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Pedofilia

Marabá: Professor é condenado a 24 anos de prisão por relação com aluna pré-adolescente

Relações sexuais entre ambos aconteceram dentro do carro e na residência dele. Thiago Alfaia se intitulava “Zeus” e chamava a menor de ninfa “Europa”

Pouco mais de sete meses após a prisão do professor Thiago Sajes de Alfaia, a juíza Renata Guerreiro Milhomem de Souza, titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Marabá, cravou uma sentença que o condena em mais de 24 anos de prisão por estupro de vulnerável cometido contra uma aluna dele, de apenas 13 anos, em Marabá. A decisão, da qual o professor ainda pode recorrer, foi publicada ontem, quinta-feira (26), no Diário da Justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Ele segue recolhido em um presídio da Região Metropolitana de Belém, após ter sido transferido do Centro de Triagem Masculino de Marabá (CTMM).

A longa sentença – que ocupa 18 páginas no Diário Oficial e soma quase 90 mil caracteres – apresenta detalhes do envolvimento do professor com a adolescente, colhidos durante a instrução do processo, que corre em sigilo judicial. A denúncia foi ofertada pela 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Marabá após investigação da Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e Adolescente (Deaca), presidida pela delegada Ana Paula Fernandes.

Formado em Ciências Sociais, Alfaia era professor de Sociologia e trabalhou em várias escolas particulares de Marabá, a maioria no núcleo Cidade Nova.

Conforme a denúncia, entre os meses de junho e outubro do ano passado, ele praticou “conjunção carnal e outros atos libidinosos com a vítima”. As relações sexuais, conforme a investigação, aconteceram dentro do carro e na residência dele. De acordo com o relato, após a esposa de Alfaia e os pais da adolescente descobrirem a existência de um suposto relacionamento amoroso entre eles, a vítima prestou depoimento e descreveu à delegada de que forma a relação se estabeleceu, afirmando que praticou relações sexuais e outros atos libidinosos diversas vezes com o professor.

A acusação destacou que os fatos foram constatados por amigas e familiares da vítima em decorrência da mudança repentina de comportamento dela e da proximidade com o professor, motivo que levou a Polícia Civil a representar pela prisão preventiva do acusado e pela busca e apreensão de bens, como computadores e aparelhos celulares. Além do depoimento da menor, que contou detalhes do relacionamento, amigas dela – que também eram alunas dele –  informaram terem conhecimento de que eles mantinham relações sexuais e que “namoravam”.

Acrescentaram que a vítima estava apaixonada por ele e que tinha medo que outras pessoas descobrissem, mas ambos não disfarçavam o relacionamento. Chegaram a afirmar que Alfaia interrompia as aulas para dizer o quanto a menor estava linda, passava na sala de aula dela só para dar um beijo na sua testa, lhe dava mais atenção que o normal e, nos dias de aula dele, quando ela se arrumava mais para ir à escola, ele até dizia que ela o estava desconcentrando.

Elas confirmaram acusações graves narradas pela menina de 13 anos e uma informou ter visto mensagens de texto trocadas entre o acusado e a vítima, nas quais ele a chamava de “amor” e ambos afirmavam estarem com saudades um do outro.

A magistrada, na decisão, afirmou estar plenamente comprovada a prática do crime de estupro de vulnerável e a continuidade delitiva, que soma mais um crime, uma vez que o ato aconteceu reiteradas vezes contra a mesma vítima, nas mesmas circunstâncias de tempo, lugar e maneira de execução. A juíza levou em consideração, ainda, ele ter se aproveitado da situação de professor para ter momentos de proximidade com a adolescente.

Adolescente relatou detalhes sobre o caso

Em depoimento, a vítima contou detalhes do relacionamento vivido com Alfaia. Ela afirma que ele aproveitou de um momento de fragilidade familiar para se aproximar dela e informou que manteve relações com ele por aproximadamente oito meses. Detalhou, inclusive, que os atos aconteciam sem utilização de preservativo e que o professor chegou a fornecer pílulas do dia seguinte para evitar gravidez, o que a fez se sentir mal em algumas ocasiões.

A menor informou que ele foi a primeira pessoa com quem manteve relações sexuais e que o professor deixou de usar preservativo na primeira relação, mantida dentro do carro dele e em local afastado da cidade. Após isso, eles passaram a se encontrar semanalmente, afirmou a vítima, na residência de Alfaia.

Ainda em depoimento, a menina revelou que após o caso vir à tona, concluiu que ele havia aproveitado de um momento em que ela estava vulnerável para cometer abusos sexuais. Informou ter enviado fotografias nas quais posava nua para o réu e que recebeu imagens dele na mesma situação. Afirma ter recebido presentes dele, dentre os quais um anel.

Antes de se relacionarem afetivamente, declarou, os dois eram amigos e passaram a ter maior intimidade quando ela relatou problemas familiares e ele ofereceu apoio. O relacionamento, afirma, teve início em ocasião de um desentendimento que o professor contou para ela ter tido com a esposa dele.

Afirmou que ele a beijou em uma ocasião antes de manterem relação sexual e que ele enviava mensagens nas quais “jogava algumas indiretas”, cerca de uma ou duas semanas antes da relação. Declinou, oficialmente, que o relacionamento entre eles foi descoberto quando já estava quase completando oito meses e que eles mantinham relações sexuais de uma a duas vezes por semana durante esse período.

Declarou que acreditava que o acusado estava gostando dela como namorada e que eles tinham uma relação de apoio mútuo, afirmando que ambos não comentavam muito sobre o fato de ele ser casado. Asseverou que o acusado a chamava de “Europa”, que na mitologia grega era uma ninfa concubina de Zeus, sendo que ele, às vezes, conforme a vítima, se intitulava como “Zeus”.

Por fim, informou que a esposa dele descobriu sobre o relacionamento entre eles e mandou mensagem ameaçando contar o fato para os pais da vítima, além de divulgar as fotos nuas dela.  Após o episódio, diz, ainda entrou em contato com o professor por mensagem, contando o ocorrido, e se desesperou, tendo a mãe dela percebido, motivo pelo qual acabou contando para a genitora todo o caso.

Mensagens entre acusado e vítima apontam envolvimento

Ao processo, foram anexados documentos que contêm mensagens enviadas pelo acusado à vítima. Embora o conteúdo do celular de Alfaia tenha sido apagado, adolescente apresentou screenshot do celular dela.  Em determinado diálogo, apresenta a decisão judicial, ele diz “não haveria tu, se ela desse mais valor a mim”…”não era para teres dito que tu tinhas terminado nada comigo… Para (…), já não tô bem, queres me deixar pior?”…”Ela pegou meu celular e descobriu a p* da senha como sempre. Ela ameaça, mas não é doida de te fazer nada, eu jamais deixaria…Pode ficar tranquila”.

Para a Justiça, a mensagem confirma a informação prestada pela vítima em audiência quando declarou que manteve contato com o réu através de mensagem logo após a esposa dele descobrir o relacionamento. Outra prova, para a magistrada, foi o fato de Alfaia ter declarado em interrogatório que estava trabalhando na data que a menor aponta como sendo a que ocorreu a primeira relação entre eles. Acontece que as folhas de ponto das duas escolas em que ele lecionava não evidenciam registro de frequência dele naquele dia. Por fim, o laudo sexológico atestou a prática de conjunção carnal.

Acusado se aproximou da família e frequentou a casa da menina

O caso veio à tona quando a vítima contou sobre o relacionamento à mãe, que vive em Redenção. Lá, a genitora procurou a Delegacia de Polícia Civil, que transferiu o caso para a Deaca, de Marabá. Durante as investigações, presididas pela delegada Ana Paula Fernandes, descobriu-se que Thiago Alfaia chegou a frequentar a casa da adolescente.

O irmão da vítima informou ter tomado conhecimento da relação entre ela e o professor apenas quando a companheira dela ameaçou a menor. Informou que antes disso Alfaia acabou se aproximando da família a partir de um problema existente entre a vítima e a madrasta. Na ocasião, a escola chamou os pais para uma reunião, onde o professor estava presente.

Após isso, conta, o denunciado foi à residência da família e afirmou que havia sido designado pela escola para fazer um estudo sobre o problema da família e apresentar um relatório à instituição escolar. Em virtude disso, afirma, o denunciado passou a fazer visitas rotineiras à família e, inclusive, dava carona para os irmãos, que também frequentavam a casa dele. Acrescentou que o acusado deitava a vítima no colo e passava a mão nos cabelos dela, o que causou brigas na família, pois a madrasta dela não achava correto.

O pai da menor confirmou a história, informando que o professor alegou que deveria averiguar se a adolescente sofria maus tratos. Disse que também já presenciou o acusado colocando a filha no colo, porém não desconfiou de nada na ocasião. Relatou que a mãe da menina, em janeiro deste ano, entrou em contato com ele contando acerca da relação existente entre o acusado e a menor e que ambos mantinham relações sexuais.

Em relação a estas declarações, três colegas de trabalho dele prestaram depoimento informando que os professores são orientados a repassarem para a coordenação a existência de qualquer problema familiar envolvendo os alunos, para que sejam tomadas as providências pelos profissionais responsáveis, e que nunca um professor foi nomeado como mediador de conflito para ir até a casa de alunos.

Todos negaram terem conhecimento da relação até ocorrer a prisão dele e um acrescentou que os profissionais são orientados a não terem contato com alunos fora do colégio, principalmente com os do ensino fundamental.

Outra aluna diz ter sofrido assédio e que chegou a fazer denúncia

Uma das alunas ouvidas como informantes revelou ter sofrido assédio por parte do professor, tendo recebido uma mensagem na qual ele afirmava ter sonhado com ela, mas declarando não poder compartilhar o conteúdo do sonho porque se alguém visse a conversa entenderia de “forma errada”.

Em outra ocasião, acrescentou, ele falou que havia sonhado novamente com ela, mas desta vez afirmou que os dois mantinham relação sexual no sonho. Em uma terceira oportunidade, a aluna diz ter ouvido do professor que mais uma vez havia tido um sonho no qual dizia para outra estudante que ambos eram amantes.

Ela afirmou, inclusive, ter escrito uma carta relatando os atos à direção da escola e que ficou sabendo pelo coordenador do estabelecimento de ensino que este havia conversado com o acusado e dado uma segunda chance para ele.

Professor nega ter mantido relacionamento com aluna

Quando preso, Thiago Alfaia se recusou a prestar depoimento à Polícia Civil. Além disso, consta em processo, que na ocasião ele aproveitou um momento em que teve acesso ao próprio aparelho celular para resetar o telefone, a fim de destruir provas que seriam colhidas pela perícia técnica. Por esse motivo, acabou sendo denunciado e condenado também por fraude processual.

Já no interrogatório realizado durante a instrução processual, sustentou nunca ter mantido relações sexuais com a adolescente e afirmou que todos os demais depoimentos colhidos eram mentirosos. Declarou que houve um desentendimento entre a esposa e a vítima e, em retaliação a isso, a menina teria inventado a história.

Confirmou que havia envio de mensagens constantes entre ele e a aluna, mas justificou que fez isso porque a companheira estava afastada dele, o que deu margem para que o relacionamento com a adolescente se estreitasse. Disse que estava trabalhando na data em que a menor afirma ter mantido a primeira relação sexual com ele e observou ser inerente à profissão dele que alunos lhe confidenciem experiências.

Falou que atribui apelidos a todos os alunos e não apelidava a vítima especificamente de “Europa”, chamando ela apenas uma vez dessa forma e acrescentando que explicou a relação, na mitologia, com Zeus, mas não declarou quem se intitulou de “Zeus”.  Negou, ainda, a acusação de assédio da outra aluna, negando ter tido sonho sexual com ela e negando que ela tenha reclamado dele à escola.

Afirmou que a esposa sabia a senha do seu celular e, após o afastamento dela, trocou a senha do aparelho e “abriu espaço” para a vítima, passando a conversar mais com ela, como se ambos fossem amigos. Em razão dessa relação de proximidade, relata ele, a vítima teria confessado que ficava com uma amiga. Por fim, confirmou ter dado um anel que comprou no Rio de Janeiro à adolescente, no aniversário desta.

Duas pessoas que se declaram amigas íntimas de Alfaia – e ouvidas na condição de informantes – declararam que frequentavam a casa dele e que chegaram a encontrar a vítima e o irmão dela no local, mas não notaram nada de diferente na relação entre os dois.

A esposa do réu, informou ter conhecido a menor em um projeto do qual ela, o marido e a vítima tinham participado. Relatou que, certa vez, a adolescente enviou uma mensagem para o professor informando problemas pessoais, que ela e o irmão frequentavam a casa do casal, assim como outros alunos. Disse que tinha livre acesso ao celular dele e nunca viu nada que a fizesse desconfiar de algum relacionamento do acusado com a vítima. Todavia, em janeiro deste ano viu uma conversa do réu com a adolescente, onde ela dizia: “E aí, gostou da foto? Tô gata?”.

A informante relatou que se identificou e falou que era melhor a vítima parar de ficar enviando este tipo de mensagem para o marido dela e que se ela não parasse, iria contar o envolvimento dela com as amigas, tendo a ofendida respondido para ela “ver bem o que ela iria fazer”.  Disse que nunca interpretou as conversas como um envolvimento amoroso. Ao final, disse acreditar que a menor inventou os fatos porque ele ameaçou revelar o suposto envolvimento amoroso da vítima com uma amiga.

Vinte e quatro anos, quatro meses e quinze dias

A magistrada o condenou a pena privativa de liberdade na modalidade de reclusão em mais de 24 anos, quatro meses e 15 dias, decorrente da pena aplicada por estupro de vulnerável, que deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Além disso, ele foi condenado a mais 11 meses e sete dias, na modalidade de detenção, por ter resetado o celular no momento da apreensão pela Polícia Civil. Esta pena deverá ser cumprida em regime aberto, após a execução da reclusão.  Por fim, ainda terá que pagar 54 dias-multa, cada um fixado em um trigésimo do salário mínimo, cujo valor será apurado na fase de execução penal.

Logo após ser preso, Thiago Alfaia foi recolhido no Centro de Triagem Masculino de Marabá (CTMM), mas após algum tempo a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe), por meio da direção da casa penal, requereu a transferência do preso para estabelecimentos prisional na Região Metropolitana de Belém, sob o argumento de que se trata de custodiado de alta periculosidade e que ele estaria incentivando a massa carcerária à indisciplina e desrespeito aos servidores do presídio, chegando a elaborar planos de rebelião.

O Correio de Carajás chegou a divulgar o caso e após a audiência de instrução e julgamento, a transferência foi determinada para que ele fosse colocado em cela especial, uma vez que possui ensino superior e consequente direito de responder ao crime separado dos demais internos. Ele deverá continuar, por enquanto, recolhido no local, uma vez que a magistrada ainda negou o benefício do apelo em liberdade ao réu, que segue recolhido em casa penal.

A Reportagem entrou em contato com o escritório de advocacia em que atua o advogado Eduardo Neves Lima Filho, responsável pela defesa do réu para saber recorrerá da pena, mas ele não foi encontrado e nem entrou em contato com a Redação, conforme sugerido pela repórter na tarde desta quinta-feira. (Por Luciana Marschall – Correio do Carajás)

Concurso

Prefeitura de Parauapebas e MP firmam TAC que prevê a realização de concurso para professor no município

O TAC prevê que o concurso seja realizado até o dia 31 de janeiro de 2018.

O Ministério Público do Pará, por meio do Promotor de Justiça Hélio Rubens Pinho Pereira, firmou Termo de Ajustamento de Conduta com o Município de Parauapebas, através do Secretário Municipal de Educação, Raimundo Neto e da PGM,  para a realização de concurso para professor do ensino fundamental, nas zonas urbana e rural.

O acordo prevê 300 cargos para todas as disciplinas.

O TAC também teve a preocupação de combater o serviço temporário irregular. Desta forma, o Município ficou obrigado a não ultrapassar o limite de 10% da folha com temporários, e desde que a necessidade seja excepcional e temporária.

Por fim, o TAC estabeleceu a impossibilidade de servidores temporários ocuparem cargo de diretor e vice-diretor de escola.

O TAC prevê, ainda, que o concurso seja realizado até o dia 31 de janeiro de 2018.

O promotor de justiça Hélio Rubens afirmou que o acordo representa uma grande vitória: “Ele garante, por um lado, a seleção de professores melhor capacitado, elevando a qualidade da educação e, por outro, prestigia o respeito à regra do concurso público”, concluiu.

Justiça

Professor em Marabá é absolvido de acusação da empresa Vale

Ele foi acusado de liderar uma invasão e interdição da Estrada de Ferro Carajás (EFC), na entrada do Bairro Araguaia, no dia 20 de novembro de 2015. A juíza avaliou que acusação da mineradora contra o docente é improcedente.

O professor universitário Evandro Medeiros venceu uma das batalhas judiciais contra a mineradora Vale S/A. Ele foi absolvido da acusação de “fazer justiça pelas próprias mãos”, conforme artigo 345 do Código Penal. A sentença foi publicada nesta terça-feira (4) no Diário Oficial do Tribunal de Justiça do Estado do Pará e foi registrada em maio pela juíza Adriana Divina da Costa Tristão, da 1ª Vara do Juizado Especial Cível e Criminal de Marabá.

Medeiros foi acusado de liderar uma invasão e interdição da Estrada de Ferro Carajás (EFC), na entrada do Bairro Araguaia, no dia 20 de novembro de 2015. Com cartazes pintados à mão, estudantes e outros professores da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) se manifestaram em apoio e solidariedade às vítimas do rompimento da barragem de rejeitos da empresa Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, em Mariana, interior de Minas Gerais.

De acordo com a avaliação da juíza, após a análise das provas, a intenção do docente era de realizar uma manifestação, não o interesse em em substituir a Justiça, visto que não era representante das vítimas: “O fato de ir às ruas e manifestar nas linhas férreas, em apoio às vítimas do desastre de Mariana, não configura pretenso de satisfazer interesse que poderia ser resolvido judicialmente, mormente porque não representante daquelas vítimas”.

A partir dos depoimentos e documentos juntados aos autos, a juíza verificou que o ato não foi realizado apenas por uma pessoa, mas por várias, o que “dificulta a individualização da conduta e indivisibilidade da ação privada”. A magistrada acrescentou ainda que a manifestação não durou muito tempo e por isso não há provas efetivas de que i tenha ocasionado atraso no transporte de cargas e/ou passageiros feitos pela mineradora, e, muito menos, que o ato seria capaz de interferir na atuação da Vale S/A ou da Samarco.

A juíza conclui que os atos praticados pelo autor não se enquadram na definição na qual é acusado, julgando assim improcedente a acusação e absolvendo o professor.

Medeiros comemorou a decisão da justiça e disse que se sente aliviado: “Que bom que a justiça prevaleceu, mais que um alívio, bate um sentimento de que ainda é possível acreditar que as instituições não estão todas corrompidas e há a possibilidade de prevalecer a justiça neste país”.

Ele disse que espera que a decisão também sirva de exemplo em outros processos em favor da população e daqueles que lutam por direitos e que “são criminalizados e processados continuamente pela Vale”.

A empresa, por meio de sua assessoria de comunicação, afirmou que mineradora tomou conhecimento da sentença e que, no prazo legal, adotará as providências cabíveis para a reforma da decisão. (Com informações do site Correio de Carajás)

PCCR

Professores prometem lotar o plenário da Câmara de Marabá nesta terça-feira, quando será apresentada a nova proposta do PCCR

“É uma maldade”, diz Joyce Rebelo, coordenadora do Sintepp, ao falar dos cortes propostos pelo Executivo

Por Eleutério Gomes – de Marabá

A coordenação do Sintepp (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará) – Subsede Marabá passou o dia de hoje, segunda-feira (20), mobilizando a classe de educadores e outros servidores ligados à Educação para lotar o plenário da Câmara Municipal amanhã, terça-feira (21). É que, durante a sessão será apresentada a proposta do governo municipal para o novo PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remunerações), de autoria do Executivo, que visa diminuir o valor da folha de pagamento desse setor, considerado muito alto.

Os coordenadores do Sindicato também percorreram os gabinetes dos vereadores a fim de sensibilizar cada um, na tentativa de que a proposta não seja aprovada da maneira como foi elaborada. “Vai haver servidor cujas perdas serão de R$ 3 mil ou mais”, disse ao blog, na tarde de hoje, Joyce Cordeiro Rebelo, coordenadora da Subsede, lamentando: “É uma maldade”.

De acordo com ela, na proposta, o Executivo cria um vencimento vinculado a um salário-base, mas não estipula a lei que vai fixar um ao outro: “Fala apenas em nível superior, mas não diz nada sobre os professores de nível médio que progridem para o superior. Nada é assegurado nessa proposta”, explica Joyce.

Ela afirma, ainda que, ao mesmo tempo em que cria o salário-base, o governo municipal não assegura a conversão das perdas que seriam asseguradas sob a forma de vantagem pessoal. “O prefeito Tião Miranda está revogando o artigo de que trata lei, a qual assegura que, caso haja um novo reenquadramento do servidor, as vantagens pessoais sejam mantidas”, detalha a coordenadora do Sintepp.

Joyce Rebelo fala ainda do fim da gratificação de regência, contrariando o que havia sido decidido em consenso pela Comissão do PCCR, formada por dirigentes do Sintepp,

representantes do Legislativo e da Secretaria Municipal de Educação (Semed).

“O consenso foi de que ficaria no piso de 10%. Ou seja, haveria uma redução na gratificação dos diretores, mas não reduziu. Em vez disso, retirou a regência deles”, protesta a dirigente sindical.

Outro ponto da proposta do Executivo, considerado por Joyce, “muito sério” é a redução do percentual das progressões. “Nenhum município no país paga 10% para nível superior. A nossa proposta é de 50%, e isso é uma luta nacional; o mestrado, que hoje é 100%, seria reduzido para 20%; e o doutorado, que hoje de é 150%, cairia para 30%”.

Alem desses e de outros cortes, Joyce Rebelo afirma que a proposta extingue gratificação professor formador, a gratificação de docência das casas penais, altera a gratificação de zona rural para professores que trabalham em municípios distantes até 50 quilômetros da sede “e determina até redução nos vencimentos dos servidores de apoio, os que ganham menos”.

Prefeitura

Na sua Fanpage, a Prefeitura de Marabá diz que, sobre as alterações no PCCR, a Semed esclarece que foi instalada uma Comissão formada por representantes de vários segmentos (Legislativo, conselhos, educadores), os quais debateram o tema por mais de uma semana e elaboraram um texto base que foi aprovado pelo colegiado e enviado ao Executivo.

Diz ainda que no novo PCCR consta aprovação de algumas gratificações e extinção de outras. “O diálogo foi instaurado para que na proposta houvesse a voz de quem será o destinatário do Plano de Carreira. Todavia, essa proposta foi submetida ao prefeito para que faça sua avaliação, elabore um projeto de lei para a Câmara Municipal”.

“Além disso, é preciso lembrar que o ambiente de debates não se esgotou, pois quando o projeto de lei do Executivo chegar ao Legislativo, ele continuará sendo debatido com a sociedade, podendo receber emendas parlamentares antes de sua aprovação final”, diz o texto.

Polícia

Polícia prende professor de Filosofia acusado de abusar de aluna de 13 anos em Marabá

Após a prisão, os policiais disseram que ele ficou assustado, mas não ofereceu resistência e foi levado para o Centro de Triagem Masculino de Marabá (CTMM).

Professor de filosofia em duas escolas particulares e de um cursinho pré-vestibular em Marabá, Thiago Sajes de Alfaia foi surpreendido em sua residência na última sexta-feira, 3 de março, quando a Polícia Civil lhe apresentou um mandado de prisão preventiva expedido pela juíza Renata Guerreiro Milhomem de Souza, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Marabá.

Após a prisão, os policiais disseram que ele ficou assustado, mas não ofereceu resistência e foi levado para o Centro de Triagem Masculino de Marabá (CTMM).

Sua prisão é fruto de uma investigação por suspeita de estupro de vulnerável que envolve o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil.

No momento de sua prisão, o professor portava um telefone celular e, antes de este ser recolhido definitivamente, este teria sido “resetado” e apagado as mensagens, informou a polícia. Mesmo assim, o aparelho foi levado para perícia juntamente com um computador que o professor mantinha em sua residência.

Segundo informações colhidas pelo blog, Thiago Alfaia teria seduzido uma aluna menor de 13 anos de uma escola do núcleo Cidade Nova. Ela também fora ouvida em depoimento. Inclusive, com os rumores das investigações em andamento, uma semana antes de ser preso o acusado foi demitido de uma das escolas que ministrava aula e onde a adolescente em questão era sua aluna.

O Blog entrou em contato com a defesa do professor  para que esta se manifestasse. Todavia, o advogado disse que, apesar de respeitar o trabalho da imprensa, não comenta processos em que trabalha.

Alfaia estudou Sociologia na antiga UFPA, em Marabá, e seus colegas afirmam ser ele é um bom professor. Fotos em redes sociais mostram que ele casou-se em 2014 e fez várias viagens com a esposa, com quem aparece sempre alegre.

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