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Marabá

Rio Tocantins fura previsão da Eletronorte e continua subindo em Marabá

Mais de 600 famílias já saíram de suas casas e enchente está a 30 centímetros da maior marca da década
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O Boletim de vazões da Eletronorte previa na última segunda-feira que o nível do Rio Tocantins estacionaria em 11,21 metros nesta quarta-feira, dia 28, e depois começaria a baixar. Mas a força da natureza falou mais alto e a experiência dos técnicos da empresa foi levada pela correnteza. Hoje, o nível do rio alcançou a marca de 11,61 metros acima do nível normal e a Eletronorte já refez suas previsões.

Para amanhã, quinta-feira, dia 29, os cálculos preveem que o nível alcance a marca de 11,65 metros, suba para 11,76 na sexta e para 11,77 no sábado. Agora, a cheia do Rio Tocantins está a 30 centímetros da maior marca desta década, ocorrida em 2009, quando o nível alcançou 12 metros acima do normal.

Por conta disso, ontem e hoje dezenas de famílias começaram a se amontoar em frente à sede Defesa Civil Municipal, na Marabá Pioneira, para buscar ajuda para transporte e ainda um local para ficar provisoriamente.

Entre as muitas mulheres na fila para atendimento, Maria do Rosário Costa, 36, disse que ficou assustada no meio da noite quando a água começou a entrar pela cozinha de sua casa, na Folha 33, Nova Marabá.

A Prefeitura informou, por meio de nota, que a Defesa Civil Municipal está construindo mais abrigos para atender as famílias atingidas, ampliando o número de barracas em pontos que já acolhem os desabrigados e criando novos locais para atender a demanda de São Félix e Nova Marabá.

Segundo o coordenador de Defesa Civil, Jairo Milhomem, a essa altura, mais de 600 famílias já se encontram nos abrigos oficiais da Prefeitura e outras se mudaram por conta própria: “Vale lembrar que estas famílias devem comparecer à sede da Defesa Civil para fazer o cadastramento, mesmo estando em casas de parentes”.

Ainda de acordo com Jairo, no abrigo da Colônia de Pescadores Z-30, que abrigava 10 barracas, foram somadas mais oito unidades. Outras 20 barracas estão em construção no São Félix Pioneiro; e mais 30 barracas na Transamazônica (Abrigo do Trevo), em prédio localizado em frente ao Atacadão.

Quanto às mudanças, desde ontem pela manhã 12 caminhões do Exército estão trabalhando na retirada de mudanças das famílias e mais oito foram alugados pela Prefeitura, além das viaturas dos bombeiros, que participam da remoção.

Pessoas atingidas pela cheia dos rios devem procurar a Defesa Civil, na Rua Carlos Leitão, entre a Avenida Antônio Maia e Rua 7 de Junho, Marabá Pioneira, das 8 às 18 horas. Fone: 3321-8990.

Tucuruí

Cheia do Tocantins faz primeiros desabrigados em Tucuruí

Estrutura dos abrigos no Parque de exposições, transporte para a remoção dos atingidos e segurança para as famílias são algumas das ações emergenciais que estão sendo tomadas pela Prefeitura de Tucuruí
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As ações para a evacuação aos atingidos pela enchente do rio Tocantins em Tucuruí foram iniciadas nesta quinta-feira (22) pela Defesa Civil do município. As equipes do órgão estão monitorando o nível do rio e visitando as áreas de maior risco de cheia. 30 famílias já foram atingidas pela cheia em Tucuruí, cerca de 120 pessoas, que estão alojadas no Parque de Exposições de Tucuruí e estão recebendo apoio do município, desde a remoção até as instalações e infraestrutura.

Nédia Amorim, coordenadora da Defesa Civil observa que desde sábado o órgão monitora o nível do rio e já nas primeiras horas de hoje iniciaram os trabalhos de evacuação das áreas alagadas.

A coordenadora lembrou que desde 17 de março, a Defesa Civil está alerta para a possível enchente. “Nos próximos dias, todas as ações para resguardar pessoas e seus pertences serão realizadas pela prefeitura por meio de uma equipe de acompanhamento. Ninguém ficará sem atendimento”, disse a coordenadora.

Até a tarde desta segunda-feira, já haviam sido remanejadas para os abrigos, 30 famílias impactadas pela cheia.

Estrutura dos abrigos no Parque de exposições, o transporte para a remoção das famílias atingidas, apoio aos desabrigados e a segurança no local em que permanecerão abrigadas as famílias são algumas das ações emergenciais que já foram tomadas pelas autoridades locais.

O nível do rio Tocantins está hoje em 11,49 metros e a previsão é atingir 12,10 metros até a próxima quinta-feira (29). Cerca de 120 pessoas estão alojadas no Parque de Exposições de Tucuruí e a Prefeitura está dando apoio, desde a remoção até as instalações e infraestrutura, contudo, muitas famílias insistem em não sair de suas casas.

Defesa Civil já iniciou os trabalhos de limpeza da área onde estão sendo construídos os abrigos provisórios. A previsão é que o Tocantins atinja 11,86 metros já nesta terça-feira (27) o que vai acarretar no remanejamento de mais pessoas, principalmente do bairro Matinha.

As ações de prevenção e atendimento são direcionadas para cerca de 500 famílias que anualmente são atingidas pela elevação das águas do Rio Tocantins.

Marabá

Rio Tocantins atinge maior nível do ano e Defesa Civil e Exército ficam de prontidão

Boletim da Eletronorte prevê que rio passe encha até amanhã e volte a descer nove centímetros esta semana
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O Rio Tocantins deu repique. É a expressão usada para dizer que houve uma nova cheia dias depois da anterior. E desta vez, o nível alcançou a maior marca de 2018 até agora: 11 metros e 20 centímetros acima do nível normal, exatamente 12 centímetros a mais o do que o registrado em fevereiro, com 11,08 metros. Muitas pessoas que tinham voltado para suas casas nas últimas três semanas acabaram surpreendidas com a forte chuva do domingo, 25, e precisaram da ajuda do Exército para retornar aos abrigos.

A cheia chegou a recuar com a diminuição das chuvas nas cabeceiras dos afluentes do Tocantins e Itacaiunas, mas o nível voltou a subir nos últimos dias.

Segundo a Secretaria Municipal de Comunicação da Prefeitura de Marabá, a Defesa Civil, Exército, Secretarias de Obras, Saneamento Ambiental e de Assistência Social estão de prontidão em caso de mais famílias ficarem desabrigadas.

Segundo dados da Prefeitura, há 510 famílias morando em abrigos improvisados e cerca de 150 se mudaram para casas de parentes ou encontraram outro imóvel para passar o período de enchente.

Em 14 de fevereiro, o prefeito Tião Miranda decretou Situação de Emergência no município em função da grande quantidade de famílias desalojadas, recebendo liberação legal para aquisição de produtos em caráter de urgência para assistir aos necessitados.

Há cinco abrigos oficiais que estão recebendo auxílio do Poder Público Municipal, inclusive com cestas básicas de alimentos. Mas quem está vivendo há quase 60 dias em barracas de lonas já dá sinais de cansaço. É o caso de Isaura Ramos Carvalho, 48, que vive com quatro filhos no abrigo da Obra Kolping, Bairro Belo Horizonte, e diz que há um sofrimento muito grande para manter os filhos em boas condições no local. “Nunca é como a casa da gente. Muita coisa não podemos fazer aqui e até o choro dos filhos incomoda os outros”, alega ela.

Isaura diz que as cestas de alimentos doados pela Defesa Civil não duram 15 dias e que muitas pessoas que estão nos abrigos têm de pedir ajuda para dar comida aos filhos. “No início, o pessoal das igrejas vinha, ajudava, mas agora parou mais. Estamos muitos dias aqui, o rio não baixa e fora de casa fica difícil sair, deixar os filhos e tentar conseguir um trabalho, um bico de lavar roupa ou fazer uma faxina, alguma coisa assim”, explica ela.

Leide de Souza Silva, balconista, mora na Rua João Salame, na Velha Marabá, e conta que havia saído de casa logo após o Carnaval e 15 dias depois, quando a enchente baixou, retornou. “Neste domingo, foram seis horas de chuva e saímos às pressas de novo por causa dela. Pobre sofre muito”, disse ela.

MAIS ÁGUA ATÉ AMANHÃ

Enquanto muitas famílias reclamam do longo tempo fora de suas casas, a Eletronorte publicou nesta segunda-feira um boletim de vazões e níveis do Rio Tocantins, no qual prevê que amanhã, terça-feira, dia 17, o nível do rio alcance 11,22 metros acima do nível normal; baixe para 11,21 na quarta; e desça a 11,12 na quinta-feira.

Por Ulisses Pompeu
Inverno Amazônico

Defesa Civil de Tucuruí emite alerta de enchente

Nível do rio à jusante é de 9,71 metros, próximo do nível de alerta que são de 10 metros.
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A Defesa Civil de Tucuruí emitiu alerta de enchente neste fim de semana. Em nota, o órgão ligado à Prefeitura de Tucuruí orienta a população à ficar atenta e prevenida, já que a subida do nível das águas do Rio Tocantins, bem como as previsões de fortes chuvas nos próximos dias colaboram para a situação de emergência e o nível do rio Tocantins à jusante (o fluxo normal da água, de um ponto mais alto para um ponto mais baixo) é de 9,71 metros, próximo do nível de alerta que são de 10 metros.

Com a previsão de fortes chuvas para os próximos dias, a Defesa Civil já está orientando os moradores das áreas baixas da cidade. Bairros como Matinha, Beira Rio e Santa Isabel neste momento são os principais locais que estão sendo monitorados pelo órgão a fim de evitar transtornos maiores em caso de alagamentos.

Nesta segunda-feira, 19 comportas da UHE Tucuruí estão abertas sendo a abertura média de quatro metros e o nível de vazão do vertedouro é de 25.052 metros cúbicos. O nível do lago de Tucuruí está no nível de 73,58 metros, próximo a cota máximo de 74 metros.

As equipes da Prefeitura e da Defesa Civil estão atentas aos índices do nível do rio e preparadas para atuar em casos de emergência e, nesses casos de emergência, os moradores podem acionar a Defesa Civil pelo fone: (94) 98170-1447.

Eletronorte prevê baixa do Rio Tocantins a partir deste sábado

Previsão técnica ainda é vista com desconfiança por autoridades locais e famílias que estão com a água “lambendo” a porta
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No Boletim Informativo de Vazões e Níveis do Rio Tocantins, a Eletronorte publicou na tarde desta quinta-feira (15), que o Rio deve continuar subindo até amanhã, sexta-feira (16), alcançando a marca de 11,16 metros acima do nível normal. Depois, no sábado, a previsão é de que comece a baixar, atingindo a cota de 11,04 metros. O mesmo deve ocorrer no domingo, dia 17, mantendo-se a 11,04 metros.

Em Marabá, passam os rios Tocantins, Araguaia e Itacaiúnas, mas o Tocantins é o que tem maior volume de água. O Itacaiúnas, embora receba um grande volume de água dos afluentes de sua bacia, acaba ficando represado em sua foz, pelo Tocantins/Araguaia. Com isso, a água deste rio acaba espalhando nas partes baixas da cidade e inundando centenas de imóveis. Nos cálculos oficiais da Defesa Civil Municipal, mais de trezentas famílias já deixaram suas casas por causa da enchente este ano.

Agora à tarde, o prefeito Tião Miranda e secretário municipais estão percorrendo os abrigos para garantir às famílias que estão nos três locais monitorados pela Prefeitura que elas irão receber ações de saúde nas próximas horas, assim como cestas de alimentos.

Nos últimos quatro anos não houve enchente que desalojasse famílias e, talvez, isso tenha encorajado as pessoas a construírem novas casas, sob a desculpa de que não haverá mais enchentes como antes, porque foram construídas várias hidrelétricas no Rio Tocantins.

A expansão urbana em áreas alagadiças não ocorre apenas por parte de famílias carentes. Há casas e comércios de famílias de classe média nessas regiões, porque, geralmente, os primeiros invasores revendem os terrenos por preço bem mais barato que em locais mais firmes.

Nesse contexto, bairros inteiros foram criados sob a chancela do poder público. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os bairros Carajás I e Carajás II, que ficam localizados no final da Avenida Tocantins, Bairro Novo Horizonte. As famílias carentes começaram a construir naquela região, com palafitas, depois os terrenos foram ficando valorizados, muitos venderam e os “barões” chegaram comprando as áreas a preço de “banana”.

A memória local e as fontes documentais apontam para a enchente de 1926 como uma das piores da história de Marabá, além das de 1935, 1947, 1957, 1974, uma sequência de três anos entre 1977 e 1979 e a pior de todas, a de 1980, já na fase da implantação da Nova Marabá, que atingiu 17 metros acima do nível normal. Mais recentemente, as enchentes de 1990 e 1997 afetaram praticamente toda Marabá Velha.

Uma característica das enchentes de Marabá, e da própria Amazônia que as diferenciam das demais regiões brasileiras, é o fato das águas se elevarem de forma gradual. Os moradores tomam precauções conforme o aumento do nível dos rios e até estabelecem previsões a respeito da enchente. Walter Leitão Sampaio descreveu esse aspecto na enchente de 1926, pois já no mês de novembro do ano anterior, muitos moradores pressentiam “que o rio teria uma enchente excepcional, pois as quantidades de detritos como árvores, ramos, desciam a corrente em quantidade cada vez maior”, recorda Sampaio.

Na enchente de 1926, muitos moradores se retiraram temporariamente da cidade, outros permaneceram em balsas amarradas ao telhado das casas, o que é confirmado por fotos da época, principalmente comerciantes que temiam perder as mercadorias.

Marabá: Revolta da madrugada faz desabrigados protestarem com fogo

Na manhã desta quinta-feira, o nível do Rio Tocantins está a 11,12 metros acima do nível normal e o número de famílias desabrigadas em Marabá só aumenta.
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Cerca de 60 famílias que estão no abrigo mais insalubre providenciado pela Prefeitura de Marabá, na Feirinha da entrada da Velha Marabá, fizeram um protesto na noite desta quarta-feira, durante uma forte chuva que caiu na cidade, que deixou seus móveis encharcados.

Revoltados, eles pegaram pneus, paus e jogaram combustível, ateando fogo no meio da rua, fechando a entrada do núcleo Velha Marabá. Logo se formou uma grande fila de veículos e os manifestando avisaram que só sairiam de lá com a garantia de que nesta quinta-feira, 15, as condições no abrigo se resolveriam.

Mesmo com a presença de homens da Polícia Militar, Guarda Municipal e DMTU, ninguém ousava passar pelo cordão de fogo e demorou cerca de uma hora e meia até que o chefe de Gabinete, Walmor Costa, chegasse ao local para negociar com as famílias de flagelados da enchente.

A dona de casa Irene da Conceição disse que ela, dois filhos e quatro netos estão sofrendo bastante se espremendo embaixo da lona preta doada pela prefeitura. “De tão final, ela rasgou com a chuva e aí a gente correu para um lado e outro, mas não teve jeito, tudo molhou no nosso barraco. Como pode a Prefeitura oferecer só isso para nós”, questionou a idosa, de 64 anos de idade.

O pescador Adelande Bispo Dias, outro que está no abrigo da Feirinha, disse que desde que as famílias chegaram ao local, a partir de segunda-feira pela manhã, quase nada a Prefeitura fez para ajudá-los. “Só os homens do Exército foram gentis conosco. A direção da Defesa Civil é grossa e a gente tem até medo de pedir alguma coisa”, confessou.

Por volta de 22h30 de ontem, o chefe de Gabinete da Prefeitura, Walmor Costa, esteve na manifestação para dialogar com as famílias e ficou agendada uma reunião entre representantes dos flagelados e o prefeito Tião Miranda às 10 horas de hoje, quinta-feira.

Leia abaixo Nota de Esclarecimento da Prefeitura:

“Por volta das 22h30, algumas famílias que estavam alojadas na antiga “feirinha” na entrada da Velha Marabá, iniciaram um protesto fechando a Avenida Antônio Maia. Segundo informações, os mesmos queriam mais estrutura para o local onde estão sendo alojados, como mais barracas ( algumas já montadas pela defesa civil) em função do aumento do número de famílias que foram alocadas nesta tarde.

Imediatamente, o chefe de Gabinete da prefeitura Walmor Costa, por determinação do prefeito Tião Miranda, juntamente com o diretor do DMTU e o comandante da Guarda Municipal foram ao local se reunir com representantes destas famílias para que sejam atendidas ainda nesta quinta-feira, com algumas solicitações. Uma reunião foi marcada para as 10 horas com o prefeito.

É importante ressaltar que a prefeitura decretou hoje Situação de Emergência, o que acelera a montagem, que já vinha acontecendo, de uma estrutura maior e mais adequada ao atendimento destas famílias.

Ainda pela manhã as equipes que cuidam da estrutura que hoje conta com mais de 100 pessoas entre Exército, Defesa Civil, servidores da saúde e da assistência social, serão reforçadas e irão melhorar o alojamento da Marabá Pioneira e também o segundo alojamento no ginásio da Obra Kolping. Outros dois alojamentos já serão construídos preventivamente para serem utilizados, caso haja necessidade.

“A prefeitura entende a angústia das 300 famílias que se encontram hoje fora das suas casas em função da cheia repentina do rio, e não está medindo esforços para amenizar a situação e oferecer as melhores condições possíveis a todos os desalojados. O nível dos Rios chegou a 11 metros na tarde desta quarta-feira, configurando a maior enchente em 4 anos na cidade.”

Rio Tocantins

Moradores da Velha Marabá lamentam o estado do Rio Tocantins

Muitos temem que o curso d’água venha a acabar caso o desmatamento e a poluição continuem a maltratá-lo
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Por Eleutério Gomes – de Marabá

“O sertão vai virar mar…
Dá no coração
O medo que algum dia
o mar também vire sertão”

A profecia contida nos versos da belíssima canção “Sobradinho”, da dupla Sá e Guarabyra, composta na década de 1970, mais do que nunca está presente entre os temores do marabaense diante do baixíssimo nível que vem atingindo o maior símbolo natural de Marabá, o Rio Tocantins, que nesta sexta-feira (22), amanheceu com apenas 1,38 metro acima do normal.

Moradores dos bairros que ficam à margem do rio e que estão acostumados a amanhecer e anoitecer contemplando o majestoso curso d’água, hoje o fazem com lágrimas nos olhos, ao virem uma extensa faixa de areia onde deveria haver as ondas se movimentando ao sabor dos ventos.

Porém mais do que a tristeza, eles guardam o temor de que seus filhos não possam ver nem mesmo pouco do que ainda resta do Tocantins, como a comerciante Maria de Lourdes da Silva: “Hoje, a minha maior preocupação é com a minha filha de nove anos. Como será daqui a 20 anos? O que a natureza vai ter para ela, com essa seca toda aí?”, indaga, com a fisionomia desolada.

Para Lourdes, é o próprio homem que, com sua falta de consciência em relação ao meio ambiente, está matando o rio, na medida em que desmata as margens e polui as águas. “O pessoal fica jogando lixo em todo canto, aterrando todo canto e isso vai acabando com as nascentes. Se a gente não cuida, o que vamos receber de volta é isso aí. São danos causados por nós mesmos que vão trazer esses resultados, infelizmente”, lamenta.

Edivaldo Monteiro de Moura, pescador, vive há mais de 15 anos na margem do Tocantins e diz nunca ter visto o rio seco, como está hoje. “Fico muito triste com isso. Quando eu vou pescar, que volto, e vejo como o rio está, dá vontade de nem voltar mais”, afirma ele, confessando que já lagrimou ao constatar, que “o rio está se acabando”.

Na opinião de Edivaldo, que é igual à de Maria de Lourdes, as queimadas, a devastação da floresta e as toneladas de lixo jogadas no rio, é que estão fazendo com que o Tocantins esteja gravemente doente. “Infelizmente, o homem mesmo está destruindo tudo isso aí. Eu acho que, futuramente, nós vamos atravessar o rio a pé”, prevê.

Jaime Teixeira, 23 anos, nasceu na orla e nunca tinha visto o Rio Tocantins tão baixo. Ele vende espetinhos na porta de casa e afirma que, além do prejuízo ao meio ambiente, está tendo prejuízo financeiro. “Geralmente as pessoas vêm aqui ver o rio, param, comem alguma coisa, mas agora, o movimento caiu muito”, diz ele.

O rapaz assinala ainda que, devido à descida excessiva do rio, a água já está faltando nas torneiras. “Tenho medo que o rio desapareça, porque isso é um ponto turístico da cidade, acabou o rio, acaba tudo”, afirma.

Francisca Souza Albuquerque tem 76 anos e desde a adolescência mora na orla do Rio Tocantins. Indagada sobre o que pensa da seca, ela faz uma cara de mistério e ao mesmo tempo de tristeza e diz: “Não sei, moço. Eu estou achando muito estranho isso. Eu sei o que é isso… Isso deve estar acontecendo porque estão acabando com as matas. Quem for vivo ainda vai ver muita coisa, muita coisa…”.

Questionada acerca do que quis dizer com a última frase, ela prefere calar, baixa a cabeça, diz que não quer foto, e silencia, com a fisionomia triste.

Edydenny Silva Cardoso, que pedalava pela orla quando foi parado pelo Blog diz que, para ele, a situação em que o rio se encontra é uma tristeza. “Isso aqui faz parte da gente, da vida das pessoas, de todas as vidas. É isso [o rio] que nós dá vida”, exclama.

Isso está acontecendo, na opinião dele, por falta de chuvas, ocasionada pelo desmatamento, pelo desrespeito com a natureza. “Qualquer dia não tem mais rio, vai ser um marzão de areia”.

“É tristeza demais, a gente fica desolado”, afirma Edydenny, acrescentando que a própria sociedade que está matando o rio é a mesma que pode salvá-lo: “Não jogando mais esse lixo que nós estamos vendo aqui na beira do rio, parando de degradar o rio, parando de acabar com as nascentes, reflorestado imediatamente a mata ciliar. Aí nós vamos conseguir parar essa seca, mas, se continuar, vamos ficar sem o nosso rio”, lamenta ele, que também teme que seus filhos, futuramente, não possam contemplar o Tocantins, como ele já contemplou.

Quando esteve em Marabá, no último dia 15, a fim de falar sobre as soluções para o racionamento de água que está havendo na cidade, justamente pelo baixo nível do rio, o presidente da Cosanpa, Cláudio Conde, chamou atenção para um fato grave. Disse que hoje seis grandes hidrelétricas estão instaladas ao longo do Rio Tocantins e contou que advertiu a direção da ANA (Agência Nacional das Águas) sobre os danos que o represamento pode causar ao curso d’agua.

“Hoje temos as barragens de Tucuruí (PA), Estreito (MA), Luiz Eduardo Magalhães (TO), Peixe Angical (TO), Cana Brava (GO) e São Salvador (TO), daqui a pouco estaremos do mesmo jeito que o Rio São Francisco, com a capacidade de vazão reduzida”, advertiu.

Marabá

Presidente da Cosanpa anuncia plano de emergência para pôr fim ao racionamento de água em Marabá em 15 dias

Cláudio Conde esteve na cidade acompanhado dos diretores de Expansão e Tecnologia e de Operações
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Por Eleutério Gomes – de Marabá

Durante coletiva na manhã desta sexta-feira (15), o presidente da Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará), Cláudio Conde, anunciou um plano emergencial para acabar com o racionamento de água em Marabá, devido ao nível muito baixo do Rio Tocantins. Ele anunciou a construção de uma plataforma no meio do rio, onde serão instaladas duas bombas de captação que levarão a água direto para a Estação de Tratamento. Para isso, será necessária a instalação de 1.120 metros de cabos elétricos, um transformador de energia, conexões de ferro fundido, a colocação de 133 metros de tubos, balsa, caminhão munk, escavadeira hidráulica e máquina de solda. O prazo para que as bombas estejam funcionando e o abastecimento volte ao normal é de 15 dias.

O diretor de Expansão e Tecnologia da Cosanpa, Fernando Martins, explicou o que está acontecendo e levando ao racionamento. Segundo ele, a captação é feita na margem do Tocantins, onde há um poço de 20 metros de profundidade, do qual três das quatro bombas – uma é reserva – sugam 4 mil metros cúbicos de água por hora, mas, com a descida do nível, as águas já estão a apenas 35 centímetros da grade que protege a boca do poço. “Se chegar na borda, vai ficar no mesmo nível do poço”, alerta ele, justificando o racionamento e a execução de um plano emergencial.

Conde, que esteve acompanhado também do diretor de Operações, Antônio Crisóstomo, explicou que o nível do Rio Tocantins vem baixando demais de 2015 para cá, um período hidrológico desfavorável registrado somente há mais de 40 anos, no início dos anos 1970.

Disse que tem conversado com a direção da ANA (Agência Nacional de Águas) a respeito das seis hidrelétricas de grande porte hoje instaladas ao longo do Rio Tocantins, reduzindo a vazante útil do curso d’água para 18% neste período de seca, solicitando que essas usinas, pelo menos nessa época, não represem as águas.

“Existe uma perspectiva ainda mais negativa. Na hidrologia trabalhamos com três cenários: pessimista, central e otimista. No pessimista, o sistema atual para e fica só o emergencial. Essa é a pior condição”, alertou Conde, explicando que dia a dia o rio está baixando e ainda vai ter de 30 a 60 dias de depressionamento.

Questionado sobre o motivo de a Cosanpa, sabendo do comportamento do Rio Tocantins nos últimos três anos, não ter preparado com antecipação um plano de emergência, Cláudio Conde disse que, num histórico de 20 anos, nunca teve problema, mas em 2017 o rio demonstrou que a afluência pode piorar. “Demonstrou que temos de adotar nova premissa de planejamento. Pegar outra captação para garantir o abastecimento. Demonstrou que deve haver uma mudança de parâmetro de planejamento”, admitiu.

Indagado sobre que se os milhares de consumidores que ficaram sem uma gota de água nas torneiras por aproximadamente 10 dias, terão algum tipo de indenização ou de compensação, Conde disse que a Cosanpa também teve perdas, mas que o único pensamento agora é acabar com o racionamento e concluiu dizendo que não há legislação que determine qualquer tipo de compensação nesse caso.