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Propina

Em coletiva, PF e Ibama detalham início meio e fim da Operação Concisor

Em relação promíscua com madeireiros, servidores se passavam por fiscais e avisavam sobre as operações do órgão ambiental. Confira os áudios.
Por Eleutério Gomes – de Marabá

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje (31), a Operação Concisor, com objetivo de coibir crimes ambientais no Estado. Cerca de 60 agentes cumpriram 15 mandados judiciais: quatro de prisão, cinco de busca e apreensão e seis de conduções coercitivas, bem como ordens judiciais de afastamento de servidores da função pública, em Marabá, Parauapebas, Breu Branco, Canaã dos Carajás e Eldorado dos Carajás.

Embora a PF mantenha sob sigilo os nomes dos envolvidos, o Blog levantou que o empresário de Parauapebas Sidney Carlos Osterman, mais conhecido como “Macarrão”, proprietário da Madeiras Rio Verde, de cujo escritório foram apreendidos computadores e documentos, foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos. Em Marabá havia mandados de prisão temporária para três servidores do Ibama , além de um de condução coercitiva. Os servidores envolvidos são os de prenome Noleto, Ramon, Cláudio e Marinho, mas, segundo o Blog apurou, apenas três destes foram presos. O quarto prestou esclarecimentos e foi liberado.

A operação, que contou com o apoio de informações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), durante toda a investigação, tem entre os presos, servidores do órgão ambiental suspeitos de repassar informações para madeireiras e outras pessoas fiscalizadas pela autarquia federal em troca de vantagens indevidas ou dinheiro em espécie.

Os investigados vão responder por corrupção passiva, ativa e concussão. Se condenados, podem pegar penas de prisão de até oito anos de reclusão, além de multa.

Sobre a operação, Polícia Federal e Ibama concederam entrevista coletiva na Delegacia da PF em Marabá, dando conta de que as investigações, iniciadas há mais de um ano, partiram de uma suspeita levantada dentro da própria Gerência Executiva do Ibama, em Marabá, de que servidores poderiam estar passando informações privilegiadas a empresários madeireiros denunciados por crimes ambientais. Essas suspeitas foram motivadas pelo fato de, ao chegarem ao local em que estariam acontecendo as irregularidades, geralmente serrarias, os fiscais encontrarem estas fechadas, com as máquinas paradas e sem movimentação de pessoas, como se ali nada estivesse acontecendo. Fato que se repetiu inúmeras vezes. “Isso causou prejuízo fortíssimo para as atividades do Ibama durante a fiscalização”, disse o delegado Josiel Brito, responsável pela investigação.

Ele contou ainda, que na manhã de hoje, durante o cumprimento dos mandados, quando teve acesso aos aparelhos celulares dos envolvidos, constatou, ao verificar mensagens de WhatsApp, um “íntimo relacionamento entre fiscalizados e fiscalizadores”, embora não se tratem de fiscais e sim de servidores de outras atividades que se faziam passar por fiscais. “Alguns desses fiscalizados estavam envolvidos em outras atividades irregulares, transportando madeira em meio a caminhão de tijolos e diversas outras”, detalhou o delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Rômulo Rodovalho.

Hildemberg da Silva Cruz, gerente executivo do Ibama em Marabá, que assumiu o órgão em fevereiro do ano passado, disse que as suspeitas foram levantadas ainda pela gerente que o antecedeu, a qual comunicou à Polícia Federal que várias fiscalizações em madeireiras que exploravam a espécie castanheira e também em áreas de preservação nunca eram pegas em flagrante.

“Na minha gestão intensificamos e mostramos claramente que, quando o Ibama chegava até o local de empreendimentos que seriam alvo de fiscalização, encontrava tudo fechado, não conseguindo flagrar o crime ambiental sendo cometido”, reforçou o gerente.

Segundo Hildemberg, uma das graves consequências disso foi que, em 2016, de 40 ações de fiscalização desencadeadas, baseadas em denúncias concretas, metade caiu por terra devido ao vazamento de informações. De acordo com Rodovalho, as recompensas não eram pagas em valores altos e muitas vezes se traduziam em benefícios pessoais como abastecimento de veículos, entre outros, “embora qualquer propina seja condenável”, resultando em grande prejuízo “para o meio ambiente e ao órgão fiscalizador”.

Durante as investigações, segundo Rômulo Rodovalho, a PF começou a observar o estreitamento das relações entre madeireiros ilegais e os servidores do Ibama: “Isso, por si só, de ter várias ligações e íntimo contato de amizade, amistosidade, é como se um policial fosse amigão de um criminoso. Já é uma conduta suspeita, além das provas que conseguimos angariar durante tanto tempo de investigação”.

Indagado se os madeireiros conduzidos estão contribuindo com as investigações, o delegado afirmou que alguns se negam a  admitir envolvimento, mas disse que a PF, em um caso, identificou uma pessoa “que era uma peça que faltava no quebra-cabeça” da investigação, e esta delatou toda a atividade da propina e confessou que pagou aos servidores pelo vazamento de informações.

Relação promíscua
A PF também divulgou três áudios que provam a relação promíscua entre servidores e madeireiros. No primeiro, um dos servidores presos e um amigo fazem chacota a respeito do desmatamento no País. Nos outros dois, mais um servidor, também preso, avisa um madeireiro sobre operações na região e pede R$ 200,00 a título de empréstimo. Confira:

Áudio 1

Amigo – Tá de folga?
Servidor – Nós estamos indo ali resolver um problema…
Amigo – Qual o problema? É mineração ou é madeireira?
Servidor – (risos) Rapaz, pare com isso, rapaz (risos).
Amigo – Se o Brasil um dia precisasse de oxigênio e dependesse
de vocês pra sobreviver, com uma árvore em pé, virava o deserto
do Saara. Era mais fácil plantar árvore no Saara.
Servidor – Se o Brasil perder oxigênio, nós estamos f… (risos)

Áudio 2

Servidor – Nós estamos retornando amanhã.
Madeireiro – Estão retornando pra Marabá. Hoje não tem ninguém pra cá, não? Só amanhã?
Servidor – Só amanhã.
(…)
Servidor – Aí eu tô indo também acompanhando eles, segunda-feira a gente vai pra Anapu ou então São Félix do Xingu.
Madeireiro – É? Essa turma que saiu daí ainda vem hoje à noite e ainda dorme em Marabá?
Servidor – É, dorme em Marabá. E aí segunda-feira é que nós vamos pra um lado e pra outro. Pois é, hein? Tem jeito de me emprestar aí 200 reais, que as nossas diárias não saíram e nesse período de meio-dia eu tava passando amanhã aí.
Madeireiro – Tá, aí tu me avisa aí, manhã…
Servidor – Quando eu tiver no posto, né?
Madeireiro – É. E eu vejo o que é que eu faço.

Áudio 3 

Madeireiro – Fale, doutor.
Servidor – O rapaz falou que vinha cedo. Não veio não?
Madeireiro – Foi nada.
Servidor – Aquele negócio que eu te falei já começou.
Madeireiro – É? E não sabe pra que lado vai?
Servidor – Já começou aqui mesmo.
(…)
Madeireiro – Mas… chegou a equipe de fora?
Servidor – É.
Madeireiro – Vai cumprir as demandas todas.

Confira as fotos:

Entrevista

Gerente do Ibama em Marabá concede entrevista exclusiva ao Blog

Hildemberg da Silva Cruz fala sobre destruição de equipamentos de madeireiras, desmatamentos, terras indígenas e queimadas na região.

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Em entrevista exclusiva ao Blog, nesta segunda-feira (30), em Marabá, o gerente executivo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Hildemberg da Silva Cruz, esclareceu os acontecimentos ocorridos em São Félix e Ourilândia do Norte na última semana, quando a ação do órgão foi muito criticada nas redes sociais e outros meios de Comunicação.

Com um ano e oito meses em Marabá, mas há uma década como funcionário do Instituto, ele afirma que tudo o que Ibama está fazendo é pautado na legalidade, uma vez que o órgão tem atuação focada e estratégica nas questões de crime ambiental que envolvem o desmatamento. “Toda atividade de desmatamento em florestas e vegetações secundárias exige a atuação prioritária do Ibama”, reafirma Berg, como também é conhecido.

Por ser um órgão federal, afirma ele, o Ibama também tem combatido fortemente atividades em terras indígenas, mas faz atuações em áreas privadas também, onde esteja havendo desmatamento, complementando ações dos órgãos, municipais e estaduais de meio ambiente. “Porém, em área federal, como as terras indígenas, essa atuação é exclusividade do Ibama”, reforça.

Berg diz que muitas atividades têm sido desenvolvidas em terras indígenas e isso é preocupante, quer seja garimpo ou a exploração ilegal de madeira, resultante do desmatamento promovido por invasores ou posseiros.

Na extensa Terra Kayapó, que abrange a região de Cumaru do Norte, Ourilândia do Norte e São Félix do Xingu, o Ibama foi chamado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que denunciou atividade garimpeira ilegal,  com uso de mercúrio, contaminando rios, dentro da área indígena de preservação. “Isso vai trazer uma grande preocupação no futuro para a sociedade em geral e não só para os indígenas. Essas áreas são banhadas por rios, são áreas de nascentes, que estão sendo contaminadas com mercúrio”, adverte.

Já na terra Apyterewa, as denúncias davam conta de desmatamento e, após atuação na Terra Kayapó, a fiscalização se dirigiu para as áreas em que estava acontecendo a derrubada da floresta por tratores e outros equipamentos. Ali, a Polícia Federal trabalha para identificar algumas pessoas – que seriam posseiros já com determinação judicial, expedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região –, para que deixem a terra indígena, pois serão removidas para um assentamento que está sendo preparado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

“Mas essas pessoas continuavam desmatando como se fossem permanecer ali, que é uma área de preservação. Ou estão sendo usados por pessoas que têm interesse naquelas áreas”, explica Berg.

Quanto à destruição dos tratores que estavam sendo empregados no desmatamento, o gerente executivo do Ibama em Marabá afirma que essa ação também foi legal. “Como não havia jeito de retirar os tratores de lá, pois nem o Ibama nem a Funai tem logística para isso, decidiu-se por destruir esses equipamentos – baseado no Decreto 6.514 de 2008, que prevê esse tipo de ação quando o equipamento que está sendo utilizado na destruição da área de proteção permanente não pode ser removido”, justifica Berg.

Segundo ele, na mesma noite do dia 27, houve represália por parte dos posseiros para mostrar descontentamento e tentar conter os agentes do Ibama, que se recolheram à base da Funai. “A base foi cercada por pessoas, algumas com características de pistoleiros, misturados com os posseiros, provocando os agentes do Ibama, da Força Nacional e da Polícia Militar”, conta o gerente.

No dia 28, ainda segundo ele, a Funai, percebendo que poderia acontecer algo mais grave, decidiu destruir o acampamento, a fim de tentar retirar aquelas pessoas daquele lugar. “Os posseiros tentaram intimidar a todos, mas o máximo que houve foram tiros de balas de borracha para contê-los”, narra ele.

Indagado se lideranças indígenas são coniventes tanto com os garimpeiros quanto com o desmatamento, Berg afirma que o Ibama recebeu algumas informações de que algumas lideranças indígenas acabam sendo cooptadas tendo em vista o dinheiro, e que tanto a Polícia Federal quanto o Ministério Público Federal estão investigando essas denúncias.

Sobre o risco a que os agentes do Ibama se expõem nessas ações de fiscalização, o gerente executivo afirma que eles são constantemente ameaçados, geralmente por mensagens de texto e lembra que, em recente ação em Itupiranga, com o fechamento de serrarias clandestinas que processavam castanheira, espécie ameaçada de extinção e protegida por lei federal, eles receberem ameaças até em áudio, o que está sendo investigado pela PF. “Em várias ações temos a proteção da Polícia Federal, da Força Nacional e também da Polícia Militar do Pará. Estão sempre ao nosso lado, pelo que somos muito agradecidos”, afirma ele, reforçando a necessidade de mais recursos.

São Félix do Xingu, Novo Repartimento e Pacajá lideram o desmatamento no Estado

Ao falar do desmatamento no Estado do Pará, Hildemberg Cruz afirma que, apesar das áreas desmatadas terem diminuído para 2.600 quilômetros, os municípios de São Félix do Xingu, Pacajá e Novo Repartimento continuam liderando essa prática ilícita. “São os que mais contribuem com as taxas de desmatamento no Estado. Há uma grande preocupação com a redução das áreas de floresta no Estado do Pará; no futuro, isso vai influenciar no clima, no acesso à água”, adverte.

Para tentar deter esse desmatamento, o Ibama mantém bases em São Félix e em Novo Repartimento, cada uma com dez fiscais em uma operação permanente, chamada “Onda Verde”.

A respeito das queimadas, Berg conta que, recentemente, o Ibama realizou uma operação destinada a combater os incêndios florestais e autuou vários fazendeiros de Parauapebas, Itupiranga, de áreas próximas a Marabá, seguindo até Santana do Araguaia. “A alegação é sempre a mesma: fogo acidental. Em alguns casos, constatamos mesmo que foi acidente, mas, em outros, detectamos que foram incêndios criminosos, para fazer limpeza de pastos e o fogo acabou invadindo áreas de floresta”, afirma Berg.

Sobre Marabá, ele informa que o Ibama fez uma fiscalização recente nas áreas de proteção permanente, para mostrar que as pessoas estão invadindo esses locais, na beira dos rios, acabando com florestas nessas áreas colaborando com o assoreamento do curso da água, menor taxa de recursos hídricos, menos chuvas e uma série de outras consequências climáticas. “A gente espera que no futuro haja uma redução disso”, torce Berg.

Ele conta que atráves de parceria firmada, por meio do Ministério Público Estadual (MPE), com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e o Pelotão Ambiental da Guarda Municipal de Marabá, o Ibama, planejou e executou ações e fiscalizações, identificando desmatamento no Núcleo São Félix e no Distrito Industrial, inclusive com exploração ilegal de castanheira.

Essas ações, no entanto, segundo ele, ainda não são muito amplas, devido ao número pequeno de fiscais. “Então, todos têm que se juntar contra as explorações ilegais de castanheira, algum desmatamento e, principalmente, em reserva legal de floresta de fazenda”, afirma ele, destacando que o Sindicato Rural tem sido parceiro do Ibama, na medida em que denuncia a invasão das reservas por posseiros.

Berg afirma que é necessário coibir algumas situações que ainda vêm acontecendo na área da Cosipar, que continua sendo invadida por pessoas explorando madeira, assim como a da Nordisk, lembrando que o Ibama atua também no combate ao desmatamento em áreas privadas.

Gerente faz alerta e diz que o calor e a fumaça das queimadas viraram caso de saúde pública

Apesar de ser responsável pela fiscalização de 37 municípios do sul e sudeste do Pará, a Gerência Executiva do Ibama em Marabá conta com apenas oito fiscais, dez servidores administrativos e dez veículos. Mesmo assim Hildemberg Cruz faz o que pode e tem conseguido diminuir o número de delitos contra o meio ambiente, embora o trabalho do órgão receba muitas críticas.

“O Ibama não está fazendo nada ilegal, está coibindo os crimes ambientais. O grande problema é que vai chegar o momento em que essas atividades têm de ser legalizadas. Grande parte delas são ilegais e estão sendo feitas em locais que não podem ser legalizados, como por exemplo, em terras indígenas, em locais que não estão autorizados nem legalizados”, argumenta o gerente regional.

Ele afirma que atuação do Ibama pode até ser criticada, mas a sociedade deveria ter uma nova visão. “O que o Ibama faz hoje está contribuindo para que as futuras gerações tenham áreas de florestas, rios, água boa para ser consumida e um clima menos quente, porque estamos tentando conter e preservar áreas de floresta, que precisam ser mantidas. Isso é o nosso papel de cumprimento da lei”, afirma.

Berg toma como exemplo Marabá, hoje uma região muito quente, em que os rios estão secando. “Por quê? Há desmatamento em áreas de proteção ambiental, na beira dos rios, florestas e nas nascentes. E isso precisa ser evitado. A sociedade vai ter que se mobilizar, se  sensibilizar”, alerta.

Ele afirma que não adianta manter uma atividade de subsistência com a desculpa de que é necessária para gerar renda, e diz ser possível haver isso, mas em áreas que não sejam de proteção. “A Vale não consegue? Por que as cooperativas de garimpeiros não conseguem também?”, indaga, afirmando que hoje o calor e a fumaça das queimadas vêm causando doenças respiratórias, se tornando um caso de saúde pública e a sociedade “tem de tomar cuidado com isso”.

Meio Ambiente

Polícia Federal deflagra Operação Concisor em Parauapebas, Marabá, Breu Branco, Canaã dos Carajás e Eldorado do Carajás (Atualizada)

O objetivo é coibir crimes ambientais no estado do Pará, extirpando o conluio entre funcionários do Ibama e empresários do ramo madeireiro.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje (31), a Operação Concisor *, com objetivo de coibir crimes ambientais no estado do Pará.

Cerca de 60 Policiais federais dão cumprimento a 15 mandados judiciais, sendo quatro mandados de prisão, cinco mandados de busca e apreensão e seis de conduções coercitivas, bem como ordens judiciais de afastamento de servidores da função pública, em cinco cidades do interior do Pará: Marabá, Parauapebas, Breu Branco, Canaã dos Carajás e Eldorado dos Carajás.

A operação que contou com o apoio de informações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), durante toda a investigação, tem entre os presos, servidores do órgão ambiental que são suspeitos de repassar informações para madeireiras e outras pessoas fiscalizadas pela autarquia federal em troca de vantagens indevidas ou dinheiro em espécie.

Os investigados vão responder por corrupção passiva, ativa e concussão. Se condenados, podem pegar penas de prisão de até oito anos de reclusão, além de multa.

( * ) – Concisor significa cortar o mal, exterminar e derrubar o crime.

Atualização

Em Parauapebas o empresário Sidney Carlos Osterman, conhecido pelo apelido de Macarrão foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos. Macarrão é proprietário da Madeiras Rio Verde. Na sede da empresa, em Parauapebas, a Polícia Federal apreendeu computadores e documentos.

Em Marabá a PF prendeu três servidores do Ibama.

A Polícia Federal concederá entrevista coletiva hoje, às 10 horas, na sede do órgão, em Marabá.

Ibama

Doação de madeira apreendida em Parauapebas para a Prefeitura de Piçarra causa estranheza

O gerente do Ibama em Marabá explica que a doação foi feita com base em Lei Federal e diz que a madeira apreendida é castanheira, espécie em extinção e com comercialização proibida.
Por Eleutério Gomes – de Marabá

Um caso envolvendo a apreensão de duas carretas de madeira  serrada em um depósito de Parauapebas, ontem (25), repercutiu na cidade e causou murmúrio quanto à atuação do Ibama (Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), por meio de sua Gerência Executiva na região. Acontece que a mesma madeira, apreendida durante o dia, no início da noite foi embarcada em outro veículo e partiu rumo a Piçarra, doada que foi à prefeitura daquele município.

O fato causou estranheza em virtude de que deveria haver um trâmite entre a apreensão e a doação, o que não levaria menos de 60 dias para que fosse concluído e a doação feita para município ou
entidade da microrregião onde aconteceu a apreensão.

Hoje, na sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Estado, o deputado Gesmar Rosa da Costa (PSD), que é de Parauapebas, proferiu contundente discurso em defesa dos garimpeiros de Ourilândia do Norte e Tucumã e sobre a crise econômica no setor madeireiro no Pará, uma vez que o Ibama, segundo ele, quer limitar o aproveitamento da madeira em 35%. ” Nós temos que reagir, não podemos aceitar isso pacificamente, batendo palma, enquanto no interior do Estado o Ibama faz o que quer. Não é de hoje que ouvimos relatos de deputados denunciando o Instituto e não fazemos nada”, protestou o parlamentar.

Ibama responde
Ouvido pelo Blog, o gerente executivo do Ibama em Marabá, Hildemberg da Silva Cruz, confirmou a apreensão das duas carretas com madeira e também a imediata doação à Prefeitura Municipal de Piçarra, sem muitos trâmites burocráticos. “As madeireiras que foram fiscalizadas em Parauapebas estavam estocando a espécie castanheira, uma espécie protegida por lei federal, que não pode ser cortada e não pode ser comercializada, não pode fazer nada. O que está acontecendo? As empresas madeireiras da região de Parauapebas estão dizendo que receberam a madeira como forma de doação feita pela Vale. Bom, se é doação, não pode ser comercializada, pode até ser processada e utilizada para fins sociais, sem venda, mas estão vendendo e isso é proibido”, enfatizou ele.

Questionado o motivo da madeira apreendida em Parauapebas ter sido doada para a prefeitura de Piçarra, o Silva Cruz afirmou que há uma fila de pedidos no Ibama, de entidades filantrópicas e prefeituras, para receber madeiras apreendidas e, conforme o Instituto vai fazendo as apreensões, atende aos pedidos que estão na vez. Não há esse critério de doar a município da microrregião. Outra coisa, não pode doar ao mesmo município no qual foi apreendida.

Hildemberg disse que quem faz a gestão de espécies ameaçadas de extinção, por lei federal, é o Ibama e o instituto não foi consultado sobre nada. “Está tudo irregular, por isso fizemos a fiscalização, autuamos e apreendemos madeira e já fizemos a doação sumária para Piçarra, baseado no Decreto 6.514/ 2008, que dá essa prerrogativa ao Ibama quando não tem condições de retirar do local por conta de logística pelo motivo de o produto ser perecível”, explicou.

Indagado sobre se a Vale comunicou essas doações ao Ibama, o gerente executivo disse que segundo as empresas, o procedimento foi feito com a Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente).

“Até então, nós desconhecemos isso. Nada foi apresentado ao Ibama. A empresa não mostrou nada, a Vale não mostrou nada e nós queremos saber quem deu autorização para que essa madeira
fosse processada e comercializada. Eles estavam vendendo a espécie castanheira e não pode”, concluiu.

O prefeito de Piçarra, Wagne Machado esteve pessoalmente em Parauapebas para agilizar o transporte da madeira recebida em doação. “Estamos com várias obras que necessitam de madeira para sua conclusão no município e por este motivo solicitamos ao Ibama, no início do ano, que nos fosse repassada alguma madeira apreendida na região. O Ibama fez contato conosco e imediatamente me desloquei para Parauapebas no intuito de agilizar o transporte da madeira para Piçarra”, informou o prefeito, acrescentando que todos os trâmites para a doação de deram de forma legal.

Incêndio

ICMBio estima que incêndios no Parque Nacional dos Campos Ferruginosos já atingiram 2.500 hectares

O Parque abrange os municípios de Canaã de Carajás (82,9%) e Parauapebas (17,1%), e fica colado à Floresta Nacional (Flona) de Carajás.

De acordo com o presidente da Cooperativa de Turismo que está sendo criada na Vila Cedere I, Lemoel Gonçalves, um incêndio se alastrou no Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, área de preservação ambiental recém-criada e que fica próximo da Vila. “A queimada é na Serra do Rabo, dentro da área do Parque e tá acabando com tudo. O fogo começou no balneário da Água Boa e veio se alastrando”, informou.

O ICMBio informou que são dois focos de incêndio no interior do Parque e de origens diferentes. O primeiro está localizado na porção leste, na área denominada Serra do Rabo, próximo ao assentamento Nova Jerusalém, e surgiu há cerca de 15 dias, sua origem provável é por conta de queimadas das áreas para agricultura.

O segundo foco de queimadas está localizado na parte central da Serra da Bocaina, também dentro da área de preservação ambiental, “onde há fortes suspeitas de incêndio criminoso”, afirmou Manoel dos Santos, Chefe do Parque pelo ICMbio. “Até o momento estimamos que o incêndio destruiu cerca de 2.500 hectares entre vegetação primária, pastagens e plantios de recuperação”, acrescentou.

“Estamos utilizando as várias técnicas de combate a incêndio florestal, tais como: construção de aceiros, combate direto, uso de caminhões de bombeiros e caminhões pipas, onde é possível, entre outros métodos”, disse Santos.

Estão envolvidos no combate ao incêndio, bombeiros civis e militares, guardas florestais e servidores do ICMBio. E na segunda-feira passada chegou para apoiar o combate ao incêndio um pelotão do Exército Brasileiro.

A mineradora Vale tem dado um grande apoio no combate ao fogo, fornecendo funcionários Vale e de contratadas, além de equipamentos, veículos, mantimentos e até um helicóptero.

“Há, ainda, a previsão da chegada de brigadistas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo)”, informou o Manoel dos Santos.

Saiba mais sobre o Parque clicando aqui.

Receita Federal apreende 11,5 kg de skank no Aeroporto de Belém

Apreensão, realizada em parceria com o IBAMA, ocorreu no início da tarde de hoje, dia 24.

Em operação de fiscalização aduaneira em desvio de voo doméstico, com participação do IBAMA, a equipe de plantão da Alfândega da Receita Federal no Aeroporto Internacional de Belém apreendeu, com um passageiro do voo 5912 da empresa MAP, proveniente de Manaus, 11 quilos e meio de skank.

Trata-se de uma droga produzida em laboratório, feita através de vários cruzamentos de tipos de maconha, considerada como uma “super maconha”.

Segundo relato do passageiro portador do entorpecente, que foi preso em flagrante, era sua segunda viagem praticando o ilícito, sendo que a droga tinha como destino final a cidade do Rio de Janeiro.

O infrator e a droga apreendida foram encaminhados à Polícia Federal para as providências pertinentes.

Frigoríficos

Ação do Ibama paralisa o setor produtivo da carne no sul do Estado, mas Justiça Federal derruba embargo do Frigorífico de Xinguara.

Em Brasília , políticos da região se encontraram com o ministro do Meio Ambiente para tratar do assunto

Por Eleutério Gomes – de Marabá

O juiz Heitor Moura Gomes, da 2ª Vara da Subseção Judiciária Federal de Marabá, deferiu, nesta quarta-feira (22), pedido de liminar impetrado pela empresa Xinguara Indústria e Comércio Ltda., desembargando o frigorífico. A planta industrial havia sido embargada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), sob alegação de que a empresa adquiriu 576 cabeças de gado oriundo de área sob embargo ambiental no ano de 2013. Além disso, a empresa terá de pagar uma multa de 280 mil reais.

Não fosse a ordem judicial, o frigorífico ficaria fechado até que comprovasse a capacidade de comprar gado com controle de origem. Já os frigoríficos Mafripar, Rio Maria, Plena e duas unidades do JBS continuam fechados, uma vez que não recorreram à Justiça até o momento.

Em Marabá, ao contrário do que circulou nas redes sociais, nenhum frigorífico foi fechado, mas há notícia de que amanhã, quinta-feira (23), haverá fiscalização do Ibama nesses estabelecimentos. O blog tentou, mas não conseguiu, devido ao adiantado da hora, entrar em contato com o instituto, para confirmar essa informação.

Em sua justificativa, o juiz federal diz que “como verificado, a empresa (Frigorífico Xinguara) nos anos de 2013, 2014, 2015 e 2016 teria feito o abate de cerca de mais ou menos um milhão de animais, enquanto as infrações ambientais que deram guarida ao embargo de suas atividades decorreriam da aquisição de pouco mais de 500 cabeças de gado de imóveis rurais constante de lista de propriedades embargadas pelo Ibama”.

Mais adiante, Heitor Moura Gomes afirma que “a premissa adotada pelo Ibama, aparentemente, é equivocada já que não há como se afirmar categoricamente que todos os animais adquiridos de uma dada propriedade, que teve determinada área embargada por cometimento de infração ambiental, teriam saído justamente dessa área embargada”.

Em nota pública, a Prefeitura de Xinguara repudia a ação do Ibama, “que paralisou toda a cadeia produtiva da indústria da carne no sul do Pará”.  “Medidas dessa natureza comprometem profundamente a estabilidade da economia, paralisam a produtividade da indústria, gera desemprego, reduz o aquecimento da atividade econômica e provoca um verdadeiro colapso nos investimentos, em virtude do elemento surpresa, que surge como ataque inesperado ao setor produtivo da carne”, protesta em nota o prefeito Osvaldo Assunção Júnior.

Em Brasília, o deputado federal Beto Salame (PP) e o ex-prefeito de Marabá, João Salame Neto (PMDB) entraram em contato com o senador Jader Barbalho (PMDB/PA) e com o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, a fim de colocar um ponto final na ação nefasta do Ibama, baseada em uma questão de quatro anos atrás.

O ministro prometeu cuidar do caso com rigor para que os cinco frigoríficos que continuam fechados sejam reabertos.

Flona Carajás

II Circuito Ecológico marca comemoração dos 19 anos das Unidades de Conservação de Carajás

A visita foi gratuita e aberta ao público, 62 pessoas se inscreveram, diretamente na sede do ICMbio para visitar a Floresta.

As unidades de conservação que compõe o mosaico de Carajás, Floresta Nacional de Carajás e Floresta Nacional do Itacaiúnas, comemoraram 19 anos desde a publicação do Decreto Federal 2.486 de 02/02/98, que as criou. E para comemorar a data o ICMbio, por meio do Centro de Visitantes do Mosaico de Carajás, em parceria com o Setor de Uso Público da Flona, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, realizou no sábado (18), o II Circuito Ecológico de Carajás.

A visita foi gratuita e aberta ao público, 62 pessoas se inscreveram, diretamente na sede do ICMbio para visitar a Floresta. A servidora pública Kaciane Gomes Barbosa ficou sabendo do passeio, se inscreveu e ainda levou mais dez amigos para conhecer as belezas naturais de Carajás.

“Foi tudo maravilhoso, primeiro por conhecer a Flona, que tanto é falada e explorada em nossa cidade, porém pouco conhecida de fato pela população, e segundo pela experiência do passeio em si, com tantas aventuras e paisagens únicas”, relatou Kaciane Gomes sobre a visita.

“Estou aqui em Parauapebas há dois anos e não sabia da existência dessas belezas naturais da Floresta de Carajás. Existem espécie de animais e flores que são únicas daqui, inclusive, em áreas bem específicas que se você sair delas não encontrará mais em nenhum outro lugar do mundo, isso é incrível! É bom saber que estamos em um lugar único no mundo e precisamos preservar. Passamos por cavernas, cachoeiras, parque ecológico. Vale a pena, desejo de coração que todos tenham a oportunidade de conhecer”, descreveu Daniel Lincoln da Silva, que é autônomo.

Roteiro do circuito ecológico

A concentração foi logo cedo, em frente à Portaria da Floresta Nacional (Flona) de Carajás, a turma saiu em dois ônibus. A primeira parada foi no Centro de Visitantes no Zoobotânico, onde foi realizada uma palestra sobre atuação do ICMbio, seus objetivos, o que é a Flona Carajás e seus desafios.

Durante a palestra os visitantes foram orientados sobre à importância de conhecer todas as riquezas naturais da região para então contribuir com a sua preservação. O objetivo foi também de despertar o sentimento de pertencimento da Floresta e de esclarecer que ela não é de propriedade do setor privado e sim de toda a comunidade, além de demonstrar que a região não tem apenas o potencial mineral mas também possui uma riqueza natural que pode beneficiar a comunidade de outras formas.

Após a palestra, os visitantes cantaram os parabéns alusivos aos 19 anos da Flona de Carajás e partiram para a Trilha Lagoa da Mata, onde caminharam por um percurso de um quilômetro, conhecendo diferentes espécies arbóreas e recebendo diversas informações sobre o ecossistema local. A Lagoa da Mata é uma zona de captação da água da chuva, mais parece uma panela, com uma vegetação que já vem sendo estudada por pesquisadores por conta da sua relevância.

Na sequência, os visitantes partiram para o Mirante da Mina de N4, onde tiveram a oportunidade de ver o avanço do processo de mineração na área, desde a sua implantação até os dias atuais.

O ponto seguinte de visitação foi a savana metalófila, um ambiente peculiar da região, onde se encontra uma vegetação ímpar, que cresce em formações rochosas de ferro. Neste local os visitantes tiveram a oportunidade de ver a floração da Ipomea Calvantei, flor endêmica de Carajás, que pode deixar de existir se houver avanço desordenado da mineração.

Algumas cavernas também foram visitadas, dentre elas a caverna ferrífera Mapinguari, protegida por lei e de grande relevância para o ecossistema. O ponto final do circuito foi a cachoeira de Águas Claras, a maior parte dos visitantes experimentou a maravilhosa sensação de relaxamento que o banho na cachoeira proporciona.

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