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Curionópolis

Celeridade na liberação da licença para ampliação do Serra Leste é cobrada

A ampliação é fundamental para a manutenção das operações da unidade e seu plano de crescimento em Curionópolis

Nesta quinta-feira (18) o prefeito de Curionópolis, Adonei Aguiar, acompanhado do presidente da Câmara Municipal, o vereador Francisco Aderbal, esteve reunido com o titular da Secretaria Estadual de Meio-Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Luiz Fernando Rocha, para cobrar mais celeridades na liberação da Licença Ambiental para ampliação do Projeto Serra Leste da Vale, unidade de exploração de minério de ferro que opera no município desde 2015.

A ampliação é fundamental para a manutenção das operações da unidade e seu plano de crescimento, tendo em vista que até então os limites da área licenciada para a extração do minério devem ser alcançados em meados de 2018. “Com essa ampliação o Serra Leste vai ampliar significativamente a sua produção, sairá de seis para 10 milhões de toneladas por ano (mtpa)”, afirma o prefeito de Curionópolis.

“Essa ampliação do projeto vai representar mais geração de emprego e renda para o nosso município, por isso estamos contribuindo nesse processo de cobrança para que se acelere a emissão da Licença Ambiental”, explicou Adonei Aguiar. De acordo com dados da mineradora, serão 1.500 novos empregos diretos e indiretos, gerados na implantação do projeto de expansão, e mais de 600 quando estiver em operação.

O secretário estadual informou durante a reunião que a mineradora ficou de fazer algumas alterações no projeto de expansão, a pedido do corpo técnico da secretaria, e em seguida de enviar a documentação para nova análise. O titular da Semas também se comprometeu de contribuir para que o processo seja o mais breve possível, dentro da legalidade.

Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Curionópolis
Mineração

Governo sanciona com vetos lei que dispõe sobre royalties da mineração

O presidente Michel Temer sancionou a Medida Provisória 789/2017 publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 19, agora convertida na Lei 13.540

A sanção foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 19, o texto sofreu três vetos. Os vetos atendem uma recomendação do Ministério de Minas e Energia. O trecho vetado incluía municípios socialmente atingidos entre os beneficiários da arrecadação da CFEM.

A proposta original do governo era manter a divisão original, de 12% para a União, 23% para Estados produtores e 65% para municípios produtores. Na tramitação, os deputados criaram a figura do município atingido pela produção da mineração, que ficará com 15% dos royalties. Para que isso fosse possível, a parcela da União foi reduzida a 10%; a dos Estados produtores, a 15%; e a dos municípios produtores, a 60%.

O trecho vetado diz respeito aos municípios afetados pela atividade de mineração, mesmo que a produção não ocorra em seus territórios. Foram mantidos entre os beneficiários dos royalties os municípios cortados por ferrovias ou dutos utilizados para escoar minérios, onde existem operações portuárias de embarque e desembarque de minerais e onde se localizam as pilhas de estéril, barragens de rejeitos, instalações de beneficiamento e demais instalações de aproveitamento econômico.

O veto exclui os municípios “impactados socialmente por serem limítrofes com o Distrito Federal ou com os Municípios onde ocorrer a produção”. A justificativa para o veto, publicada também no Diário Oficial desta terça, é que o “dispositivo aponta um critério de distribuição de recursos de difícil mensuração e de caráter subjetivo, gerando dificuldades para sua implementação, com consequente insegurança jurídica”.

Outro ponto vetado foi no anexo da lei, no item que definia uma alíquota de 0,2% para substância mineral ouro, diamante, quando extraídos sob regime de permissão de lavra garimpeira; demais pedras preciosas e pedras coradas lapidáveis; calcário para uso como corretivo de solo; potássio, salgema, rochas fosfáticas e demais substâncias minerais utilizadas como fertilizantes.

Segundo a razão do veto, a redução de alíquota para algumas substâncias resultaria em expressiva perda de recursos para parte dos municípios, afetando a essência do CFEM, que é compensar os impactos econômicos e ambientais produzidos pela atividade minerária nos municípios.

Mineração

Deputados concluem votação da MP 789/2017 na Câmara. Mineradoras passarão a pagar 3,5% sobre o valor bruto do minério de ferro vendido.

A Medida Provisória perde a vigência no dia 28 deste mês e precisa ser votada também pelo Senado.

A Sessão da Câmara dos Deputados que discutiu e votou a Medida Provisória 789/2017, da MP da CFEM, foi concluída por volta da 0h10 (HB). Depois de muita discussão, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou a emenda substitutiva para a Medida Provisória 789/17, que aumenta alíquotas da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, uma espécie de royalty pago pelas mineradoras a estados e municípios. A matéria foi aprovada em votação simbólica e será enviada ao Senado.

A emenda aprovada, de autoria do relator da MP, deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), incorpora mudanças sugeridas pelos partidos para viabilizar um acordo de votação da matéria.

Quanto às alíquotas, as mineradoras de ouro passarão a pagar 1,5% em vez de 2%. Potássio, rochas fosfáticas, sal-gema e demais substâncias usadas na fabricação de fertilizantes pagarão a CFEM com alíquota de 0,2%. No relatório da comissão mista, potássio e fosfato pagariam 1% e sal-gema 3%.

O minério de ferro, principal ponto de discórdia, ficará com alíquota de 3,5% em vez de um máximo de 4%. O percentual poderá ser menor, até 2%, dependendo do teor de ferro no minério e do desempenho e da rentabilidade da jazida. O minério de ferro é responsável por 75% da produção mineral brasileira.

Distribuição
Quanto à distribuição dos recursos da CFEM, os municípios afetados pela atividade de mineração passarão de 10% para 15%, enquanto os recursos dos estados e do Distrito Federal produtores passarão de 20% para 15% do total arrecadado.

O Plenário rejeitou, em seguida, emenda do deputado Edmilson Rodrigues (Psol-PA), que aumentava as alíquotas dos minerais, principalmente do Nióbio (15% ou 18%) e do ferro (4% a 10%).

A medida perde a vigência no dia 28 deste mês e precisa ser votada também pelo Senado.

Mineração

Vale bate recorde trimestral na produção de minério de ferro.

A produção de minério de ferro da Vale atingiu recorde trimestral de 95,1 milhões de toneladas de julho a setembro deste ano, aumento de 3,3% na comparação com o mesmo período de 2016.

A Vale produziu, no terceiro trimestre deste ano, 95,1 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 3,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram produzidas 92,09 milhões de toneladas da commoditie. Segundo o relatório trimestral da empresa, divulgado hoje (19), o aumento ocorreu devido a melhor performance operacional no Sistema Norte e ao ramp-up de S11D.

No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, a produção de minério de ferro da mineradora aumentou 6,5% ante o mesmo período do ano passado, totalizando 275,15 milhões de toneladas.

“Conforme anunciado no Relatório de Produção do 2T17, a produção de minério de alta sílica originado nos Sistemas Sul e Sudeste foi reduzida em quantidade anualizada de 19 Mt. Desta forma, a produção ficará próxima ao limite inferior da faixa 360 – 380 Mt para 2017, em linha com a estratégia atual de maximização de margem. A Vale reafirma o caso base de sua meta de produção de longo prazo de 400 Mt por ano”, declarou a mineradora.

O Sistema Norte, que compreende Carajás, Serra Leste e S11D, atingiu recorde trimestral de 45 milhões de toneladas no terceiro trimestre deste ano, produzindo 16,4% a mais do que no mesmo período de 2016, devido ao ramp-up do S11D, que está avançando conforme o planejado, à melhor performance operacional na mina e na planta de Carajás e à sazonalidade climática.

Já o Sistema Sudeste, que compreende os complexos das minas de Itabira, Minas Centrais e Mariana, produziu 26,9 milhões de toneladas julho a setembro, queda de 1,3% ante as 27,2 milhões de toneladas produzidas no mesmo período do ano passado. “Isto se deveu, principalmente, à redução da produção em algumas minas com a finalidade de priorizar margens mais altas”, afirma a Vale.

O Sistema Sul, formado pelos complexos das minas de Paraopeba, Vargem Grande e Minas Itabirito, produziu 22,6 milhões de toneladas no terceiro trimestre, queda de 12% ante o mesmo trimestre do ano passado, queda de 12% na comparação com o mesmo período de 2016, quando foram produzidas 25,6 milhões de toneladas, devido, principalmente, à redução da produção em algumas minas, também como forma de priorizar margens mais altas.

O Sistema Centro-Oeste, que compreende as minas de Urucum e Corumbá, produziu 632 mil toneladas de julho a setembro, aumento de 13,9% ante as 554 mil toneladas do mesmo período de 2016, como resultado da estratégia corrente da Vale para otimizar margens.

Exportação

Importação chinesa de ferro em setembro é a maior da história

Até o momento, neste ano, as importações somam 817 milhões de toneladas, alta de 7,1%. Em 2016 elas foram de 1,02 bilhão de toneladas.

Os desembarques no mês passado somaram 103 milhões de toneladas, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas, e ultrapassaram recorde anterior de 96,5 milhões de toneladas em março deste ano. O número se compara a 92,99 milhões de toneladas em setembro de 2016 e 88,66 milhões de toneladas em agosto.

Até o momento neste ano, as importações somam 817 milhões de toneladas, alta de 7,1%. Nesse ritmo, o maior consumidor global de minério de ferro irá provavelmente ultrapassar as importações recorde do ano passado, de 1,02 bilhão de toneladas.

O governo chinês ordenou cortes na produção durante o inverno ao norte do país, incluindo algumas regiões chave da indústria de aço, como Hebei, Shandong e Shanxi, a partir de novembro, como parte de esforços para cumprir metas de qualidade do ar.

Os cortes originaram preocupações de que as siderúrgicas precisariam de menos matéria-prima. As usinas de aço vinham produzindo volumes recordes nos últimos meses, antes dos cortes, em uma tentativa de criar estoques e se aproveitar de preços em alta e das melhores margens de lucro em mais de uma década.

Além do Aço

As fábricas chinesas importaram muitas commodities no mês passado, em meio a custos crescentes e fornecimento mais apertado de matérias-primas na segunda maior economia do mundo, impulsionados pela campanha antipoluição de Pequim.

Mas a força na demanda de importação provavelmente não será sustentada nos próximos meses, já que muitas dessas empresas limitam a produção durante o inverno, de acordo com o programa da China para ter um ar mais limpo.

As siderúrgicas e os traders importaram um volume recorde de minério de ferro, enquanto as de carvão atingiram a máximo em quase três anos, os embarques de gás atingiram máximas de nove meses e as importações de cobre, bem como concentrados e minérios foram as maiores desde março.

A compra de commodities impulsionou um aumento melhor do que o esperado de 18,7% nas importações totais da China, informaram os dados aduaneiros nesta sexta-feira. Com informações da Reuters e da Bloomberg.

Mineração

Audiência pública discute projeto de ampliação da exploração de minério pela Vale em Curionópolis

O município de Curionópolis, no sudeste do Pará, recebe hoje, dia 24, técnicos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) para discutir com a comunidade, a expansão da Mina Serra Leste na cidade. O projeto foi implantado pela Vale e processa minério de ferro através de uma usina de beneficiamento em Curionópolis.

Na última terça-feira, técnicos da Semas realizaram uma reunião com as comunidades que podem ser influenciadas direta ou indiretamente pela ampliação da exploração de minério, que fica no distrito de Serra Pelada. A Semas apresentou o funcionamento do projeto, os benefícios e as propostas para compensar os possíveis impactos gerados na região. Além da equipe técnica, participaram representantes do Ministério Público Federal, autoridades federais, estaduais e municipais, além de instituições governamentais e ONG’s.

Projeto Serra Leste

O projeto Serra Leste 10 Mtpa está instalado no município de Curionópolis, a 550 km de Belém, inserido na Província Mineral de Carajás (PMC). Em análise está a ampliação do projeto já existente, denominado Mina Serra Leste, licenciado junto a Semas.

A ampliação do Projeto Serra Leste prevê a extração e o beneficiamento de 107 milhões de toneladas de minério de ferro, totalizando um tempo de vida útil de aproximadamente 11 anos. Para a implantação estão previstas uma série de ampliações das estruturas existentes e a abertura de novas estruturas – novas cavas para extração de minério, novas pilhas de disposição de estéril e nova usina de beneficiamento, bem como adequação e ampliação das estruturas de apoio existentes.

Economia

Apesar da crise no país, o Pará vive ‘ufanismo econômico’, diz jornal

Um ajuste fiscal promovido pelo governador Simão Jatene (PSDB), em 2015, fez com que as contas públicas, que já estavam relativamente equilibradas, se mantivessem em melhor situação do que as de outras unidades da federação.

Em meio à maior crise econômica da história do Brasil, o Pará vem apresentando uma combinação rara para os dias atuais: atividade em crescimento e contas públicas relativamente em ordem. O Estado tem se beneficiado de grandes investimentos da indústria extrativa e em infraestrutura, além da alta do preço do minério de ferro no mercado internacional. Isso tem feito com que o Pará viva uma fase de “ufanismo econômico”, como define Eduardo Costa, presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), órgão subordinado ao governo do Estado.

Um ajuste fiscal promovido pelo governador Simão Jatene (PSDB), em 2015, fez com que as contas públicas, que já estavam relativamente equilibradas, se mantivessem em melhor situação do que as de outras unidades da federação. Mas a estrutura econômica que permitiu esse crescimento não só tem deixado parte da população à margem das melhoras, como tem piorado a qualidade de vida de outra parte. “É um modelo extremamente perverso”, diz Costa, para quem o desenvolvimento do Estado vem gerando “um paradoxo entre pobreza e crescimento”. A raiz tanto da força econômica quanto desse desequilíbrio está na exportação de minério de ferro, isenta de ICMS. “A nossa base econômica é pouco tributável”, afirma Costa.

A estimativa da Fapespa é que nos últimos 20 anos o Estado tenha perdido R$ 44,1 bilhões por causa da Lei Kandir, que desonera de ICMS as exportações de bens primários e semielaborados. Ao mesmo tempo, investimentos de dezenas de bilhões de reais realizados nos últimos anos vêm atraindo um número cada vez maior de migrantes de baixa escolaridade “em busca do Eldorado”, que acabam sem emprego e desassistidos pelo poder público. “Você aumenta o passivo social e não dá a devida contrapartida financeira”, diz Costa. “Isso gera aumento da economia informal, com muita gente cooptada pelo tráfico de drogas, pela criminalidade, pela prostituição infantil.”

Das 100 cidades com pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, 41 estão no Pará. Entre 2010 e 2014, o governo estadual estima ter recebido 150 mil habitantes de outras partes do Brasil em função de obras no Estado. No ano passado, a Vale inaugurou em Canaã dos Carajás, no sudeste do Estado. A S11D recebeu investimento de US$ 6,4 bilhões e terá capacidade para produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano a partir de 2020, dobrando a produção do Estado. “Vamos superar Minas Gerais, que é o líder em exportação de minério de ferro”, diz Costa.

A obra em andamento da usina de Belo Monte é ainda mais imponente, com investimento total na casa dos R$ 30 bilhões. Apesar do porte do projeto, a maior parte da arrecadação ficará com outros Estados, já que os impostos sobre a energia incidirão onde ela for consumida.

Tanto para superar essa estrutura pouco tributável quanto para diversificar as fontes de crescimento, o governo lançou no ano passado o Pará 2030. O programa tem o objetivo de “tornar mais atraente aos investidores” 24 cadeias produtivas, das quais 14 são consideradas “estratégicas prioritárias”, diz Costa. A ideia é, por exemplo, agilizar a concessão de licenciamentos ambientais ou ampliar a infraestrutura que atende à cadeia produtiva em questão. Entre os setores contemplados, estão a produção de açaí, o turismo e obras logísticas ­ o Estado é uma espécie de “ponte” entre a Amazônia e os mercados dos EUA e da Europa.

Por enquanto, com base principalmente na exportação de minério de ferro e em grandes obras de interesse nacional, o Pará vem apresentando desempenho econômico melhor do que a média do Brasil. A estimativa mais pessimista do desempenho em 2016 vem do Santander, que estimou em setembro que a atividade local recuaria 2,7% ­ queda menor do que a contração de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A Fapespa, por sua vez, estima que a atividade do Estado teve recuo de apenas 0,03%. A 4E Consultoria calcula que o PIB paraense cresceu 2,25%. No mesmo período, o único outro Estado que apresentou crescimento, segundo a consultoria, foi Roraima (1,29%).

Boa parte desse resultado pode ser explicado pela produção industrial do Pará, que atingiu no ano passado o ponto mais alto desde o início da série histórica do IBGE, em 2002. “Você vê a indústria nacional apresentando queda por dois anos e a indústria do Pará dando risada”, diz Leopoldo Gutierre, economista da 4E. Independentemente das estimativas para 2016, as perspectivas para 2017 são boas. O Santander, por exemplo, calcula que o PIB paraense crescerá 2,5% neste ano, bem acima da alta de 0,7% estimada para o Brasil. A Fapespa calcula crescimento de 2,09%.

Beneficiada pela alta dos preços do minério de ferro no mercado internacional e pelo aumento da produção da commodity, a indústria extrativa, que representa 22% da economia paraense, mais uma vez será o carro­-chefe. “E isso se espalha para outros segmentos”, diz Rodolfo Margato, economista do Santander. A valorização do minério de ferro vem se consolidando desde meados do segundo semestre de 2016, principalmente em decorrência dos planos do presidente Donald Trump de ampliar os investimentos em infraestrutura nos EUA. Mas uma eventual queda dos preços, por qualquer razão, colocaria em risco o crescimento econômico do Estado. “A economia paraense é mais dependente [de uma única commodity]”, afirma Margato. Mesmo assim, a tendência é que os investimentos no setor continuem altos nos próximos anos.

Entre 2017 e 2020, a Fapespa calcula que haverá aporte de R$ 124 bilhões em obras da indústria extrativa, usinas de energia elétrica e infraestrutura e logística. “É quase um PIB do Pará (R$ 126 bilhões)”, diz Costa.

O desempenho econômico crescente vem colaborando em certa medida com os cofres públicos. Mesmo com todas as dificuldades estruturais de tributação, “pelo menos até o ano passado, o Pará tinha uma dinâmica saudável de receitas e despesas”, diz Gutierre, da 4E. Em 2016, as receitas tiveram queda real de 1,73%, mas as despesas recuaram mais (5,34%). O Estado vem mantendo desde 2013 o rating B+ concedido pelo Tesouro Nacional. No ano passado, foi o único que conseguiu essa nota.

No quesito solidez fiscal, do Ranking de Competitividade dos Estados, o Pará é o segundo colocado, com 94,4 pontos em uma escala de 0 a 100. O projeto é uma parceria da Tendências Consultoria com a revista britânica “The Economist” e tem apoio da BM&F Bovespa. O Pará perde apenas para Roraima, que tem a nota máxima de 100 pontos, sempre atribuída ao primeiro colocado. A diferença é que quase 75% das receitas de Roraima vêm de transferências do governo federal, enquanto no Pará esse índice é inferior a 40%. A diminuição dos repasses federais em função da crise, no entanto, tem preocupado a administração estadual. A estimativa da Fapespa é que a participação desse tipo de receitas caia a 30% do total no ano que vem. A avaliação dentro da máquina pública a respeito das contas do Estado também é mais pessimista do que a do mercado. “Estamos em uma situação fiscal menos desconfortável, o que não significa que a crise não tenha nos atingido”, diz Costa. “O Estado só não quebrou porque houve um ajuste.”

No começo de 2015, Jatene cortou o número de órgãos subordinados ao Estado (de 71 para 51), a frequência de concursos e o ritmo de reajustes. Houve também a contratação de auditores fiscais e “a implantação de modelos de gestão”, diz Costa, com o objetivo de diminuir tanto a sonegação de impostos quanto o desperdício de recursos. Os investimentos também foram alvos dos cortes, recuando de R$ 1,36 bilhão para R$ 940 milhões entre 2015 e 2016. “Investimento é a única variável com maior poder de ajuste” por causa da rigidez das leis relacionadas ao servidores concursados, diz Costa. “A ordem é não iniciar novas obras e terminar as que estão em andamento.” Essas medidas permitiram que o funcionalismo público e fornecedores chegassem ao fim de 2016 sem atrasos nos pagamentos.

Mas, diferentemente da atividade, as perspectivas para o quadro fiscal em 2017 continuam ruins. A tendência é que o crescimento econômico demore a se refletir em um aumento das receitas. Por isso, o governo tentou, no fim do ano passado, aprofundar o ajuste com aumento das alíquotas de ICMS e previdenciária dos servidores. Os projetos encontraram resistência na Assembleia Legislativa e acabaram não sendo votados. Ficou acordado que eles voltarão a ser discutidos, caso a situação fiscal piore ao longo do ano. A maior preocupação é com o crescimento do número de inativos, mas isso “não significa que o futuro no curto prazo não é preocupante”, diz Costa. Com o impasse legislativo, a solução foi cortar o que estava ao alcance do Executivo. Até o expediente de alguns órgãos públicos estão menores. “Aqui na Fapespa, trabalhávamos até às 5 da tarde. Agora, é só até às 2h. Precisamos apertar o cinto.” (Valor Econômico)

Mineração

Custo de produção em Carajás cairá para US$ 7,7 por tonelada, diz Vale

O custo atual do minério de ferro produzido em Carajás é de US$ 10,8 por tonelada

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou nesta terça-feira em apresentação a investidores no Vale Day, em Nova York, que o minério de ferro de Carajás, que representa 40% da produção da companhia, consegue um prêmio de US$ 10 em relação à referência de mercado, que tem 62% de teor de ferro contido. Em média, o minério de Carajás tem 65% de ferro contido.

Ferreira disse também que desde 2011 a mineradora vendeu quase US$ 13 bilhões em ativos, o que possibilitou à companhia manter a atenção voltada para ativos de classe mundial. Segundo Ferreira, o foco da companhia continua sendo o de ter a dívida líquida entre US$ 15 bilhões e US$ 17 bilhões. “É nosso objetivo anunciar outros desinvestimentos até o fim do ano”, disse Ferreira.

Custo
O diretor­-executivo de ferrosos e estratégia da Vale, Peter Poppinga, afirmou que o custo de produção de minério de ferro da empresa em Carajás cairá de US$ 10,8 por tonelada para US$ 7,7 por tonelada com a entrada em operação do projeto S11D, em Carajás, no Pará. Poppinga participa, juntamente com toda a diretoria­-executiva da mineradora, do Vale Day, em Nova York.

O S11D, maior projeto de minério de ferro da história da Vale, já está em testes e deve fazer o primeiro embarque comercial no início do ano que vem. Poppinga disse também aos investidores em Nova York que o “breakeven” da empresa ­ o ponto de equilíbrio do preço do minério para a Vale, ou seja, valor que separa a atividade lucrativa daquela que gera perdas em pelotas e minério de ferro ­, caiu 53% desde o quarto trimestre de 2014.

Em sua apresentação, o executivo não mencionou qual o valor, em dólares, do “breakeven” da companhia.

Produção
A Vale reafirmou a estimativa de produzir entre 360 milhões e 380 milhões de toneladas de minério de ferro no ano que vem. A projeção, que havia sido divulgada no relatório de produção do terceiro trimestre, foi ratificada nesta terça-­feira pelo diretor-­executivo de ferrosos e estratégia da mineradora durante encontro com investidores em Nova York.

Neste ano, a produção de minério de ferro da companhia deve ficar entre 340 milhões e 350 milhões de toneladas. Poppinga estimou ainda uma produção entre 400 milhões e 420 milhões de toneladas em 2018; 400 milhões a 430 milhões de toneladas em 2019 e entre 400 milhões e 450 milhões de toneladas em 2020 e 2021. O diretor afirmou também que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Vale no minério de ferro vai aumentar de US$ 3 a US$ 5 por tonelada até 2020.

A maior parte do aumento da produção virá do Sistema Norte, no Pará. Neste ano, a produção no Sistema Norte deve atingir 153 milhões de toneladas, passando para 180 milhões de toneladas no ano que vem, 230 milhões de toneladas em 2018, 2019 e 2020. Atualmente, a produção do Sistema Norte está limitada pela capacidade logística da Estrada de Ferro Carajás (EFC)

Fonte: Valor Econômico