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Mineração

STF manda TRF analisar suspensão do Projeto Onça Puma, em Ourilândia do Norte (Atualizada)

O Pará alega prejuízos econômicos em decorrência da suspensão da operação da mineradora Vale no município.

O Supremo Tribunal Federal determinou ontem, quarta-feira (30/5), que o Tribunal Regional Federal da 1ª região volte a analisar a suspensão do projeto de mineração Onça Puma, da mineradora Vale, no rio Catete, que cruza as terras da reserva Xikrin, no Pará.

Os ministros analisaram uma suspensão de liminar pedida pelo governo do Pará contra decisão do TRF-1 que havia paralisado a operação do projeto de mineração Onça Puma, da Vale, até a adoção de um plano de gestão e medidas compensatórias, cumulado com o pagamento de indenização, na ausência dessas medidas, no valor de R$ 1 milhão por mês por aldeia afetada

Em 2015, o então presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, deu parcial provimento ao pedido de suspensão de liminar, autorizando a continuidade das atividades da mina e determinando a realização de medidas compensatórias no prazo de 120 dias. O Pará alegava prejuízos econômicos em decorrência da suspensão da operação da mineradora.

No julgamento, os ministros entenderam que não era possível analisar o mérito do caso e que as instâncias originárias deveriam tratar o caso. Na sessão desta quarta, o ministro Luís Roberto Barroso, que havia pedido vista, afirmou que são plausíveis alegações de dano à comunidade indígena, como contaminação da água do rio e aumento anormal de caso de má formação de recém nascido.

Após o julgamento, a presidente do STF, Cármen Lúcia, se reuniu com índios da etnia Xikrin, do Pará, para explicar a decisão. A ministra recebeu um cocar, mas não colocou. Ela perguntou se branco poderia usar a peça. Na sequência, um índio se aproximou e colocou no pescoço de Cármen Lúcia um colar de proteção.  A ministra explicou que o presente ficará exposto na galeria da Presidência.

Nota da Vale Sobre Onça Puma

A Vale informa que tomou conhecimento da decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal acolhendo os recursos do MPF e Associações Indígenas para restabelecer a decisão do TRF1, que determinava a suspensão das atividades da mina e o pagamento de 1 milhão de reais por mês por aldeia Xikrin. Importante esclarecer que essa decisão ainda não foi publicada no Diário Oficial da União. Tão logo, a decisão seja publicada, a Vale avaliará as medidas judiciais cabíveis no âmbito dos processos existentes.

A Vale esclarece que a atividade da mina de Onça Puma está devidamente licenciada pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará (Semas), com atendimento de todas as condicionantes estabelecidas pelo órgão ambiental. Todos os procedimentos de monitoramento exigidos pela Semas são rotineiramente cumpridos e encaminhados para o órgão licenciador, sendo que todo o estudo do componente indígena e implantação do Plano Básico Ambiental (PBA) foi aprovado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), mas  a empresa enfrenta uma resistência injustificada por parte dos indígenas que negam acesso da Vale no interior da Terra Indígena Xikrin do Cateté.

A Vale reforça que desenvolve projetos de produtividade e infraestrutura junto à comunidade Xikrin, repassando aos indígenas cerca de R$ 13 milhões por ano e que está aberta ao diálogo com os indígenas e os representantes do Ministério Público Federal para viabilizar o cumprimento do PBA Xikrin. A empresa informa também que o PBA Kayapó vem sendo implementado regularmente

A Vale ressalta, por fim, que mantém o diálogo respeitoso com as comunidades indígenas, Funai, Semas e demais entes envolvidos na questão para que sejam encontradas soluções adequadas e que contribuam para o etnodesenvolvimento das comunidades indígenas.

STF

Presidente do STF promete a indígenas retomar julgamento de ação contra Vale que pode suspender atividades do Projeto Onça Puma

Em 2015 a JF do Pará já havia suspendido as atividades em Onça Puma, mas decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, permitiu que a Vale voltasse a operar o empreendimento até o mérito do caso ser julgado pelo Supremo.

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, prometeu ontem (26) que uma ação que contrapõe indígenas da etnia Xikrin, no Pará, e a mineradora Vale será julgada em plenário no próximo mês. As lideranças Xikrin compareceram à sede do STF nesta quarta-feira e foram recebidos pela ministra em um dos salões do tribunal.

Em 2015, uma decisão liminar da Justiça Federal do Pará ordenou a suspensão das atividades de mineração de níquel do projeto Onça Puma, da Vale, no município de Ourilândia do Norte, no Pará, em decorrência do descumprimento de condicionantes ambientais. Poucos meses depois, no entanto, uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, permitiu que a Vale voltasse a operar o empreendimento até o mérito do caso ser julgado pelo Supremo, o que ainda não ocorreu.

O assunto chegou a ser discutido em plenário em junho do ano passado, mas o julgamento acabou adiado em decorrência de um pedido de vista do ministro Luís Roberto Barroso.

No encontro de ontem, as lideranças contaram sofrer complicações de saúde devido à contaminação das águas do rio Cateté. Os indígenas afirmaram que, por recomendação médica, encontram-se impossibilitados tomar banho e pescar nas águas que banham suas comunidades. Em resposta, Cármen Lúcia prometeu dar celeridade ao processo, pautando a ação para o mês de maio.

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a decisão de 2015 determinou ainda o pagamento de R$ 1 milhão por mês a cada uma das sete aldeias indígenas afetadas pelo empreendimento, até que medidas compensatórias fossem cumpridas.

Na época do julgamento no STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se posicionou favorável à suspensão de operação de Onça Puma e à indenização das comunidades afetadas. Ele destacou um estudo da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) atestando a contaminação do rio Cateté por metais pesados. Antes do pedido de vista, o placar do julgamento estava em 2 votos a favor e 1 contra a suspensão das atividades da Vale na região.

Em sua defesa, a Vale afirma que a interrupção do empreendimento pode levar ao caos social na região, com a extinção de mais de 900 empregos diretos e 11 mil indiretos. A empresa diz prestar assistência às comunidades atingidas e argumenta que a transferência direta de indenizações em dinheiro aos indígenas pode ocasionar efeitos negativos sobre as aldeias.

O empreendimento de Onça Puma começou a ser instalado em 2004 e deu início à extração de níquel da natureza em 2008.

Índios

Semana dos Povos Indígenas no Pará reúne mais de quatro mil índios de dez etnias.

O governo do Pará está promovendo ações de saúde e cidadania durante o evento, com serviços de emissão de Carteiras de Identidade, Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), assim como primeira e segunda vias de Certidão de Nascimento.

Cerca de 4 mil índios participam da Semana dos Povos Indígenas, em São Félix do Xingu, no Pará. O evento começou no sábado (15) e vai até quarta-feira (19), quando é celebrado o Dia do Índio. “O objetivo da semana é resgatar a identidade dos povos indígenas da Amazônia, discutindo políticas públicas e o desenvolvimento dessas sociedades que resistem e lutam pelo fortalecimento e continuidade de seus costumes”, informou o governo do Pará, realizador das atividades.

Ao todo, indígenas de dez etnias – Kayapó, Tembé, Gavião, Wai Wai, Kuxuyana, Xikrin, Guajajara, Parakanã, Surui e Munduruku – participam de atividades culturais, sociais e esportivas. As competições esportivas englobam arco e flecha, provas de atletismo, futsal, entre outros.

O governo do Pará está promovendo ações de saúde e cidadania durante o evento, com serviços de emissão de Carteiras de Identidade, Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), assim como primeira e segunda vias de Certidão de Nascimento. No domingo (16), mais de 400 atendimentos foram realizados.

Também será lançado o programa de formação de professores indígenas para o ensino médio regular, palestras e oficinas de audiovisual e fotografia.

Segundo o governo do Pará, a presença dos povos tradicionais nestas terras é datada de mais de 9,5 mil anos.

Hoje, 75% da população de pouco mais de 120 mil habitantes do município de São Félix do Xingu é formada por indígenas.

Mineração

Pará nega pedido do Conselho de Direitos Humanos para suspender mineração em Belo Monte

Em seus estudos ambientais, o projeto classifica como de "alto risco" a possibilidade de "rompimento da barragem de rejeitos", por conta do impacto severo que uma catástrofe causaria à região.

Depois de atropelar um parecer técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai), que apontou falhas no processo de licenciamento ambiental de um projeto industrial de mineração de ouro na região de Belo Monte, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará (Semas) rejeitou o pedido de suspensão do processo apresentado pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).

Garimpo - Belo Monte

Exploração de ouro perto de Belo Monte: Pará autorizou mineração mesmo com parecer contrário da Funai

No dia 9 de fevereiro, o Conselho, que atua como órgão de controle de políticas públicas e participação social do Ministério dos Direitos Humanos, havia enviado o pedido de suspensão do processo de licenciamento, justamente para esclarecer os pontos levantados pela Funai. No documento, o presidente do CNDH, Darci Frigo, se baseava nos mesmos apontamentos detalhados pelo órgão indigenista, ao afirmar que o processo não respeitou pareceres técnicos quanto ao impacto indígena atrelado ao projeto, além de as informações apresentadas terem sido rejeitadas pela própria Funai, por não atendem pedidos básicos de informações.

Em resposta ao CNDH, o secretário da Semas, Luiz Fernandes Rocha, declarou que “recepciona todas as considerações trazidas no bojo do ato em recomendação, deixando de acatar o objeto recomendado”.

Uma semana antes do pedido, a Semas havia liberado a licença de instalação do projeto bilionário da canadense Belo Sun, autorizando a construção de toda a estrutura necessária para dar início à extração do ouro.

Ao ‘Estado’, a Funai declarou que, com a expedição da licença de instalação, deve ir aos tribunais. “A Funai entende que nem mesmo a licença prévia poderia ter sido concedida sem a aprovação dos estudos do componente indígena, como exposto anteriormente, já que a viabilidade do empreendimento não pode ser atestada sem estes estudos.”

No dia 21 de fevereiro, o projeto foi suspenso por decisão da Vara Agrária e Juizado Especial Ambiental de Altamira. A decisão foi tomada pelo juiz Álvaro José da Silva Souza, que atendeu ao pedido de liminar apresentado pela Defensoria Pública do Estado do Pará, por conta de irregularidades fundiárias e desassistência à população local.

A ação cautelar tem como fundamento a falta de regularidade fundiária na área de instalação do projeto. No processo ajuizado contra a empresa canadense Belo Sun, que é a dona do projeto, e o Estado do Pará, a defensora pública agrária, Andreia Barreto, afirma que existem inúmeras comunidades rurais afetadas diretamente pelo empreendimento. “Há a falta de regularização fundiária, conflitos agrários e proximidades com a extração ilegal de madeira, como é o caso de parcela da Gleba Estadual Bacajaí”, declarou Andreia.

Em sua decisão, o juiz Álvaro José da Silva Souza confirmou que a região está inserida numa área que deve ser objeto de reforma agrária. Segundo Souza, entre a licença prévia ambiental e a licença de instalação, passaram-se três anos sem que essas questões fundiárias fossem resolvidas. Na avaliação do juiz, é “completamente desarrazoado e injustificável” que até hoje as famílias residentes nas áreas identificadas “ainda estejam à mercê da própria sorte, sem saber qual será efetivamente seu destino, com o início da instalação do projeto minerário Volta Grande”.

O juiz chama a atenção para o fato de que a autorização “foi concedida sem a retirada das famílias que há décadas moram na área de abrangência do projeto”. Álvaro José da Silva Souza determinou que a empresa Belo Sun deixa de executar qualquer atividade na região enquanto não resolver a questão fundiária da região. A suspensão da licença tem prazo de 180 dias.

A Belo Sun é controlada pelo grupo Forbes & Manhattan, um banco de capital privado que investe em projetos de mineração mundo afora. A extração de ouro prevê 12 anos de exploração de uma mina a 12 quilômetros da barragem de Belo Monte. A Belo Sun informou que o investimento total no projeto será de R$ 1,22 bilhão. A produção média do empreendimento prevista é de aproximadamente 150 mil onças de ouro por ano.

Apesar das polêmicas, para o governo do Pará o projeto é sinônimo de arrecadação. São mais de R$ 60 milhões somente em royalties de mineração em 12 anos. Desse total, informou 65% serão destinados ao município. “Em impostos, o empreendimento vai gerar cerca de R$ 130 milhões, em nível federal, estadual e municipal, durante o período de instalação. Uma vez operando, serão R$ 55 milhões ao ano, também para impostos nas três esferas”, declarou a Semas.

O projeto de mineração de ouro vai produzir um volume de rejeitos superior àquele que vazou no rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Em novembro de 2015, o vazamento de 32 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro foi a maior catástrofe ambiental do País.

O empreendimento da Belo Sun prevê o acúmulo de até 35,43 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Em seus estudos ambientais, o projeto classifica como de “alto risco” a possibilidade de “rompimento da barragem de rejeitos”, por conta do impacto severo que uma catástrofe causaria à região. (O Estadão)

Parauapebas

Exposição fotográfica que retrata a cultura dos índios Xikrin é bem recebida pelo público

“O grande barato dessa exposição é isso. Trazer essa cultura para perto da cidade, para o ambiente urbano”, disse um professor de geografia da UFPA que visitou a exposição

Quem passa pelo Shopping em Parauapebas tem a oportunidade de prestigiar a exposição “Povo Xikrin do Cateté”, do fotógrafo Anderson Souza, e assim conhecer um pouco sobre a cultura dos primeiros habitantes que se tem registrado na região sudeste do Pará. O lançamento da exposição ocorreu na sexta-feira (17) e os organizadores comemoram a boa recepção por parte dos visitantes.

“Está sendo surpreendente, nunca imaginei que poderia ter esse alcance”, disse Anderson Souza sobre os primeiros dias de exposição, que é resultado de um trabalho realizado ao longo de quatro anos de registro fotográfico dos mais diversos momentos vivenciados pela comunidade indígena Xikrin do Cateté.

“Eu tive a oportunidade de ir frequentemente às aldeias em função de outro trabalho que eu realizava. Chamou muito a minha atenção o modo de viver deles, os traços da sua cultura. Então comecei a fazer os registros despretensiosamente. Sempre tive vontade de fazer um trabalho autoral e depois de algum tempo enxerguei nesses meus registros na aldeia a oportunidade de realizar esse desejo”, relatou Anderson Souza.

A exposição autoral de Anderson Souza segue a linha de trabalho que ele e outros fotógrafos, integrantes do grupo Coletivo 2.8, realizam: o de registrar a região de Carajás por meio da fotografia documental e apresentadas nas exposições “Cenas da Cidade”, com imagens do cotidiano de Parauapebas.  “Nesse contexto, nada mais significativo do que documentar os primeiros habitantes desta região”, pontuou o fotógrafo.

O desejo de levar mais conhecimento para a população local sobre a cultura dos Xikrin também foi um dos motivadores para a realização da exposição. “Acredito que mostrar um pouco dessa simbologia que o povo Xikrin detém e o seu mundo místico foi um dos meus maiores motivos para fazer essa exposição. Moramos há poucos quilômetros de uma aldeia e a gente desconhece completamente o que é a cultura Xikrin”, afirmou Anderson Souza.

“Eu acho que o grande barato dessa exposição é isso. Trazer essa cultura para perto da cidade, para o ambiente urbano”, disse o professor de geografia da UFPA, Luiz Pacheco, que estava passando pelo Shopping e viu a exposição. “Me interessei em vir prestigiar logo que percebi que era uma ação cultural”, acrescentou.

      Fotógrafo Anderson Souza

Ainda sobre a exposição, o professor relata sobre a importância dos registros, já que demonstram uma luta dos indígenas em preservar sua cultura, mas também a grande influência da cultura ocidental no cotidiano da aldeia. “Essa influência é retratada nas fotos como a presença da bola, de um painel de alfabetização, e até mesmo nas vestimentas, principalmente das mulheres”. Eu vi um material de um francês, produzido no final da década de 70 e início de 80, que publicou um livro sobre os Xikrin, mas não teve notoriedade aqui na região. Fazendo uma comparação nas fotografias registradas por ele, percebi uma mudança significativa na cultura dos índios a partir da influência do homem branco. Também vi um documentário em vídeo, desenvolvido a partir da visita à aldeia da rainha do Catar. Portanto, esse material que produzimos é o primeiro totalmente idealizado dentro da nossa região”, informou Anderson Souza.

Algumas peças da exposição serão vendidas e outras doadas, inclusive algumas serão entregues para a Procuradoria Geral da República, por meio da advogada Amanda Saldanha, que é a advogada dos indígenas.

Um pouco sobre os índios Xikrin

Os índios Xikrin Kayapó ou Mebengokré Xikrin, ou seja, “gente do buraco d’água” ou “gente da água grande”, referindo-se aos rios Tocantins e Araguaia, vivem na TI Cateté, com extensão 439.150 ha, contígua às Flonas Carajás, Tapirapé-Aquiri e Itacaiúnas, na região de Carajás, municípios de Parauapebas e Água Azul do Norte, Pará, Brasil, com acesso rodoviário pela PA 279 que liga Xinguara a São Felix do Xingu.

Além da autodenominação mebengokré, os Xikrin costumavam denominar-se Put Karôt, tendo o nome Xikrin surgido do modo como outro grupo kayapó, os Irã-ã-mray-re, hoje extintos, os chamavam. Os Xikrin falam a língua Kayapó (ou Mebengokré), da família linguística Jê, tronco lingüístico Macro-Jê.

Os Xikrin, como a maioria dos subgrupos kayapó do sudeste do Pará, apesar do acesso aos bens de consumo da sociedade envolvente, ainda preservam sua língua e cultura. Atualmente vivem em três aldeias: Cateté, Djudjêkô e O-odjã, com uma população de cerca de 1.015 índios. Em 1982, nos primórdios da implantação do Projeto Ferro Carajás, a população dos Xikrin era em torno de 280 indivíduos.

Fotografia

Cultura dos índios Xikrin é tema de exposição do fotógrafo Anderson Souza em Parauapebas

As tribos ficam localizadas no município de Marabá, entre a Serra de Carajás e a Serra da Seringa, no Estado do Pará

Um dos grandes expoentes da fotografia de Parauapebas e região, Anderson Souza, abre hoje sua exposição fotográfica ‘’Povo Xikrin do Cateté” na galeria de artes do Partage Shopping em Parauapebas. A vernissage de abertura da exposição acontece a partir das 19h com entrada livre. A exposição ficará até o dia 15 de março de 2017, e também serão expostos peças artesanais do Centro Mulheres de Barro, além da presença dos índios Xikrin que estarão fazendo pintura corporal.

Desde 2013 visitando as aldeias dos índios Xikrins, Anderson iniciou o registro fotográfico do cotidiano das tribos, seus personagens, sua cultura e seus filhos, uma nova geração que tem lidar com sua cultura e ao mesmo tempo com a influência da tecnologia no seu modo de vida.

As tribos ficam localizadas no município de Marabá, entre a Serra de Carajás e a Serra da Seringa, no Estado do Pará, e falam a língua Kaiapó.
Sua atividade de subsistência segue os padrões tradicionais indígenas, tendo aumentado o cultivo de mandioca para a fabricação de grandes quantidades de farinha, atualmente um alimento básico para o Xikrin, em todas as épocas do ano. Caçam, pescam e coletam frutos em todo o território, longe ou perto de suas aldeias. Caçam tatus, paca, onça, jabuti e aves de grande porte, aproveitando também suas penas para adornos plumários.

Os Xikrin sempre foram agricultores, abrem grandes roças onde cultivam milho, mandioca, macaxeira, batata-doce, abóbora, banana e mamão.

O casamento deste povo encontra-se diante de duas possibilidades: primeiro, casar cedo, pois a esposa que lhe havia prometido atinge a puberdade. Segundo, ele espera que a esposa cresça, o que lhe permite tornar-se mais velho, mais forte. Isto é um prestigio fundamental.

Texto: CasaLab

Brejo Grande do Araguaia

PF deflagra operação em prefeitura para acabar com fraude no pagamento de professores na aldeia Suruí

Fraude consistia em realizar pagamentos aos índios com valores inferiores aos recebidos em remuneração prevista com as verbas do Fundeb

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Duas equipes da Polícia Federal chegaram cedo nesta quinta-feira, 16, à cidade de Brejo Grande do Araguaia para cumprir dois mandados de busca e apreensão: um na sede da Prefeitura Municipal e outro à Secretaria Municipal de Educação. Batizada de “Operação Docência”, a ação da Polícia Federal visa estancar e apurar fraudes e irregularidades no pagamento de professores indígenas da aldeia Suruí, localizada no município de Brejo Grande, às margens da Rodovia BR-153.

Segundo a Polícia Federal, a fraude consistia em realizar pagamentos aos índios com valores inferiores aos recebidos em remuneração prevista com as verbas do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica). Eles assinavam recibo de um valor, mas o dinheiro que ia para conta seria menos da metade disso.

As buscas efetuadas pela Polícia Federal objetivam levantar evidências no sentido de que os suspeitos se apropriavam de parte da remuneração devida aos professores indígenas. Se condenados pela apropriação da verba federal, os suspeitos podem pegar até 12 anos de prisão.

Embora a Polícia Federal não tenha citado, ainda, o nome do prefeito Marcos Dias, popular “Baxim”, ele não teria sido encontrado na Prefeitura, nem em sua residência ou fazenda. A PF não informou se havia mandados de prisão ou condução coercitiva.

Resposta da Prefeitura
Em redes sociais circula uma nota que supostamente seria do prefeito Marcos Dias, a qual afirma o seguinte: “Esclareço que hoje recebemos na secretaria de educação e Prefeitura Municipal, delegado e agentes da Polícia Federal que, atendendo a denúncia (diga se de passagem à época do processo eleitoral) vieram colher informações e documentos para esclarecimentos dos fatos.

Relato que a denúncia formulada seria de suposta prática de contrato de servidor no âmbito da educação, na aldeia indígena de forma ilegal entre outros convênios de gestões anteriores (integralizados e não finalizados).

Ademais, informamos que solicitamos aos nossos secretários, em especial a de Educação e o de Administração, que prestem as informações e apresentem toda documentação pertinente.

Não pude estar no município, pois estou cumprindo agenda em Belém, na busca do retorno das aulas do Ensino Médio, ações no âmbito da agricultura, dentre outras.

Nos colocamos a inteira disposição dos órgãos judiciais, assim como das autoridades policiais”.

Baxim iniciou em janeiro último o segundo mandato consecutivo como prefeito de Brejo Grande. Ele é, também, o presidente do CISAT (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Araguaia Tocantins), que foi alvo de denúncias recentes de irregularidades em sua gestão.

Belém

Índios invadem Núcleo do Ministério da Saúde no Pará e colocam funcionários para fora

Indígenas são contra a municipalização da saúde

Funcionários do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Pará tiveram que deixar às pressas o prédio da autarquia localizado na Rua Conselheiro Furtado, no bairro da Cremação, em Belém, na manhã desta terça-feira (08). É que dezenas de indígenas, revoltados com a decisão do governo de municipalizar a saúde indígena, invadiram a agência ao som de cânticos e danças da etnia.

Segundo as lideranças que participam do movimento, a publicação das Portarias 1.907 e 2.141/16 pelo Ministro da Saúde, Ricardo Barros, nos últimos dias 17 e 24 de outubro de 2016, violam de forma absurda o direito à consultas médicas, conforme garantido na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), graças à luta coletiva dos povos indígenas do Brasil e retrocede a conquista na saúde indígena desde a criação dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) até a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), há mais de dez anos.

Os indígenas reivindicam a continuidade da assistência de saúde às comunidades indígenas, com qualidade, autonomia e respeito às deliberações dos povos indígenas em todo o país.

Com a manifestação, todos os funcionários e usuários que estavam no Núcleo foram obrigados a deixar o prédio.

 

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