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Política

“A eleição de 2014 foi uma fraude”, diz Marina Silva

Pré-candidata pela Rede afirma que “desta vez, sociedade não será enganada”
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Fundadora da Rede em 2015, a pré-candidata defende um plano voltado para “sustentabilidade social, econômica, cultural, e política”. Ela também concorreu ao cargo de Presidente da República em 2010, pelo PV, e em 2014, pelo PSB, mas ficou em terceiro lugar no primeiro turno. Agora, Marina confia que vai ao segundo turno e será vitoriosa. Confira a entrevista, publicada originariamente aqui.

A senhora acha que há algum risco de não ter eleições este ano?

Em hipótese nenhuma. Nós temos uma democracia que foi conquistada a duras penas. Não podemos permitir que qualquer tipo de saudosismo autoritário possa ter espaço nesse debate, apesar daqueles que sabotam a República. Todos os democratas, independente de partido e ideologia, devem rechaçar com veemência esse discurso. As Forças Armadas tem o seu papel na Constituição, em combinação com um governo democraticamente eleito.

A senhora está ocupando uma posição de destaque nas pesquisas. Está jogando com a expectativa de ir para o segundo turno? 

A sociedade brasileira tem a expectativa de que, dessa vez, não vai ser enganada pelos marqueteiros, pelo dinheiro roubado da Petrobras, dos fundos de pensão da Caixa Econômica, e do Banco do Brasil. A Lava Jato trouxe a verdade do envolvimento dos grandes partidos, PT, PSDB, e PMDB, com suas principais lideranças juntas com o DEM, nos graves casos de corrupção do Brasil. A sociedade quer recuperar uma governança que não seja na base do toma lá dá cá. Nós temos que fazer a mudança.

As intenções de voto na senhora são fruto do recall, como alguns especialistas dizem, ou do desejo de mudança? 

Em 2010 e 2014, a sociedade sinalizou que queria mudança de verdade. Só não aconteceu, porque a eleição foi fraudada pelo abuso do poder econômico, do poder político, e pela corrupção e caixa dois. A eleição de 2014 foi uma fraude, um verdadeiro golpe na democracia brasileira.

A senhora tem convicção de que, dessa vez, será eleita? 

Estou com muita convicção de que, dessa vez, a sociedade não vai ser enganada de novo. Vai prevalecer a sua postura de querer mudar o Brasil.

Há reuniões que tem sido feita no campo da esquerda pelo PSOL, PT, PCdoB, PDT, e que não conta com a presença da Rede. Como a senhora explica a ausência do seu partido nessas discussões?

A Rede é um partido independente. Quando eu fui para o Partido Verde, já vinha de um processo longo de amadurecimento, de que é possível buscar novas sínteses. Há um movimento no mundo que não fica preso a essa visão simplista de esquerda e de direita. Isso no Brasil já não diz muita coisa. Se a esquerda se juntou com [Paulo] Maluf, Renan [Calheiros], [Fernando] Collor, Jáder Barbalho, [José] Sarney, eu não sei mais o que é esquerda.

Não há a possibilidade, mesmo no segundo turno, de apoiar ou firmar aliança com candidato da esquerda?

Eu tenho respeito pelos partidos. Com relação ao segundo turno, a gente discute no segundo turno. Em cima de programa, princípios e valores, a gente pode até fazer alianças pontuais.

A senhora defende o direito de Lula disputar as eleições este ano?  

A lei de Ficha Limpa estabelece que ninguém que tenha sido condenado pode participar de eleição. E a lei deve ser aplicada igualmente por todos. Nós não podemos ter uma lei que se adapte a quem está sendo julgado e condenado. É lamentável o que aconteceu no Brasil com figuras importantes de diferentes partidos. Temos que trabalhar para que outras lideranças políticas possam pagar pelos seus erros. O próprio senador Aécio tem que responder à Justiça.

Como a senhora vê as ações do governo com relação a crise dos combustíveis? 

O governo dispõe de mecanismo para se antecipar de uma situação como essa. E se eles tiveram que agir depois da situação instalada, por que não tiveram a mesma atitude antes? E mais, o governo não tem credibilidade e legitimidade para negociar com qualquer setor. Além das medidas emergenciais, tem que adotar medidas estruturantes. Nós precisamos de um governo com credibilidade para fazer uma Reforma Tributária.

A senhora já tem um nome para conduzir a economia caso seja eleita? 

O André Lara Resende e o Eduardo Giannetti [um dos pais] do Plano Real.

O André toparia voltar a um cargo executivo? 

Não. O André fará a elaboração do plano. Nenhum Presidente deve dizer a sua equipe antes de ganhar as eleições. Aqueles que fazem isso são tão fracos, que precisam se esconder atrás de uma forte equipe econômica para poder passar alguma credibilidade. Ter um governo que é governado pela equipe econômica dá no que deu: a equipe do Temer é de enfeite. Nós não vamos inventar rótulos. O plano real vai ser mantido.

Entrevista

Entrevista com delegado Moraes, Ex-Delegado-Geral de Polícia Civil do Pará

Reveladora entrevista com quem comandou a Polícia Civil do Pará no 1º governo de Almir Gabriel
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O jornalista Val-André Mutran, correspondente do Blog na capital federal entrevistou João Nazareno Nascimento Moraes, também conhecido como Delegado Moraes.

Humanista, criado em família tradicional cuja maior herança foi a cultura adquirida de respeito à base familiar e de amor a pátria. Delegado Moares é Doutorando, Mestre em Direito nas Relações Sociais pela Universidade da Amazônia – UNAMA. Pós-Graduado com especialização em Polícia Judiciária pela Universidade do Estado do Pará – UEPA, Pós-Graduado em Direito Penal e Processo Penal pela Universidade Estácio de Sá/RJ. Possui Graduação em Direito pela Universidade da Amazônia – UNAMA (1991) com especialização em Direito Previdenciário e Direito Penal. Foi estudante do Curso de Economia da Unama.

Servidor público estadual, Delegado de Polícia aposentado, ex-Secretário Interino de Segurança Pública do Estado do Pará, ex-Delegado-Geral da Polícia Civil do Estado do Pará. Professor da ACADEPOL/PA, do IESP, ex-Professor convidado da Escola de Sargentos das Armas (ESA), ex-professor da Faculdade de Pará de Minas (FAPAM), professor convidado da empresa de segurança Puma. Autor dos Livros “Polícia Cidadã, Invalidez: Acesso ao mercado de trabalho para Policiais Cadeirantes” e “Alternativas à prisão e Aposentadoria por Opção”. Também  é autor de vários artigos publicados pelos jornais O Liberal, Diário do Pará e Correio do Tocantins, todos do Pará, assim como um dos compositores do hino da Polícia Civil do Pará. Fundou e foi Presidente de vários centros comunitários.

É ex-presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Pará e atual Presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Pará (ADEPOL/PA). Delegado Moraes ministra palestras nas áreas em que tem especializações e na área dos Direitos Humanos. Advogado com carteira recolhida a pedido, ex-membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PA. Professor convidado de banca examinadora de TCC da UNAMA. É compositor e poera nas horas vagas e o tem, ainda, o dom de cantar na noite profissionalmente. Confira a entrevista:

Blog do Zé Dudu – Com 142 anos de existência da Polícia Civil no Pará, o senhor é um dos remanescentes de uma era de policiais civis que fizeram história, no interior e na Capital. O que mudou na Polícia?

Delegado João Moraes – A Polícia historicamente sempre foi o patinho feio dos poderosos. Hoje, enfrenta luta desigual contra os usurpadores de suas prerrogativas, ou seja, mesmo com as garantias constitucionais é desrespeitada por quem deveria lhe fortalecer, entretanto, está resistindo aos ataques de usurpação com argumentos constitucionais contundentes de suas garantias.

Blog do Zé Dudu –  Mesmo sem os avanços tecnológicos hoje disponível para o aparato policial, especialmente à disposição da polícia judiciária. Na sua avaliação, quais seriam os fundamentos que sempre existiram na atividade policial e que hoje parecem não serem suficientes no combate ao crime?

Delegado João Moraes – A linha empírica hoje, por incrível que possa parecer, faz muita falta para os ideais das investigações tecnológicas, que abraçadas de forma voraz, muitas vezes, possivelmente ultrapassam os limites constitucional. Por isso, tenho tanta saudade das ações empíricas de sufocamento do crime e do criminoso no limite da lei passo a passo, na dedicação de cada policial da antiga.

Blog do Zé Dudu – Como o senhor avalia a grade curricular da formação de um Delegado de Polícia Civil, Investigador, Escrivão e a da Polícia Científica? 

Delegado João Moraes – A grade curricular para Delegado de polícia é equivocada dada a exigência de sua formação, se exigir, o que é incompreensível, ou seja, que se tenha que repetir as mesmas disciplinas do curso de Bacharelado em Direito na Academia de Polícia, que deveria dedicar-se, as delegacias modelos em práticas processuais e investigativas das atividades de um delegado de polícia. Equívoco que também prevalece para a formação dos seus agentes.

Blog do Zé Dudu – O senhor esteve diante de inúmeras dificuldades operacionais quando serviu em municípios do interior do Pará, muitos deles, que apresentavam os maiores índices de violência e criminalidade do Estado, como por exemplo Marabá. Diante desse quadro adverso, quais foram as suas prioridades para alcançar e superar as metas de trabalho que o senhor executou?

Delegado João Moraes – Hierarquia e disciplina, dedicação 24 horas, apoio constante à prevenção, investigação de tudo e de todos, atendimento educado e eficaz, participação direta nas diligências, controle no administrativo, relacionamento social digno, fortalecimento da equipe com amparo pessoal, e prisões técnicas, assim como revide na forma da lei.

Blog do Zé Dudu – O senhor é considerado por muitos, o melhor Delegado-Geral que o Pará contou nos últimos 30 anos. O que houve, afinal, para todos esses índices virassem o jogo em favor da bandidagem?

Delegado João Moraes – A quebra significativa da hierarquia e da disciplina pelos comandos esfacelados pelas indicações políticas. Outro ponto é o avanço ilegal de usurpadores da atividade policial civil. Assim como, a utilização muitas vezes indevida da fiscalização e da repressão interna. Outro motivo do avanço é a quebra no padrão de sobrevivência pessoal de cada policial e a aniquilação das instituições superiores de Estado, diga-se de passagem, os três poderes, que por essa também enfraqueceu em demasias as unidades federativas de segurança pública.

Blog do Zé Dudu –  Conte-nos a sua vivência no meio político. Quais as motivações que o levaram a ser um dos idealizadores da Federação Nacional dos Delegados de Polícia. Sua atuação à frente do órgão, assim como, a frente da ADEPOL?

Delegado João Moraes – Tudo aquilo que não consegui realizar a frente da Chefia de Polícia ou como Secretaria de Segurança do meu Estado interinamente, no que diz respeito a melhores condições de remuneração para minha categoria e a de nossos agentes, foi o que levou-me a procurar o mundo sindical para corrigir as impossibilidades a mim impostas pelo governo de minha época como Chefe de Polícia. Quanto a Federação, a ideia foi de um colega de São Paulo, Delegado Melão, também à época Presidente do Sindicato dos Delegados de São Paulo, ideia esta que abracei de pronto dada a fragilidade da categoria em todo território nacional. E é graças a Federação, hoje dirigida pelo Dr. Rodolfo Laterza (indicação nossa), e graças a ADEPOL Brasil, dirigida pelo brilhante colega Dudu, Delegado de São Paulo, que ainda sobrevivemos diante das investidas vorazes de parte do Ministério Público, que almeja a extinção da categoria Delegado de Polícia, mesmo não tendo esta, caixa preta lacrada por sete chaves, como outros detêm.

Blog do Zé Dudu – Chegamos agora ao nosso tema principal. Como o senhor avalia o impacto da Segurança Públicas nas Eleições 2018 no Pará? 

Delegado João Moraes – Nos mesmos patamares de outras ocorridas, já que o povo brasileiro adormece em período eleitoral e só reencontra o equilíbrio de sua consciência política partidária com a constatação das mesmas atitudes por parte dos eleitos.

Blog do Zé Dudu – O quê precisa ser feito para a consolidação de uma efetiva política de segurança pública no Pará, para o viés dessa guerra ser vencida pelos mocinhos?

Delegado João Moraes – Reequilibrar o poder nos patamares idealizados pelo próprio sistema em que, legislativo seja verdadeiramente legislativo, judiciário seja verdadeiramente judiciário, executivo seja verdadeiramente executivo, e que os outros órgãos não desejem seus lugares. Ou seja, que juiz não queira ser legislador, que legislador não queira ser juiz, que executivo não queira ser o dono dos outros dois, que promotores não queiram as prerrogativas de outros, que delegados não queiram ser juízes, que nossos agentes não queiram ultrapassar o limite das suas competências e que o povo em sua maior parte crie a capacidade de entender a importância do voto.

Blog do Zé Dudu – Existem Milícias, Esquadrões da Morte, Sindicatos de Pistoleiros no Pará, delegado?

Delegado João Moraes – As ações policiais da Policia Civil do nosso Estado em investigações já aprofundadas, algumas certamente já detectaram, e em alguns casos, até já finalizaram os inquéritos. Então, considero como afirmativa, porém, as instituições estão atentas e esperando ordem que lhes garantam a certeza de agir com o rigor da Lei, pois todo policial sabe que nos possíveis excessos que possam acontecer, ele responde. O que os pseudos defensores dos direitos humanos nunca observam.

Blog do Zé Dudu – Muitos críticos, notadamente ativistas dos movimentos em defesa dos direitos humanos, garantem que a polícia paraense sempre foi muito violenta e que mata demais. E polícia que mata muito, morre muito também. Como o senhor avalia esse cenário de inversão de papéis em que as supostas milícias colocam a prêmio a cabeça de policiais, fardados ou não, oferecendo vantagens e promoções nas organizações criminosas?

Delegado João Moraes – Primeiramente, os papéis não estão investidos, os bandidos ainda são bandidos, e polícia ainda é polícia. A necessária força de Estado é que se perdeu ao bel prazer do Poder pelo Poder, fulminando, em parte, de morte a necessária presença policial nas ruas por tudo que possa ser necessário, como concurso público anual, salários dignos e comando consolidado por seus auxiliares ou colaboradores.

Blog do Zé Dudu – Como o senhor recebeu o plano emergencial de combate à criminalidade anunciado há 20 dias pelo governador Simão Jatene? O senhor pode comentar os pontos do plano?

Delegado João Moraes – Com a mesma visão que recebi os outros, fraco, inodoro e mais do mesmo, ainda que tenham brilhantes colegas no comando que, engessados muito pouco podem fazer.

Blog do Zé Dudu – Muitos policiais egressos das forças de segurança pública estão oferecendo os seus nomes para cargos nessas eleições. Qual a dimensão desse  fenômeno?

Delegado João Moraes – De busca do poder que ofereça melhores condições de vida, diante da insatisfação nacional das categorias que envolvem o sistema de segurança pública para com suas prerrogativas abandonadas, pisoteadas e enterradas nos porões dos ditadores modernos.

Blog do Zé Dudu – O senhor acha imprescindível a participação de policiais na vida política?

Delegado João Moraes – Atualmente sim, entretanto, se o Estado retomar sua essência de forma que garanta os nossos direitos como constitucionalmente precificados, certamente retornaremos à base das nossas instituições, certos de que parte de nossos representantes tanto do judiciário, como no executivo e no legislativo, não mais nos tratarão como escravos modernos. 3

Blog do Zé Dudu – Como um Delegado ou um Coronel pode agir politicamente para garantir melhorias para as famílias dos policiais?

Delegado João Moraes – Elaborando normas que possam consolidar pelas suas experiências melhores dias às instituições de segurança.

Blog do Zé Dudu – O senhor concorda com a decisão do governador Simão Jatene em não aceitar ajuda federal para o combate ao crime no Pará?

Delegado João Moraes – Concordo, em parte, haja vista, que a Força Nacional não tem essência de Força Nacional, é apenas a somatória de vários colegas de outras instituições dos Estados-membros da Federação e que na sua grande maioria não conhece a realidade das nossas necessidades e estratégias. A Força Nacional deveria ser o segmento fardado da Polícia Federal nos Estados em apoio às polícias estaduais quando necessário. Acredito que nossos soldados do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, ao darem baixa nas suas regiões de origem deveriam automaticamente, para que muitos não sirvam de coabitação do crime e do criminoso, serem efetivados nas Polícias Militares, Civil, Guardas Municipais, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal. São homens e mulheres treinados abalizados para adentrarem nessas Instituições com critérios pré-estabelecidos em editais normativos e constitucionais. Esse entendimento da Carta Magna, em muito resolveria, em percentual elevado, parte dos nossos problemas.

Blog do Zé Dudu – Na sua opinião, onde o governo errou no combate ao crime e acabou resultando nesse processo de escalada desenfreada da criminalidade?

Delegado João Moraes – Todos os poderes contribuíram nessa briga desenfreada de poder pelo poder, em que o Legislativo quer ser mais que o Executivo, o Executivo quer ser mais que o Judiciário, e o Judiciário quer ser mais que os dois.

Blog do Zé Dudu – O senhor se sente seguro andando nas ruas de Belém? 

Delegado João Moraes – Não, se o meu próximo não se sente, por que eu iria me sentir? Pelo menos levo uma vantagem sobre eles, por ter um olhar policial. Porém não dá pra ficar com os olhos em alerta 24 horas.

Blog do Zé Dudu – Quais as orientações o senhor daria para o cidadão melhor se proteger dessa violência desenfreada?

Delegado João Moraes – Orar para Deus, pensar em quem votou, pesquisar sobre meios de proteção, perder o medo de ter medo, evitar lugares de eventos sem a presença das autoridades policiais rondantes, evitar lugares ermos, evitar andar sozinho, denunciar no anonimato oferecido pelas autoridades, etc.

Blog do Zé Dudu – Suas consideração finais.

Delegado João Moraes – Gostaria de agradecer a oportunidade, deixar as portas abertas, orar para que meus pensamentos externados estejam certos. E esperar que um dia possa voltar à atividade policial, haja vista, que já apelei várias vezes sem êxito para tanto, e me colocar à disposição das autoridades, naquilo que de melhor sei fazer, que é defender o cidadão do meu estado.

Marabá

Expedição Vozes do Futebol entrevista João Galvão, técnico do Águia de Marabá

Projeto de Veja e Mercedes-Benz esteve em Marabá para falar com o técnico mais longevo de todo o futebol brasileiro. Ele está no cargo há 4 anos
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A Expedição Vozes do Futebol, projeto de VEJA em parceria com a Mercedes-Benz, que busca grandes histórias e personagens sobre a maior paixão nacional, esteve em Marabá (PA) e visitou a sede do maior clube da cidade, o Águia de Marabá. João Galvão, o técnico há mais tempo no comando de um time brasileiro, foi o entrevistado do repórter Alexandre Senechal.

O treinador está à frente do time paraense desde agosto de 2014 e só não está há 10 anos ininterruptos no banco de reservas da equipe porque a direção resolveu substituí-lo por Darío Pereyra no primeiro semestre de 2014. Três meses depois, porém, lá estava João Galvão novamente no cargo.

Com o Águia, disputou a Série C do Campeonato Brasileiro por oito anos, até o rebaixamento em 2015. A equipe disputou a Série D em 2016 e desde então não tem calendário nacional. Com a eliminação na primeira fase do Campeonato Paraense, o time de Marabá só voltará a disputar uma competição profissional no ano que vem.

Resignado com a situação, João Galvão reclamou da falta de investimento e preocupação com os campeonatos menores do Brasil. “As autoridades responsáveis deveriam olhar com mais carinho. A Série D é um torneio e os pais de família dos times que são eliminados cedo já estão desempregados em dois meses.”

Clique aqui pra ver o vídeo com a entrevista com João Galvão.

A Expedição Vozes do Futebol percorrerá 8.702 quilômetros de estradas ao longo de 40 dias, passando pelas cinco macro-regiões do país e por quinze Estados, para mostrar o impacto do esporte mais praticado no mundo na vida de brasileiros com perfis completamente distintos.

Produtor rural e empresário Jahyr Seixas se manifesta sobre momento de turbulência política em Tucuruí

Nonagenário e fundador do município, Seixas credita atual cenário de Tucuruí à instabilidade política provocada com a morte do prefeito Jones William
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Jahyr Seixas, fluminense do Rio de Janeiro, foi um dos pioneiros a desbravar a antiga Alcobaça (hoje Tucuruí) no início dos anos 70. Hoje, aos 94 anos, o Senhor Jahyr – como é conhecido na cidade – encaminhou comentário onde se manifesta publicamente sobre a tempestade política que desestabiliza a cidade de Tucuruí.  De início, Jahyr lamenta sobre o fraco movimento no comércio, capitalizado pela insegurança política que amedronta os empresários, sobretudo  por não saberem como essa crise política terminará.

Além disso, Sr Jahyr reclama que não existem políticas para geração de emprego e renda no município. “Se o prefeito gasta o dinheiro público errado, investe em festas enquanto o povo passa fome, e deixa faltar remédios nos postos de saúde, ele não está se preocupando com a população. Uma coisa que eu admirava no Artur é que ele se preocupava com a saúde e educação, além de ter dado continuidade na implantação do Distrito industrial”.

Sr. Jahyr também acredita que a família Brito foi vítima de um golpe para tirá-los do poder. “Meus 94 anos de vida me ensinaram a diferenciar pessoas boas de ruins. Acredito que a mãe do Artur não tem nada a ver com esse crime. A polícia errou ao prender uma pessoa inocente sem provas. Tão grave quanto o crime contra o Jones foi essa humilhação que a família Brito passou por ter sido acusada inocentemente” assevera Jahyr Seixas, que  concluí reiterando que acredita na Justiça de Deus, principalmente porque a família de Jones Willian merece a verdade.

“O que eu vi até agora é somente briga pelo poder. Aquelas pessoas que antes pediam justiça agora se silenciaram com cargos na prefeitura. A mãe e os filhos de Jones merecem a verdade; Tucuruí merece a verdade. Não podemos nos calar e acreditar em boatos e fofocas,” finaliza o nonagenário tucuruiense.

Entrevista

“Fico, e deixarei um legado positivo na Saúde de Parauapebas”, afirma Coutinho

O Secretário de Saúde concedeu entrevista ao Blog, quando afirmou seu desejo de continuar à frente da Semsa
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O Blog contactou o Secretário de Saúde do munícipio de Parauapebas, José das Dores Couto (Coutinho) para esclarecer comentários oriundos de grupos da rede social Whatsapp que dão conta de sua volta a Câmara Municipal de Parauapebas tão logo os trabalhos legislativos recomecem, deixando assim o cargo de gestor da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

Coutinho concedeu entrevista exclusiva ao Blog para esclarecer os fatos. Confira:

Zé Dudu – Coutinho, procede a informação veículada?

Coutinho – Não há nenhuma verdade nisso, não sei de onde o povo tira tanta especulação.

Zé Dudu – Não seria em virtude do atraso nos salários dos servidores da Saúde?

Coutinho – Os salários não estão atrasados. A Prefeitura tem até o quinto dia útil para quitar o salário do mês. Infelizmente, no final de ano não foi possível quitar antecipadamente os salários da Saúde. Talvez pelo motivo de eu ter externado publicamente em algum momento a minha insatisfação da Saúde ter ficado sem receber, esse boato tenha se originado.

Zé Dudu – Isso provocou uma crise entre você e o prefeito?

Coutinho – Não, pelo contrário. Darci foi e está sendo solidário a mim e aos funcionários da Saúde nessa situação. Mas, exerço um cargo de confiança desde setembro, e quem nomeia e exonera é o prefeito. Em momento algum ele me pediu o cargo ou eu pedi para sair e voltar à Câmara Municipal.

Zé Dudu – Em um outro momento houve a especulação de que você sairia da Saúde e iria para uma outra secretaria para ajudar a compor o governo? 

Coutinho – Realmente surgiram esses boatos de que eu teria sido convidado para ir a uma outra secretaria, por mais que essa conversa exista, ou existisse, eu não deixaria nesse momento a Saúde, em hipótese nenhuma. Seria demonstração de fraqueza da minha parte. Apesar de eu ter chegado lá em setembro, sem nenhum orçamento, sem nada, venho dando murro em ponta de faca, fazendo das tripas o coração. Mas as coisas vêm funcionando. Espero que no novo ano, com novo orçamento, e com alguns processos avançados pra dar uma solução administrativa mais rápida, mais eficaz e de funcionalidade, as coisas vão melhorar.

Estou construindo tudo isso, esperando para que a gente possa deixar um legado, pelo menos, quando sair. Se eu sair agora, seria demonstração de fraqueza, demonstração de irresponsabilidade, de covardia, que eu não faria em momento nenhum. Até porque eu não sou sozinho na história; quando eu fui para lá, convidei algumas pessoas para irem comigo, e, eu saindo, estaria abandonando o barco com eles dentro. Eu não faria isso. Então, não tem nenhuma verdade nessa história.

Zé Dudu – Já existe uma data prevista para o pagamento?

Coutinho – Na quinta-feira (5) sentei com o sindicato para resolver e amenizar as crises enquanto contruíamos o pagamento das férias do pessoal, o que aconteceu na quinta mesmo. Estamos construindo uma situação para que o pagamento dos salários de dezembro seja efetuado na segunda-feira (8).

Zé Dudu – Você como político experiente que é sabe do desgaste que o não pagamento da Saúde junto com os outros funcionários da administração lhe trouxe. Acredita que esse fato pode atrapalhar a sua convivência com os funcionários no futuro?

Coutinho – Tenho procurado fazer uma administração transparente e sempre em harmonia com os funcionários e não acredito que este fato venha a interferir na relação futura. Infelizmente aconteceu da Saúde ficar sem receber e não há como mudar isso. Mas, os funcionários podem ter a certeza de que não houve falta de empenho da equipe.

Parauapebas

Entrevista: Prefeito Darci Lermen fala sobre a saúde pública em Parauapebas

Logo após a posse de Coutinho, Darci falou sobre a gestão da saúde
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O Blog entrevistou com exclusividade, logo após a posse de Coutinho como secretário de saúde, o prefeito de Parauapebas Darci Lermen. Basicamente, tratamos sobre a saúde do município. Confira o que disse Darci Lermen:

Zé Dudu – Com apenas 300 dias de governo o senhor faz a primeira mudança em seu secretariado e logo em uma pasta problemática como a saúde. Quais foram os motivos da mudança?

Darci Lermen – Trata-se de um ajuste normal na gestão pública. Tivemos alguns problemas que precisamos de uma carga de energia maior para resolver. O ex secretário continuará na rede pública, deve fazer um doutorado e se preparar para a instalação da Faculdade de Medicina em Parauapebas.

Zé Dudu – Coutinho, que acaba de assumir a Semsa, foi uma figura política importante dentro da atual conjuntura municipal. Todos sabemos que tem sua confiança, mas a situação na Semsa era tão grave assim, a ponto de ter que mexer em peça tão importante politicamente para o governo?

Darci Lermen – A saúde é um espaço que exige muita energia. Teríamos muitas outras pessoas capazes para encarar a empreitada. Quero demonstrar com isso que a saúde continua sendo a prioridade absoluta. Couto montou a equipe que me agrada muito e acho que é um grupo bastante resolutivo.

Zé Dudu – Foi notório durante a gestão do Dr. Francisco a ingerência da vereadora Eliene na pasta. Você exonerou a adjunta (Reijane), que era figura escancaradamente aliada da vereadora, mas a equipe de Coutinho conta com a Terezinha Guimarães, que é ligada à vereadora. Como administrar uma pasta tão importante como a saúde com intervenções políticas diárias de aliados?

Darci Lermen – Quando eu nomeio alguém, acredito que estou fazendo o melhor por nossa cidade. A maioria das pessoas que participam das gestões são ligadas à lideranças políticas.  Não vejo nenhum mal nisso. Só que não pode atrapalhar a vida do dirigente de determinada pasta.

Zé Dudu – No início do seu governo foi anunciado uma parceria entre Parauapebas, Curionópolis, Canaã e Eldorado, além dos governos federal e municipal para a gestão do Hospital Geral de Parauapebas – HGP, já que este atende aos pacientes de toda essa região. A quantas anda essa parceria?

Darci Lermen – Estamos construindo este Consórcio. Claro que não é fácil, mas já demos alguns passos importantes. Por exemplo, definir que a parte do governo do estado e 51 %.

Zé Dudu – Teremos novas mudanças no secretariado ou elas se resumirão à Semsa?

Darci Lermen – Teremos tantas quantas forem necessárias para o governo funcionar.

Zé Dudu – As redes sociais viraram um tormento hoje para os políticos. Você é um usuário contumaz delas e está antenado no que se passa por lá, onde muitos afirmam que o seu governo virou uma reunião de feudos… Ou seja, anda desconectado… Essa afirmação é verdadeira? Como anda a engrenagem, a relação institucional entre as diversas pastas?

Darci Lermen – Não é verdade isso. Temos reuniões onde são dados os rumos do governo. Temos uma forte participação popular (quase 30 plenárias do PPA e muitas Assembleias populares). Além disso temos o Conselho Gestor, de onde saem as orientações para as Secretarias. Não tem pequenas prefeituras e muito menos feudos no meu governo.

Saúde

Entrevista: José das Dores Couto, o novo secretário de saúde de Parauapebas

O Blog entrevistou com exclusividade o novo gestor da Semsa. Veja o que pensa Coutinho sobre o cargo.
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O prefeito Darci Lermen deu posse ontem (18) a José das Dores Couto, o Coutinho, como secretário de Saúde de Parauapebas, em substituição ao médico Francisco Cordeiro. A solenidade ocorreu no gabinete do prefeito e foi prestigiada por boa parte dos vereadores. Com a saída de Coutinho da Câmara Municipal de Parauapebas, o jovem Rafael Ribeiro, 23 anos assume a vaga. O jovem Rafael será o primeiro vereador natural de Parauapebas a ocupar uma cadeira na CMP.

Perfil

Coutinho é mineiro, de Luz, administrador de empresas, tem 52 anos (15/07/1965) e chegou em Parauapebas em 1985 para trabalhar na então Companhia Vale do Rio Doce. De 1985 a 2000, Coutinho foi secretário e presidente do Sindicato Metabase, juiz classista quando Parauapebas ainda estava sob a jurisdição de Marabá. Em 2000 retornou para Minas Gerais, só voltando à Parauapebas em 2005 para ser o coordenador do Programa de Habitação do governo Darci Lermen. Durante sua gestão foram entregues 540 casas populares à cidadãos de baixa renda em Parauapebas. Em 2007 assumiu a Secretaria Municipal de Ação Social – SEMAS, lá permanecendo até meados de 2008, quando assumiu a coordenação da campanha municipal do Partido dos Trabalhadores, que conduziu Darci Lermen à reeleição. Em 2009 foi convidado e assumiu a chefia do gabinete do então prefeito Darci Lermen, cargo que ocupou até junho de 2010, quando assumiu a Secretaria de Obras de Parauapebas. Em 2012 Coutinho foi candidato a prefeito de Parauapebas e obteve 29.090 votos, perdendo a eleição para Valmir Mariano Queiroz. Em 2016 se elegeu vereador pelo PMDB com 1.068 votos, e foi nomeado líder de governo na CMP.

O Blog conversou com o recém nomeado secretário. Confira:

Zé Dudu – Coutinho, com esse curriculum você se acha capaz de assumir e resolver os problemas da saúde em Parauapebas? 

Coutinho – Sim, capaz de assumir e dedicar à  causa sim. Sabemos que a questão saúde é complexa, mas com comprometimento e uma boa equipe focaremos em avançar rumo à qualidade de atendimento.

Zé Dudu – Você já escolheu sua equipe?

Coutinho – Sim! A equipe de diretores terá Terezinha Guimarães (adjunta); Célio Kennedy (Diretor do HGP); Gleide Lacerda (Diretora da Atenção Básica); Diellin Michelli (Diretora de Vigilância e Saúde);  Eli Areias (Diretor Administrativo); João Alvaro (Diretor do Fundo Municipal de Saúde e Financeiro); Enfermeiro Manoel (Diretor de Média e Alta Complexidade) e Kélia (Diretora de Gestão e trabalho).

Zé Dudu – Como legislador que era até ontem, o senhor está ciente dos problemas que irá encontrar na Semsa. Um dos maiores diz respeito aos salários dos médicos, inchado com a remuneração referente aos plantões. O que fazer para corrigir isso?

Coutinho – Problemas têm de ser enfrentados de frente! Devemos, a princípio, levantar a real situação e procurarmos entender este processo. Certos de que as remunerações deverão ser justas, de acordo com o  que efetivamente se trabalha. Lembrando ainda que tramita na Câmara um projeto de Lei que, se  aprovado, regulamentará  os plantões médicos e valores.

Zé Dudu – Por falar em CMP, esses oito meses e meio que você passou lá lhe garantiram algum conhecimento além do que o senhor já tinha como gestor público? O que essa experiência pode ajudar agora à frente da Semsa?

Coutinho – Foi a minha primeira experiência no legislativo. Acredito que cada experiência nos ensina um pouquinho. A de legislar me ensinou muito. Estar do lado de quem representa os anseios da sociedade faz com que acordemos efetivamente para os problemas do próximo. Tenho certeza que, de volta ao executivo, trataremos com muito mais sensibilidade a vida do nosso povo.

Região

Incra vai tentar negociar novamente com o dono da Fazenda Santa Tereza a fim de evitar novos conflitos

Em entrevista ao Blog, o superintendente regional Asdrúbal Bentes fala das dificuldades que o órgão enfrenta para gerir 513 assentamentos e 73 mil famílias, com pouco mais de 100 servidores e um orçamento mínimo de R$ 10 milhões
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Por Eleutério Gomes – de Marabá

Nos próximos dias, o superintendente regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Asdrúbal Bentes, deve se reunir com o pecuarista Rafael Saldanha Camargo, proprietário da Fazenda Santa Tereza, onde, há três anos, 320 famílias de trabalhadores rurais sem-terra estão acampadas e denunciaram ataques de jagunços no fim de semana. O órgão vai tentar fazer uma nova proposta de compra das terras do fazendeiro a fim de solucionar o impasse.

Asdrúbal Bentes confirmou o que já havia dito ao Blog o advogado da CPT (Comissão Pastoral da Terra), José Batista Afonso: as terras são produtivas, particulares e o Incra já tentou comprá-las. Num primeiro momento, Rafael Camargo aceitou, mas, na hora de fechar o negócio, o instituto descontou o passivo ambiental e o preço baixou fazendo com que o proprietário recuasse.

A situação é a mesma da Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, onde, no último mês de junho, 10 pessoas morreram durante conflito com policiais. Bentes afirmou que a propriedade é produtiva e titulada pelo governo do Estado. O Incra tentou adquirir a fazenda, mas o dono não aceitou o valor oferecido. Ali também o instituto vai tentar nova negociação a fim de evitar novos conflitos.

Quanto à Fazenda Fazendinha, em Curionópolis, esta fica em terra da União e o Incra já foi investido na posse da área. Logo, nem aquele que se diz proprietário nem os invasores têm razão; ambos irão esperar por uma decisão da Justiça.

Dificuldades

Estão sob a responsabilidade da Superintendência Regional do Incra, 513 Projetos de Assentamento (PAs), onde vivem 73 mil famílias – cerca de 300 mil pessoas. Esses PAs estão distribuídos nos 39 municípios das regiões sul e sudeste do Estado.

Para gerir esses números gigantescos, Asdrúbal Bentes conta com apenas 132 funcionários e um orçamento de R$ 10 milhões. “É humanamente impossível dar conta, mas a boa vontade, a competência, a dedicação e o empenho do quadro funcional nos tem permitido tocar o órgão aqui”, afirma o superintendente.

Hoje, o Incra não é mais um órgão do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), do qual foi desligado, mas subordinado à Casa Civil da Presidência da República. Asdrúbal afirma que já se reportou ao presidente nacional do instituto, Leonardo Góes Silva, mas a orientação é de esperar passar a crise na qual o país se encontra para poder ter dias melhores.

“O país vive num clima de incerteza, de insegurança e qualquer paralisação é um retrocesso. Eu torço para que a crise possa ser superada o mais rapidamente possível e nós possamos retornar à normalidade”, afirma Bentes.

Entrega de títulos

Mesmo com orçamento limitado e as dificuldades do dia a dia, o Incra Regional retomou a entrega de títulos definitivos, o que não acontecia desde 1991. No último mês foram entregues 74 no PA Mamuí, em Itupiranga, e entre o final deste mês e o início de agosto, mais 200 serão entregues em Marabá, São Domingos do Araguaia, Conceição do Araguaia e Santana do Araguaia.

“Para quem não expedia títulos há 26 anos é um avanço significativo e agora a máquina entrou nos trilhos. Daqui para frente a tendência é expedir mais títulos”, anuncia o superintendente.

Duas áreas, porém, são emblemáticas para ele: o PA Tuerê, no município de Novo Repartimento, com 2.900 famílias; e o PA Tucumã, com 3 mil famílias, que, além de abranger parte do município do mesmo nome, toma parte de Ourilândia do Norte, Parauapebas e São Félix do Xingu.

Quanto ao Tuerê, Asdrúbal Bentes está animado com a iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Prefeitura de Novo Repartimento, que estão trabalhando em parceria no georreferenciamento daquela área. Ali, numa primeira etapa, ele espera entregar pelo menos mil títulos de uma só vez.

Em relação ao Tucumã, diz ser uma situação mais difícil, mas que espera resolver: “Depende de uma decisão da direção nacional do Incra. O presidente vai ter de entender que é preciso fazer, sob pena de deixar uma região de futuro e com terra boa à mercê de grilagem, à mercê de concentração de terras”, alerta.

Segundo ele, é necessário titular e entregar esses documentos para que, aqueles já em posse da terra − e que por estarem lá há décadas, mostram vontade de trabalhar − possuam segurança jurídica e fiquem protegidos.

Erros do passado

Indagado pelo Blog a respeito da assistência técnica aos assentados, Bentes disse que esse é outro problema grave, porque aconteceram “erros tremendos no passado e a direção geral do Incra não está olhando com bons olhos para essa parte, pelos péssimos serviços prestados por algumas empresas”.

Ele afirmou que não pretende generalizar, pois ainda existem algumas poucas empresas com contrato em vigor prestando assistência, mas disse ser necessário que isso seja solucionado logo.

Asdrúbal foi o segundo gestor do Incra, em 1985, sucedendo o primeiro superintendente, Iris Pedro de Oliveira, quando o órgão ainda se chamava Getat (Grupo Executivo de Terra do Araguaia Tocantins) e afirma que, nesses 32 anos, a Reforma Agrária na região deveria estar em outro nível. “Não culpo ninguém. Infelizmente, outros gestores, talvez tenham enfrentado os mesmos problemas que eu estou tendo − deficiência de recurso humano e financeiro – e o órgão foi perdendo aquela força que tinha, inclusive, orçamentária e financeira”, lamenta, acrescentando: “lembro que, quando fui superintendente estadual do Incra, em 1991, havia municípios cujo orçamento era menor que um convênio com o instituto. Hoje, a coisa se inverteu”.

O Incra, segundo o superintendente, alavancava a economia dos municípios e, mesmo com todas essas dificuldades, há de se reconhecer os relevantes serviços prestados pelo instituto na região. “Na Transamazônica, por exemplo, há vários municípios que surgiram do trabalho do Incra, como Medicilândia, Uruará e Rurópolis, entre outros”, afirma.

Conceito errado

Bentes acredita que se o governo federal voltar os olhos para o Incra como um órgão dirigido para desenvolvimento, entendendo que pode ser responsável por ele, principalmente na Amazônia Legal − e há esse interesse, pois ele foi relator da MP-458, para regularização das terras nesta região −, com certeza haverá um salto muito grande na Reforma Agrária.

“Agora, o que precisa acabar, e que foi uma das coisas que prejudicou o trabalho do Incra, é o conceito político-ideológico de Reforma Agrária. Isso atrapalhou demais. Nós temos de entender que a Reforma Agrária é uma atividade socioeconômica e como tal deve ser tocada; não de forma político-ideológica”, encerra.