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Polícia Civil do Pará

Polícia Civil deflagra segunda fase da operação Capital do Ouro em Tucumã

Cerca de R$ 100 mil foram apreendidos na operação que investiga a extração de ouro em garimpos ilegais e a venda do metal na cidade de Tucumã.

A Polícia Civil, em parceria com a Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 18, a segunda fase da operação denominada “Capital do Ouro”, com objetivo de combater um esquema criminoso que envolve desde a extração de ouro em garimpos ilegais até a venda do ouro ilegal na cidade de Tucumã, sudeste do Pará. Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Quatro pessoas foram presas em flagrante na operação e irão responder por crime contra a ordem econômica e crime ambiental sem direito a fiança.

A ação policial é continuidade da operação, cuja primeira fase foi deflagrada, em novembro do ano passado, quando outras quatro pessoas foram presas por envolvimento em extração ilegal de ouro no núcleo urbano do município. Segundo o delegado Antônio Miranda, titular da Superintendência Regional da Polícia Civil no Araguaia Paraense, a operação foi deflagrada após representação junto à Justiça feita pelo delegado titular da Delegacia de Tucumã, William Crispim. Ao todo, seis mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça para apurar crime praticado por compradores de ouro ilegal em constante atividade no município.

Os policiais saíram às ruas da cidade, para cumprir as ordens judiciais, nas primeiras horas do dia. Foram presos Félix Alves Bezerra, Valdemir de Oliveira Ferreira, Bruno Gomes da Cunha e Júlio da Silva, proprietários e responsáveis por estabelecimentos de venda do produto. Ainda, durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 100 mil em dinheiro, um quilo e meio de ouro natural e em torno de três quilos do mercúrio-líquido vulgarmente conhecido como azougue, que é nocivo à saúde humana e ao meio-ambiente.

Foram apreendidas também diversas balanças digitais de precisão usadas na pesagem do ouro. A operação, detalha o delegado Miranda, vai continuar e contará com desdobramentos em novas fases para desbaratar a organização criminosa responsável pela extração ilegal de ouro. A operação contou com policiais civis da Superintendência do Araguaia Paraense, do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI) de Redenção e da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) de Redenção, com apoio da Polícia Federal do município. As informações e imagem são da Polícia Civil do Pará.

Mineração

Pará nega pedido do Conselho de Direitos Humanos para suspender mineração em Belo Monte

Em seus estudos ambientais, o projeto classifica como de "alto risco" a possibilidade de "rompimento da barragem de rejeitos", por conta do impacto severo que uma catástrofe causaria à região.

Depois de atropelar um parecer técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai), que apontou falhas no processo de licenciamento ambiental de um projeto industrial de mineração de ouro na região de Belo Monte, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará (Semas) rejeitou o pedido de suspensão do processo apresentado pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).

Garimpo - Belo Monte

Exploração de ouro perto de Belo Monte: Pará autorizou mineração mesmo com parecer contrário da Funai

No dia 9 de fevereiro, o Conselho, que atua como órgão de controle de políticas públicas e participação social do Ministério dos Direitos Humanos, havia enviado o pedido de suspensão do processo de licenciamento, justamente para esclarecer os pontos levantados pela Funai. No documento, o presidente do CNDH, Darci Frigo, se baseava nos mesmos apontamentos detalhados pelo órgão indigenista, ao afirmar que o processo não respeitou pareceres técnicos quanto ao impacto indígena atrelado ao projeto, além de as informações apresentadas terem sido rejeitadas pela própria Funai, por não atendem pedidos básicos de informações.

Em resposta ao CNDH, o secretário da Semas, Luiz Fernandes Rocha, declarou que “recepciona todas as considerações trazidas no bojo do ato em recomendação, deixando de acatar o objeto recomendado”.

Uma semana antes do pedido, a Semas havia liberado a licença de instalação do projeto bilionário da canadense Belo Sun, autorizando a construção de toda a estrutura necessária para dar início à extração do ouro.

Ao ‘Estado’, a Funai declarou que, com a expedição da licença de instalação, deve ir aos tribunais. “A Funai entende que nem mesmo a licença prévia poderia ter sido concedida sem a aprovação dos estudos do componente indígena, como exposto anteriormente, já que a viabilidade do empreendimento não pode ser atestada sem estes estudos.”

No dia 21 de fevereiro, o projeto foi suspenso por decisão da Vara Agrária e Juizado Especial Ambiental de Altamira. A decisão foi tomada pelo juiz Álvaro José da Silva Souza, que atendeu ao pedido de liminar apresentado pela Defensoria Pública do Estado do Pará, por conta de irregularidades fundiárias e desassistência à população local.

A ação cautelar tem como fundamento a falta de regularidade fundiária na área de instalação do projeto. No processo ajuizado contra a empresa canadense Belo Sun, que é a dona do projeto, e o Estado do Pará, a defensora pública agrária, Andreia Barreto, afirma que existem inúmeras comunidades rurais afetadas diretamente pelo empreendimento. “Há a falta de regularização fundiária, conflitos agrários e proximidades com a extração ilegal de madeira, como é o caso de parcela da Gleba Estadual Bacajaí”, declarou Andreia.

Em sua decisão, o juiz Álvaro José da Silva Souza confirmou que a região está inserida numa área que deve ser objeto de reforma agrária. Segundo Souza, entre a licença prévia ambiental e a licença de instalação, passaram-se três anos sem que essas questões fundiárias fossem resolvidas. Na avaliação do juiz, é “completamente desarrazoado e injustificável” que até hoje as famílias residentes nas áreas identificadas “ainda estejam à mercê da própria sorte, sem saber qual será efetivamente seu destino, com o início da instalação do projeto minerário Volta Grande”.

O juiz chama a atenção para o fato de que a autorização “foi concedida sem a retirada das famílias que há décadas moram na área de abrangência do projeto”. Álvaro José da Silva Souza determinou que a empresa Belo Sun deixa de executar qualquer atividade na região enquanto não resolver a questão fundiária da região. A suspensão da licença tem prazo de 180 dias.

A Belo Sun é controlada pelo grupo Forbes & Manhattan, um banco de capital privado que investe em projetos de mineração mundo afora. A extração de ouro prevê 12 anos de exploração de uma mina a 12 quilômetros da barragem de Belo Monte. A Belo Sun informou que o investimento total no projeto será de R$ 1,22 bilhão. A produção média do empreendimento prevista é de aproximadamente 150 mil onças de ouro por ano.

Apesar das polêmicas, para o governo do Pará o projeto é sinônimo de arrecadação. São mais de R$ 60 milhões somente em royalties de mineração em 12 anos. Desse total, informou 65% serão destinados ao município. “Em impostos, o empreendimento vai gerar cerca de R$ 130 milhões, em nível federal, estadual e municipal, durante o período de instalação. Uma vez operando, serão R$ 55 milhões ao ano, também para impostos nas três esferas”, declarou a Semas.

O projeto de mineração de ouro vai produzir um volume de rejeitos superior àquele que vazou no rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Em novembro de 2015, o vazamento de 32 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro foi a maior catástrofe ambiental do País.

O empreendimento da Belo Sun prevê o acúmulo de até 35,43 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Em seus estudos ambientais, o projeto classifica como de “alto risco” a possibilidade de “rompimento da barragem de rejeitos”, por conta do impacto severo que uma catástrofe causaria à região. (O Estadão)

Mineração

Empresa australiana quer desvendar cobre e ouro da Serra Misteriosa, em Marabá

Ouro, prata e platina estão no bojo do que a empresa acredita que pode explorar, no futuro, em solo marabaense

Não chega a ser uma nova Serra Pelada, mas a Serra Misteriosa, localizada no extremo norte de Marabá, na divisa com o município de Novo Repartimento, tem ouro e bastante prata e platina. Mas parece que a maior jazida mesmo é de cobre, como no Salobo.

A Serra Misteriosa está localizada a cerca de 265 quilômetros da sede de Marabá e a mais ou menos 105 da sede de Parauapebas. O acesso à mina deve ser feito da mesma forma como o Salobo, via Parauapebas. Do Salobo até lá são apenas 12 km, enquanto de Parauapebas até o Salobo são outros 93 km.

A Centaurus Metals informou que iniciou a exploração no projeto de ouro Serra Misteriosa, em Marabá, por meio de estudos de Polarização Induzida (IP). Segundo a mineradora, o local contém uma anomalia de ouro no solo com extensão de 2,4 quilômetros, sendo que a anomalia geoquímica se estende por cinco quilômetros e tem 500 metros de largura. As primeiras sondagens vão começar em março ou abril deste ano, quando terminar a estação das chuvas na região.

Consultado pela reportagem se tinha conhecimento desse processo na região, o jornalista e engenheiro de minas André Santos, especialista em economia mineral disse que tem observado a movimentação da empresa Centaurus Brasil Mineração Ltda. na região. Ele indica que os estudos de sondagem da mineradora abrangem a porção da Serra Misteriosa que fica no município de Marabá, conforme costa do protocolo 851068/2016, referente ao pedido de requerimento de pesquisa da empresa junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Santos afirma que a mineradora deu entrada no requerimento de pesquisa há 40 dias e que a área alvo de sondagem possui 788,07 hectares, conforme representação gráfica poligonal do espaço. Na ocasião, para compor o processo, a empresa apresentou memorial descritivo, planta de situação da área, plano de trabalho, orçamento e cronograma da pesquisa, além da prova de recolhimento de emolumentos e as anotações de responsabilidade técnica.

“Essa região que a empresa quer investigar possui muito cobre em concentrado por conta, especialmente, de sua proximidade com a Serra do Salobo”, informa Santos, de acordo com quem a Serra Misteriosa está, em sua maior parte, no município de Novo Repartimento, com o qual Marabá faz divisa. Lá, a cordilheira chega a 250 metros acima do nível do mar, ponto mais alto daquele município vizinho a Marabá.

O engenheiro de minas informa ainda que, apenas para se ter ideia do potencial da região, está em Marabá a maior província de cobre medida e provada do Brasil, sobre a qual se assenta o projeto Salobo, assinado pela multinacional Vale. Um estudo realizado em 2012 pela empresa, intitulado “Viabilização da Mina de Cobre do Salobo: do Estratégico ao Tático”, mostrou que o corpo mineral do Salobo possui 1,198 bilhão de toneladas de minério, com teor médio de cobre de 0,67% e de 0,42 grama de ouro por tonelada.

Já o Relatório Anual 2015 divulgado pela companhia ano passado revelou que a tonelagem é de 1,156 bilhão, com faixa de recuperação de 80 a 90%. “Marabá tem dez vezes mais cobre medido, provado e provável que a região do Sossego, em Canaã dos Carajás”, informa o engenheiro, adicionando que, além dos interesses da Centaurus pelo cobre e ouro de Marabá, há ou já passaram pelo município uma legião de 300 interessados, desde 1974, em explorar o cobre e o ouro da terra.

“O primeiro processo requerendo lavra de cobre e ouro em Marabá, junto ao DNPM, data de 20 de junho de 1974 e é da Mineração Jurupari. O mais recente, da semana passada, é de uma pessoa física”, revela.

Dessa forma, Marabá acaba sendo penalizada mais uma vez. Ficará apenas com royalties e ISS (Imposto Sobre Serviços). Para garantir empregos para o povo daqui, só se a Câmara Municipal de Marabá criar um projeto de lei para obrigar as empresas a contratar mão de obra local.

Pará

Nova corrida pelo ouro no Pará

Sabe-se pouco sobre o mega empreendimento de extração de ouro ‘Volta Grande’, localizado na cidade de Senador José Porfírio, sudoeste do Pará, às margens do rio Xingu.  A pequena cidade, distante 11 quilômetros da usina de Belo Monte, já é chamada de ‘a menina dos olhos de ouro da Belo Sun’. O empreendimento vem sendo fonte de disputas, indignação e muita preocupação, especialmente da população local, que, a despeito do pouco que se tem falado sobre o projeto, vive dias de grande apreensão.

A mineradora Belo Sun pertence ao banco de capital fechado Forbes & Manhattan Inc. que desenvolve projetos internacionais de mineração e tem planos de aplicar US$ 1,076 bilhão no projeto “Volta Grande”, de onde sairiam 20 toneladas de ouro por ano, ao longo de 17 anos. No entanto, em sua página na internet, a Belo Sun Mining Corp  afirma que “O Projeto Volta Grande hospeda um recurso de ouro compatível com 5,1 milhões de onças” (unidade de medida equivalente a 31,1 gramas) o que corresponderia  a, aproximadamente, 158,6 toneladas de ouro. A previsão de início efetivo da extração do ouro é entre 2016/2017.

Os passos iniciais para a extração de ouro na Volta Grande do Xingu ocorreram a partir de uma licença prévia concedida pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente do Pará (Coema), após a aprovação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) realizado em 2009, e assinado pelo mesmo engenheiro acusado de ser o responsável pelo estudo de impactos da barragem de Mariana (MG), que rompeu em novembro de 2015. De lá pra cá muitas mudanças já aconteceram na região, resultantes da construção da usina de Belo Monte.

Em 2014, a Justiça Federal publicou uma sentença reafirmando uma decisão liminar de 2013, que suspendeu o licenciamento do projeto. Na sentença do juiz federal Cláudio Henrique Fonseca de Pina, a Belo Sun só poderia retomar as atividades depois que entregasse os estudos de impactos ambientais do projeto e também sobre as populações indígenas. O magistrado destacou que o impacto que o empreendimento vai exercer sobre populações indígenas é “fato incontroverso” e “com reflexos negativos e irreversíveis”.

Em meio ao imbróglio judicial, novos conflitos surgiram envolvendo os garimpeiros que vivem na região e lá trabalham há várias décadas. Eles foram acusados pela Belo Sun de terem ocupado, sem autorização, a área onde a empresa pretende instalar as máquinas para extrair o ouro. A Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema), vinculada à Polícia Civil, abriu inquérito contra os garimpeiros causando revolta da população local – em torno de 2 mil pessoas,  incluindo povos indígenas e ribeirinhos.

Já afetada pelas obras de Belo Monte, a população carrega agora o temor de sofrer prejuízos ainda maiores com o projeto da Belo Sun, seja pela seca do rio, pelas explosões de dinamite e envenenamento do ecossistema, seja pelas mais recentes revelações que apontam que a barragem de rejeitos será bem maior que a que rompeu e causou a tragédia em Mariana.

Segundo o Instituto Socioambiental – ISA, a exploração do ouro ocasionará a abertura de uma grande mina a céu aberto, com o material retirado através de explosões das rochas que deixarão uma série de resíduos químicos na terra do local. A previsão é de que a montanha de lixo de mineração será 2 vezes maior que o Pão de Açúcar.

No Relatório de Impacto Ambiental a Belo Sun admite o risco de rompimento da barragem de rejeitos e a futura utilização de cianeto e ácidos altamente corrosivos na extração do ouro. Não informa, entretanto, as consequências aos índios e ribeirinhos que vivem na região, nem quem vai arcar com o passivo das montanhas de lixo da mineração, pois não preveem a remoção. Os detritos se configuram desde já uma ameaça inestimável ao Xingu e aos povos que vivem na Volta Grande.

Uma nota técnica do ISA conclui que o licenciamento da mineradora deveria ser responsabilidade do governo federal, e não do Estado do Pará. O Ministério Público Federal (MPF) exige na Justiça que o projeto seja avaliado pelo Ibama.

Garimpeiros devem ser retirados amanhã da “Nova Serra Pelada”

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Mato Grosso informou, na última sexta-feira (16), que as negociações para retirar as pessoas que ocupam terras na Serra da Borda, em Pontes e Lacerda (MT), devem começar amanhã (20). A decisão foi publicada após a Justiça Federal determinar o fechamento imediato das atividades de extração de ouro no local, conhecido como a Nova Serra Pelada.

Serra_Pelada_Mato_Grosso

A decisão foi assinada pelo juiz federal Francisco Antônio de Moura Júnior, que acatou o pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF) na última terça-feira (13). De acordo com o MPF, a extração de ouro no local é ilegal, uma vez que não há autorização ou concessão de lavra emitida pelo Departamento de Produção Mineral (DNPM).

Segundo a determinação, as 5 mil pessoas que se encontram no local devem ser retiradas com prudência, e o ingresso de novas pessoas deve ser proibido na área. O ouro extraído irregularmente, assim como os equipamentos, maquinários e instrumentos utilizados para a extração e lavra do minério serão apreendidos.

Na decisão, também foi determinada a remoção dos veículos que se encontram na Serra da Borba. As exigências, de acordo com o juiz, devem ser cumpridas por dois oficiais de justiça, com o auxílio da Polícia Militar, Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Os oficiais devem permanecer no local por dez dias.

A estimativa da PRF é de que as polícias sejam notificadas hoje (19) sobre a decisão do juiz. Se a decisão for descumprida pelas pessoas que estão no local, três empresas de mineração deverão pagar multa de R$ 100 mil. Os proprietários de duas áreas na região do garimpo também poderão ser penalizados com multa diária de R$ 30 mil.

Caso os garimpeiros e ocupantes da área continuem no local, serão multados em R$ 1 mil cada, diariamente. Na decisão, o juiz federal ressalta que a atividade de garimpo desenvolvida sem a autorização do poder público é um ato ilícito, tendo em vista que se trata de um bem de domínio da União.

Moura Júnior afirmou, também, que a atividade clandestina está sendo realizada em uma região de fronteira, onde ocorrem, constantemente, apreensões de drogas e armamentos. Segundo ele, pessoas de todos os lugares do país estão sendo atraídas pelo “em busca do sonho de riqueza fácil que tem sido propagado pelas redes sociais”.

Nas últimas semanas, fotos de pepitas gigantes e de sacos de dinheiro, sem veracidade comprovada, foram divulgadas nas redes sociais. Garimpeiros experientes, aventureiros e pessoas que jamais trabalharam em uma área de extração mineral foram atraídos para o local. Com informações do G1.

Surge uma nova “Serra Pelada” no Mato Grosso

A descoberta de pepitas de ouro em baixa profundidade em uma serra a 20 quilômetros do município de cidade de Pontes e Lacerda (MT) atraiu em poucas semanas pelo menos 2.000 pessoas e já é chamada de “Serra Pelada do Mato Grosso”. Na região, que tem longo histórico de produção de ouro, funcionam minas da Yamana Gold e da Aura Minerals.

garimpo

Grandes pepitas de ouro, com imagens divulgadas pela internet, chamam a atenção e levam cada vez mais curiosos e garimpeiros para a região. A estimativa de jornais locais é que de 2 mil a 3 mil pessoas chegaram na área, nos últimos 15 dias, em busca de ouro. A disseminação de fotos e vídeos nas redes sociais teria colaborado para que a atração de pessoas para o local fosse ainda maior.

De acordo com dados do website Jazida.com, dos 186 processos minerários na cidade, 144 têm como substância principal o ouro. Sendo que somente a Serra da Borda Mineração e Siderurgia, da Yamana Gold, que opera a mina Ernesto/Pau a Pique, tem concessões de lavra no município. Além da SBM, que tem 51 processos na região, a Mineração Santa Elina e sua controlada a Mineração Silvana têm juntas 62 direitos minerários.

pepita_pontes_e_lacercaA Geomin Geologia e Mineração e o seu sócio fundador, Alvaro Pizzato Quadros, têm sete direitos no município, enquanto a GME4 do Brasil, que pertence à Bemisa, tem três autorizações de pesquisa na área. A Aura Minerals opera a Mina São Francisco em um município vizinho, Nova Lacerda (MT).

De acordo com publicações locais, a área onde foram encontradas pepitas é particular e fica na Serra do Monte Cristo, em Portes de Lacerda, a 450 quilômetros da capital Cuiabá. Imagens divulgadas em redes sociais, mostram acampamentos improvisados e escavações iniciadas.

Uma fonte do Governo do Estado confirmou a invasão na área e disse que providências já estão sendo tomadas para efetuar a reintegração de posse. Segundo apuração de reportagem local, o Exército Brasileiro também já está a par dos acontecimentos e prepara uma operação para a retirada dos invasores.

Segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em 2014, a cidade de Pontes e Lacerda exportou mais de US$ 21 milhões em ouro. Em 2015, até setembro, foram contabilizados US$ 1,7 milhão de dólares. Com informações do jornal Correio do Estado e do website Notícias de Mato Grosso.

Coomigasp e japoneses devem fechar essa semana acordo para a exploração da “montoeira” de Serra Pelada.

Investidores japoneses da Mineração Yamato do Brasil (Miyabras) querem retomar a produção de ouro em Serra Pelada, em Curionópolis, no Pará, e mecanizar a exploração de rejeitos do garimpo. Edinaldo Aguiar, presidente da Coomigasp, cooperativa que possui a concessão da área, disse que está finalizando a minuta do contrato com os japoneses e que espera, até esta semana, aprovar o negócio em assembleia.

Os empresários Akio Miyake, Osamu Sugiyama e Hirosuke Otaki, sócios da Miyabras, visitaram, em julho, representantes do governo do Pará e da Cooperativa Mista dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) para discutir o assunto.

Montoeira

Haveria, segundo os investidores, 23 toneladas de minérios, incluindo ouro, em pilhas de terra em volta do antigo garimpo de Serra Pelada, chamada de “montoeira”. O antigo garimpo era um buraco de 180 metros de profundidade cavado à mão pelos garimpeiros nos anos 1980, que foi fechado no governo Collor, em 1992, por falta de segurança.

“Existe ainda muito ouro no local e podemos recuperá-lo. Nossa intenção é ajudar a região, que é muito pobre, ajudar os garimpeiros”, disse Miyake, à Folha de S.Paulo, por telefone, de Fukoshima, no Japão, sem informar o valor que pretende investir no projeto.

Pela proposta, os japoneses ficam com 49% do ouro e outros minérios encontrados. A Coomigasp fica com os 51% restantes. Caso o negócio seja aprovado, será criada uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) nos próximos meses.

A Coomigasp, que representa cerca de 40 mil garimpeiros, tenta, desde 2010, retomar a exploração de ouro em Serra Pelada e ainda não teve sucesso. A concessão que pertencia à Vale foi repassada para os garimpeiros nesse período.

Desde o ano passado, a Coomigasp vem negociando a exploração do rejeito do garimpo, chamado de “montoeira”, com a Brasil Século III (BS3), empresa que tem como sócio o ex-deputado federal Virgílio Guimarães e que foi contratada para viabilizar o projeto.

O contrato firmado entre Coomigasp e BSIII previa que 44% do valor líquido do ouro, da prata e do paládio extraídos seriam destinados aos garimpeiros e que 56% ficassem com a empresa. As despesas com exploração, empregados e outros custos seriam responsabilidades da BSIII. O negócio não avançou devido a problemas financeiros da BSIII.

A cooperativa pretendia retomar a exploração em parceria com a Colossus Minerals, mas a operação não deu certo. A mineradora canadense fez o túnel, mas pouco antes de iniciar a operação, em 2014, pediu falência. A empresa já tinha investido R$ 450 milhões e precisaria de ainda mais recursos.

Representantes da Sandstorm Gold, empresa que financia produção futura de ouro, se reuniram em maio com membros da cooperativa para melhorar as relações e discutir a busca por novos investidores e possível retomada do empreendimento, que é uma joint venture da Colossus com a cooperativa. A Sandstorm precisaria captar algo em torno de US$ 30 milhões para retomar as atividades no projeto.

A Miyabras, que possui sede em Brasília, será a empresa responsável pela exploração dos rejeitos. A licença tem validade de um ano, podendo ser renovada. A empresa também seria responsável pela implantação do chamado Banco Ambiental, em Serra Pelada.

O objetivo do banco, de acordo com Miyake, é formar uma cooperativa de crédito para financiar a recuperação de áreas degradadas pelo uso do mercúrio no processo de coleta de ouro no local. Com informações da Folha de S.Paulo.

Sandstorm discute retomada de Serra Pelada com a Coomigasp

Representantes da Sandstorm Gold, empresa que financia produção futura de ouro, se reuniram neste mês com membros da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) para discutir o futuro do projeto de ouro Serra Pelada, em Curionópolis (PA), que era desenvolvido pela Colossus Minerals.

O objetivo da empresa canadense é melhorar as relações com a cooperativa para buscar novos investidores e retomar as atividades do projeto, que é uma joint venture com a Colossus Minerals, diz Jameson Pacheco, administrador da Coomigasp.

Segundo ele, a Sandstorm está em busca de novos parceiros para conseguir colocar Serra Pelada no rumo para produção. A empresa canadense precisaria captar algo em torno de US$ 30 milhões para retomar as atividades no projeto. O montante seria utilizado principalmente para fazer o bombeamento do túnel que liga à mina, cujas galerias têm de 1.250 metros de comprimento, mas é acessível apenas até 160 metros porque o restante está alagado e correndo risco de desabamento.

Serra_Pelada_Colossus

“A Sandstorm está buscando novos investidores. A empresa veio ao Brasil para pacificar a relação com a Coomigasp. Eles querem uma garantia de que a cooperativa, depois da intervenção, é séria e legítima, porque Serra Pelada ficou com uma imagem negativa depois de que tudo aconteceu. Então eles querem ver que está tudo certo para poderem apresentar um projeto para possíveis investidores”, disse Pacheco por telefone.

Do total que foi investido em Serra Pelada até hoje, a Sandstorm injetou cerca de 40,2%. A maioria do aporte foi dividida entre investidores variados que já teriam dito à empresa canadense que não vão mais colocar dinheiro no projeto. Os US$ 30 milhões para retomar as atividades seriam utilizados também para contratar pessoal, locar máquinas e equipamentos, comprar produtos para o estoques, contratar empresa de segurança, entre outros.

“A Coomigasp está de braços abertos, temos uma nova metodologia de trabalho, com ética e transparência. É assim que temos trabalhado desde a intervenção. Conseguimos resolver uma série de problemas internos, pagamento de funcionários, impostos, a casa está organizada, mas não é suficiente. O garimpeiro quer dinheiro na conta dele e é por isso que precisamos de novos investidores, porque hoje o projeto infelizmente continua parado”, disse o administrador da Coomigasp.

Pacheco também comentou sobre a situação de segurança do projeto Serra Pelada, que tem sofrido com saques depois que a Colossus, que abandonou o projeto no fim de 2013 segundo a Coomigasp, parou de pagar a empresa que fazia a segurança do site. Uma série de equipamentos de escritório, como computadores, ares-condicionados e mesas foram roubados.

“Hoje quem está fazendo a segurança de Serra Pelada são garimpeiros voluntários da Coomigasp, que fizeram uma barreira e não deixam ninguém entrar ou sair sem autorização. Os saques ocorreram por uns dias, mas, assim que ficamos sabendo, tomamos providências para garantir a segurança do projeto”, disse o administrador da cooperativa.

Pacheco informou que a Coomigasp não terá expediente nos próximos dois dias, porque a empresa está mudando para uma nova sede. A pedido de garimpeiros, o escritório da cooperativa deixará de ser em Curionópolis para ficar sediado na vila próxima ao projeto Serra Pelada, apesar das dificuldades de logística e de acesso à tecnologia.

Pacheco era gerente financeiro durante a intervenção na Coomigasp e foi nomeado administrador a pedido de garimpeiros e por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) determinado pelo Ministério Público, que determinava a contração de um administrador para a cooperativa.