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Marabá

Menos de 24 horas depois de ter deixado o marabaense sem água por dois dias, adutora da Cosanpa volta a estourar

Apesar do investimento de R$ 300 milhões, rede de abastecimento e equipamentos continuam sucateados

Por Eleutério Gomes – de Marabá

A exemplo dos movimentos sociais de luta pela terra, que fundaram o MST, o marabaense poderia e já tem motivos para fundar o OSAMA (Os Sem-Água de Marabá) tantos são os transtornos que mais de 100 mil pessoas, que vivem em 27 mil domicílios dos núcleos Nova Marabá e Cidades Nova, passam nas mãos da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), que detém um contrato de 37 anos com o município para abastecimento de água e rede de esgoto sanitário.

Só neste semestre, depois de amargar falta de água permanente, seguida de aproximadamente dois meses de racionamento, por conta da seca do Rio Tocantins, de onde sai a água que jorra – em tese – nas torneiras marabaenses, a situação se normalizou, depois que a Cosanpa estendeu o ponto de captação para o meio do rio.

Mas, a alegria durou pouco: na madrugada da última quinta-feira (19), a adutora que faz a distribuição para os dois grandes núcleos rompeu e foi recuperada já na manhã de sexta-feira (20). Porém, era necessário que a espera durasse mais 12 horas, tempo em que a capa de concreto colocada sobre o tubo secaria completamente.

Por volta das 20h de ontem a água voltou aos poucos às torneiras e, na manhã deste sábado (21), tudo já estava normalizado. Entretanto, outra malfada surpresa estava por vir: na tarde de hoje, no mesmo local, a adutora rompeu novamente e a capa de concreto – não muito concreta, por sinal – não resistiu.

O resultado é que um novo remendo está sendo feito e, em pleno fim de semana, o consumidor está na seca novamente. Nas redes sociais, circula a notícia de que estabelecimentos comerciais que lidam com comida fecharam as portas mais cedo, contabilizando prejuízos; e que alguns eventos familiares foram suspensos.

O Blog tentou contato com a Gerência Regional da Cosanpa, mas não obteve sucesso. Informação extraoficial dá conta de que operários da estatal estão novamente no local, trabalhando para recuperar a adutora, mas sem prazo para que o abastecimento seja regularizado.

Terceirização

Vale lembrar que, em 2014, o então prefeito João Salame, argumentando que o contrato da Cosanpa com o município havia se esgotado em 2008 e com base nas reclamações da população, chegou a abrir licitação para que empresas de outros Estados pudessem assumir o abastecimento de água na cidade e dotar a área urbana de esgoto sanitário.

A proposta, no entanto, provocou muitos protestos e foi rechaçada por sindicatos, associações, pelo Ministério Público Estadual e pela própria Cosanpa, cujos dirigentes da época argumentaram que estavam fazendo um investimento de R$ 300 milhões para aperfeiçoar o sistema, aumentar a oferta do líquido e implementar o esgoto, que hoje só cobre 4% da cidade.

De outra parte, se espalhou entre a população a contrapropaganda de que as faturas, caso a água fosse terceirizada, viriam com valores estratosféricos; que os mais pobres não teriam água em casa e outras tantas lendas sobre o assunto. O projeto acabou engavetado.

Marabá

Correias Mercúrio inaugura fábrica oficialmente em encontro privativo com os meios de comunicação

A indústria já funciona há um ano com a fabricação de correias transportadoras e viu no Pará o Estado propício para instalar sua segunda unidade

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Aconteceu na tarde desta terça-feira (3), no Distrito Industrial de Marabá, a inauguração oficial da fábrica das Correias Mercúrio, privativa para os meios de comunicação locais, durante coletiva e visita à linha de produção. Amanhã, quarta-feira (4), a cerimônia se repete, mas somente para convidados. A indústria, que já funciona há um ano, é líder absoluta no mercado brasileiro, na fabricação de correias, tem 72 anos de fundação, nasceu em Jundiaí (SP) e, em Marabá, fez um investimento de R$ 100 milhões. Trata-se da primeira fábrica de correias transportadoras do Norte do Brasil, e, devido à alta demanda, funciona em três turnos para atender a mais de 40 segmentos da indústria nesta região e no Nordeste do País.

A formação de mão de obra é local, foi feita em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), no curso de tecnologia de borracha e hoje gera 200 empregos diretos e indiretos. No momento, está em fase de implantação e testes uma unidade de preparo de compostos de borracha, que deve gerar mais 120 postos de trabalho.

Durante explanação aos jornalistas, o presidente da Mercúrio, Ivan Ciruellos, disse que o atrativo para que a indústria investisse no Pará foi o potencial de desenvolvimento desta região, sobretudo pelo ciclo ainda muito voltado para a extração mineral.

Sobre o composto de borracha, ele disse que não estava previsto na planta original, mas vai trazer ainda mais empregos, investimentos, qualificação e garantir aos clientes a entrega dos produtos no prazo acordado, porque a Mercúrio não vai ter de trazer esse composto preparado no Sul e no Sudeste do País.

A conselheira e acionista da Correias Mercúrio, Cristina Kawall, lembrou que a indústria nasceu pelas mãos dos pais dela e de outros três irmãos, em 1945, no pós-Segunda Grande Guerra, quando o mundo estava em crise, e mesmo assim deu certo. Em seguida, disse que agora, com o país em plena crise, a família resolveu repetir a façanha e decidiu construir uma indústria aqui, para atender à demanda local.

“O país está em crise e a gente resolve fazer um investimento dessa monta e numa região em que as pessoas perguntam sempre: ‘Por que no Pará?’ e eu gosto de responder ‘Por que não no Pará?’”. Ela ponderou que, pelo tamanho do Brasil, não se pode concentrar tudo no Sul e no Sudeste do país: “Então, só existe o caminho que já está pronto? Só existe a solução que alguém já acenou para você que seria a boa? Não é essa a tradição da nossa família. A
gente é movido a desafio e é um orgulho ver que esse desafio foi concluído com tamanho êxito com resultado tão bom”.

Ao responder as perguntas dos jornalistas, Ivan e Cristina afirmaram que 95% da mão de obra que trabalha na Correias Mercúrio é de Marabá e cidades vizinhas; disseram que o maior segmento que hoje compra deles é o mineral, sobretudo com a cadeia de minério de ferro, com uma demanda de 65%; afirmaram que o faturamento previsto é de R$ 80 milhões por ano e que isso representa um recolhimento de ICMS entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões anualmente.

Após a coletiva, os jornalistas visitaram as instalações da indústria, mas não puderam fazer imagens, por se tratar de
segredo industrial. Apenas as bobinas de correias já prontas foram liberadas para filmagem ou fotografia.

Marabá

Vereadores criticaram a remoção de barracas do comércio informal das ruas da cidade

Prefeitura explica, em nota, que ações são para coibir a posição ilegal de quiosques em praças públicas de forma irregular

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Na sessão desta terça-feira (29), da Câmara Municipal de Marabá, um dos assuntos de maior destaque foi a demolição de barracas de comércio informal das ruas da cidade. A remoção vem sendo realizada pela Diretoria de Postura da prefeitura, sempre à noite, e tem gerado muitas queixas e reclamações dirigidas aos vereadores, pelas pessoas que vivem dessa atividade, centenas delas vítimas do desemprego.

A vereadora Priscilla Veloso (PTB) foi a primeira a levantar o assunto, afirmando que a explicação da prefeitura é de que essas barracas estão ocupando espaços irregulares. Ela questionou ainda que o desmonte esteja sendo feito à noite, mas disse entender que a administração, agindo assim, queira evitar maiores atritos. Porém, alertou que, para a maioria desses trabalhadores, aquele pequeno comércio é o único meio de sobrevivência das famílias.      

O vereador Marcelo Alves dos Santos (PT) disse que, antes de remover as instalações desses trabalhadores, a prefeitura deveria chamá-los para uma reunião e, pelo menos, destinar um local para que possam continuar ganhando a vida. Alves afirmou ainda que é preferível ver essas pessoas trabalhando dessa forma a vê-las passando necessidade. “Já imaginou se a prefeitura retirar mesmo todas essas barracas que estão em vários locais da cidade? Muita gente vai ficar sem o sustento”.

Fizeram coro a Marcelo Alves os vereadores Pedro Corrêa Lima (PTB), presidente da Casa, Irismar Melo (PR), Ilker Morais (PHS), Priscilla Veloso (PTB) e a vereadora Cristina Mutran (PMDB), entre outros.

O coordenador de Postura da prefeitura, Túlio Rosemiro Pereira esteve na sessão, sendo, inclusive, convidado a fazer parte da Galeria de Honra, mas, retirou-se antes que os pronunciamentos começassem.

Nota

Em nota emitida na última semana, a Assessoria de Comunicação da prefeitura afirma que Departamento de Postura da Prefeitura de Marabá “está agindo em toda a cidade para coibir o posicionamento ilegal de quiosques fixados em praças públicas de forma irregular, assim como placas colocadas sem autorização do poder público e comércios ilegais funcionando sem alvará e sem pagamento dos devidos tributos que autorizam a operação”. Mais adiante, explica que essas ações são sempre precedidas de notificações.

Cosanpa

Outro assunto levado a plenário foram as constantes falhas no abastecimento de água na cidade, como aconteceu de sexta-feira a domingo últimos, quando cerca de 100 mil domicílios ficaram sem o líquido nas torneiras, por defeito simultâneo nas quatro bombas de sucção da Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará).

O vereador Ilker Moraes Ferreira (PHS) fez duras críticas estatal e disse que a companhia de água e esgoto trabalha corretamente no atendimento à população “ou passa em frente”. As palavras dele foram endossadas pelo colega Gilson Dias Cardoso (PCdoB), o qual disse que “a Cosanpa não tem compromisso com Marabá”.

Marabá

Derrocagem do Pedral do Lourenção tem previsão de início para o ano de 2020

Foi o que informaram representantes do Dnit e da DTA Engenharia nesta quinta-feira, em reunião na Câmara Municipal de Marabá

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Em audiência que começou no final da tarde desta quinta-feira (3) e entrou pela noite, representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da DTA Engenharia, empresa que venceu a licitação para a derrocagem do Pedral do Lourenção, informaram à Câmara Municipal em que estágio está o empreendimento. O engenheiro André Cardoso Bernardes, coordenador de Obras Hidroviárias do Dnit e responsável pelo projeto, fez longa explanação e sanou dúvidas tanto dos vereadores quanto de empresários e jornalistas.

Bernardes falou das etapas já vencidas e respondeu à principal pergunta feita pela população e empresários: Quando, efetivamente, vão começar os trabalhos de remoção das rochas? E a resposta é em 2020, com previsão de conclusão em 2022.

Ele explicou que a derrocagem vai permitir a navegação num trecho de 500 km, de Marabá até a foz do Rio Tocantins, possibilitando a movimentação de comboios de 200 metros de comprimento, 32 metros de largura e dois metros de calado.

“A ideia do pedral é viabilizar, durante todo o ano, o escoamento de carga entre Marabá e Vila do Conde, e de lá para o mundo”, salientou o engenheiro lembrando que o modal fluvial é de menor custo e aumenta a competitividade do que é produzido na região. “Por aqui existe a projeção, para 2025, do transporte de 20 milhões de toneladas de carga por ano. São cargas de milho, soja, minérios e insumos para essas indústrias”, previu. Ele lembrou que os benefícios diretos são, entre outros, o aumento do número de empregos e da arrecadação.

“Marabá arrecada ISS diretamente, pela geração de movimento; e Itupiranga arrecada diretamente em decorrência
da obra”, detalhou.

Mais de R$ 500 milhões

O contrato foi assinado em 16 de junho de 2016 e resultou de quatro tentativas, tendo o Consórcio DTA/O’Martin vencido a quarta licitação. O valor original da obra era de R$ 520 milhões, mas, reajustado, está em R$ 563 milhões. “O Projeto de Estudo Ambiental absorve R$ 11 milhões, quantia muito pequena perante o todo”, pondera o engenheiro, informando que a vigência original do contrato é de 58 meses.

Conforme o cronograma exibido na apresentação, já foram vencidas as etapas de Emissão da Ordem de Serviço, em
junho de 2016; e o Levantamento de Dados de Projeto, em julho último. As próximas fases são: Projeto Básico, com
previsão de conclusão para dezembro deste ano; Projeto Executivo, julho de 2018; Estudo de Impacto Ambiental,
setembro de 2018; Emissão de Licença Prévia, julho de 2019, Emissão de Licença de Instalação, dezembro de 2019; e
Conclusão da Obra, outubro de 2022.

“Os estudos de engenharia e meio ambiente são complexos; é impossível fazer um projeto rápido e superficial de
licenciamento. Então, para quem está de fora, parece que a coisa não anda”, argumentou André.

Meio Ambiente

Entre as dificuldades apontadas por ele, que causam a demora no processo, está o estudo de manobrabilidade, uma vez que não basta que o rio tenha somente profundidade e largura. “As embarcações devem passar com a condição de manobrar, a velocidade da água tem de ser compatível com a segurança da navegação”, disse ele, ressaltando que esse é um dos pontos mais cobrados pela Marinha do Brasil.

Outra dificuldade é que, nos 40 km do trecho a ser derrocado, a distribuição das rochas é heterogênea. Há concentração de grandes blocos, entremeadas por pedras pequenas, nas quais tem de ser usado o mesmo equipamento. “Então, temos de atacar um elefante e um mosquito com o mesmo equipamento”, comparou Bernardes.

Ele apontou ainda que, por força de um processo judicial existente há mais de 20 anos a respeito de estudos do impacto ambiental do Tocantins-Araguaia, a DTA não poderia licenciar apenas o trecho de 40 km a ser derrocado, sem considerar o impacto que causaria no trecho do rio como um todo. Assim, os estudos tiveram de ser feitos considerando o perímetro de Marabá à foz do rio. “Isso aumentou em mais de oito meses o tempo dos estudos ambientais”, lembrou.

“O Ibama está presente em todas as fases do estudo ambiental, passando pela aprovação da Licença Provisória,
Plano Básico Ambiental, Licença de Instalação até estabelecer uma série de condicionantes ambientais”, detalhou.

Cronograma real

O vereador Pedro Corrêa Lima, presidente da Câmara Municipal de Marabá, disse que a derrocagem do pedral é
esperada há mais de 10 anos e, a partir do momento em que o governo federal começou os processos licitatórios, gerou uma expectativa muito grande na população de que a hidrovia fosse concluída o mais rapidamente possível.
Por isso, para ele, a audiência foi de grande relevância e importância porque o Dnit enviou seus representantes de
Brasília, assim como o engenheiro responsável pelo projeto e, também, todo o pessoal de engenharia da DTA.

“Embora o cronograma seja extenso, é a realidade. A expectativa que existia entre os moradores da região era de
que daqui a um ou dois anos a obra estaria concluída. E agora, apesar da conclusão ser para 2022, temos um cronograma real”, afirma o vereador.

“É importante que estejamos ouvindo quem é responsável pela obra, tanto o Dnit quanto a DTA, para que possamos
esclarecer a população”, salienta o vereador, acrescentando: “Até porque, para que aconteça a hidrovia, não vai depender só do derrocamento. Tem a questão do porto público, para que possamos ter entendimento disso, a fim de cobrar das autoridades municipais e estaduais e possamos viabilizar outros fatores importantes para que aconteça de fato a hidrovia”.

Estiveram também presentes à reunião: Carlos Henrique Pinto, da DTA Engenharia; Lígia Módolo Pinto, gerente de Meio Ambiente da DTA; Ana Cláudia Abreu, coordenadora de Meio Ambiente da DTA; e Mariana Vaini de Freitas, analista de Infraestrutura de Transportes do Dnit.

Pela Câmara Municipal, além do presidente Pedro Correa Lima, estiveram os vereadores: Priscilla Veloso, Cristina Mutran, Tiago Koch, Irismar Melo, Gilson Dias, Cabo Rodrigo e Marcelo Alves.

Também assistiram à explanação o secretário municipal de Indústria, Comércio, Ciência, Tecnologia e Mineração, Ricardo Pugliese; o empresário Divaldo Souza; e três dirigentes da Associação Comercial e Industrial de Marabá (Acim): Mauro de Souza, João Tatagiba e Delano Remor.

Marabá

Secretário de Saúde contrata câmeras de monitoramento pela manhã e assaltante ataca à noite no HMI

Marcone Leite disse que o incidente o deixou muito preocupado e afirmou que está providenciando mais segurança às unidades de saúde

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Ontem, quarta-feira (2), pela manhã, o secretário de Saúde de Marabá, Marcone Leite, assinou contrato para a instalação de câmeras de monitoramento em unidades de saúde e nos dois hospitais públicos do município. Coincidentemente, à noite, um indivíduo armado invadiu o Hospital Materno Infantil, na Velha Marabá, fez um refém, cometeu assalto e deixou servidores, parturientes e acompanhantes em pânico.

Marcone lamentou o incidente e adiantou que também entraria em contato com a Secretaria Municipal de Segurança
Institucional para reforçar a presença da Guarda Municipal nos hospitais. “Foi um incidente; não é algo corriqueiro, mas nos deixa muito preocupados”, disse ele.

Segundo as testemunhas era por volta de 20 horas, quando um homem, que se fazia passar por acompanhante de uma grávida, se dirigiu à Recepção e apontou uma arma para a cabeça de um das atendentes.

Daí em diante, ele invadiu a Sala de Acolhimento e implantou o terror. Sempre ameaçando atirar, fez um “arrastão”: levou 30 celulares, bolsas e outros objetos de valor e fugiu levando como refém o acompanhante de uma grávida.

Já na rua, tentou fugir no carro do refém, mas acabou atropelando uma criança, abandonou o veículo e correu para
destino ignorado. Equipes da Polícia Militar e Guarda Municipal vasculharam o Núcleo Pioneiro, mas não localizaram o assaltante, descrito pelas vítimas como magro, moreno, usando camisa escura e boné branco.

Marcone lamentou a coincidência do ocorrido no mesmo dia em que assinara contrato para a colocação de câmeras de monitoramento nas unidades de saúde e hospitais públicos municipais, uma vez que seu propósito seria de inibir essas ações. “Não houve violência física, mas, certamente, houve dano emocional”, lamenta o secretário de Saúde.

Marabá

Vereadores de Marabá unem forças com a ACIM e demais entidades na luta pela revitalização do Distrito Industrial

Apesar de ser o maior do estado, o parque industrial da cidade está abandonado e não oferece áreas para investimento

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Sete dos 21 vereadores da Câmara Municipal de Marabá (CMM), representando o Poder Legislativo, estiveram na manhã desta quinta-feira (3) no Distrito Industrial. A visita ocorreu com o propósito de ver de perto a situação daquele parque, hoje um cemitério de siderúrgicas, cuja única parte disponível foi invadida por especuladores imobiliários, que já foram despejados por duas vezes, mas voltaram a ocupar os lotes. Esses dois fatores se constituem um gargalo à atração de outras indústrias para a cidade, pois, apesar de ser o município com o maior Distrito Industrial do Pará, este, contraditoriamente, não oferece espaço para a vinda de novos investimentos.

A solução mais rápida seria que as grandes áreas, hoje ocupadas pelas siderúrgicas desativadas há quase 10 anos, fossem devolvidas ao Estado pelo processo de recompra. Entretanto, os donos argumentam sempre que o mercado do ferro-gusa pode voltar a crescer e eles possam retomar a produção.

Ciceronizados por diretores da Associação Comercial e Industrial de Marabá (ACIM) e por gerentes da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), os vereadores ficaram preocupados com a situação e prometeram
envidar esforços para se unir na luta pela revitalização do Distrito.

No entanto, a solução esbarra na disposição do Estado em retirar definitivamente os invasores da área ocupada e em usar de recursos administrativos para que os lotes ocupados pelas empresas desativadas sejam devolvidos ou liberados. Somente assim o município terá condições de atrair novos investidores.

Para o vereador Pedro Correa Lima, presidente da Câmara, diante da situação, é necessário montar com urgência um grupo de trabalho, formado pelo Estado, na figura pela Codec, prefeitura, Câmara, ACIM e demais entidades representativas do empresariado local, “com o objetivo de juntar todas as forças” e tomar providências a fim de começar a revitalizar o Distrito Industrial.

Ricardo Pugliese, secretário municipal de Indústria, Comércio, Mineração, Ciência e Tecnologia, que acompanhou a visita, avalia que a disposição da Câmara Municipal em procurar o setor produtivo, e também se interessar pelo destino do Distrito Industrial, é fundamental “porque é mais um aliado na luta pela revitalização” do parque, pois “Marabá hoje não tem áreas disponíveis para empresários que queiram investir aqui”.

Ricardo Carneiro, gerente de Relações Institucionais da Codec, que também acompanhou a visita ao lado da gerente Regional Ana Cavalcante, disse que hoje o Estado, em curto prazo, está levando ao Distrito a revitalização da infraestrutura com recapeamento do asfalto em áreas críticas, abertura e pavimentação de novas vias, além de limpeza geral. “Paralelamente a isso, temos as nossas ações institucionais para tentar disponibilizar áreas, a fim de
instalar novos empreendimentos”.

Para João Tatagiba, que faz parte da diretoria da ACIM, é importante o engajamento da Câmara Municipal na luta pela revitalização do Distrito Industrial, que é o maior do Estado, mas, em contrapartida, não tem espaços para oferecer a empresas que queiram se instalar no município.

“A fase um está ocupada por grandes siderúrgicas, todas com as atividades paralisadas, ocupando áreas imensas. A fase dois está toda desocupada, mas não tem infraestrutura do Estado e, o pior, está toda invadida. O caminho é começar um movimento de todas as instituições da sociedade civil organizada com o Poder Público a fim de unir focos”, afirma ele.

O objetivo dessa união é rever parte das áreas do Distrito 1, para que hajam lotes disponíveis a novos empreendimentos, com operação de recompra ou desapropriação; depois, reaver imediatamente a área invadida. “É
uma área grande, que já está licenciada e não podemos perder. São coisas que têm de ser trabalhadas imediatamente, para que consigamos avançar no desenvolvimento industrial de Marabá”, concluiu Tatagiba, que na visita esteve acompanhado dos empresários Delano Remor, Flávio Sousa e Abérico Roque, também diretores da ACIM.

Conflito Agrário

Fazenda Mutamba: DECA autua 12 sem terra por desobediência

Em conversa com a imprensa, os sem terra reafirmaram não ter participado do ataque à sede da fazenda Mutamba e disseram que estão ali apenas em busca de sobrevivência.

Nesta quinta-feira (3), policiais lotados na Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) de Marabá, que estavam promovendo perícia na fazenda Mutamba, a 25 km da sede do município, tomaram conhecimento da existência de um grupo de 300 pessoas acampadas na área da fazenda, cuja sede foi destruída mês passado durante ataque de pessoas que estão acampadas na propriedade.

Ao chegar ao acampamento, os policiais identificaram 12 pessoas que poderiam ser líderes da ocupação e os conduziram para prestar depoimento na DECA. Eles foram acompanhados do advogado Adebral Favacho Júnior e todos negaram ter participado do ataque que destruiu a sede da fazenda, que aconteceu no dia 23 de julho.

Diante disso, o delegado Alexandre Nascimento Silva, titular da DECA, autuou os 12 (dez homens e duas mulheres) apenas por desobediência, pois existe uma ordem judicial de reintegração de posse em favor do proprietário da fazenda Mutamba. Depois de ouvidos eles foram liberados.

Em conversa com a imprensa, os sem terra reafirmaram não ter participado do ataque à sede da fazenda Mutamba e disseram que estão ali apenas em busca de sobrevivência. Eles se declararam integrantes da FNL – Frente Nacional de Luta Campo e Cidade –, que está inclusive ocupando a Superintendência Regional do Incra em Marabá. Eles reivindicam maior celeridade na titulação definitiva de áreas ora ocupadas por integrantes de movimentos sociais de luta pela terra.

Em outubro do ano passado, o sem terra foram retirados de lá por força de reintegração de posse emitido pelo Poder Judiciário, mas depois voltaram a ocupar o imóvel, de modo que a Justiça procedeu com um revigoramento da reintegração de posse em maio passado, o que os obrigou a novamente desfazer o acampamento, mas eles voltaram a entrar no imóvel e lá estão divididos em pequenos grupos.

O proprietário da fazenda Mutamba, Mauro Mutran já se reuniu até mesmo com o general Jeannot Jansen, titular da Secretaria de Secretaria estadual de Segurança Pública (Segup), para pôr um fim nos ataques à fazenda dele, que têm causado prejuízo milionário, pois além da destruição da sede, muito gado tem sido morto pelos sem terra.

Direitos Humanos

Ator Osmar Prado e padre Ricardo Rezende estão em Redenção e Pau D’Arco

De passagem por Marabá concederam coletiva aos meios de Comunicação locais sobre as famílias das vítimas da chacina da Fazenda Santa Lúcia

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Na manhã desta sexta-feira (28) estiveram de passagem por Marabá, rumo a Redenção e Pau D’Arco, o padre Ricardo Rezende e o ator Osmar Prado, ambos integrantes do Movimento Humanos Direitos. Eles foram àquelas duas cidades do sul do Estado ver de perto a situação das famílias dos 10 camponeses mortos em chacina no dia 24 de maio passado, durante operação policial na Fazenda Santa Lúcia. Na ocasião, ambos concederam coletiva na sede da CPT (Comissão Pastoral da Terra), na Velha Marabá, acompanhados do advogado do órgão, José Batista Afonso.

Ricardo Rezende, que viveu durante 20 anos nesta região, lembrou que o Movimento Humanos Direitos existe há 14 anos, foi fundado pelo ator Marcos Winter e dele hoje participam mais de uma dezena de atores e atrizes, que, com a visibilidade que possuem devido à profissão, “buscam lançar uma luz na luta pelos direitos humanos e até têm conseguido salvar vidas”.

Exemplificou lembrando a morte dos sindicalistas Expedito Ribeiro e João Canuto, e dos filhos deste, em Rio Maria, em meados dos anos 1980, quando os atores Ângelo Antônio, Letícia Sabatela, Cristina Pereira e Sérgio Mamberti, entre outros, estiveram naquele município e, a partir dessa movimentação, os assassinatos cessaram.

Disse ainda que o Movimento vem ao Pará para tentar dialogar com as autoridades, conversar com a Imprensa, visitar os familiares das vítimas e, inclusive, auxiliar na aquisição das sepulturas, haja vista que “elas foram tratadas de forma indigna, para que tenham uma sepultura com dignidade e isso seja um alerta à consciência da região”.

Osmar Prado, por seu turno, disse que isso é muito triste, lembrou que, um mês atrás, quando esteve em audiência com o vice-governador do Estado, José da Cruz Marinho – Zequinha Marinho -, em Belém, cobrou apoio aos parentes dos chacinados, mas não viu, até hoje, avanços.

“Não houve assistência psicológica nem material. Eles estão entregues à própria sorte, fruto da luta pela terra. Pela não realização da Reforma Agrária, que na avaliação de Frei Beto está atrasada 500 anos. Continuamos no reino da pistolagem e do patrocínio dos mandantes, destruindo lideranças, destruindo aqueles que podem levar alento a quem não tem voz. Líderes que sabem que sua vida está sendo ameaçada, mas não desistem dessa luta”, desabafou o ator.

Segundo Osmar Prado, aquele que não tem sensibilidade pela dor do outro não merece viver. “Eu digo isso com muito pesar. Acho que esses desmandos avançaram muito mais no momento em que a presidente Dilma Rousseff foi deposta”, avaliou

Prado disse que hoje o País está sendo governado por “uma quadrilha ilegítima”. Afirmou que estamos retrocedendo e que isso se reflete em todos os segmentos, principalmente no campo. “Não vejo em curto prazo uma solução democrática”.

Um dos pedidos que ele faz é que a Polícia Federal não tenha sua participação encerrada na investigação da chacina. “Tentou-se dizer que foi um confronto, uma tentativa cômica, se é que se pode usar essa palavra, mas nenhum policial saiu ferido. Como, num confronto morrem 10 e nenhum policial foi ferido? Ainda bem que se assumiu a verdade. Foi uma chacina perpetrada por agentes de Segurança do Estado e, se não houver punição, aumentará a morte no campo”, advertiu o ator.

Para ele, é preciso dar visibilidade às ameaças de morte perpetradas contra as lideranças, “para que elas tenham um mínimo de proteção na defesa daqueles que não têm voz”.

“Nossa bandeira é a restauração do estado democrático de direito, nesse golpe midiático, congressual e judiciário que se implantou no País. Nós, que vivemos a ditadura militar de 21 anos, nunca poderíamos imaginar – embora houvesse a possibilidade, dada a fragilidade da democracia – que o conservadorismo fosse, em centros urbanos e no campo, atacar de forma tão agressiva, tão desleal, acobertado pela impunidade”, encerrou.

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