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Rio Tocantins

Moradores da Velha Marabá lamentam o estado do Rio Tocantins

Muitos temem que o curso d’água venha a acabar caso o desmatamento e a poluição continuem a maltratá-lo

Por Eleutério Gomes – de Marabá

“O sertão vai virar mar…
Dá no coração
O medo que algum dia
o mar também vire sertão”

A profecia contida nos versos da belíssima canção “Sobradinho”, da dupla Sá e Guarabyra, composta na década de 1970, mais do que nunca está presente entre os temores do marabaense diante do baixíssimo nível que vem atingindo o maior símbolo natural de Marabá, o Rio Tocantins, que nesta sexta-feira (22), amanheceu com apenas 1,38 metro acima do normal.

Moradores dos bairros que ficam à margem do rio e que estão acostumados a amanhecer e anoitecer contemplando o majestoso curso d’água, hoje o fazem com lágrimas nos olhos, ao virem uma extensa faixa de areia onde deveria haver as ondas se movimentando ao sabor dos ventos.

Porém mais do que a tristeza, eles guardam o temor de que seus filhos não possam ver nem mesmo pouco do que ainda resta do Tocantins, como a comerciante Maria de Lourdes da Silva: “Hoje, a minha maior preocupação é com a minha filha de nove anos. Como será daqui a 20 anos? O que a natureza vai ter para ela, com essa seca toda aí?”, indaga, com a fisionomia desolada.

Para Lourdes, é o próprio homem que, com sua falta de consciência em relação ao meio ambiente, está matando o rio, na medida em que desmata as margens e polui as águas. “O pessoal fica jogando lixo em todo canto, aterrando todo canto e isso vai acabando com as nascentes. Se a gente não cuida, o que vamos receber de volta é isso aí. São danos causados por nós mesmos que vão trazer esses resultados, infelizmente”, lamenta.

Edivaldo Monteiro de Moura, pescador, vive há mais de 15 anos na margem do Tocantins e diz nunca ter visto o rio seco, como está hoje. “Fico muito triste com isso. Quando eu vou pescar, que volto, e vejo como o rio está, dá vontade de nem voltar mais”, afirma ele, confessando que já lagrimou ao constatar, que “o rio está se acabando”.

Na opinião de Edivaldo, que é igual à de Maria de Lourdes, as queimadas, a devastação da floresta e as toneladas de lixo jogadas no rio, é que estão fazendo com que o Tocantins esteja gravemente doente. “Infelizmente, o homem mesmo está destruindo tudo isso aí. Eu acho que, futuramente, nós vamos atravessar o rio a pé”, prevê.

Jaime Teixeira, 23 anos, nasceu na orla e nunca tinha visto o Rio Tocantins tão baixo. Ele vende espetinhos na porta de casa e afirma que, além do prejuízo ao meio ambiente, está tendo prejuízo financeiro. “Geralmente as pessoas vêm aqui ver o rio, param, comem alguma coisa, mas agora, o movimento caiu muito”, diz ele.

O rapaz assinala ainda que, devido à descida excessiva do rio, a água já está faltando nas torneiras. “Tenho medo que o rio desapareça, porque isso é um ponto turístico da cidade, acabou o rio, acaba tudo”, afirma.

Francisca Souza Albuquerque tem 76 anos e desde a adolescência mora na orla do Rio Tocantins. Indagada sobre o que pensa da seca, ela faz uma cara de mistério e ao mesmo tempo de tristeza e diz: “Não sei, moço. Eu estou achando muito estranho isso. Eu sei o que é isso… Isso deve estar acontecendo porque estão acabando com as matas. Quem for vivo ainda vai ver muita coisa, muita coisa…”.

Questionada acerca do que quis dizer com a última frase, ela prefere calar, baixa a cabeça, diz que não quer foto, e silencia, com a fisionomia triste.

Edydenny Silva Cardoso, que pedalava pela orla quando foi parado pelo Blog diz que, para ele, a situação em que o rio se encontra é uma tristeza. “Isso aqui faz parte da gente, da vida das pessoas, de todas as vidas. É isso [o rio] que nós dá vida”, exclama.

Isso está acontecendo, na opinião dele, por falta de chuvas, ocasionada pelo desmatamento, pelo desrespeito com a natureza. “Qualquer dia não tem mais rio, vai ser um marzão de areia”.

“É tristeza demais, a gente fica desolado”, afirma Edydenny, acrescentando que a própria sociedade que está matando o rio é a mesma que pode salvá-lo: “Não jogando mais esse lixo que nós estamos vendo aqui na beira do rio, parando de degradar o rio, parando de acabar com as nascentes, reflorestado imediatamente a mata ciliar. Aí nós vamos conseguir parar essa seca, mas, se continuar, vamos ficar sem o nosso rio”, lamenta ele, que também teme que seus filhos, futuramente, não possam contemplar o Tocantins, como ele já contemplou.

Quando esteve em Marabá, no último dia 15, a fim de falar sobre as soluções para o racionamento de água que está havendo na cidade, justamente pelo baixo nível do rio, o presidente da Cosanpa, Cláudio Conde, chamou atenção para um fato grave. Disse que hoje seis grandes hidrelétricas estão instaladas ao longo do Rio Tocantins e contou que advertiu a direção da ANA (Agência Nacional das Águas) sobre os danos que o represamento pode causar ao curso d’agua.

“Hoje temos as barragens de Tucuruí (PA), Estreito (MA), Luiz Eduardo Magalhães (TO), Peixe Angical (TO), Cana Brava (GO) e São Salvador (TO), daqui a pouco estaremos do mesmo jeito que o Rio São Francisco, com a capacidade de vazão reduzida”, advertiu.

Marabá

Presidente da Cosanpa anuncia plano de emergência para pôr fim ao racionamento de água em Marabá em 15 dias

Cláudio Conde esteve na cidade acompanhado dos diretores de Expansão e Tecnologia e de Operações

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Durante coletiva na manhã desta sexta-feira (15), o presidente da Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará), Cláudio Conde, anunciou um plano emergencial para acabar com o racionamento de água em Marabá, devido ao nível muito baixo do Rio Tocantins. Ele anunciou a construção de uma plataforma no meio do rio, onde serão instaladas duas bombas de captação que levarão a água direto para a Estação de Tratamento. Para isso, será necessária a instalação de 1.120 metros de cabos elétricos, um transformador de energia, conexões de ferro fundido, a colocação de 133 metros de tubos, balsa, caminhão munk, escavadeira hidráulica e máquina de solda. O prazo para que as bombas estejam funcionando e o abastecimento volte ao normal é de 15 dias.

O diretor de Expansão e Tecnologia da Cosanpa, Fernando Martins, explicou o que está acontecendo e levando ao racionamento. Segundo ele, a captação é feita na margem do Tocantins, onde há um poço de 20 metros de profundidade, do qual três das quatro bombas – uma é reserva – sugam 4 mil metros cúbicos de água por hora, mas, com a descida do nível, as águas já estão a apenas 35 centímetros da grade que protege a boca do poço. “Se chegar na borda, vai ficar no mesmo nível do poço”, alerta ele, justificando o racionamento e a execução de um plano emergencial.

Conde, que esteve acompanhado também do diretor de Operações, Antônio Crisóstomo, explicou que o nível do Rio Tocantins vem baixando demais de 2015 para cá, um período hidrológico desfavorável registrado somente há mais de 40 anos, no início dos anos 1970.

Disse que tem conversado com a direção da ANA (Agência Nacional de Águas) a respeito das seis hidrelétricas de grande porte hoje instaladas ao longo do Rio Tocantins, reduzindo a vazante útil do curso d’água para 18% neste período de seca, solicitando que essas usinas, pelo menos nessa época, não represem as águas.

“Existe uma perspectiva ainda mais negativa. Na hidrologia trabalhamos com três cenários: pessimista, central e otimista. No pessimista, o sistema atual para e fica só o emergencial. Essa é a pior condição”, alertou Conde, explicando que dia a dia o rio está baixando e ainda vai ter de 30 a 60 dias de depressionamento.

Questionado sobre o motivo de a Cosanpa, sabendo do comportamento do Rio Tocantins nos últimos três anos, não ter preparado com antecipação um plano de emergência, Cláudio Conde disse que, num histórico de 20 anos, nunca teve problema, mas em 2017 o rio demonstrou que a afluência pode piorar. “Demonstrou que temos de adotar nova premissa de planejamento. Pegar outra captação para garantir o abastecimento. Demonstrou que deve haver uma mudança de parâmetro de planejamento”, admitiu.

Indagado sobre que se os milhares de consumidores que ficaram sem uma gota de água nas torneiras por aproximadamente 10 dias, terão algum tipo de indenização ou de compensação, Conde disse que a Cosanpa também teve perdas, mas que o único pensamento agora é acabar com o racionamento e concluiu dizendo que não há legislação que determine qualquer tipo de compensação nesse caso.

Marabá

Rios de Encontro ganha espaço na sessão da Câmara Municipal e diz “não” à Hidrelétrica de Marabá

A participação se deu em razão do Dia da Amazônia, que transcorre nesta terça-feira, 5 de setembro

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Pelo transcurso do Dia da Amazônia, nesta terça-feira (5), o Projeto Rios de Encontro, coordenado pelo ativista cultural galês Dan Baron, teve espaço de 30 minutos na sessão da Câmara Municipal de Marabá, durante o qual fez o encerramento do Fórum Bem Viver, evento que iniciou no último dia 28 de agosto com várias atividades culturais.

Voltado para a defesa do meio ambiente, à preservação dos bens naturais e, consequentemente, do ser humano, o discurso de abertura de Baron defendeu um amplo debate acerca dos grandes projetos para o município e região, com destaque para a Hidrelétrica de Marabá e a derrocagem do Pedral do Lourenção, no Rio Tocantins, em Itupiranga.

Ele afirma que esse modelo de desenvolvimento é falido, norteado pela ganância de poder político de grupos que não têm compromissos com as comunidades atingidas. Lembra de Belo Monte e cita Altamira, onde o que ficou depois da implantação da hidrelétrica foi a pobreza a e violência.

Participou também da apresentação, o vereador Leonardo Santana, da Câmara Municipal de São João do Araguaia, cidade que será atingida pela Hidrelétrica de Marabá. Ele disse que não quer a barragem, afirmando que o empreendimento não só enterrará a história do município com destruirá as raízes do povo são-joanense. “Queremos o rio para a vida e não o rio da morte”, exclamou, encerrando sua fala.

Em seguida falaram a dançarina colombiana Claudia Giraldo e o músico equatoriano Oscar Paredes, ambos também ambientalistas, que protestaram contra o modelo de desenvolvimento que destrói florestas, rios e desaloja comunidades, disseminando a violência e a pobreza. O discurso foi o mesmo de um terceiro ativista, este norte-americano. Aconteceram também apresentação de música de percussão e dança, executados por jovens que participam do Rios de Encontro.

O que é o Rios de Encontro?

É um projeto desenvolvido na comunidade ribeirinha afrodescendente do Cabelo Seco, bem na ponta entre os Rios Tocantins e Itacaiúnas, o bairro matriz da cidade de Marabá. Nele, Dan Baron procura transformar a riqueza cultural adormecida, pela formação artística, gestão cultural e produção transcultural, em uma proposta que integra quatro gerações da comunidade, gestores do poder público e profissionais de educação, saúde, cultura e segurança.

Formado por um núcleo gestor de jovens artistas de microprojetos artístico-culturais da comunidade Cabelo Seco, apoiados por um núcleo gestor de suas mães produtoras na sua Casinha de Cultura, o Projeto hoje atua em sete frentes: o grupo musical Latinhas de Quintal; a companhia de dança AfroMundi Pés no Chão, o projeto de jornalismo social Nem Um Pingo; o coletivo audiovisual Rabeta Vídeos, um Cine Coruja, e Folhas da Vida: bibliotecas familiares.

Verão

Em Marabá, o programa Verão Ecológico 2017 trabalha para minimizar a poluição dos rios Tocantins e Itacaiúnas

As ações vão de blitze em cada barraca de banhista até uma exposição denominada “Arte pelo Rio”, com belas obras feitas a partir de lixo retirado dos rios

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Com a finalidade de tentar minimizar a quantidade de lixo despejada nos rios Tocantins e Itacaiúnas, pelos banhistas que frequentam as praias da cidade, sobretudo nesta época de veraneio, a Prefeitura de Marabá, por meio da Guarda Municipal, Semma (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), Coordenação de Postura e Semsur (Secretaria Municipal de Serviços Urbanos), em parceria com o Instituto Nacional de Defesa Ecológica e Vigilância Ambiental (Indeva), vem desenvolvendo o programa Verão Ecológico 2017.

A cada fim de semana não é difícil ver boiando nas águas dos dois rios milhares de latinhas de alumínio, cujo tempo de degradação na natureza é de 200 anos; garrafas de vidro, que levam um milhão de anos para se decompor; e, principalmente, garrafas pet, que resistem até 400 anos na natureza, entre outros detritos.

Entre as ações de educação ambiental estão acontecendo blitze educativas nas barracas das praias e distribuição sacolas recicladas junto com o folheto do Zé lixão. Paralelamente, acontece Exposição "Arte pelo Rio", que conta com obras produzidas com lixo reciclável retirado dos rios, que se transformou em obras de arte. (Com informações de Andréia Melo/Ascom da GMM)

Infraestrutura

Governo Federal une esforços para agilizar obras do Pedral do Lourenço

Expectativa é de que os serviços sejam iniciados no segundo semestre de 2018. Nova rota vai estimular o desenvolvimento regional no Norte do país

 

O governo federal deu mais um passo para acelerar a obra que irá garantir a navegabilidade permanente da hidrovia Tocantins-Araguaia. As questões ambientais para o derrocamento do Pedral do Lourenço pautaram a reunião do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, nesta segunda-feira (3), com representantes do governo e da DTA Engenharia Ltda., empresa responsável pelas obras. Na oportunidade, o ministro solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) maior celeridade nos processos.

“Essa obra permitirá com que nosso rio Tocantins possa ter navegabilidade durante o ano todo e trará uma repercussão absolutamente extraordinária para a região Norte. Hoje, tivemos a oportunidade de debater e, acima de tudo, cobrar para garantir com que as etapas possam ser cumpridas da forma mais célere possível”, afirmou o ministro Helder Barbalho.

Modais integrados

O derrocamento do Pedral do Lourenço soma-se a outras iniciativas do governo federal para reforçar a logística de transporte de cargas no Norte do país, integrando os modais hidroviário, ferroviário e rodoviário com a garantia do escoamento da produção agrícola, mineral e também pecuária de estados como Maranhão,  Tocantins, Pará, Mato Grosso e Goiás. Com isso, há o fortalecimento do Arco Norte como um importante corredor logístico  que também estimulará o desenvolvimento regional, gerando mais emprego, renda e favorecendo também as comunidades ao longo do trecho.

Participaram da reunião a coordenadora-geral de Meio Ambiente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Ângela Parente; o coordenador de Licenciamento Ambiental do Ibama, Gabriel Angotti; e o presidente da DTA Engenharia, João Acácio.

 Segundo semestre de 2018

De acordo com o presidente da DTA Engenharia, João Acácio, a previsão é de que os serviços sejam iniciados no segundo semestre de 2018. A empresa é responsável por todas as etapas, desde os levantamentos de campo, a elaboração dos projetos básico e executivo – já concluídos, do Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA), do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) e a execução da obra.

Está em análise pelo Ibama a documentação necessária à Autorização para a Captura, Coleta e Transporte de Material Biológico (ACCTMB), conhecida como Abio. A partir dessa etapa, a DTA Engenharia estará autorizada para ir a campo realizar esses procedimentos, que irão auxiliar os estudos para o licenciamento ambiental federal.

Por se tratar de uma obra prioritária para o desenvolvimento da região, o ministro Helder Barbalho entrou em contato com a presidente do Ibama, Suely Araújo, que garantiu a análise da dos processos com a maior brevidade possível. O coordenador de Licenciamento Ambiental do Ibama, Gabriel Angotti, assegurou que até a próxima quarta-feira (5) a autorização estará liberada.

“Vamos trabalhar com a meta de conseguir, em seis meses, as licenças necessárias para as obras. Estamos lutando pelo destravamento da hidrovia e para consolidar essa importante iniciativa em favor da população do Norte”, disse o ministro Helder Barbalho.

O próximo passo será a conclusão e entrega do EIA/RIMA para análise do Ibama. Durante a reunião, o presidente da DTA Engenharia, João Acácio, anunciou que essa documentação será protocolada até o fim do ano. Os estudos sobre desenvolvimento sustentável e prevenção são fundamentais para a obtenção do licenciamento ambiental, uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente. A análise dura em média de seis meses a um ano e conta com discussões e audiências públicas.

Entenda a obra

O derrocamento do Pedral do Lourenço consiste em desgastar as formações rochosas que impedem a navegação de embarcações com cargas durante os meses de setembro a novembro, período em que o rio fica mais raso. O edital para a escolha da empresa responsável pela obra foi lançado em março de 2014. A DTA Engenharia Ltda. foi a vencedora, com a proposta de R$ 520,6 milhões, o que representou economia de R$ 40 milhões ao governo federal, reduzindo em 7,15% a previsão para a execução da obra.

A abertura de um canal de navegação permitirá a circulação de embarcações no trecho de aproximadamente 500 quilômetros entre Marabá e Vila do Conde, no município de Barcarena (PA), durante o ano todo, sobretudo no período de águas rasas. A retirada das rochas dará lugar a um canal de 140 metros de largura.

35 x 6 mil toneladas

O deslocamento hidroviário, além de representar redução de custos para os produtores, é uma modalidade de transporte sustentável, menos poluente. Um comboio de 150 metros com capacidade de seis mil toneladas, equivale a 172 carretas de 35 toneladas. Outro benefício da obra é o uso contínuo da eclusa de Tucuruí, que teve investimentos de R$ 1,6 bilhão para que pudesse operar com a capacidade de permitir o transporte de até 40 milhões de toneladas ao ano pelas vias navegáveis da região poderá enfim operar a plena carga.

Com mais uma via regular para escoar a safra, o derrocamento do Pedral do Lourenço beneficiará projetos financiados pelo Ministério da Integração, por meio dos Fundos de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Nordeste (FDNE) e do Centro-Oeste (FDCO), importantes instrumentos de promoção do investimento regional no Brasil. Essas ações são desenvolvidas nas áreas de atuação das Superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), do Nordeste (Sudene) e do Centro-Oeste (Sudeco).

Infraestrutura

Deputado Beto Salame garante verba de R$ 60 milhões para obras na orla de Marabá

Recurso se destina à construção de um muro de arrimo na orla do Rio Itacaiúnas, sem que a prefeitura precise desembolsar um centavo sequer

Na manhã desta quarta-feira (22), o deputado federal Beto Salame (PP/PA) esteve reunido em Brasília com o Secretário de Recursos Hídricos do Ministério da Integração Nacional, Antônio de Pádua, para discutir o cronograma de execução das obras na orla de Marabá, em especial do muro de arrimo às margens do Rio Itacaiúnas.

A obra, requerida por Beto Salame ao ministro Hélder Barbalho, está avaliada em mais de R$ 60 milhões e não precisará de contrapartida do município. Ou seja, a Prefeitura de Marabá será a gestora do contrato, mas não irá investir um centavo para a execução desses serviços que deverão garantir a segurança das áreas que se estendem às margens direita e esquerda do rio, desde sua confluência com o Tocantins – região conhecida como “Pontão” – até próximo ao Cemitério São Miguel e à Vila Canaã, pela margem direita; e no Bairro Amapá, pela margem esquerda.

“Em fevereiro deste ano, eu e o João Salame estivemos com o ministro Hélder e mostramos a ele o quanto essa obra é necessária para evitar que, no futuro, desastres naturais venham a acontecer em Marabá”, explicou Beto Salame. “Agora, estamos discutindo com o secretário Antônio de Pádua a efetivação dessa obra, que começou a ser discutida quando eu exercia o cargo de Secretário de Planejamento de Marabá e o Pádua era o secretário de Obras da cidade. Durante o governo do João Salame, foi desejo nosso fazer essa obra, mas só agora graças ao apoio do ministro Hélder Barbalho e com a presença do Pádua no Ministério da Integração, este objetivo está sendo alcançado”, disse o deputado.

Nos próximos10 dias, uma equipe do Ministério da Integração Nacional estará em Marabá para as primeiras avaliações que embasarão os estudos técnicos. Logo após deverá ser licitada a obra que será executada graças aos recursos do Programa Nacional de Contenção de Encostas e Prevenção de Desastres Naturais.

O parlamentar comentou as próximas etapas dessa obra. Segundo ele, “um trabalho muito criterioso antecede a execução desse tipo de obra. Serão feitos os estudos e diversos testes que vão oferecer as informações essenciais para garantir a realização dos serviços”, disse o deputado. Beto Salame, que esteve acompanhado pelo Secretário de Obras de Marabá, Fábio Moreira e pelo ex-prefeito João Salame, disse estar feliz com a possibilidade de execução dessa obra.

“Está se aproximando o aniversário de Marabá e o melhor presente que posso dar para nossa cidade é trabalhar para torna-la cada dia melhor. Por isso, fico muito feliz em estar lutando para viabilizar a construção do muro de arrimo na Marabá Pioneira, uma obra que vai tornar ainda mais segura e bonita a orla da nossa cidade no Bairro Francisco Coelho, local onde nossa história começou e onde muita gente humilde poderá viver com mais segurança e dignidade”, afirmou Beto Salame. (Assessoria Parlamentar)

Vale

Deputado federal diz que Vale vai iluminar ponte rodoferroviária em Marabá

A ponte rodoferroviária sobre o Rio Tocantins interliga o núcleo Nova Marabá ao São Félix e Morada Nova. É por ela, também, que circulam, diariamente, vários comboios de trens da Vale carregados de minério.

O deputado federal Joaquim Passarinho (PSD) se reuniu na última semana com o presidente da mineradora Vale, Murilo Ferreira, para levar uma demanda de Marabá: a iluminação da ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins, na BR-222. Segundo o parlamentar, a Vale se comprometeu, finalmente, em implantar o sistema de iluminação e também a defesa das muretas que separam as pistas rodoviárias da ferrovia, para dar segurança às pessoas, disse Passarinho.

Outro compromisso que saiu da reunião de Joaquim Passarinho com Murilo Ferreira é que a empresa também vai realizar obras para melhorar o acesso à ponte sobre o Rio Tocantins. “Todas essas obras eram reivindicações do povo marabaense e foi trazida a mim pelo vereador Beto Miranda, o prefeito Tião Miranda”, diz Joaquim Passarinho

A ponte rodoferroviária sobre o Rio Tocantins interliga o núcleo Nova Marabá ao São Félix e Morada Nova. É por ela, também, que circulam, diariamente, vários comboios de trens da Vale carregados de minério.

Com 2.310 metros de extensão, a ponte rodoferroviária foi construída no início da década de 1980 e inaugurada em 28 de fevereiro de 1985.
Atualmente, as duas pistas rodoviárias precisam de recuperação do asfalto. Na cabeceira saindo da Nova Marabá em direção ao São Félix, uma cratera atrapalha o fluxo normal de veículos e até já causou vários acidentes. A Vale ainda não resolveu o polêmico vão que separa as pistas para veículos da parte ferroviária, de onde já caíram algumas pessoas e perderam a vida.

A quantidade de buracos presentes nos dois sentidos da ponte está dificultando o tráfego de veículos, pedestres e mercadorias, e quando chega à noite o perigo fica ainda maior, já que o risco de acidentes e assaltos aumenta pela falta de iluminação.

“É mais perigoso, principalmente à noite, devido aos bandidos, ladrões. Ninguém enxerga ninguém, só os faróis dos carros“, relata Carlos Eduardo Silva, mototaxista que faz cerca de seis viagens por dia entre o núcleo urbano da Nova Marabá e o bairro São Félix II.

Apesar da promessa, ainda não há data definida para o início das obras. Espera-se que o anúncio da saída de Murilo Ferreira da presidência da Vale não inviabilize as obras que foram prometidas.

Inverno Amazônico

Marabá: chuva castiga, Rio Tocantins sobe 1 metro em 48 horas e já preocupa

O site do INMET prevê pancada de chuva para esta segunda-feira, dia 13. E isso se estende também para os demais dias da semana.

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

O volume de chuvas que caiu em Marabá nos primeiros 12 dias de fevereiro já superaram todo o mês de dezembro de 2015 e janeiro de 2016, segundo o INMET (Instituto Nacional de Metereologia). A Defesa Civil Municipal informa que de 8 horas da manhã da última sexta-feira, dia 10, até o mesmo horário na manhã deste domingo, 12, o nível do Rio Tocantins subiu exatamente 1,06 metro.

Com isso, a média de subida por dia é de cinquenta centímetros. Jairo Milhomem, bombeiro militar que deverá assumir a coordenação da Defesa Civil nos próximos dias, explica que a régua pluviométrica instalada numa base do Exército no Rio Tocantins, Orla de Marabá, marcava 5,70 metros acima do nível normal. Na manhã de sábado apontava 6,32 metros e no mesmo horário, no domingo, a régua marcava 6,76.

Segundo Jairon, o nível do Rio Tocantins já se encontra 6,5 metro acima do nível normal e os próximos dias serão determinantes para avaliação da equipe da Defesa Civil em relação à construção de abrigos para famílias que residem em áreas mais baixas da cidade, geralmente invasões urbanas às margens dos rios Itacaiúnas e Tocantins, que banham a cidade. “Ele pode subir, mas também pode descer. Precisamos acompanhar de perto os boletins da Eletronorte para avaliar a situação. Acredito que com 9 metros acima do nível normal já teremos famílias afetadas em áreas mais baixas”, prevê Milhomem.

E o final de semana foi de chuva intensa na cidade de Marabá. De sábado para domingo a chuva se intensificou mais ainda e na madrugada dezenas de ruas e centenas de residências foram invadidas por água acumulada pela chuva, em função do sistema de drenagem estar bastante deficitário por causa do lixo que entupiu as bueiras.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura, procurada pelo blog no início da tarde deste domingo, 12, informou que uma equipe da Secretaria de Viação e Obras Públicas (Sevop) havia identificado quatro pontos críticos de alagamento na cidade: Avenida Boa Esperança, Avenida Antônio Vilhena, no núcleo Liberdade; várias vias do núcleo Morada Nova; e a avenida Manaus, no Belo Horizonte. A equipe providenciou a limpeza desses bueiros e, se for necessário, a equipe será ampliada nesta segunda-feira.

Nas redes socais as fotos publicadas por moradores apontavam para diversas outras vias com enchentes das águas das chuvas. É o caso da Avenida no entorno da Grota do Aeroporto, Folha 33, bairros Da Paz, São Miguel da Conquista, Nossa Senhora Aparecida, entre outros, que também amanheceram com ruas e casas inundadas neste domingo.

Os vendedores e visitantes da Feira da Laranjeiras, no bairro de mesmo nome, amanheceram literalmente com a água no meio da canela. E isso continuou até por volta de meio dia, quando a chuva deu uma trégua. E quem ficou com o prejuízo foram os feirantes que trabalham com produtos perecíveis, como frutas e verduras, porque o fluxo de clientes, segundo alguns vendedores consultados, caiu cerca de 70%. Muitos veículos não conseguiam chegar próximo à feira porque as ruas em volta estavam alagadas e com mais de 80 centímetros de profundidade.

Mas o maior prejuízo mesmo foram de dezenas de famílias que viram a água invadir suas casas no meio da madrugada e tiveram de acordar muito antes do previsto. É o caso de Marta Kátia dos Prazeres, residente na Avenida Boa Esperança, bairro Laranjeiras. Com uma vassoura na mão – às 10 horas da manhã – ela tentava retirar de dentro de casa o que ainda restava do que classificou como “dilúvio”. A comerciária, que mora com dois filhos e o marido, disse que precisou acordar os filhos, menores de 12 anos, para ajudar a “trepar” os móveis mais frágeis e equipamentos eletrônicos. “A gente não sabia até onde o nível ia chegar, então tivemos de colocar os equipamentos eletrônicos em cima do guarda roupa e armário da cozinha”, relata.

O site do INMET prevê pancada de chuva para esta segunda-feira, dia 13. E isso se estende também para os demais dias da semana.