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Manifestação

Passeata paralisou por algumas horas Centro Comercial da Marabá Pioneira, mas não houve greve geral

Aproximadamente 850 militantes de sindicatos, partidos de esquerda, movimentos sociais e centrais de trabalhadores protestaram contra o Governo Temer

Por Eleutério Gomes – de Marabá

A não ser pela paralisação no expediente interno de algumas agências bancárias e pela passeata organizada por sindicatos, centrais de trabalhadores, partidos de esquerda e movimentos sociais, Marabá funcionou normalmente nesta sexta-feira (3), dia de greve geral em muitas cidades do País, em protesto contra o Governo Temer e contra as reformas trabalhistas e da previdência social. Secretarias municipais funcionaram sem alterações, assim como órgãos do governo do Estad0. Na esfera federal, poucas repartições e as instituições de ensino paralisaram as atividades. Comércio, indústria, setor de serviços, casas de saúde e transporte público também não aderiram à greve.

De acordo com o professor universitário Rigler Aragão, um dos organizadores da manifestação, aproximadamente 850 pessoas participaram da passeata, que se iniciou logo cedo, com concentração em frente ao Estádio Municipal “Zinho Oliveira”, no Núcleo Pioneiro, e, por volta das 9h seguiu pela Avenida Antônio Maia, principal via do comércio, ocupando a pista no sentido Nova Marabá.

Depois, por volta das 10h, os manifestantes fecharam o bambuzal de acesso ao Núcleo Pioneiro, permanecendo assim por cerca de uma hora, o que provocou protestos de condutores e passageiros de ônibus, mototáxis e táxis-lotação. Às 11h a passeata seguiu rumo ao Núcleo Cidade Nova, onde ocupou uma das pistas da ponte do Rio Itacaiúnas, se dispersando logo após o meio-dia. A manifestação não teve o acompanhamento da Polícia Militar, DMTU ou Guarda Municipal.

Greve

TJE considera abusiva a greve dos professores de Marabá e determina o imediato retorno das aulas

Na decisão, o desembargador Costa Neto proíbe ainda manifestações ou bloqueios da Secretaria de Educação e de escolas

Por Eleutério Gomes – de Marabá

O Tribunal de Justiça do Pará, por intermédio do desembargador Luis Gonzaga da Costa Neto, declarou a “abusividade” da greve dos professores da rede municipal de Marabá. Na decisão interlocutória, ele determina o retorno imediato dos professores a sala de aula, sob pena de multa ao sindicato de R$ 3 mil por dia, com limite de R$ 50 mil.  Costa Neto ressalta ainda que o movimento “coloca em risco o ano letivo dos mais de 60 mil alunos da rede municipal”. O relator proíbe também de manifestações ou bloqueios da Secretaria de Educação e de escolas por parte do sindicato.

A decisão

“Releva pontuar que o movimento paredista que poderá perdurar dias ou meses implica em risco o ano letivo do alunado e, além disso, há possibilidade de perturbação à ordem social, decorrente de atitude do movimento em impedir a entrada de servidores ao local de trabalho e ocupação da Secretaria Municipal de Educação e outras secretarias.

Presente essa moldura, vislumbra-se a ilegalidade e abusividade da greve, em violação ao disposto na Lei n.º 7.783/1989. Ante o exposto, antecipo os efeitos da tutela pretendida no sentido de determinar o imediato retorno à sala de aula dos professores lotados em cada estabelecimento de ensino público de educação, assim como ficam proibidas manifestações, com emprego de força e esbulho, nas secretarias do Município, bem como nas escolas municipais, sob pena de multa de R$ 3.000,00 (três mil reais) por dia de descumprimento, até o limite máximo de R$50.000,00 (cinquenta mil reais). Ademais, considerando as especificidades da causa e de maneira a adequar o rito processual às necessidades do conflito, oportunamente, deliberarei sobre a designação da audiência de conciliação, na forma como estabelecido no novo estatuto processual (CPC/2015, art. 139, VI).”

Outro lado

O blog tentou contato com a coordenadora-geral da Subsede local do Sindicato dos Professores, Joyce Cordeiro Rebelo, para ouvi-la sobre a decisão da Justiça, mas não teve êxito, mesmo depois de várias tentativas.

Marabá

Adesão à greve dos professores ainda é baixa em Marabá, segundo números da Semed e do Sintepp

Secretaria de Educação está preocupada com comprometimento do ano letivo

Segundo a Assessoria de Comunicação (Ascom) da Prefeitura de Marabá, somente 44 escolas da zona urbana estão com as atividades paralisadas, 29 totalmente e outras 15 parcialmente. Já segundo o Sintepp (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará) – subsede local –, são 52 os estabelecimentos de ensino, cujos professores estão em greve, como forma de protesto pela aprovação do novo PCCR da Educação, que readéqua cargos e salários. Na cidade, as escolas municipais somam atualmente 97 e no campo são 109. Juntas, totalizam nas salas de aula 56 mil alunos. Ou seja, a greve atinge nesta terça-feira (30), totalmente, apenas 14,1% das escolas municipais.

A grande preocupação da secretaria neste momento é fazer com que os professores entendam corretamente as reformulações; muitas informações estão distorcidas e é importante que a verdade prevaleça. Quanto ao estado de greve, ainda com pouca adesão, a secretaria reafirma o seu compromisso com o diálogo, que sempre é a melhor saída para qualquer crise. Segundo o subsecretário, Orlando Moraes, é importante que os educadores lutem, mas que tenham como foco principal a educação das crianças que podem vir a ter o ano letivo comprometido.

Ainda segundo a Assessoria de Comunicação, por diversas vezes o Sinttep esteve reunido com o prefeito, vereadores e secretário de Educação. Todos os pontos foram debatidos de forma incansável, na sua maioria acordados pelo próprio sindicato e grupos de professores desvinculados da entidade, que mantiveram um diálogo direto e influência nas decisões tomadas. “Nada que consta desta reformulação do PCCR foi imposto, ou decidido unilateralmente. Ainda assim o diálogo sem mantém aberto entre prefeitura e professores”, finaliza a Ascom.

Parauapebas

Greve geral levantou muitos questionamentos nas redes sociais sobre o Movimento Sindical

Eleições supostamente manipuladas e falta de transparência nas prestações de contas têm provocado o descrédito aos sindicatos em Parauapebas

A greve geral de sexta-feira (28) foi bastante comentada nas redes sociais, e as opiniões se dividiam entre a aprovação ou não da paralisação. Muitos dos que fizeram postagens negativas sobre o movimento questionaram a atuação dos sindicatos, principais provocadores da greve, quanto ao cumprimento do seu papel nas relações de trabalho, uma demonstração de que o movimento sindical tem perdido prestígio.

O Blog levantou a existência de pelo menos dez entidades sindicais representativas de classes trabalhadoras com sede em Parauapebas. São eles:

– Sindicato dos Trabalhadores em Turismo e Hotelaria de Parauapebas (Sthopa);

– Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário do Estado do Pará (Sintrasul);

– Sindicato dos Trabalhadores em Construção Civil Leve e Pesada de Parauapebas (Sintclepemp);

– Sindicato dos Trabalhadores na Educação Pública do Pará(Sintepp);

– Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado do Pará (Sintrapav);

– Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Parauapebas (Sintracpar);

– Sindicato dos Vigilantes de Parauapebas;

– Sindicato dos Trabalhadores em Metalurgia (Simetal);

– Sindicato Metabase, que representa os trabalhadores que exercem atividades conexas, similares, idênticas ou afins, nas indústrias extrativas, minerais, entre outras;

– Sindicato dos Servidores Públicos de Parauapebas (Sinseppar).

A maior parte dessas entidades não contam com sites próprios, algumas tem páginas no Facebook, porém, com informações desatualizadas, um exemplo de que falta mais transparência e comunicação. Nas que contam com site, em nenhuma delas foi identificado uma espécie de Portal da Transparência, com informações sobre valores de imposto ou contribuição sindical recebidos e respectivamente os gastos operacionalizados pela entidade.

Sobre essa a prestação de contas, o Sinseppar parece que sairá na frente quanto à transparência das informações. “Já fizemos assembleia de prestação de contas esse ano, que consta no portal. Porém ainda não temos estrutura similar ao portal da transparência.  Espero conseguir implantar”, afirmou o presidente da entidade, Carlos Alessander.

Outro fator que chama a atenção é a permanência de presidentes e dirigentes sindicais por longo período à frente das entidades. As chapas que são formadas para concorrer com aquelas que são encabeçadas por quem está na gestão dificilmente conquistam espaço. Prova disso é que sindicatos com o Sthopa, que foi fundado em 1993, e o Simetal, fundado alguns anos depois, até hoje são presididos pelas mesmas pessoas.

O Sinseppar, por exemplo, ficou quase duas décadas com um mesmo presidente. Só depois desse período uma chapa oponente conseguiu conquistar espaço. Mas sindicatos como o Metabase Carajás e o dos Trabalhadores no Comércio estão sob o comando da mesma presidência há mais de uma década.

O processo de eleição deve ser amplamente divulgado, mas geralmente não o é. Além disso, a falta de engajamento e de interesse por parte dos trabalhadores também contribui para a permanência das mesmas pessoas à frente das entidades sindicais por logo tempo.

Quem conhece a história do movimento sindical compreende a sua importância fundamental na conquista e defesa dos direitos trabalhistas. Ao longo dessa história no Brasil, por exemplo, muitos sindicalistas se dedicaram à causa e chegaram até a perder a vida. Um dos grandes exemplos foi Chico Mendes, que defendia a classe dos seringueiros e teve sua vida ceifada por conta de estar à frente da luta.

Porém, o movimento sindical parece estar perdendo prestígio nos últimos anos. Talvez em função dessa falta de transparência e comunicação com o seu público-alvo e com a sociedade em geral, talvez também pelo reflexo da atuação do Partido dos Trabalhadores (PT) na gestão do país e envolvimento em escândalos de corrupção. O PT nasceu dentro do movimento sindical.

Juiz do Trabalho Jônatas Andrade

“O sindicalismo, tal como o consideramos hoje, é resultante de uma diretriz prevista no Tratado de Versalhes, a primeira tentativa de estabelecer protocolos mínimos para uma paz mundial e duradoura, logo após a primeira Guerra Mundial. Essa diretriz estabelece que a livre associação das pessoas é essencial para se alcançar a paz e ela me parece acertada, lastreada na realidade pretérita de então e devidamente confirmada nos dias que correm. O Brasil não respeita e não permite a livre associação. Os trabalhadores brasileiros nunca puderam se organizar livremente. O Estado, direta ou indiretamente, sempre se intrometeu em tal organização e presumo que esse desvio se encontre na base de nosso déficit democrático, se espraiando do trabalho para outras categorias da sociabilidade” opinou o juiz do Trabalho, Jônatas Andrade, em entrevista realizada pelo Blog sobre o assunto.

O magistrado citou a Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que expressa: “os trabalhadores e os empregadores, sem distinção de qualquer espécie, terão direito de constituir, sem autorização prévia, organizações de sua escolha, bem como o direito de se filiar a essas organizações, sob a única condição de se conformar com os estatutos das mesmas”.

“Pois bem, os sindicatos únicos (unicidade) e subsidiados (imposto) nascidos de tal conspurcação raramente cumprem sua função democrática de representar e canalizar os anseios e lutas do mundo do trabalho. Não tratam adequadamente os interesses e direitos que representam e tendem a ser cada vez mais desprestigiados. Além disso, o capitalismo é plástico e tratou de criar as condições tecnológicas para dissolver os laços de solidariedade entre os trabalhadores. Segundo Dejours, a popularização dos computadores permitiu a análise de desempenho individual em detrimento do coletivo até então existente. Hoje os trabalhadores competem entre si em exacerbado individualismo, como se o trabalho não fosse sempre fruto de esforços coletivos. Diria John Donne, ninguém é uma ilha. Por esse prisma, o sindicalismo está em queda no mundo inteiro. Na atual conjuntura a identidade coletiva entre os trabalhadores está cada vez mais pulverizada, desorganizada por força do caráter individual, liberal do capital. O capital, como já dito, soube muito bem esgarçar os laços de solidariedade entre os trabalhadores com a tecnologia, com a popularização dos computadores, com as análises de desempenho e a recompensa pelo mérito individual. Há muito pouco de coletividade e solidariedade entre os trabalhadores. Contra esse rolo compressor do neoliberalismo, que concentra a riqueza, pulveriza a solidariedade e desiguala os cidadãos, os trabalhadores não têm conseguido se articular”, concluiu o juiz.

Sindicalista Carlos Alessander

Para o presidente Siseppar, “o movimento sindical nada mais é do que a organização do trabalhador contra o capital financeiro. Trabalhador não ganha nada. Tudo é fruto de conquista. Criticar o movimento sindical é uma crítica direta aos trabalhadores e tentar deixar o caminho aberto a precarização do trabalho”.

Para o dirigente sindical, que está à frente de umas das entidades sindicais com maior expressividade e Parauapebas, o caminho é “a união.  Fazer com que todos compreendamos que fazemos parte do mesmo time e que só teremos avanços com a participação de todos. O movimento sindical é o único que vem se opondo e denunciando esse movimento de precarização que vem passando o país. Porque não se fala de reforma tributária ou política?”, questionou Carlos Alessander.

“É preciso apoiar iniciativas em busca das bandeiras solidárias de origem. Não sei se os trabalhadores – e sindicatos – conseguirão vencer tais obstáculos, mas suspeito que o vetor ambiental nos imporá, por bem ou por mal, nova consciência coletiva!”, apontou Jônatas Andrade.

Protestos

Marabaense não adere à greve geral e rotina da cidade segue inalterada

Comércio e a grande maioria dos órgãos públicos funcionaram normalmente. Manifestação foi pacífica

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Cerca de 1.500 pessoas, segundo os organizadores da manifestação, participaram do protesto que marcou o que deveria ser dia de greve geral nesta sexta-feira, em Marabá. Os manifestantes se concentraram desde as 8 horas na Rodovia Transamazônica, em frente à agência do INSS e, de lá, partiram para uma passeata de aproximadamente 3 quilômetros em direção à Praça Duque de Caxias, na Velha Marabá, onde aconteceu nova concentração. Por volta das 11h30 a manifestação encerrou, após discursos inflamados tendo como alvo principal o Governo Temer, a classe política e as reformas: trabalhista e da Previdência Social.

O protesto não teve acompanhamento da Polícia Militar, Samu, Bombeiros, Departamento Municipal de Trânsito, Detran, Polícia Rodoviária Federal ou Guarda Municipal. Porém, não houve acidentes nem outro tipo de transtorno, a não ser lentidão no trânsito no percurso da passeata.

O comércio, como havia antecipado o blog, funcionou normalmente assim como os órgãos públicos da administração municipal e do Governo do Estado com representação na sede municipal.

De acordo com a Ascom (Assessoria de Comunicação) da Prefeitura de Marabá, menos de 50% das 220 escolas municipais tiveram suas atividades paralisadas. No setor da Saúde, Unidades Básicas e hospitais funcionaram normalmente. E, segundo fonte do governo estadual, 95% dos órgãos do Estado funcionaram normalmente nesta sexta-feira (28).

Já entre nos órgãos da esfera federal, a participação dos servidores na greve foi em número bem maior, principalmente de professores e alunos da Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará) e do IFPA (Instituto Federal de Educação Tecnológica do Pará).

O transporte urbano também funcionou sem alterações, mas com muita lentidão, causando acúmulo de pessoas nos pontos de ônibus. A demora se deu devido o deslocamento dos manifestantes pela Transamazônica e pela Avenida Antônio Maia, principal via do Núcleo Pioneiro.

Greve

Comerciários de Marabá apoiam greve geral, mas temem demissões caso participem

Federação do Comércio emitiu comunicado curto e grosso: “Comércio funcionará normalmente”

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Bancários do Banco do Brasil, Caixa, Banpará e Basa, assim como servidores públicos municipais, estaduais e federais de vários setores e também urbanitários, rodoviários e metalúrgicos prometem fechar a Rodovia Transamazônica nesta sexta-feira (28), em protesto contras as reformas trabalhistas e da previdência. A concentração será a partir das 8 horas, em frente à agência do INSS.

Em Marabá, pelo menos 10 sindicatos que congregam várias categorias da indústria e do serviço público aderiram ao movimento e prometem cruzar os braços, acompanhando o movimento nacional.  Já entre trabalhadores do comercio, cerca de 5 mil na cidade, o sentimento é de insegurança quanto a participar ou não do movimento. Segundo o presidente interino do Sindicato dos Comerciários, João Luiz Barnabé, é mais difícil mobilizar a classe porque, embora todos sejam a favor da greve, têm medo de participar e ser demitidos. “Nós fizemos panfletagem e procuramos mobilizar pela rede social. Seria ótimo que todos participassem. Afinal, a luta é por uma causa justa”, argumenta ele, ouvido pelo blog.

Já o diretor-técnico do Sindicato do Comércio de Marabá, que congrega os empresários do setor, Raimundo Neto, diz que a orientação é para que os comerciários trabalhem normalmente. Neto justifica lembrando que a crise econômica no país se agrava a cada dia e não dá para parar as atividades com tantas contas, folha de pagamento e encargos para pagar.

“Temos enfrentado nos últimos meses vários feriadões. Cada dia que o comércio para as perdas são incalculáveis. Já vamos parar segunda-feira [1º de maio] de novo e parar também na sexta seria demais. Ninguém aguenta”, pondera Neto, que enviou ao blog neste tarde aviso sucinto da Fecomércio-PA (Federação do Comércio do Pará), divulgado nas redes sociais, em que a entidade comunica: “O comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará funcionará normalmente no dia 28/04/2017”.

Greve

OAB, ATEP e sindicatos se unem para promover grande ato na greve geral de sexta-feira em Parauapebas

O ato, que ocorrerá simultaneamente em todo o Brasil, pretende mostrar a indignação da população no tocante às Reformas Trabalhista e da Previdência

Na tarde desta terça-feira (25), o presidentes da OAB Parauapebas, David Benasor, e o presidente da  Associação dos Advogados Trabalhistas do Pará (Atep), Dr. Rômulo Oliveira estiveram reunidos com dirigentes sindicais de Parauapebas, na sede do Sindicato Metabase, para tratar da organização de um grande ato programado para sexta-feira (28), que fará parte da greve geral convocada por movimentos sociais diversos em todo o Brasil contra a reforma trabalhista e previdenciária.

O ato ocorrerá a partir das 9h, na sexta-feira, com ponto de encontro na Praça de Eventos e encerramento na sede da Justiça do Trabalho. Os organizadores do evento convocaram uma coletiva de imprensa, que se realizará nesta quarta-feira (26) para apresentar mais detalhes sobre a programação.

De acordo com o site Carta Capital, diversas categorias estão se mobilizando para uma paralisação geral, dentre eles petroleiros, metalúrgicos, bancários, metroviários, motoristas de transporte público, professores das redes pública e particular e trabalhadores da construção civil.

“A reforma da Previdência, por exemplo, é rejeitada por 93% dos brasileiros, segundo pesquisa do instituto Vox Populi encomendada pela CUT e publicada no último dia 13. A greve está sendo convocada por oito centrais sindicais: CUT, UGT, CTB, Força Sindical, CSB, NCST, Conlutas e CGTB. Juntas, elas representam mais de 10 milhões de trabalhadores. Além de centrais opositoras ao atual governo, como a CUT, ligada ao PT, a paralisação contará também com aquelas tidas como aliadas de Michel Temer, como a Força Sindical”, informa o texto do site.

A paralisação no Pará

O Blog apurou algumas das categorias que já confirmaram que irão parar no Estado do Pará. Confira:

Educadores da Rede Estadual do Pará
Professores municipais de Belém, Ananindeua e outras cidades
Professores de escolas particulares de Belém
Professores e servidores da Uepa
Professores e servidores da Ufpa
Professores e servidores da Ufopa e Unifesspa
Servidores do Incra, Ibama, Fundação Evandro Chagas
Operários da Construção Civil
Professores e servidores da Ufra
Professores e servidores do Ifpa
Servidores da Funpapa
Servidores do Detran
Servidores da Saúde
Servidores da Assistência Social do Estado
Bancários
Urbanitarios
Trabalhadores dos Correios
Trabalhadores da Previdência Social
Metalúrgicos de Barcarena
Trabalhadores do judiciário federal
Policiais Civis

Protestos

Em Marabá, servidores concursados ameaçam greve geral se o prefeito Tião Miranda não informar quando vai pagar os atrasados

Eles protestaram na Câmara Municipal. Já Justiça, pediram o bloqueio do dinheiro da prefeitura

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Cerca de 300 servidores públicos municipais concursados da Educação, da Saúde e das demais secretarias da Prefeitura de Marabá lotaram nesta terça-feira (25) o plenário da Câmara Municipal para manifestar insatisfação e revolta com o fato de o prefeito Sebastião Miranda Filho (PTB) – Tião Miranda – ainda não ter se pronunciado acerca de quando vai pagar os salários de dezembro passado, horas extras, plantões e quatro meses de vale alimentação deixados pela administração anterior.

Eles exigem que o gestor municipal divulgue uma agenda de pagamentos, a fim de que possam programar financeiramente a quitação dos débitos que contraíram em razão desse atraso.  Caso, o prefeito não estabeleça datas e forma de pagamento, os servidores avisam que pode haver uma greve geral, até que haja uma definição por parte do Executivo.

O presidente da Câmara, vereador Pedro Corrêa Lima (PTB), telefonou para Tião Miranda, que se encontra em Belém, e segundo ele, o prefeito disse que receberá uma comissão de representantes dos concursados em dia e hora a serem marcados.

A sessão ordinária já havia se encerrado quando os servidores chegaram por volta das 11 horas e ocuparam o plenário. Pedro Corrêa concordou em recebê-los e abriu espaço para os presidentes do Sintesp (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública do Pará), Demerval Bento da Silva; do Sintepp (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará), Joyce Cordeiro Rebelo; e do Servimar (Sindicato dos Servidores Públicos de Marabá), José Edmilson Oliveira de Almeida.

“Tapa na cara”

Primeiro a falar, Demerval Bento disse que, além dos pagamentos, os servidores da Saúde também querem a revogação do decreto do Executivo que reduz em 10% o adicional de insalubridade dos trabalhadores do setor e a volta da Mesa Permanente de Negociação: “O que o prefeito fez foi um tapa na nossa cara, ao reduzir a insalubridade”, bradou Demerval, solicitando a imediata intermediação da Câmara para uma conversa com Tião. “Ele disse que não ia mexer com insalubridade e vocês acreditaram. Então ele deu um tapa na cara de vocês também”, afirmou Bento, dirigindo-se aos vereadores.

Joyce Rebelo falou em seguida e, entre outras reivindicações relativas à categoria dos educadores, questionou o fato de Tião ter recebido uma comissão de contratados e comissionados e não ter chamado os concursados para conversar nem estabelecido uma agenda de pagamentos.  “Não dá pra fazer reunião para marcar outra e depois outra. Todo mundo está no limite, todo mundo está com contas atrasadas, pagando juros exorbitantes e muitos até com ameaça de despejo”, lembrou ela, avisando: “Se não tiver uma agenda de pagamentos, vamos propor uma assembleia unificada e votar pela greve geral. Vai parar Educação, Saúde, Administração e todas as demais secretarias”.

“Pagar em dia é obrigação”

José Edmilson, em seu discurso, observou que o prefeito só fala em dívida, diz que ainda não sabe com exatidão a situação financeira da prefeitura e que está pagando os salários em dia: “Pagar em dia não é mérito, pagar em dia é obrigação. Antes de assumir o governo uma comissão já estava levantando a situação da prefeitura. Agora, passados quatro meses, ele ainda não sabe?”, indagou o sindicalista, que também é favorável à greve geral, caso não haja uma definição.

O vereador Tiago Batista Koch (PMDB) também discursou e disse que é necessário avançar no diálogo. “O mais importante é o diálogo. Encaminhar uma comissão para dialogar com o prefeito. Tenho recebido cobranças de servidores da zona rural, em diversas vilas. Eles querem saber quando vão receber e poder pagar suas dívidas”, contou ele, destacando que o melhor caminho para o diálogo é restabelecer a Mesa de Negociação Permanente. Tiago foi acompanhado pelo também vereador Ronisteu Araújo Silva (PTB) – Pastor Ronisteu -, que se colocou à disposição dos manifestantes.

Ao final, Pedro Corrêa elogiou os servidores “pela forma ordeira” como realizaram o protesto e disse que, apesar de a Administração Municipal ter de trabalhar para equilibrar as finanças, é preciso pagar os salários, o vale alimentação, os plantões e as horas extras atrasadas, o que ele considera obrigatório.

Da Câmara Municipal, os manifestantes se dirigiram em passeata ao Fórum de Marabá, onde deram entrada em várias ações, entre elas, uma pedindo a revogação da redução do percentual do adicional de insalubridade e outra solicitando os bloqueio dos recursos financeiros do município a fim de pagar os salários e demais direitos trabalhistas atrasados dos servidores concursados.

Na saída da Câmara, correligionário de Tião Miranda comentou com desdém: “E o Tião liga pra greve?”. Procurado pelo blog logo em seguida, o rapaz não quis dizer o nome, se esquivou e se misturou rapidamente aos servidores em protesto.