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Polícia Federal

Presos pela Polícia Federal em Parauapebas por sabotagem e tentativa de extorsão contra a Vale podem pegar até 30 anos de cadeia

Eles desparafusavam as bases das torres de energia deixando-as na iminência de desabar e também colocaram explosivos nos trilhos da EFC em duas ocasiões

Por Eleutério Gomes – de Marabá

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (7), a Operação Extortore, durante a qual prendeu, em Parauapebas, dois responsáveis por mais de uma dezena de atos de sabotagem praticados naquela cidade e na Estrada de Ferro Carajás, a fim de obrigar a empresa a pagar valores milionários para que os ataques parassem. Além das duas prisões temporárias, três mandados de busca e apreensão, foram cumpridos. Na ocasião foram recolhidos materiais empregados na fabricação de explosivos. Em coletiva aos meios de Comunicações de Marabá, o delegado Igor Chagas, responsável pela operação, deu detalhes das investigações, na manhã de hoje.

De maio a dezembro do ano passado, 12 torres de transmissão de energia, voltadas ao atendimento das atividades desenvolvidas pela Vale na região, foram alvo de ataques de criminosos, que desparafusavam as bases das torres, deixando-as na iminência de cair. Em maio deste ano aconteceu novo ataque e em julho passado, explosivos foram colocados nos trilhos da Estrada de Ferro Carajás, a exemplo do que aconteceu em outubro de 2016, quando uma carga foi colocada e detonada na ponte do Rio Jacundá, danificando os trilhos e interrompendo a circulação dos trens de minérios, cargas e passageiros.

Em seguida, eles entravam em contato com um funcionário da área de segurança da empresa, indicavam as torres que foram atacadas e exigiam quantias que começaram com R$ 5milhões, R$ 10 milhões e, em maio passado, R$ 15 milhões, para cessarem os ataques.

A investigação, que teve início na Polícia Civil, foi assumida pela Polícia Federal após a constatação de que os mesmos indivíduos foram responsáveis pelo ataque à Estrada de Ferro Carajás, em outubro, e que atraiu o interesse da União, já que a ferrovia é federal.

Após esse ataque, as ameaças chegaram a cessar por um período, dificultando o aprofundamento das investigações. Todavia, novos atos de sabotagem voltaram a ser praticados nos últimos meses, demandando um acompanhamento intenso da situação e uma ação enérgica da Polícia Federal, dada à gravidade dos atos praticados e ainda em virtude da promessa de uma série de ataques que passariam a ser praticados.

A Vale, por seu turno, nunca chegou nem a negociar com os sabotares e, em consequência, nem desembolsou valor algum. Em vez disso, procurou a Polícia Civil e a Polícia Federal. A PF chegou ao responsável pelos ataques por meio de minuciosas investigações de seu Serviço de Inteligência, que detectou conversas por celular e mensagens de texto, inclusive assumindo a autoria do ataque à ferrovia em outubro passado.  “Como forma de evitar que fossem rastreados, eles deixavam os parafusos retirados e as ferramentas nos locais em que danificavam as bases das torres. E também trocavam de chip de celular constantemente, mas não deu certo”, disse o delegado Igor Chagas.

Ele afirmou que ainda não pode revelar os nomes dos acusados porque as investigações estão em curso na tentativa de chegar a outras pessoas, mas revelou que o principal responsável pelos ataques é de Parauapebas, onde ocorreram as prisões, e já foi processado por estelionato e por crime eleitoral, “mas não é pessoa muito conhecida”. “Ele, inclusive, num primeiro interrogatório, confirmou que foi o mentor e principal autor dos ataques seguidos de tentativas de extorsão”, informou o delegado.

Sobre a possibilidade de participação de funcionário ou ex- funcionário da Vale no crime, Igor Chagas disse que ainda é muito cedo para fazer qualquer afirmação. “Só com o aprofundamento das investigações é que vamos poder dizer se houve ou não a participação de alguém de dentro da empresa. Por enquanto, ainda não temos como afirmar”, declarou o delegado.

Os dois presos foram removidos para a Delegacia de Polícia Federal de Marabá e serão autuados pelos seguintes crimes: Extorsão (art. 158, CP), Explosão (art. 251 do CP), Perigo de Desastre Ferroviário (art. 260, inc. I, do CP), Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública (art. 265, CP) e Fabricação de artefato explosivo (art. 16, inc. III, da Lei 10.826/2003), cujas penas somadas ultrapassam a 30 anos de reclusão.

Cortando na carne

Corregedoria prende em flagrante delito 4 Policiais Militares de Parauapebas

Postagem atualizada às 19h de 20/01 com os desdobramentos da Audiência de Custódia.

A Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Pará (CPR2) recebeu a informação de que quatro membros do quadro da PM lotados no 23º Batalhão em Parauapebas estariam tentando extorquir um suposto traficante, sob a alegação de que o mesmo não seria preso por cometer atos criminosos no município.

A informação teria vindo do próprio traficante. Consta que o traficante teria combinado um valor a ser pago aos militares Cabo Tapajós e soldados PM Lewyi, Robert e Nassar. Todavia, o traficante avisou a corregedoria da suposta negociação. Inconteste, a Corregedoria se fez presente no momento e local combinado para o acerto e prendeu os quatro militares em flagrante delito. Depois, comunicou ao comandante do 23º BPM em Parauapebas. Este, mesmo de férias, encaminhou o Oficial de Dia para acompanhar os militares até a Depol para os ritos processuais. O capitão PM Faustino lavrou o flagrante.

A PM aguarda a Audiência de Custódia no judiciário para ver se as prisões serão mantidas ou não, e ainda a finalização do processo, garantido o amplo direito de defesa e do contraditório, para se manifestar sobre a culpabilidade dos praças.

Apesar de triste, cabe aqui parabenizar a PM por cortar na carne em um momento tão difícil, em que tantos presos estão sendo mortos nos presídios Brasil a fora. Essa atitude mostra, mais uma vez, que a Polícia Militar do Pará se manterá irredutível em punir aqueles que por ventura demonstrarem qualquer desvio de caráter e usar de suas funções e poder de polícia para agir de forma errada, sendo esse tipo de ação de forma individual ou em grupo.

Até o início da noite desta terça-feira os militares ainda estavam na 20ª Seccional de Polícia de Parauapebas sendo inquiridos pela autoridade policial. Concluídos os depoimentos, eles devem ser encaminhados ao Quartel da PM onde aguardarão a audiência de custódia, que deve acontecer amanhã no Fórum de Parauapebas.

Atualização às 19 horas de 20/01/2016

A audiência de custódia dos PM’s presos aconteceu na sala de audiência da 1ª Vara do Fórum da Comarca de Parauapebas, onde se achavam presentes o MM. Juiz de Direito da 1ª Vara penal, Dr. DANILO ALVES FERNANDES, o(a/s) representante(s) do Ministério Público Dr. GUILHERME LIMA CARVALHO e Dra. CRYSTINA MICHIKO TAKETA MORIKAWA, os custodiados e o advogado Dr. Celso Valério Nascimento Pereira OAB/Pa nº 17.158.

Após a oitiva dos custodiados, o juiz Danilo Alves Fernandes, sem prejuízo de análise superveniente, dada a natureza rebus sic stantibus da medida, CONVERTEU a prisão em flagrante dos custodiados…:

  • 1. THIAGO TAPAJÓS BRAZ, CB/PM/PA, brasileiro, nascido aos 15.04.1985, filho de Raimundo do Carmo Braz e de Miraci Tapajós, residente na Rua Joao Pessoa, 324-A, bairro Liberdade I, Parauapebas-PA.
  • 2. ROBERT ROSA DE AQUINO, SD/PM/PA, brasileiro, nascido aos 16.08.1984, filho de Solange Rosa de Aquino e de Antonio Inês Batista de Aquino, residente na Rua Rui Barbosa, 367, bairro Guanabara, Parauapebas-PA.
  • 3. PAULO LEVY FERREIRA DA SILVA, SD/PM/PA, brasileiro, nascido aos 20.05.1990, filho de Paulo Roberto Melo da Silva e de Ocineia da Silva Ferreira, residente na Rua Amazonas, 114, bairro Rio Verde, Parauapebas-PA

… em PRISÃO PREVENTIVA, necessária para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.

O juiz, em sua decisão, mandou que:

  • fosse expedido os respectivos mandados de prisão, com a devida inclusão no BNMP;
  • indeferiu o requerimento da defesa de relaxamento das prisões;
  • indeferiu o pedidos da defesa para que os PM’s fossem colocados em liberdade provisória;
  • indeferiu o pleito da defesa para permanência dos agentes no 23º BPM, determinando suas imediatas transferências  para a Casa Penal Anastácio das Neves, bem como a REMESSA DOS AUTOS À JUSTIÇA MILITAR;
  • Mandou que fosse aberta uma conta judicial atrelada ao processo, uma vez que houve apreensão do valor de R$ 500,00 (quinhentos reais);
  • Mandou oficiar a Corregedoria da PM informando acerca da conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva dos custodiados;
  • mandou dar ciência ao Ministério Público e à Defensoria Pública.

O Soldado PM Nassar, citado acima pelo Blogger como preso junto com os demais PM’s chegou a ser detido junto com os demais. Mas, durante a lavratura do flagrante ficou constatado que não havia como indiciá-lo. Nassar foi ouvido na audiência de custódia na condição de testemunha e depois liberado. Contra ele não há nenhum procedimento em andamento.