Internet de qualidade é WKVE Liga você ao mundo!
Marabá

Exoneração de peritos trava resultados no IML de Marabá

Concurso Público para suprir no CPC "Renato Chaves" não é feito há 10 anos.

Ulisses Pompeu – de Marabá

Com a exoneração de peritos do IML (Instituto Médico Legal) de Marabá nos últimos dias, órgão sofre para obter resultados de perícias, que demoram cerca de 15 dias para o material ir a Belém e retornar.

Augusto Andrade, gerente regional da unidade do CPC “Renato Chaves” em Marabá, confirmou que apenas o CPC tem hoje 18 peritos e atualmente apenas seis médicos legistas, tendo perdido três que possuíam convênio com o órgão. O ideal para que o serviço pudesse ser prestado com qualidade, diz, seriam 15 profissionais. “Está havendo política de contingenciamento do estado para corte de gastos e fomos informados que deveríamos desligar três médicos credenciados”, diz.

Além disso, afirma, neste ano foi desligado um auxiliar de necropsia e no final do ano passado dois motoristas também tiveram o contrato encerrado. “Em menos de um ano perdemos oito funcionários”. Do Instituto de Criminalística não houve exonerações, uma vez que todos os peritos são concursados.

Ele destaca que desde 2007 – dez anos atrás – não é realizado concurso público para suprir vagas do CPC Renato Chaves. “Havia previsão de ser realizado no final do ano passado, mas por uma decisão do estado foi adiado. Em 2007 tínhamos, por exemplo, seis motoristas concursados e quatro contratados. Era um quadro de 10 funcionários, hoje temos cinco. Eram 17 cargos administrativos, hoje temos cinco e não há previsão de entrar mais gente”, exemplificou.

Questionado sobre quais os problemas que acarretam em função dessa defasagem de servidores, Augusto destaca que o encaminhamento de material que é analisado em Belém, por exemplo, antigamente era feito semanalmente e hoje acontece a cada duas semanas. Dentre os exames feitos na capital estão dosagem alcoólica e histopatológico, colhidos nas necropsias. Exames de DNA e documentoscopia também são realizados apenas em Belém. Além disso, acrescenta, a redução no quadro de médicos poderá complicar em breve a escala de atendimento, que atualmente ocorre 24 horas por dia, além de causar demoras na liberação de corpos.

O deputado estadual João Chamon disse que pretende encampar a luta para fortalecer o IML de Marabá na Assembleia Legislativa do Estado. “Nós já temos uma demanda extremamente grande para o pouco número de funcionários. Me comprometo junto aos peritos e pessoas que trabalham na área – e já venho atuando neste setor há bastante tempo – para agora, em 1º de fevereiro, quando retornarmos às sessões – fazermos um contundente pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa”.

Em seguida, acrescenta, pretende se reunir novamente com os peritos e dirigentes da categoria a fim de, juntos, criarem uma força tarefa para falar com o Governador do Estado. “Para que ele possa entender que essa é uma área extremamente prioritária e precisa haver uma mudança de atitude urgente. Isso não é apenas na nossa região, sendo deputado pelo estado, recebemos reclamações em todas as regiões. Todo este estado precisa mudar de atitude e entender que este é um setor extremamente importante para a vida das pessoas e para os setores afins”, declarou.

Para o parlamentar, o Governo do Estado precisa entender que o trabalho de um perito é fundamental para a família, para a conclusão de inquéritos e processos criminais. “Na Assembleia Legislativa, nestes dois anos, nós temos nos reunido bastante, eu e colegas deputados, temos conversado com o sindicato da categoria e temos nos reunido com os peritos que reclamam de salários atrasados, incompatíveis com a função, e falta de isonomia na categoria”, comentou.

Marabá

Marabá: Com Secretaria de Cultura indefinida, ativistas cobram prefeito e vereadores

Trinta entidades culturais enviam Carta Manifesto para Tião e Toni.

Ulisses Pompeu – de Marabá

Dezessete dias após assumir a Prefeitura de Marabá, até agora o prefeito Tião Miranda não nomeou o secretário municipal de Cultura, a última pasta ainda indefinida. Com isso, surgem perguntas de todo tipo e até movimentos de artistas para realização de um protesto em breve. “Acabou a Secult? Tião não vai nomear secretário? Quando? O Carnaval não está bem aí em cima?”. Essas são as principais perguntas feitas por ativistas culturais que estão inconformados com o silêncio do gestor municipal. Eles elaboraram uma Carta Manifesto que será entregue ainda esta semana ao prefeito, vice-prefeito e a todos os vereadores.

Na última semana, um grupo de artistas promoveu uma reunião aberta a todos os segmentos artísticos da cidade para discutir sobre os rumos da Secretaria de Cultura nessa nova gestão da Prefeitura Municipal de Marabá. “Vamos organizar reivindicações a serem levadas ao novo prefeito sobre as demandas de cultura do município no intuito de mostrar que é um contrassenso a Secretaria de Cultura ser extinta ou relegada a um departamento dentro de outra secretaria ou instituição, como tem sido veiculado extraoficialmente”.

Um dos líderes do movimento, o poeta Airton Souza vê com preocupação a demora para nomear um secretário para a Cultura. “Pensamos que a Secult ainda precisa avançar muito na contribuição cultural dessa cidade. Mas, infelizmente, as estruturas são precárias. Esta secretaria não tem nem mesmo um prédio próprio. Está alojada, no bom sentido da palavra, na Biblioteca Municipal, localizada na Marabá Pioneira. Além disso, o acesso ao orçamento anual é muito complicado, pois a burocracia tem prejudicado em muito os avanços e a possibilidade de abarcar os principais segmentos culturais da cidade de Marabá”, lamenta.

Francisco Xavier dos Santos, o Javier de May-ra-bá, disse que um grupo composto por representantes de várias entidades está elaborando uma Carta Manifesto para ser entregue ao prefeito Tião Miranda e aos 21 vereadores da Câmara Municipal, questionando a vacância do cargo de secretário, a implementação da Lei Municipal 17.369, que define o Sistema de Cultura de Marabá. “A Secretaria de Cultura não pode voltar a ser departamento, como no passado. Isso seria um retrocesso para todos, sobretudo para os movimentos culturais”, lamentar Javier.

Pelo menos 30 entidades estão apoiando o movimento, como Academia de Letras, Galpão de Artes de Marabá, Instituto Hosana Lopes, bois-bumbás, Instituto de Artes Vitória Barros, Arma (Associação dos Artistas Plásticos) e Associação dos Escritores do Sul e Sudeste do Pará, entre outras. “Todas as manifestações artístico-culturais desse município têm ocorrido sob os esforços de anônimos batalhadores. Repudiaremos veementemente qualquer tentativa de desqualificar a possibilidade de uma efetiva participação popular na condução de forma democrática e ordeira das Políticas Públicas Culturais as quais estamos inseridos e por assim ser: parte constitutiva e preponderante no processo”, diz trecho da carta a que o blog teve acesso.

O grupo chegou a manter reunião com o chefe de Gabinete do prefeito Tião Miranda, Walmor Costa, no dia 12 deste mês, mas alega que nenhuma resposta foi dada em relação aos pedidos formulados.

O prefeito Tião Miranda informou ao blog que não deverá acabar com a Secretaria de Cultura, mas que pensa em agregar a ela a Secretaria de Turismo. O prefeito não apontou uma data em que deverá nomear o novo titular da pasta, alegando que neste primeiro momento a pasta fica sem titular para “enxugar despesas”.

Drogas

Operação Caldeirão: Polícia Civil apreende 75 kg de haxixe em Marabá e Parauapebas

Adolescentes viraram “mulas” e transportavam a droga que vinha do Goiás para Marabá e Parauapebas

Batizada de “Caldeirão”, uma operação bem sucedida, comandada pelo delegado Marcelo Delgado, superintendente da Polícia Civil do Sudeste, com sede em Marabá, apreendeu 75 quilos de haxixe neste sábado, dia 14, e tirou de circulação três pessoas que trabalhavam no ramo proibido por lei.

A operação iniciou por volta de 5 horas da manhã quando os policiais se deslocaram para a divisa dos Estados do Pará com o Tocantins a espera das mulas, e contou com apoio da Denarc (Divisão Estadual de Narcótico) e os delegados Marcelo Delgado (superintendente da Polícia Civil em Marabá), Antônio Miranda (Superintendência do Araguaia), Márcio Maia (diretor da 20ª Seccional Urbana de Polícia Civil de Parauapebas) e Washington, além de vários investigadores.

Segundo o delegado Miranda, trata-se de tráfico interestadual de drogas, pois o haxixe vinha de Goiânia-GO para ser distribuído entre Marabá e Parauapebas. Na primeira cidade foram apreendidos 50 quilos e na segunda 25 quilos da droga.

A primeira a “cair” foi uma adolescente de 17 anos, na Rodoviária da folha 32, em Marabá, com 50 quilos de haxixe. Ela transportava uma mala preta contendo tabletes prensados.

Um homem e outra adolescente foram presos em Parauapebas. O trio, ainda de acordo com o delegado Miranda, foi autuado em flagrante delito por associação criminosa à prática de tráfico de drogas.

O haxixe é uma substância extraída das folhas da Cannabis sativa, uma planta herbácea da família das Canabiáceas – a mesma planta usada para produzir maconha. Porém enquanto a maconha tem 4% de THC (tetrahidrocannabinol), o haxixe concentra até 14%.

Partidos

PT faz exercício de ensimesmar-se para tentar voltar às origens

Senador Paulo Rocha prestigiou a plenária regional do PT que aconteceu ontem (13) em Marabá

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

O Partido dos Trabalhadores (PT) está “catando os cacos” que sobraram do Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e do resultado ruim das urnas na última eleição de 2 de outubro de 2016 para prefeito e vereadores no Brasil.

No Pará, o partido está fazendo isso através de plenárias regionais e Marabá recebeu, nesta sexta-feira, 13, caciques do partido numa sala do campus da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Ao todo, representantes de 17 municípios do sudeste do Pará estiveram reunidos e neste sábado, em Xinguara, será a vez dos representantes do sul do Estado.

Segundo o deputado estadual Milton Zimmer (PT-PA), as plenárias servirão para tratar da organização interna, as bandeiras de luta que serão defendidas pela sigla e propostas programáticas. Esses debates precedem, ainda de acordo com ele, a eleição de novos dirigentes do partido, por meio dos congressos em âmbito municipal, estadual e nacional e também através do Processo de Eleição Direta (PED). “Estamos fazendo avaliação dos erros e avanços que tivemos como governo, mas também trabalhar a lógica dos desafios que teremos daqui para frente no processo de reconstrução e fortalecimento do partido”, ressaltou.

Zimmer explicou que em março deste ano vão ocorrer eleições das novas direções municipais e o partido precisa estar fortalecido para esse processo. “Vamos explicar o processo e preparar os companheiros do PT para esse momento. Vamos ter um congresso estadual no final de março para discutir questões estaduais e no começo de abril teremos um congresso nacional.

“Não estamos preocupados apenas com a eleição que virá, mas promovemos um debate sobre os desafios, pensando o PT para os próximos 20 anos. Sabemos as contribuições que o partido deu ao Brasil, mas este é um novo momento, de reconstrução, pensando novas metodologias e fortalecimento das bases que possuímos”.

A plenária teve a participação do senador Paulo Rocha, do deputado estadual Dirceu ten Caten e de vários vereadores recentemente eleitos, como Marcelo Alves, de Marabá.

Paulo Rocha

Participante da Plenária do PT em Marabá, o senador Paulo Rocha disse que o momento é mesmo de uma discussão interna sobre a situação crítica do partido, mas também de buscar saídas da crise atual. “Precisamos recuperar a força do PT nesta região e em todos os municípios onde ela for perdida”, sustentou.

As palavras mais pronunciadas por Paulo Rocha durante a entrevista de 12 minutos foram “avaliar e reestruturar, dizendo que o PT é o porta voz da luta do povo, dos pobres e precisa ser recuperado o quanto antes.

Questionado sobre quais foram os erros do PT, o senador disse que quando o partido virou governo, seus membros acharam que este resolveria todos os problemas e deixou de continuar fortalecendo a luta do povo. “A classe trabalhadora precisava continuar forte e exigindo do governo que não estivesse acertando, e isso não aconteceu como deveria”, avalia.

Eleição no Pará

Questionado se será candidato em 2018 para o governo do Pará, Paulo Rocha lembrou que, historicamente, o PT vem disputando eleições para o governo, mas evitou colocar-se como o nome principal do partido, dizendo que há outras personalidades petistas cotadas para concorrer para governador. “Claro, meu nome sempre aparece em listas porque exerço mandato no Senado  Federal, mas o que precisamos exigir é que escolhamos um nome que una o partido e estabeleça diálogo com outros setores da sociedade e partidos parceiros nossos, entrando na disputa polarizada entre o PMDB e PSDB”.

O senador analisa que o Impeachment da presidente Dilma foi um golpe, mas que a “elite brasileira” não está conseguindo tirá-lo naturalmente da disputa para 2018, a não ser por outros meios, como processos judiciais e, agora, uma manobra política, na tentativa de votar um projeto que impeça que ex-presidentes que tenham exercido dois mandatos possam se candidatar mais uma vez à Presidência da República. “Estão tentando eliminar o Lula de qualquer maneira, prendendo ou condenando-o. É um processo de disputa do poder, mas não conseguem diminuir a força de Lula”, ri Paulo Rocha.

Questionado como via o enfraquecimento do PT em Marabá, a partir do momento em que o ex-vice-prefeito Luiz Carlos Pies cortou a aliança que tinha com o titular João Salame – amigo pessoal de Paulo Rocha – o senador preferiu não tocar exatamente no assunto, falando genericamente que “o PT tem capacidade de renascer a partir disso, e nossos quadros políticos terão de se preocupar na reconstrução. Quando o partido nasceu, foi da força da classe trabalhadora”, disse.

Marabá

Executivo convoca Legislativo, em férias, para extraordinárias. Mas projetos apresentados geram polêmicas.

Ao todo, quatro projetos de lei foram encaminhados pelo Poder Executivo e a nova Mesa Diretora da Casa reuniu antecipadamente com os vereadores para definir os componentes das nove comissões permanentes, para que os projetos possam tramitar adequadamente pelo Legislativo.

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Com os vereadores em “férias”, a Câmara Municipal de Marabá foi convocada às pressas pelo Executivo para realizar duas sessões extraordinárias, em razão da “urgência e do interesse público”, para apreciação de projetos oriundos do Poder Executivo. A primeira sessão aconteceu nesta quinta-feira, 12, no Plenário do Poder Legislativo e em horário regimental, às 9h30, com grande participação popular.

Ao todo, quatro projetos de lei foram encaminhados pelo Poder Executivo e a nova Mesa Diretora da Casa reuniu antecipadamente com os vereadores para definir os componentes das nove comissões permanentes, para que os projetos possam tramitar adequadamente pelo Legislativo.

O projeto de Lei número 01/2017 busca autorização da Câmara para contratação de servidores temporários para executar serviços como de garis (na coleta de lixo) e agentes de endemias. Esse projeto, todavia, não trata da quantidade de pessoas a ser contratada, o que alguns vereadores acharam estranho.

O segundo projeto de lei visa à correção de omissão de grau mínimo e médio de na lei municipal de regência da gratificação por periculosidade, sanando deficiência da norma atual, que unifica a periculosidade num único grau e concede gratificação igual para todos. Na prática, o Executivo quer diminuir gastos com esse tipo de gratificação e, para isso, pretende escalonar a periculosidade em níveis e valores diferenciados.

Mas, um batalhão de servidores da saúde lotou o Plenário do Legislativo para protestar e ganhou a simpatia de pelo menos seis vereadores e de um procurador da Câmara, que reconheceram que a matéria não é de urgência e poderá ser discutida por mais tempo e dentro do período ordinário.

O terceiro projeto trata do regime de adiantamento para realização de despesas no município, objetivando organizar e regular as despesas imediatas e de pequena monta, as responsabilidades pelas prestações de contas e a correspondente responsabilização do gestor faltoso, em observância à Lei Orgânica e à Constituição Federal. Com isso, servidores pré-definidos pelo Executivo receberiam cartão corporativos para utilizar em compras diretas e apresentar prestação de contas posteriormente.

Por fim, o quarto projeto de lei enviado pelo prefeito Tião Miranda trata da organização da estrutura administrativa do Poder Executivo, fixa as unidades orçamentárias ordenadoras de despesas públicas, dotadas de autonomia administrativa e financeira. Sobre esse, praticamente não houve questionamentos e deverá ser aprovado nesta sexta-feira, quando ocorre a próxima sessão extraordinária.

O vereador Marcelo Alves, do PT, usou a palavra e alegou que algumas coisas não estão claras no projeto de contratação e o de escalonamento de periculosidade e insalubridade. Disse que o projeto de lei que trata da insalubridade dos funcionários da saúde deve ser mais discutido, porque ele reflete a vida e o suor do trabalhador. “Quanto ao projeto de contratação do Executivo, é preciso que envie o impacto financeiro e os cargos definidos.

Tiago Koch comentou os mesmos dois projetos e argumentou que eles precisam ampliar a discussão e ouvir os trabalhadores. “Precisamos dialogar com a sociedade. Gostaria de mais esclarecimentos sobre as contratações para ter certeza que não vai contratar mais ou menos. Precisamos de parâmetros para que a justificativa tenha o impacto financeiro”, disse Koch.

A vereadora Irismar reconheceu a polêmica dos dois projetos citados acima e que ela não, no primeiro momento, irá fazer juízo sem antes ouvir os interessados e debater com as partes para tomar sua decisão.

Um bloco de cinco vereadores liderado pelo PMDB (Nonato Dourado, Tiago Koch, Cristina Mutran, Ray Athie e Marcelo Alves) conseguiu agendar uma reunião entre os sindicalistas e o Executivo para tentar alinhar as discussões em torno do projeto de insalubridade e periculosidade. A reunião aconteceu na tarde desta quinta-feira, mas não houve grandes avanços.

Josélio Assunção, membro da diretoria do Sintesp (Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Estado do Pará), disse ao blog que uma parte dos servidores da saúde recebe entre 20% a 30% de insalubridade, e que o sindicato advertiu que não vai aceitar mudança sem um laudo técnico.

Educação

Cadeiras marcam lugar em filas para matrícula em escolas de Marabá

Para garantir um lugar na fila de matrículas, pais amarram cadeiras no muro da escola e formam uma fila com mais de 20 metros de extensão.

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Uma tradição de vários anos se repete em uma escola de ensino fundamental e em um Núcleo de Educação Infantil de Marabá agora em 2017, ambos localizados no bairro Marabá Pioneira. Para garantir um lugar na fila de matrículas, pais amarram cadeiras no muro da escola e formam uma fila com mais de 20 metros de extensão. As cadeiras começaram a ser amarradas ainda no final de 2016 e a matriculas só iniciam esta semana.

Moradora da Vila do Rato, na Marabá Pioneira, Vanice Pinto Dias, 24, diz que tem quatro filhos e o mais novo, agora com seis anos, precisa ir para a escola porque ela tem de trabalhar. “Quero ver se consigo uma vaga pra ele ali no Núcleo de Educação Infantil Arco Íris, que não é tão longe de casa e o ensino lá é muito bom, porque dois filhos meus passaram por lá e saíram lendo”, elogia.

A diretora da Escola José Mendonça, Nilva Américo, disse que as matrículas este ano foram atípicas, apesar de os pais continuarem colocando cadeiras no muro para tentar garantir vagas. “Por conta das greves no ano passado, tivemos algumas transferências para escolas particulares, assim como as transferências normais de um bairro para outro. A escola ainda tem 47 vagas distribuídas: 12 no primeiro ano, 8 vagas para o segundo ano, 12 para o quarto ano e 15 para o quinto ano. Então, veja, temos vagas, mas essas cadeiras viraram costume, mesmo a gente falando para os pais que não há necessidade”, explicou.

Segundo o secretário adjunto de Educação de Marabá, Orlando Moraes, nesta quinta-feira, dia 12, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) vai realizar a primeira reunião com diretores para discutir as demandas de cada uma delas e alinhar projetos de melhorias para o setor, também avaliando as vagas que serão disponibilizadas por escola, bairro e núcleo. Ele disse que as escolas, em geral, têm vagas, mas que nem sempre é possível matricular todos os estudantes no estabelecimento mais próximo da residência de todas as famílias. “O início do ano letivo de 2017 está marcado para o dia 13 de fevereiro para os estudantes dos dois níveis: educação infantil e ensino fundamental”, disse.

Orlando Moraes informou que o censo escolar aponta que a rede de ensino municipal de Marabá conta com 56 mil alunos, que serão distribuídos em 215 escolas localizadas nas zonas urbana e rural. O número de professores ainda está sendo quantificado, porque a Semed pretende trabalhar, inicialmente, apenas com concursados, para evitar contratações e inchaço da Folha de Pagamento, considerada um dos maiores gargalos da administração municipal.

Prefeitura

Marabá: Tião Miranda expõe dívida milionária e confirma informação do blog

"O rombo é muito maior do que a gente pensava,” revelou Miranda, durante entrevista coletiva.

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Na entrevista coletiva ocorrida na tarde desta quarta-feira, 11, em Marabá, o prefeito Tião Miranda confirmou o que o blog publicou um dia antes, informando que a dívida atual da Prefeitura de Marabá deve chegar à cifra de R$ 200 milhões.

A entrevista contou com a participação do vice-prefeito Antônio Carlos Cunha Sá, do procurador geral do município, Absolon Mateus Santos, do secretário de Planejamento, Karan El Hajjar, e do secretário de Gestão Fazendária, Aldo Maranhão.

Ao iniciar a entrevista, Tião disse que a decretação de calamidade financeira só ocorreu porque a situação do município de Marabá é extremamente complicada, observando que os débitos atrasados a que a dívida total da Folha é de R$ 106.380.080,92, isso levando em consideração as folhas de julho a novembro, toda a de dezembro, plantões, encargos, consignados e vale alimentação.

A dívida total da Prefeitura de Marabá, segundo Tião Miranda, é de R$ 145.227.195,73 (cento e quarenta e cinco milhões, duzentos e vinte e sete mil, cento e noventa e cinco Reais e setenta e três centavos), cerca de 20% da receita prevista para o município de Marabá para este ano. “Ainda não temos o levantamento do que a prefeitura deve, ao todo, para os fornecedores, mas acredito que deve chegar perto de R$ 200 milhões. O rombo é muito maior do que a gente pensava,” revelou Miranda.

Pela primeira vez, Tião falou sobre o período de transição dos dois governos, alegando que esse processo não levantou todas as informações que deveriam ser repassadas para sua gestão.

Para encarar o problema de frente, o prefeito diz que a solução inicial foi cortar gastos, inclusive demitindo servidores contratados, o que, até agora, já alcançou uma média de 17%, saindo de uma folha total de R$ 32 milhões para R$ 26 milhões. “Precisamos nos adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal, reduzindo de 51,3% os gastos com pessoal da Receita Corrente Líquida abaixo de 48%, porque o município não pode trabalhar só com a folha de pagamento, mas deve ter capacidade de investimento para trazer convênios para a cidade”.

O prefeito reafirmou que todas as compras da Prefeitura de Marabá serão feitas por licitação, evitando compras diretas, a não ser casos raros que cheguem a, no máximo, R$ 1.000,00. “Todos os dias chegam novas dívidas que a gente não sabia, e por isso precisamos de mais tempo para avaliar todo o contexto. Havia muitos desperdícios e má gestão. Programaram 22 creches e algumas delas não tinha moradores por perto. Não perceberam que não havia demanda”, alfinetou.

O prefeito disse que enviou esta semana quatro projetos para a Câmara votar em regime de urgência e avisou que deverão ser encaminhados nos próximos dias para ajustar a despesa com a receita.

Karan El Hajjar fez apresentação do que chamou de relatório parcial de transição de governo, mostrando o montante da dívida que a Prefeitura tem hoje.

É preciso fazer justiça e dizer que do montante apresentado, R$ 16,5 milhões são referentes ao Ipasemar e INSS da gestão de Maurino Magalhães. As dívidas com precatórios chegam a R$ 14,3 milhões e se acumulam por mais de 20 anos. “Esses valores serão pagos entre 2017 e 2020”, sustentou Karan.

Sobre a dívida acima, Salame enviou, antecipadamente uma nota para o blog, informando que “não disse que a dívida do Maurino era de R$ 75 milhões, mas que pagou esse montante. “Eu não paguei nada de fornecedores da gestão do Maurino, como o Tião não vai pagar da minha. Na época levantamos que era mais de R$ 70 milhões só a dívida com fornecedores. Não deixei esse volume de dívida com fornecedores para o Tião, mesmo que ele não pague. Deixei a folha de dezembro sem pagar e apenas a educação com dois meses. Na época recebi dois meses de Folha em atraso. Deixei um mês de plantões médicos em atraso contra 4 meses que recebi. Um mês de vale transporte contra 5 meses em atraso que recebi. 5 meses de vale alimentação contra 10 meses que recebi. Recebi com 3 milhões em atraso de contas de energia e entreguei com as contas de energia praticamente em dia. Como a dívida que deixei é maior então?

É preciso ter seriedade na divulgação desses números. Fui sério mostrando apenas o que eu paguei. Só na coleta do lixo tem uma dívida de 25 milhões do governo do Maurino que está sendo cobrada judicialmente e outra de 18 milhões da merenda escolar. E tantas outras. Não relacione nenhuma delas e não deixei esse montante de dívidas a ser paga a nenhum fornecedor”.

Por outro lado, o relatório parcial apresentado por Karan mostra que a gestão de Salame deixou um débito de R$ 920.894, 91 de dívida com a Celpa, além de um parcelamento de R$ 724.111,20 e outro de R$ 2,3 milhões.

Marabá

Dívida da Prefeitura de Marabá é de aproximadamente R$200 milhões. Valor é quase três vezes maior que o recebido por João Salame em 2013.

Tião concederá entrevista coletiva amanhã para pormenorizar os valores da dívida recebida

Quando recebeu a Prefeitura de Marabá, em 2013, o prefeito João Salame Neto ganhou junto uma dívida no valor de R$75.672.959,89, valor que ele afirma que pagou integralmente. Quatro anos depois, a dívida quase triplicou e beira R$ 200 milhões, segundo levantamento que a nova gestão de Tião Miranda acaba de fazer e que será apresentado amanhã, quarta-feira, durante entrevista coletiva à Imprensa local, a partir de 16 horas. As informações sobre o valor da dívida atual do município foram repassados à Reportagem do blog por uma fonte segura da Prefeitura.

Segundo planilha que Salame enviou nesta terça-feira, 9, ao blog, apenas com a Folha de Pagamento a dívida era de R$ 23.539.340,39 e, agora, o que a Prefeitura deve aos servidores chega a R$ 101 milhões, além de R$ 30 milhões na saúde.

Esses são dois dos motivos que levaram o atual prefeito a decretar Calamidade Financeira no âmbito da administração municipal nesta segunda-feira, dia 9. Na mesma data, Tião reuniu-se com seus secretários por cerca de três horas e meia para explicar a extensão do decreto que acabara de assinar e ainda discutir, de forma minuciosa, as medidas que cada um deles precisa tomar para enxugar gastos. Miranda também destacou a necessidade de melhorar a arrecadação do município, focando explicitamente às secretarias de Gestão Fazendária e SDU.

Mostrou, ainda, que um novo sistema de informática será implantado em todas as secretarias para que possa melhorar a gestão dos serviços públicos, minimizando custos e acelerando processos.

Mas o tema que o prefeito Tião Miranda frisou com bastante veemência foi a necessidade de dar transparência às compras do município, economizando ao máximo e realizando licitações para todos os produtos e serviços a serem adquiridos. Ao seu velho estilo, o prefeito quer que passe por ele todos os gastos a serem feitos.

O gestor municipal também orientou os secretários para que não façam contratações em suas pastas, priorizando a utilização de servidores concursados, inclusive, através de outro decreto, o prefeito Tião Miranda determinou que todos os servidores cedidos para outras secretarias ou órgãos públicos das esferas municipal, estadual e federal, retornem a suas funções de origem para evitar gastos maiores com a Folha de Pagamento.

Dívida de Maurino
Na planilha do ex-prefeito João Salame, consta que ele pagou dívida de R$ 9,1 milhões com vale alimentação atrasado; R$ 3 milhões com a Celpa; R$ 4 milhões de plantões médicos; R$ 1,8 milhão com a Uberluz; mais de R$ 1,5 milhão com precatórios, além de outros custos que totalizam os R$ 75,6 milhões.