Internet de qualidade é WKVE Liga você ao mundo!
Canaã dos Carajás

Segurança da Vale rechaça nova invasão à Fazenda Bocaina

Desta vez a ação de pessoas que se intitulavam integrantes do FNL não teve sucesso. Cinco foram presos e entregues à Polícia Federal
Continua depois da publicidade

Um grupo de aproximadamente 50 pessoas, que se identificaram como membros da FNL (Frente Nacional de Lutas), tentaram, mais uma vez, invadir a Fazenda Bocaina, em Canaã dos Carajás, área denominada Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, mas sem sucesso.  A tentativa foi rechaçada pela equipe de segurança empresarial da Vale, num procedimento chamado “desforço possessório”, instrumento legal constante no Direito Civil Brasileiro, que permite a imediata reação ao fato do esbulho (retirada violenta do legítimo possuidor de um imóvel).

O parque é gerido pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e foi criado em junho de 2017, pela União, como compensação ambiental pela implantação do Projeto S11D.

A tentativa de invasão, após contida, foi comunicada imediatamente à Polícia Federal, Polícia Militar e ao (ICMBio), do qual a Vale é parceira na conservação e manutenção do parque.

Cinco integrantes do movimento – segundo nota divulgada pela Assessoria de Comunicação da mineradora – foram encaminhados à Delegacia de Polícia Federal de Marabá. Com um dos detidos foram encontrados papelotes com maconha e uma arma de fogo caseira.

O Blog tentou, mas não conseguiu contatar com representantes da FNL.

Vale

Justiça proíbe FNL de promover qualquer manifestação em propriedade da Vale

Em sua determinação, o juiz Manoel Carlos de Jesus diz que os integrantes do movimento devem manter a distância de 1 km das dependências da mineradora
Continua depois da publicidade

O juiz Manoel Carlos de Jesus Maria, da 3ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Parauapebas, atendendo solicitação da mineradora Vale, determinou ontem, dia 30, que Adriano Silva de Souza, Vanelma Rocha e Robson Carvalho da Silva, líderes da FNL (Frente Nacional de Lutas), evitem quaisquer atos de turbação ou esbulho na posse da empresa. Aí incluídas, ainda segundo a ordem judicial, a portaria de acesso à Floresta Nacional de Carajás, interdição das vias, queima de pneus ou quaisquer outros atos que impeçam o ir e vir das pessoas, “devendo se desmobilizar e manter distância de 1 km das dependências da Vale, advertindo-os sobre a responsabilização por crime desobediência”.

Para fundamentar a determinação, o magistrado justifica que a Vale juntou a pedido documentos e mídia contendo mensagens de áudio, enviadas por Adriano aos demais integrantes da FNL, na qual estaria convocando-os para uma concentração na Portaria de acesso à Floresta Nacional de Carajás.

O juiz também afirma que o Comando da Polícia Militar deve ser comunicado “para que destaque contingente necessário ao cumprimento das ordens já deferidas”. Ele também ordena que o delegado de Polícia Civil seja igualmente comunicado, a fim de promover as diligencias necessárias à apuração de crimes praticados pelos requeridos, tomando as medidas legais cabíveis. “Por fim, comunique-se o Conselho Tutelar e o Órgão Ministerial acerca da permanência de menores nos movimentos, objeto da presente ação”, encerra a determinação.

Procurada na tarde desta quarta-feira (31) pelo Blog, a líder Vanelma Rocha preferiu não se manifestar, disse apenas que, apesar de não ter se apresentado à polícia na última semana, não estava foragida e sim tratando de assuntos de interesse da Vila Contestado, com o secretário de Agricultura de Parauapebas, assim como Adriano.

polícia

Líder da FNL preso por desobedecer ordem judicial, outros quatro estão com preventiva decretada

Robson Carvalho da Silva se “rebarbou” e foi recolhido à prisão, após comandar fechamento da EFC
Continua depois da publicidade

Lula ainda não foi preso, mas Robson Carvalho da Silva – o Bob – vai passar o fim de semana e mais alguns dias vendo o sol nascer quadrado. Ele se atreveu a desobedecer ordem da Justiça e seguiu com a interdição da Estrada de Ferro Carajás, após ordem de liberação. Se deu mal, assim como os companheiros Adriano Silva de Souza, Vanelma Rocha e de uma terceira pessoa identificada apenas com Arionaldo – o Ceará -, esses também com prisão preventiva decretada, mas foragidos. Os quatro são líderes de um grupo da Frente Nacional de Luta (FNL), que ocupou a ferrovia no último dia 24, data do julgamento do recurso de Lula, em solidariedade ao ex-presidente e por supostos acordos não cumpridos pela mineradora Vale.

Com as atividades ferroviárias paralisadas por mais de 30 horas, o município de Parauapebas deixou de arrecadar mais de um milhão de reais correspondente à Cfem. Além disso, 1.300 pessoas que deveriam viajar para o Maranhão tiveram de adiar seus compromissos naquele Estado por causa do fechamento da ferrovia, conforme noticiado por este Blog.

Durante a manifestação, os integrantes da FNL bloquearam os trilhos, à altura do quilômetro 854, assim como a portaria de acesso à Serra dos Carajás. Queimaram, pneus, cometeram depredações, exibiram armas e, por último desafiaram a lei. A Vale, por seu turno, afirma que não existe acordo algum firmado com a Frente Nacional de Luta.

Interdição

Prejuízo para Parauapebas já é de R$ 1 milhão com interrupção da EFC

Em nota, a Vale repudia o que chama de ação criminosa e ilegal da Frente Nacional de Luta (FNL)
Continua depois da publicidade

Desde ontem (25) a Estrada de Ferro Carajás (EFC) está interditada por integrantes da Frente Nacioanl de Luta (FNL) no Km 854, em Parauapebas. Segundo a FNL, a obstrução se dá em virtude da Vale nãp ter cumprido acordos negociados com o movimento, o que é negado pela Vale.

Nessas mais de 30 horas de interdição da Estrada de Ferro Carajás o município de Parauapebas deixou de arrecadar quase R$ 1 milhão em  Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais  – CFEM -, recurso que poderia ser usado na construção e equipagem de um posto de saúde ou na construção de uma escola com 12 salas de aula. A paralisação da ferrovia também compromete o transporte de combustível, que abastece grande parte das regiões Sul e Sudeste do Pará, o Sul do Maranhão e o estado do Tocantins. A interrupção também impacta o escoamento de grãos e causa transtornos para mais de 1.300 pessoas, por dia, que deixam de viajar no trem de passageiros. O trem é o principal, e às vezes, o único meio de transporte para muitas cidades do interior do Maranhão e do Pará.

Em nota, a Vale repudia o que chama de “ação criminosa e ilegal da Frente Nacional de Luta (FNL) e ressalta que não existe nenhuma negociação em curso entre a Vale e o movimento”. Os integrantes da Frente Nacional de Luta (FNL) não cumpriram a ordem judicial para desobstruir a EFC, que permanece interditada desde a madrugada de ontem, quarta-feira, 24/1, no KM 854 da ferrovia, no município de Parauapebas (PA).  Devido à interdição, o trem de passageiros continua parado.

É preciso que a justiça trate o movimento com os rigores da lei, pois não é mais possível que por qualquer motivo a EFC seja interditada por pessoas descompromissadas com a sociedade e com o bem-estar mútuo, e que só se preocupam com suas causas à revelia das necessidades alheias. Entendo a função da FNL em lutar pela reforma agrária, mas a população não tem culpa do governo não praticar a reforma agrária e tampouco a Vale tem essa função.

FNL

Frente Nacional de Luta ocupa Incra em Marabá por tempo indeterminado

Manifestantes pedem a cabeça do superintendente e ameaçam começar a ocupar também outros locais na cidade
Continua depois da publicidade
Por Eleutério Gomes – de Marabá

Centenas de integrantes da FNL (Frente Nacional de Luta), que recentemente ocuparam a Rodovia Federal BR-155, tomaram conta das dependências da Superintendência Regional o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Marabá, na manhã deste segunda-feira (4). Eles reivindicam a vistoria em fazendas que afirmam estar disponíveis para a reforma agrária, criação de assentamentos, regularização das áreas em que já há assentados, assistência técnica para os agricultores familiares e, principalmente, a exoneração do superintendente regional do Incra, Asdrúbal Bentes.

Ouvidos pelo Blog, dois dos líderes da ocupação, Arionaldo Pereira da Silva, o “Ceará”, e Sebastião Pereira da Costa, afirmam que estão dispostos a ficar no Incra até quando for necessário. “Vamos ficar aqui, 5, 10, 15, 20 dias, o tempo que levar para resolvermos essa situação. E digo mais: não vamos ocupar só o Incra. Tem mais e mais companheiros chegando e vamos ocupar outros locais em Marabá”, advertiu Ceará, sem, no entanto, dizer que locais serão ocupados em breve.

Ceará afirma que Asdrúbal não cumpriu o que foi acertado em setembro passado, por isso, agora, não tem retorno. “Nós não somos ligados ao MST, Fetagri ou Fetraf. Somos um movimento à parte, da luta no campo e na cidade, formado por trabalhadores insatisfeitos com a atual situação”, afirmou, acrescentando que a FNL representa os interesses de mil famílias, de Dom Eliseu até Parauapebas.

“Chega, é hora de dar um basta, isso tem de acabar”, bradou Sebastião Pereira Costa, afirmando que o agricultor familiar está insatisfeito não só com a gestão do Incra em Marabá, mas no Estado do Pará todo. “Todos somos agricultores familiares, somos nós que pagamos os salários do superintendente e de todos esses servidores que estão aqui dentro, mas que não fazem nada”, desabafou ele.

Outro lado

Asdrúbal Bentes, que se encontra em Brasília (DF), no Incra nacional, exatamente tratando dos assuntos e das reivindicações levantadas pelos manifestantes, por ocasião do bloqueio da BR-155, afirmou, por telefone, à Rádio Clube de Marabá, que esse tipo de ocupação não leva a nada e ainda “prejudica milhares de famílias, trabalhadores de outros movimentos, e não contribuem em nada”.

“Nem todos os pedidos se revestem de legalidade e não tem condições de atendermos, como a aquisição de fazendas por preços exorbitantes. Há uma série de pedidos para aquisição de fazendas, mas isso só acontece desde que seja compatível não fora do preço”, explicou ele.

Quanto ao fato de a FNL estar pedindo cabeça dele, Asdrúbal disse que não nasceu superintendente do Incra e costuma dizer que o cargo é de confiança. “Por conseguinte, a gente é admitido em português e demitido em latim. E, enquanto eu tiver a confiança do Incra e da Casa Civil, seguirei de cabeça erguida”,

Asdrúbal disse que, em Brasília, está discutindo a dotação de recursos para o orçamento de 2018 e a aquisição de outras fazendas para a criação de assentamentos. “Da nossa parte, continuamos titulando lotes na região e entregando os títulos, o que não acontecia desde 1992. E é meta do Incra, ainda para este ano, a entrega de 1.500 a 2 mil títulos, para a legalidade e a segurança jurídica de quem ocupa a terra”, salientou.

Cotidiano

Após a liberação da Portaria de Carajás, Núcleo Urbano fica na expectativa da normalidade

34 horas de Portaria fechada deixam Núcleo Urbano de Carajás completamente sem serviços. Aeroporto e Zoobotânico funcionaram precariamente.
Continua depois da publicidade

Parece que amanhã (29) o Núcleo Urbano de Carajás voltará a normalidade em sua rotina, interrompida desde a última segunda-feira quando o Movimento Brasileiro dos Sem Terra (MBST), por meio da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) interditou a Portaria que dá acesso à Floresta Nacional de Carajás (FLONACA). Além do Núcleo, houve modificações no cotidiano do Aeroporto, Zoobotânico e na Mina de Ferro.

Carajás ficou com cara de feriado, mas com uma diferença: ninguém se preparou para enfrentá-lo. Bancos, supermercados, farmácia, creche e transporte das vans não funcionaram. As diaristas e outros profissionais, como jardineiros, também não trabalharam.

O posto de combustíveis só funcionou porque um dos funcionários mora no Núcleo e conseguiu improvisar o atendimento. “Trabalho na parte administrativa e quando cheguei para trabalhar na segunda-feira já tinham vários veículos para abastecer. Mesmo não dominando o serviço, consegui ligar as bombas e atender todos. A sorte é que nosso movimento é pequeno pela manhã e não tivemos o atendimento para os veículos das empresas terceirizadas”, informou Felipe Costa, que não conseguiu atender hoje (28) por falta de combustíveis.

Quem também teve que improvisar para atender a clientela foi a moradora Marfisa Lemos, que diariamente prepara bolos para vender aos moradores. Ela conta com auxílio de duas funcionárias para atender a demanda da casa e da produção com os bolos (são mais de 28 sabores) e tortas (dois sabores). “Tive que produzir a metade do que faço e no maior sufoco para administrar três crianças, afinal mesmo sem minhas funcionárias, tenho que trabalhar para pagar o salário delas. Respeito os protestos, mas também me sinto cerceada nos meus direitos quando sou impedida de ir e vir, bem como meus colaboradores, as professoras da escola da minha filha, os colaboradores dos bancos, supermercados. Moramos num lugar que só temos esses prestadores de serviços e não temos opção a recorrer a nenhum outro”, desabafou a moradora.

A padaria foi a única que atendeu normalmente durante o dia, mas fechou quatro horas antes do que o de costume no primeiro dia do protesto, já que os funcionários foram impedidos de subir a Serra. Todo o atendimento foi realizado com os colaboradores que moram no Núcleo. Depois da abertura da portaria, os funcionários do turno da noite trabalharam normalmente nesta terça-feira.

Os dois supermercados que funcionam em Carajás também tiveram o atendimento afetado. Só o Sul Carajás abriu as portas hoje, por volta das 12h. Assim como a coleta de lixo, que também normalizou nesta tarde.

O serviço de transporte realizado pelas vans da Cooperativa de Condutores Autônomos de Carajás (Coopavel) só retornou nesta tarde. Desde ontem, os moradores que precisaram descer, tiveram que contar com caronas.

Aeroporto

O Aeroporto de Carajás também teve impacto com o protesto. Na segunda-feira, a empresa Azul não pousou em Carajás pela manhã, seguindo para Marabá e Belém. À tarde, a empresa operou normalmente. “Com o fechamento da Portaria ficamos sem a presença dos Bombeiros para garantir a segurança contra o incêndio no pouso. Nosso nível de proteção atualmente é 5, mas, sem a presença deles cai para 0 e a empresa não pode correr o risco de pousar sem essa segurança, já que em caso de acidente, o seguro não cobre”, informou o fiscal da Infraero Vantue José. Ele disse também que o nível de proteção atrasou a saída do voo da Gol de Confins em mais de uma hora. “Eles só decolaram de Belo Horizonte quando os bombeiros chegaram no Aeroporto de Carajás”, reforçou. Além das mudanças nas empresas aéreas, quatro passageiros não conseguiram embarcar, o que pode ser uma consequência do protesto. “Hoje operamos normalmente”, concluiu o fiscal.

Zoobotânico

De acordo com a Assessoria da Vale, por falta de visitantes, o Parque Zoobotânico de Carajás não funcionou. Amanhã (29) a previsão é que as visitas retornem normalmente.

Mina de Ferro

A operação da Mina de Ferro de Carajás funcionou com escala mínima de funcionários que moram no Núcleo Urbano. Os funcionários do Administrativo foram dispensados ainda ontem à noite, assim como os do turno. Depois da Portaria liberada os funcionários do turno das 15h e de 00h foram acionados para cumprir a jornada de trabalho. Amanhã, todos os funcionários voltam a rotina de trabalho normalmente.

FNL permanece com interdição na ferrovia

Com os dois dias de interdição, Parauapebas deixa de arrecadar cerca de R$ 1,5 milhão de CFEM
Continua depois da publicidade

A Vale informa que a estrada de ferro Carajás permanece bloqueada pelos manifestantes da Frente Nacional de Luta (FNL). Somente a portaria de Carajás e a rodovia Faruk Salmen foram liberadas pelo movimento no início da tarde de hoje, 28/11. A interdição provoca impactos às operações em Parauapebas e também em Canaã dos Carajás e traz prejuízos à região e à população local. O trem de passageiros permanece suspenso. Os manifestantes interditaram esses locais desde a madrugada de segunda-feira, 27/11.

Com os dois dias de interdição, o município de Parauapebas deixa de arrecadar cerca de R$ 1,5 milhão de CFEM – Contribuição Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) paga pelas empresas mineradoras. O valor é repassado ao Estado, Distrito Federal, Municípios e aos órgãos da administração da União, para aplicação em ações em benefício da população. As operações em Carajás e no S11D só poderão ser retomadas após a liberação da ferrovia, tendo em vista que não há mais área para estoque do minério.

A permanência da interdição na ferrovia prejudica mais de 1.300 pessoas que diariamente usam o transporte ferroviário. A ação impacta ainda as cidades do Sul e Sudeste paraense, com a possibilidade de problemas no abastecimento de combustível, que é transportado pela ferrovia, além de provocar a queda na arrecadação municipal e a insegurança na implantação de novos empreendimentos na região.

A Vale repudia veementemente a ação criminosa e ilegal da Frente Nacional de Luta (FNL) e refuta as afirmações feitas por integrantes do movimento. Em nenhum momento, a empresa fez acordos com a FNL, como informado pelo movimento. A pauta de reivindicações foi acolhida pelos órgãos públicos competentes que, inclusive, reuniam-se com o grupo em encontros mensais, o que torna ainda mais injustificável a ação intempestiva da FNL.

Sobre o trem de passageiros

Com a interdição, a ferrovia permanece paralisada e o trem continua suspenso. Mais informações podem ser obtidas no Alô Ferrovias:  0800 285 7000.

Reforma agrária

Justiça expede reintegração de posse de área ocupada pela FNL, mas manifestantes não obedecem a ordem.

Mesmo depois de intimados da decisão da juíza, manifestantes se negam a sair das áreas ocupadas.
Continua depois da publicidade

Já eram quatro horas da tarde desta segunda-feira (27) quando o Oficial de Justiça chegou na portaria que dá acesso a Floresta Nacional de Carajás para entregar, aos representantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), uma intimação sobre o movimento.

“O Poder Judiciário, através da Juíza, expediu um mandato de reintegração de posse da área e o oficial de justiça veio citar as pessoas que estão fazendo a interdição. A PM só veio garantir que o oficial cumpra o papel dele”, esclareceu o subcomandante do 23º Batalhão da Polícia Militar, Major Sérgio Pastana, que na sequência se retirou do local.

Apesar do anúncio, uma assentada que participa da paralisação, Vanilma Rocha, afirmou que não há prazo para que a FNL desocupe as três áreas. De acordo com ela, a Vale tem descumprido algumas negociações com os assentados e agregados.

“Vamos passar a noite, o dia, o tempo necessário. Nós só queremos os nossos direitos”, disse a assentada, destacando que entre as solicitações estão a melhoria da comunicação com instalação de torre de celular; construção de escola; posto de saúde; e apoio na produção para cerca de 28 comunidades.

No momento em que nossa equipe de reportagem esteve no local, os carros de passeio, pessoas que iam para o aeroporto, ambulâncias, entre outros veículos, eram liberados para subir ou descer a Serra dos Carajás. Porém, a fila de ônibus com trabalhadores da Mineradora Vale e caminhões ocupavam a PA-275, além das ruas E e F, chegando próximo ao Rio Verde.

Por volta das 23 horas, os manifestantes permaneciam interditando as áreas.

Sobre a interdição em Parauapebas, a Assessoria de imprensa da Vale emitiu a seguinte nota:

“Integrantes da Frente Nacional de Luta (FNL) interditam, desde a madrugada desta segunda-feira, 27/11, a Estrada de Ferro Carajás, a portaria de Carajás e a rodovia Faruk Salmen, no município de Parauapebas (PA), prejudicando o acesso dos empregados e prestadores de serviço e impedindo o transporte de passageiros e cargas. A Vale informa que obstruir a ferrovia e impedir o direito de ir e vir das pessoas são crimes passíveis de multa e prisão e que adotará as medidas judiciais cabíveis para desinterdição das vias e portaria.

A Vale repudia veementemente a ação criminosa e ilegal da Frente Nacional de Luta (FNL) e refuta as afirmações feitas por integrantes do movimento. Em nenhum momento, a empresa fez acordos com a FNL, como informado pelo movimento. A pauta de reivindicações relacionada à infraestrutura e de responsabilidade do Poder Público foi acolhida pelos órgãos públicos competentes que, inclusive, reuniam-se com o grupo em encontros mensais, o que torna ainda mais injustificável a ação intempestiva da FNL. A Vale participou destas reuniões como convidada, atendendo ao convite dos órgãos públicos e também como parte de sua política de responsabilidade social.

A empresa ressalta a sua indignação com atos como este, que não contribuem em nada para o diálogo, e reforça ainda que, diante desta ação ilegal, fica rompida qualquer participação da Vale em tais discussões.

Interdição prejudica a região

Com a interdição, a operação da Estrada de Ferro Carajás (EFC) está paralisada e o trem de passageiros está suspenso, impactando mais de 1.300 pessoas que diariamente usam o transporte ferroviário. A ação impacta ainda consideravelmente as cidades do Sul e Sudeste paraense, com a possibilidade de problemas no abastecimento de combustível, que é transportado pela ferrovia, além de provocar a queda na arrecadação municipal e a insegurança na implantação de novos empreendimentos na região.

Sobre o trem de passageiros

O trem de passageiros não circulou hoje de São Luís para Parauapebas e não irá partir de Parauapebas para São Luís nesta terça-feira. Mais informações podem ser obtidas no Alô Ferrovias: 0800 285 7000.”