.

“Agora, o que precisa acabar, e que foi uma das coisas que prejudicou o trabalho do Incra, é o conceito político-ideológico de Reforma Agrária. Isso atrapalhou demais. Nós temos de entender que a Reforma Agrária é uma atividade socioeconômica e como tal deve ser tocada; não de forma político-ideológica”, encerra.

Entrevista

Coronel Pedro Celso deixa o comando do 23º BMP em Parauapebas

Em entrevista exclusiva ao Blog, Coronel Pedro informou que assumirá o 6º BPM, em Ananindeua.

Engenho Civil por formação, o Tenente-Coronel PM Pedro Paulo Celso iniciou sua carreira na Polícia Militar do Pará em 1994, na Academia de Policia. Em 1996 já estava em Conceição do Araguaia, na extinta 1ª’ Esforp fazendo várias incursões pela região, inclusive na situação envolvendo a morte dos militantes do MST Fusquinha e Doutor na Fazenda Goiás II. O militar teve uma breve passagem pela Serra Leste e em seguida retornou à Belém, onde  contribuiu com a construção de cerca de 3.500 casas para Policiais Militares, em um processo que envolveu a Cohab e PM-PA. Depois Coronel Pedro esteve em Abaetetuba, Novo Progresso, Breves, Casa Militar, 1° BPM – 1° Zpol na capital. Foi ainda Secretário Executivo e Assistente do Comandante Geral, diretor do DGO (Departamento Geral de Operações) e Comandante em Parauapebas a partir de 03 de março de 2016.

De saída do município, Coronel Pedro concedeu entrevista exclusiva ao Blog. Acompanhe o que relatou o militar:

Zé Dudu – Qual o maior problema encontrado pelo senhor para comandar o 23º QPM?

Coronel Pedro – As dificuldades são as mesmas, as demandas crescentes em função da crise política que reflete nos indicativos sociais, necessidade de acréscimo de efetivo, no minimo reposição dos militares que estão solicitando reserva, meios logísticos necessitando de incremento principalmente no quesito comunicação.

Zé Dudu – Como foi o apoio da prefeitura de Parauapebas durante esse período?

Coronel Pedro – A Prefeitura Municipal foi uma grande parceira. Conseguimos formatar e assinar o convênio de cooperação mútua, inclusive publicado em Diário Oficial, onde está sendo cumprido o pactuado.

Zé Dudu – Como o senhor avaliaria sua passagem por Parauapebas?

Coronel Pedro – A passagem por Parauapebas foi muito valorosa por vários fatores, não só pelo combate incansável a criminalidade nas modalidades de policiamento preventivo e repressivo, mas por avanços significativos na melhoria das instalações físicas do quartel, a prática constante da humanização da tropa, treinamentos de técnicas e táticas policiais constantes em que a tropa estava distante, a formatação do Georreferenciamento criminal, a iniciação das atividades do policiamento comunitário com o Proerd, ronda escolar, recebendo a APAE e o Instituto Amigos que Brilham, com estes fatores procuramos incentivar e motivar nossos colaboradores.

Zé Dudu – Qual o seu destino e quem o substituirá em Parauapebas?

Coronel Pedro – Estou indo para Ananindeua, para o 6° BPM, na região metropolitana de Belém. O Ten-Cel Valinoto me substituirá em Parauapebas.

Zé Dudu – Durante sua gestão houve casos de má-conduta de militares, inclusive militares presos acusados de assassinato. Como o senhor lida com esse tipo de ação na PM?

Coronel Pedro – São ações específicas e individualizadas que estão sendo apuradas nas esferas militar e comum. Foi concedido o direito da ampla defesa e do contraditório. Por fim, que sirva como exemplo aos demais de como não conduzir suas vidas profissionais. Por mais que adiante fique comprovada as suas respectivas inocências nos fatos, o constrangimento permanece, pois com certeza o direito de resposta não será a altura das acusações imputadas. Por outro prisma, se forem culpados terão com absoluta certeza duas penas para o mesmo pecado: a pena a ser cumprida e a exclusão da instituição, por se tornarem incompatíveis com a função.

Política

Entrevista exclusiva com o prefeito de Parauapebas Darci Lemen

Como foram os cem primeiros dias de governo e planos de Darci para o futuro. Veja o que disse o político que pela terceira vez governa Parauapebas.

O Blog entrevistou com exclusividade o prefeito de Parauapebas Darci José Lermen, do PMDB. Na entrevista, o prefeito falou sobre as realizações nesses primeiros cem dias de governo e sobre o que está sendo planejado para o futuro, além de política, justiça e a operação Lava Jato. Acompanhe o que disse Darci Lermen:

Zé Dudu – Você completou há pouco os primeiros 100 dias deste seu novo mandato. Já que no total você tem mais de 3000 dias como prefeito de Parauapebas e uma invejada experiência, você pode dizer que encontrou algo diferente no que tange ao que foi implantado na gestão passada?

Darci Lermen – Com certeza! Hoje nós temos uma cidade que está com muito mais problemas do que quando assumimos pela primeira vez; até porque é uma cidade bem maior e naquela época havia pleno emprego, enquanto hoje o desemprego é preocupante. A velocidade com que se têm as informações hoje é fora do comum. Isso por um lado é bom, na medida que você tem a informação do problema de forma rápida, mas pode ser problema na medida em que nem todos os que compõem o governo têm a experiência de uma gestão anterior, já que só eu e outros poucos já participamos de outro governo. Essa velocidade nas informações pode sobrecarregar as pessoas.

Zé Dudu – Em uma entrevista concedida ao Blog em 2015, você me disse que se tivesse a oportunidade de voltar a governar Parauapebas faria um governo mais transparente. Quais ações foram tomadas pelo atual governo para que esse seu desejo se realize?

Darci Lermen – Primeiro que naturalmente, até pelas próprias exigências legais, essa transparência se faz necessária. Nós costumamos sempre dar de três a quatro meses para que cada secretário possa se acertar em sua cadeira e em pouco tempo teremos mais clareza e o povo terá mais acesso pelo Portal da Transparência, já que eu entendo que é fundamental que a população tenha a possibilidade de verificar o que estamos fazendo. Uma outra coisa importante nesse sentido é a nossa presença na sociedade. Durante estes quase quatro meses o governo fez uma série de assembleias nas comunidades e isso tem me possibilitado comunicar-me diretamente com a população.

Zé Dudu – Quanto tempo será dado ao atual secretariado até que você analise quem está indo bem e quem precisa ser trocado?

Darci Lermen – A princípio, quando você escolhe alguém, não é com pensamento de trocar. É natural do processo que se alguém não conseguir atingir o que foi apresentado no programa de governo este será trocado para que outro atenda as expectativas do governo.

Zé Dudu – Essa troca envolve a garantia da manutenção do partido que indicou o secretário para a pasta?

Darci Lermen – A princípio sim, mas cada caso é um caso que deverá ser estudado, até porque nem todos os secretários são indicações de partidos.

Zé Dudu – Durante toda a campanha do ano passado você pregou que o seu governo seria um governo de oportunidades. Quais ações já foram feitas e quais ainda serão realizadas por você para que isso não fique apenas na promessa?

Darci Lermen – Desde o dia em que fui eleito eu tenho corrido atrás de preparar a cidade para receber grandes obras, dentre elas a macrodrenagem. Nós acertamos o “time” certo com o BID e nossa Carta-Consulta vai ser votada no COFIEX (Comissão de Financiamento Externo composta por diferentes órgãos da Esfera Federal e cuja Secretaria Executiva é SEAIN/MP) do Ministério do Planejamento no final de abril, e de lá ela irá ao Senado e no segundo semestre faremos a licitação. Esse projeto gerará cerca de 2,500 empregos e resultado na qualidade de vida das pessoas. Estamos também fazendo ajustes finais para a instalação do Porto Seco em Parauapebas. Estudos para isso começaram no meu primeiro governo e a viabilização desse projeto gerará emprego e renda em Parauapebas.

Zé Dudu – Segundo o seu secretário de fazenda, a arrecadação do município voltou a crescer. Seu governo pretende fazer investimentos e obras ainda no primeiro semestre ou esse período serve apenas para tapar buracos, passar um batom e fazer caixa para o futuro?

Darci Lermen – Não existe isso de caixa para o futuro ou batom. O que nós estamos fazendo nesse momento é o básico para deixar a máquina rodando, o feijão com arroz. Nós temos vários buracos para serem tampados que não são os da rua. Eu tenho rescisões, 13º salários, energia elétrica e fornecedores para pagar… vários problemas financeiros deixados pela gestão anterior que nós temos que resolver. Eu não quero olhar para trás e tenho certeza que a economia vai crescer. Estamos trabalhando para isso e esse momento vai ser um momento novo. O que tem que acontecer é que a cidade tem que participar desse crescimento. Não adianta a Vale vender muito se a nossa população não for absorver os empregos. Estamos trabalhando para que as oportunidades para a população apareçam.

Zé Dudu – “Quando você está lá dentro, por diversas vezes você se sente encastelado. Por mais que você não queira aceitar, mas é a verdade. No poder você tem muitos compromissos políticos para cumprir e isso não é uma coisa muito interessante, isso atrapalha muito”. Essa frase foi dita por você em 2015 na mesma entrevista já citada. Desta vez, para se eleger, você conseguiu juntar outros 14 partidos e certamente fez com eles alguns compromissos. Não são compromissos demais e que podem engessar o governo?

Darci Lermen – Com certeza não. Primeiro porque a condução do governo continua sendo nossa. Segundo, quando você faz compromissos de campanha você pode fazer de duas formas: a primeira quando você se amarra, e a segunda quando você traz os parceiros para o governo sob o compromisso de cumprir o que foi acordado durante a campanha e com a obrigação de seguir o planejamento, os planos de governo organizados nas bases e plenárias. Quem não se enquadrar com o nosso programa de governo, quem não seguir o nosso pensamento, não continuará no governo. Compromissos não podem amarrar um governo e hoje não temos nenhuma revolta com relação a isso.

Zé Dudu – Como anda a sua relação com a Câmara Municipal de Parauapebas? O senhor costuma atender as dezenas de indicações ao executivo que são produzidas pelos vereadores ao longo do ano?

Darci Lermen – Algumas, sim; é natural que se atenda. As que vi até agora não tem muita coisa fora do que nós já imaginávamos fazer. Os vereadores são aceleradores do processo. Quanto à minha relação com a CMP eu e minha equipe procuramos manter uma relação pacífica, mas não de subserviência, com o legislativo.

Zé Dudu – Logo após sua eleição, surgiram nas redes sociais informações sobre os processos que você responde na justiça. A quantas andam esses processos, você já compareceu em juízo para prestar depoimentos e esclarecer os fatos?

Darci Lermen – Existem alguns processos sim. É natural a um político que passa oito anos em uma prefeitura do tamanho da de Parauapebas que alguns processos apareçam. Mas o que dá tranquilidade a mim e ao meu grupo é que ninguém pode falar que eu passei pelo governo e enriqueci, ou que estou atrás de riqueza. Quem estiver dizendo isso é mentiroso. Eu não enriqueci de forma ilícita e nem de forma lícita. Quanto aos processos, eu estou absolutamente tranquilo e pronto a responder por eles assim que for intimado.

Zé Dudu – O governo da oportunidade pretende realizar concurso público para os cargos que hoje são ocupados por quem trabalhou na campanha?

Darci Lermen – Tipo que cargos?

Zé Dudu – De janeiro para cá, o seu governo admitiu mais de 1000 novos contratados; muitos deles participaram de sua campanha. Você pretende fazer concurso para legalizar a situação desse pessoal?

Darci Lermen – Fazer concurso para ASG, vigia? Seria muita covardia com pessoas que trabalham há muito tempo aqui. Eu sei que isso pode repercutir mal, mas os pequenos precisam ser protegidos.

Zé Dudu – Você disse que no segundo semestre começará a alavancar as obras no município. Você pretende incluir no edital alguma cláusula que obrigue as empresas a contratar os trabalhadores de Parauapebas, entre eles esses que hoje são contratados da PMP?

Darci Lermen – Essa lógica não é assim, mas, na medida que você contrata uma obra grande você tem pedreiro, vigia, carpinteiro, armador… Você tem diversos profissionais que podem naturalmente migrar para essas empresas, já que os salários serão melhores. Esse é um processo natural.

Zé Dudu – Nesse tempo, sua gestão pretende implantar algum projeto que qualifique esse pessoal para os cargos na iniciativa privada que por ventura surgirem?

Darci Lermen – A Câmara Municipal de Parauapebas votou o Projeto Frente de Trabalho, que vem desde a gestão anterior, e esse programa vai ajudar a dar uma boa dinâmica de emprego na cidade no sentido de contatar pessoas para trabalhar no combate à proliferação de mosquitos, na limpeza de ruas e quintais, etc. Nós pretendemos contratar bastante gente para isso.

Zé Dudu – Ano que vem teremos eleição para o governo do Estado. Parauapebas certamente será protagonista nessas eleições. O senhor apoiará o candidato do seu partido, Helder Barbalho mesmo estando ele com o nome envolvido na Operação Lava jato?

Darci Lermen – Eu sou partidário! O partido que eu estou tenho que apoiar. O Helder me disse pessoalmente que todos os recursos que ele recebeu foram contabilizados e que tudo será esclarecido. Eu acredito que tudo vai ser esclarecido para que nós possamos elegê-lo governador.

Zé Dudu – O governo pretende lançar ou apoiar algum candidato da cidade para deputado federal e estadual?

Darci Lermen – Eu acredito que ter deputado representando nosso município é muito importante, e no tempo certo trataremos disso. O governo, a prefeitura, não apoiará nenhum candidato, mas, eu pessoalmente apoiarei algum candidato assim como meus secretários deverão apoiar alguém. Isso vai gerar um debate grande para escolhermos candidatos daqui.

Zé Dudu – Para finalizar, qual a sua opinião a respeito da Operação Lava Jato no geral, sem contextualizar com político A ou B?

Darci Lermen – É uma operação que sacudiu o Brasil. Estou na política há alguns anos, mas em momento algum eu acreditava que a situação estivesse nesse nível. No nível de uma empresa como a Odebrecht mandar e desmandar no país.

Zé Dudu – Alguma empresa manda no seu governo?

Darci – Não, já tentaram, mas não conseguiram!

Zé Dudu – Darci, eu quero parabenizá-lo pelo seu 52º aniversário, que acontece amanhã (19), e desejar muito boa sorte ao governo e que você consiga fazer de Parauapebas uma cidade cada vez melhor…

Darci – Eu que quero agradecer a ti e a todos que são construtores dessa cidade. Eu vejo muita gente que chegou aqui e cresceu, depois quebrou e está crescendo de novo, renascendo das cinzas. Eu espero que Parauapebas também renasça e que a população tenha a consciência do que é público e do que é privado. Só assim Parauapebas crescerá e se tornará uma boa cidade para se viver.