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Canaã dos Carajás

Assentados invadem a sede da prefeitura de Canaã dos Carajás

Assentados queriam falar com o prefeito Jeová, mas não foram recebidos.

Na manhã desta segunda-feira cerca de 500 assentados do município de Canaã dos Carajás invadiram a sede da prefeitura do município, provocando um verdadeiro caos para funcionários e usuários dos serviços prestados pela administração.

Segundo apurado, o motivo da invasão se deu em virtude da Mineradora Vale ter dado entrada em um pedido de reintegração de posse de uma área reservada para ser implantado o Distrito Industrial de Canaã dos Carajás, invadida por populares. Os manifestantes reivindicam uma reunião com o gestor para tratar do assunto.

Em nota, a Assessoria de Comunicação de Canaã dos Carajás informou que “representantes de assentamentos da região estiveram nesta segunda-feira (20) na sede da administração, apresentando uma pauta de reivindicações e solicitando uma reunião com o prefeito Jeová Andrade. Por motivos de saúde, o prefeito não pôde atendê-los, mas ficou pré-agendada uma reunião na próxima quarta-feira (22)”.

Continua a nota informando que “a prefeitura segue aberta ao diálogo com todos os segmentos da sociedade para que as demandas sejam apresentadas e, dentro do possível, solucionadas.  Afirma, ainda, que após tomar conhecimento detalhado das necessidades dos representantes dos assentamentos, e deliberar sobre as respostas possíveis, a administração se compromete em divulgá-las em seus meios e na imprensa local, como tem sido habitual nessa gestão”.

Com o agendamento da reunião, os manifestantes deixaram o local.

Em Parauapebas, fazendeiros utilizam área pública da prefeitura para pastagem de animais

Inconformados, membros da Fetraf invadiram a área e foram retirados pela PM. Revoltados, interditaram a PA-160

Uma área de 126 hectares, localizada na PA 160, adquirida em 2014 pela gestão Valmir Mariano destinada à construção de um polo universitário, incluindo o Campus da UEPA, que seria construído em parceria com a Vale está sendo utilizada por fazendeiros para pastagem de animais. Nem o polo universitário foi implantado até então e nem a obra da UEPA foi construída.

A área foi ocupada semana passada por um grupo liderado pela Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (FETRAF) e formado por cerca de 200 trabalhadores rurais.

Na manhã desta quarta-feira (15) a área foi desocupada, depois de uma ação que contou com integrantes da Polícia Militar, Guarda Municipal e Secretaria de Serviços Urbanos (Semurb).

O estranho é que a ação foi realizada sem apresentação de um mandado de reintegração de posse. Ainda assim, os ocupantes saíram de forma pacífica do local. Porém, prometem retornar. “Quem disse pra gente vir pra cá foi o Darci. Vamos nos organizar para fechar alguns pontos principais da cidade, inclusive o acesso à Prefeitura. Essa vai ser a nossa forma de manifestar”, afirmou um dos integrantes da Fetraf.

“Aqui tem um monte de gente desempregada, que tem procurado na terra um meio de sobrevivência. São pais e mães de família que têm filhos para sustentar. É injusto uma área dessas ser ocupada por fazendeiros e nós, que somos trabalhadores, que não temos condições, termos que sair daqui com a polícia nos ameaçando. Nós só queremos um pedaço de chão para trabalhar”, disse um dos ocupantes.

O Blog entrou em contato com o advogado que representa a entidade para esclarecer alguns pontos, e ele questionou a ação de desocupação sem o respaldo da justiça. “As relações de posse só podem e devem ser provadas por meio de ação judicial”, informou o advogado Antônio Araújo de Oliveira, mais conhecido como Tony.

“Qualquer um pode ir lá e constatar que tem gado pastando na área que deveria ser direcionada para cultivo. O que o movimento não entende é isso, pois há um desvio de finalidade, o que inclusive implica em improbidade administrativa por parte da gestão. A área está sendo utilizada para uma finalidade totalmente distinta da qual foi criada, beneficiando terceiros. Quando o nosso pessoal foi realizar a ocupação, os fazendeiros vizinhos, inclusive, resistiram por que já se sentem proprietários da área. O movimento não concorda é que áreas públicas sejam destinadas para atender necessidades de fazendeiros. Isso nós não aceitamos. Isso é imoral, e ilegal. A gente discorda veementemente da atitude de um governo que se diz ser do povo utilizar-se dessas situações a mando e desmando da polícia, para efetuar reintegração de posse de forma arbitrária e sem mandado judicial”, acrescentou o advogado.

Com relação ao assunto, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, enviou a seguinte nota:

A Prefeitura de Parauapebas, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo (Semurb), esclarece que realizou a desocupação de uma área pública localizada na zona rural, entre os municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás, na manhã desta quarta-feira, 15, de forma pacífica.

A Semurb esclarece ainda que a referida área, além de ser pública, já possui destinação específica. As equipes da Semurb já haviam notificado os populares no local, orientando os mesmos a respeito da irregularidade na ocupação.

Portanto, após o esclarecimento, equipes da Semurb, juntamente com a Polícia Militar (PM) e Guarda Municipal (GMP), novamente dialogaram com os populares, que por sua vez não apresentaram qualquer resistência.

Por fim, os populares concordaram em liberar o espaço de forma ordeira e respeitosa, levando consigo seus pertences, inclusive seus veículos.

No local havia abrigos provisórios, que foram retirados do espaço. A Semurb ressalta a importância em dialogar com os populares, garantindo a segurança de todo cidadão, no cumprimento da lei, em conformidade com a administração pública.

Interdição

Logo que deixaram a área da prefeitura de Parauapebas, revoltados com a situação, os ocupantes interditaram a PA-160 na altura da entrada da VS-10, na Zona Rural do município de Parauapebas, provocando um grande congestionamento. A PM esteve no local para negociar a desobstrução da pista, que liga os municípios de Canaã dos Carajás e Parauapebas e dá acesso ao Projeto S11-D, mas até o fechamento dessa matéria a PA continuava interditada.

Os animais de particulares continuam na área. Agora sem serem incomodados pelo grupo da Fetraf.

O Blog consultou o conceituado advogado Wellington Valente para esclarecer se a retirada dos ocupantes foi de forma arbitrária, já que não havia uma ordem judicial de desocupação. Ele, que já ocupou o cargo de Procurador Geral do município na gestão da então prefeita Bel Mesquita, respondeu que a ação foi absolutamente legal. Para tanto citou o artigo 1210 do Código Civil, que diz:

Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.

§ 1o O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse.

§ 2o Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a coisa.

Para o advogado o uso da PM na ação também foi legal, já que a Polícia Militar fez a garantia da ordem pública.

Canaã dos Carajás

Funcionários de terceirizada da Vale agridem produtores rurais em Canaã dos Carajás

Família registrou ocorrência na delegacia de polícia do município. Vale diz que houve tentativa de invasão.

Viralizou na internet depoimento sobre a agressão sofrida por produtores rurais Jorge Martins dos Santos e Thiago Sales dos Santos, em Canaã dos Carajás no último fim de semana. O depoimento relata que funcionários da Prosegur, terceirizada da Vale para fazer a segurança patrimonial da empresa no município teriam agredido fisicamente os trabalhadores em virtude deles estarem trabalhando em uma cerca na divisa da Fazenda Boa Sorte, de propriedade da Vale. Ainda segundo o relato, a cerca deveria ser construída pela mineradora em virtude de acordo para a passagem do ramal ferroviário que liga o S11D à Estrada de Ferro Carajás.

Diz trecho do texto (ipsis litteris):

“Então no local q meu pai estava trabalhando apareceram guardas questionando  o que estavam fazendo, em resposta meu pai afirmou q estava solucionando o problema relacionado a saída do gado de sua propriedade  e em seguida ligou para minha mãe levar os documentos p eles verem que a vale está em dívida em relação as cercas, eles fizeram uma ligação e logo chegou mais um veiculo com outros guardas somando 10 ao todo, encapuzados,  com armas pesadas, spray de pimenta e facão. Eles chegaram espancando meu pai e rendendo todos os trabalhadores q ali estavam, meu irmão sem aguentar ver a covardia partiu em defesa do meu pai, nesse momento juntaram vários homens para espancar ele, jogaram spray de pimenta neles,deram vários socos, chutes e coronhadas. Meu irmão chegou a ter convulsões de tantas coronhadas na cabeça, e mesmo assim eles não param, amarraram os dois e continuaram o espancamento e ainda os ameaçaram de morte, eles só pararam quando minha mãe chegou junto com minha cunhada e um sobrinho de 3 anos no local, agrediram minha mãe verbalmente e ameaçaram quebrar o celular dela. No desespero ela retornou para casa para me buscar e ligar para polícia, mais quando chegamos no local eles já tinham partido com meu pai e irmão, os demais trabalhadores saíram do local ainda rendidos sem poder olhar p trás, pq essa foi a ordem que deram, se alguém olhasse levava tiro.”

Versão da Vale

Instada a se pronunciar, a Vale enviou a seguinte nota sobre a ocorrência em Canaã:

A Vale informa que na última segunda-feira (27/2), por volta de 11h30, houve tentativa de invasão em área de propriedade da empresa, em Canaã dos Carajás, por um grupo de cerca de 10 pessoas, dentre eles, o proprietário de fazenda da região, Jorge Martins dos Santos.

A empresa esclarece que não procede a informação de que a equipe de segurança chegou ao local com truculência. A abordagem foi feita na tentativa de diálogo com as lideranças como demonstrado na imagem, quando a equipe foi surpreendida com a agressão física por parte dos invasores, fraturando o nariz do inspetor de segurança.

A equipe de segurança da empresa, em ato de legítima defesa contra a agressão e em desforço imediato, impediu a continuidade da invasão da propriedade. A Polícia Militar foi acionada e segue conduzindo o caso.

            A equipe de segurança aborda as lideranças com diálogo

Sobre a alegação referente à cerca, a Vale esclarece que não procede qualquer pendência da empresa em relação ao assunto. A propriedade continha as devidas cercas e as mesmas já foram quebradas por cinco vezes, conforme boletim de ocorrência registrado na Policia de Canaã, mesmo com a placa de propriedade particular.

Cabe ressaltar que nessa última ocorrência do dia 27, o fazendeiro Jorge, tentava construir cerca a mais de um quilômetro além de sua fazenda, ou seja, dentro de propriedade privada da empresa.

                         Inspetor de segurança teve nariz fraturado

Invasão de propriedade privada é crime previsto no Código Penal e o desforço imediato, direito previsto na legislação civil como ato de defesa da posse para impedir a continuidade da invasão.

Cerca executada pela Vale e depois retirada conforme registrado em boletim de ocorrência

O sindicato

O SICAMPO – Sindicato dos Produtores Rurais de Canaã dos Carajás – encaminhou nota de repúdio pelos atos ocorridos em Canaã:.

NOTA DE REPÚDIO

O Sindicato dos Produtores Rurais de Canaã dos Carajás repudia veementemente os atos de agressão física cometidos contra Jorge Martins dos Santos e Thiago Sales dos Santos.

O SICAMPO se solidariza aos Produtores Rurais agredidos. A assessoria jurídica do Sindicato já foi acionada em total apoio aos agredidos.

Medidas administrativas e judiciais serão adotadas no sentido de punir os responsáveis. Eventuais excessos havidos por funcionários serão de responsabilidade civil e criminal das empresas contratantes conforme determina a Lei:

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: III – o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; Além de legislação criminal aplicável ao caso.

O SICAMPO sempre estará atento e vigilante a qualquer ato contra os direitos dos Produtores Rurais de Canaã dos Carajás.

Opinião

É preciso que a delegacia de polícia civil em Canaã dos Carajás investigue com o máximo rigor as denúncias contra os funcionários da Prosegur para que não paire nenhuma dúvida sobre o que, de fato, ocorreu na Fazenda Boa Sorte. É inadmissível que em pleno século XXI uma empresa do porte da Vale queira resolver suas dificuldades no trato com a população usando táticas de coronéis nordestinos. E, se assim agiu a empresa terceirizada, deve ser punida com os rigores da Lei.

Em um mundo globalizado como o nosso, em que as redes sociais são usadas para difundir fatos, notícias e opiniões, é preciso que tudo seja bem apurado, principalmente quando o nome da Vale, a maior fonte de receitas na região está envolvido. Se houve a tentativa de esbulho possessório por parte dos produtores rurais, como afirma a Vale, que se apurem os responsáveis.

O Blog tentou contato com o delegado Fabrício, que recebeu o caso, mas não isso foi possível.

Área do “Costa pra rua” volta a ser ocupada irregularmente em Parauapebas

Ambulantes aproveitaram a "oportunidade" e voltaram à área desocupada pela gestão anterior.

Dezenas de comerciantes voltaram a ocupar irregularmente a área conhecida como “Costa pra rua”, infringindo o Código de Posturas do município e criando novamente uma desorganização nas proximidades da Praça dos Metais, no centro de cidade.

No final de 2015, depois de muita resistência, a Prefeitura de Parauapebas, com o apoio do poder judiciário, conseguiu retirar todos os comerciantes da área do “Costa pra rua” e também da outra próxima conhecida como “pé inchado”. Violência, muita sujeira e vendas de drogas faziam parte do dia a dia dessas localidades, o que levou com que a sociedade se juntasse em uma força-tarefa com o objetivo de retirar de lá os ambulantes.

Na oportunidade o galpão da antiga Feira do Produtor foi destruído, assim como várias barracas de lona e madeira. Os comerciantes receberam apoio financeiro para ajudá-los no processo de mudança e também ganharam barracas novas e padronizadas. Foi dada a opção de escolherem trabalhar no Mercado Municipal do bairro Rio Verde ou no Centro de Abastecimento de Parauapebas (CAP).

“Ninguém mais da Prefeitura passou por aqui, e também eles pararam de mexer na reforma da Praça. Tem gente que está voltando para cá. No meu caso, saí do aluguel e vim montar minha barraca aqui”, disse um comerciante.

A cabeleireira Cláudia Mascarenhas, que mora nas proximidades disse que foi muito boa a desocupação da área, que melhorou até mesmo a segurança no local. Mas agora ela teme o retorno de toda a “bagunça da época anterior à retirada do pessoal”.

O retorno dos ambulantes ao local se deu no domingo, logo após a posse de Darci Lermen como prefeito de Parauapebas. Mas a reportagem não conseguiu vincular o novo governo à ação, nem tampouco os invasores alegaram terem sido autorizados pelo novo gestor a voltarem à área.

Segundo o chefe de gabinete do prefeito, Luis Bonetti, a gestão não comunga com a ação dos ambulantes.“No domingo (1º) pedimos à Polícia para desmobilizar a ocupação. Marcamos uma reunião com os camelôs para dia 20 e vamos usar o diálogo como primeira alternativa. Mas não podemos permitir desordem na cidade”, garantiu Bonetti ao blog.

O vereador Luiz Castilho (PROS)mora próximo à área e deu seu testemunho ao Blog afirmando que a situação de segurança e limpeza daquela área melhorou muito depois da retirada dos ambulantes. Castilho, no entanto, disse que é preciso buscar alternativas para que os ambulantes recebam um local não só digno fisicamente para trabalhar, mas que seja um local onde o comércio realmente possa ser aplicado. “Não adianta tirar esses cidadãos desse local e jogá-los em um local onde não conseguirão dar sustento às suas famílias. Buscarei junto ao governo que ajudei a eleger alternativas viáveis para resolver a situação dos ambulantes”, concluiu o vereador.

O vereador Zacarias Marques (PSD) também falou sobre o assunto ao blog: “sou contra a ocupação irregular daquela área, que tanto deu trabalho para ser revitalizada. Lutarei para que isso não aconteça. Parauapebas tem que avançar. Quanto aos feirantes, devemos buscar uma alternativa que venha os valorizar com dignidade.”

Para o juiz Líbio Moura, que contribuiu diretamente com o processo determinando a retirada dos comerciantes, “nada justifica o retorno dos vendedores ambulantes ao local. Como todos sabem, a desocupação foi objeto de uma recomendação do Ministério Público cumprida por todos os poderes. O município precisa fazer a sua parte, com a continuidade de utilização adequada daquele espaço, a exemplo de como já feito com a revitalização da Praça dos Metais. A manutenção de um ambiente saudável e limpo, no que outrora se chamou de “pé inchado” é uma demonstração de evolução da sociedade de Parauapebas e um caminho para que as normas sejam cumpridas indistintamente”.

Opinião do Blogger

O país passa por dificuldades relacionadas à geração de emprego e renda. Todavia, não se pode usar esse argumento e autorizar o retorno dos ambulantes para que as mazelas que aconteciam naquele local voltem a acontecer. O MP pediu e a Justiça determinou a retirada dos ambulantes e a revitalização da área, e não houve contestação do município à época. Portanto, determinação judicial deve ser cumprida e a área deve ser obra de ação do novo governo buscando para o local investimentos que tragam à população segurança e lazer, em vez de drogas, violência e imundice. O novo gestor deve sim se reunir com os invasores e mostrar definitivamente a posição do novo governo no que tange às invasões e apropriações dos bens públicos ou privados. Retirar os ambulantes não é defenestrar oportunidades àqueles cidadãos, é mostrar que o governo, apesar de populista, é também legalista. Esse caso é um caso de segurança pública, acima de tudo!

Invasão - Atualizada

Sem terras invadem Conab em Marabá e exigem 7.000 cestas básicas

Invasores são de Marabá, Eldorado do Carajás, Nova Ipixuna, Jacundá e Sapucaia

Ulisses Pompeu – de Marabá

Acampados de movimentos sem-terra em Marabá e outros quatro municípios da região tomaram, na madrugada desta terça-feira, 6 de dezembro, a unidade de armazenamento e distribuição de alimentos Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na cidade. A unidade fica localizada na Folha 34, em frente ao Hospital Regional, foi invadida e fechada por cerca de 180 pessoas que moram em acampamentos sem-terra na região sudeste, ligados à FNL (Frente Nacional de Luta Campo e Cidade), e Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil).

O grupo, oriundo dos municípios de Marabá, Eldorado do Carajás, Nova Ipixuna, Jacundá e Sapucaia, alega que está sem receber cestas básicas há um ano e meio e dizem que muitas famílias estão passando fome em vários desses acampamentos.

Segundo funcionários que trabalham no local, os sem terra chegaram por volta de 4 horas da manhã desta terça-feira, dia 6 de dezembro, e a princípios não queriam deixar ninguém da família que reside no local sair da área, mas às 6 horas um deles acabou sendo liberado para trabalhar.

Rogério Santa Rosa, um dos membros do movimento e único que se dispôs a falar com a Imprensa no início da manhã desta terça-feira, informou que a unidade só será reaberta depois que eles negociaram com a direção da companhia de abastecimento para a liberação de 7.000 cestas básicas e lonas pretas que foram prometidas em Brasília no mês de outubro último, quando equipes da Conafer e FNL fizeram a negociação. “O governo despachou essa verba para a Conab e eles não repassaram os alimentos para os trabalhadores”, reclamou.

Segundo ele, há mais de um ano as famílias que estão acampadas em propriedades rurais à espera de desapropriação nos cinco municípios da região não recebem cestas básicas a que têm direito.

Ele disse que não houve vandalismo e nem invasão aos galpões para retirada de alimentos. O grupo está acampado na área interna da Conab e os empregados continuam trabalhando normalmente. “Não viemos aqui para causar bagunça nem sermos taxados de bandidos. Somos civilizados, da cidade e do campo. Viemos atrás do que é nosso. A liderança já cobrou muitas vezes, mas nunca resolveram”, lamentou.

A Reportagem do blog chegou a falar por telefone com o gerente da unidade da Conab em Marabá, Paulo Sérgio Peres de Souza, e ele informou apenas que a ocupação está sendo feita de forma pacífica, sem depredação do patrimônio público, garantindo ainda que todos os trabalhadores estão em seus postos normalmente. Soube a negociação e as demandas dos trabalhadores, Paulo Sérgio pediu para a Reportagem entrar em contato com a Superintendência da Conab em Belém.

O blog entrou em contato, por telefone, com a secretária do superintendente Moacir da Cruz Rocha, em Belém, e ela informou que ele estava ocupado e que daria um retorno em seguida. Todavia, até o a publicação desta notícia nenhum contato havia sido feito ainda.

Nota da Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estoca os produtos e apoia a distribuição das cestas de alimentos para diversos grupos populacionais em situação de insegurança alimentar. Todavia, não é a Conab que decide quem receberá o produto.

Atualmente, a Unidade Armazenadora de Marabá tem em estoque leite em pó e açúcar. No caso de grupos acampados ou assentados, as doações podem ser feitas por solicitação formal do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Não recebemos solicitações para estes produtos até o momento, logo não houve promessa de doação por parte da Conab.

A manifestação é pacífica, não há reféns e a rotina de trabalho continua normalmente no local.

Invasão

Membros da Fetraf invadem Fazenda São Luiz, da Vale, e baleiam cinco seguranças

Fazenda é fruto de compensação ambiental

Hoje pela manhã houve uma nova tentativa de invasão à Fazenda São Luiz, da Vale, no município de Canaã dos Carajás.  Cerca de 50 pessoas ligadas à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – Fetraf –  participaram da invasão, que culminou com cinco funcionários da empresa Prosegur Brasil, que faz a vigilância da fazenda, feridos à bala. Eles foram encaminhados ao Hospital Geral de Parauapebas.

Em junho de 2015 a Fazenda São Luiz, comprada pela Vale como parte do plano de compensação determinado pelo Ibama para obtenção da licença de implantação de seu projeto de expansão na região, foi invadida, mas a justiça determinou a reintegração de posse à Vale em fevereiro passado. O mesmo grupo, ligado à Fetraf, tentou invadir a área em agosto passado.

Os invasores também bloquearam o acesso à Mina do Sossego durante toda a manhã, impedindo os funcionários de chegarem ao trabalho.

A área, por ser destinada à compensação ambiental de projeto de mineração, não pode ser desapropriada para reforma agrária por força da Lei. Mesmo assim, os invasores questionam a documentação e posse da Vale desde que a mineradora adquiriu a área.

Em nota sobre a tentativa de invasão enviada ao Blog, a Vale afirma:

No fim da manhã de hoje, 17/11, ocorreu uma nova tentativa de invasão à Fazenda São Luiz, pertencente à Vale, em Canaã dos Carajás, no Pará. Cerca de 50 pessoas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) participaram da ação e também bloquearam o acesso à Mina do Sossego. Os invasores atiraram contra a equipe de vigilância da Vale. Cinco empregados foram baleados e encaminhados ao hospital de Parauapebas. Em fevereiro deste ano, a Justiça determinou a reintegração da Fazenda, invadida em junho de 2015. Em agosto deste ano, houve nova tentativa de invasão. A área da Fazenda São Luiz é de grande importância ambiental e foi adquirida pela Vale como parte do plano de compensação determinado pelo Ibama para obtenção da licença de  implantação de seu projeto de expansão na região.

 

Nota de esclarecimento

Vale emite nota sobre tentativa de invasão à Fazenda São Luiz, em Canaã dos Carajás

A Vale encaminhou nota informando que na noite de ontem, 10/8, ocorreu uma tentativa de invasão na Fazenda São Luiz, imóvel de sua propriedade, no município de Canaã dos Carajás.

Segundo a nota, aproximadamente 50 pessoas participaram da ação, arrombando os cadeados dos portões de acesso e em seguida atiraram contra a equipe de vigilância da empresa, que impediu a invasão. Ninguém foi atingido.

A Polícia Militar foi acionada e esteve no local. A empresa registrou Boletim de Ocorrência para apuração dos crimes praticados pelos invasores e seus possíveis financiadores.

A Vale informa ainda que obteve decisões judiciais, as quais impedem a invasão de seus imóveis, inclusive da Fazenda São Luiz, que tem área incluída em Unidade de Conservação Ambiental a ser criada, por sua importância ecológica.

A empresa ressalta também que, por força de lei, os imóveis vinculados à mineração ou para compensação ambiental, não podem ser destinados para política de reforma agrária.

 

Marabá

Sem Terras invadem Prefeitura, picham o prédio e trocam bandeiras do Pará e Marabá pela do MST

Esta quinta-feira, 4, em Marabá, está sendo marcada por uma ação de sem terra ligados ao MST que estão acampados há mais de uma semana no prédio da Superintendência do Incra na cidade. Por volta de 9 horas, um grupo de cerca de 300 pessoas saiu pelas ruas da cidade em marcha – deixando o trânsito lento – e foi em direção à Prefeitura Municipal, 5 km de distância.

Ao chegar ali, os sem terra, picharam várias paredes, retiraram as bandeiras do Pará e Marabá, colando no lugar duas do MST. Enquanto um grupo ficou do lado de fora, fazendo discursos com apoio de um carro de som, outro entrou no prédio da Prefeitura, tomou de conta, e exigiram uma reunião com o prefeito interino Luiz Carlos Pies (PT). Neste momento, a reunião está acontecendo em um mini-auditório na PMM e os líderes do movimento estão apresentando uma lista de reivindicações para o gestor municipal.

A Imprensa foi proibida pelos líderes do movimento de participar da reunião. Apenas imagens foram feitas antes dela começar.