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Desvendando a endometriose

 Por Dr. Ricardo Wagner ( * )

A endometriose é uma condição que ocorre quando o endométrio, o tecido que recobre o interior do útero, sendo responsável pela menstruação, se encontra em outra parte do corpo, podendo afetar ovários, trompas, intestino, rim ou a bexiga.

Se trata de uma doença com características hereditárias, geralmente estando presente em membros da mesma família, que hoje afeta cerca de 6 milhões de brasileiras; sua causa exata ainda não está clara. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose, entre 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) podem desenvolvê-la e 30% correm o risco de se tornarem estéreis.

A endometriose é geralmente diagnosticada entre 25 e 35 anos, mas a doença provavelmente começa alguns meses após a primeira menstruação. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais rápido e eficiente é o tratamento, porém, existe uma demora de quase sete anos para a sua confirmação.

Seus principais sintomas são dor e a infertilidade, sendo que, aproximadamente 20% das mulheres têm apenas dor, outras 20% têm apenas infertilidade e 60% sofrem com ambos. Outros sintomas são: dismenorreia (dores no período menstrual); dor no baixo abdômen ou cólicas que podem ocorrer por uma semana ou duas antes da menstruação, de forma cíclica; dores nas relações sexuais com penetração; dores ao urinar ou evacuar, especialmente no período menstrual; fadiga e diarreia.

Uma forma de diferenciar a cólica menstrual regular de um início da doença, é identificar a efetividade dos medicamentos tomados para diminuir a dor e sua intensidade conforme o tempo passa: caso sejam leves, não se intensifiquem com o passar do tempo e melhorem com a ingestão de medicamento apropriado, se trata de uma cólica comum. Um estudo mostra que, na adolescência, quando a cólica não melhora com anti-inflamatórios ou pílulas, há cerca de 70% de chance de ser identificada a endometriose. Nessas condições, é fundamental procurar um ginecologista para que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível, antes que a doença avance.

O diagnóstico precoce é muito difícil, uma vez que os exames existentes só são capazes de identificar a doença quando ela já está estabelecida. Assim, o fator mais importante para que o diagnóstico seja realizado é a valorização das cólicas referidas pela paciente. Os exames que auxiliam na descoberta da endometriose são o exame ginecológico com o toque vaginal e retal; ultrassonografia transvaginal, com preparo intestinal; ressonância magnética; exame de sangue CA-125; laparoscopia; colonoscopia; cistocopia, etc.

O tratamento da doença se dá a partir da parada da menstruação, mas não a retirada do útero, ao contrário da opinião popular. Como citado anteriormente, a endometriose se dá pelo tecido endometrial fora do útero, logo, a sua retirada não interfere na presença do endométrio na bexiga, intestino ou ovários e mesmo se o procedimento fosse feito, a dor permaneceria. Desta forma, seu tratamento é feito à base de hormônios que podem ser administrados por diversas vias; uma sugestão pessoal é a gestrinona. Em casos graves da doença – quando há acometimento sério da bexiga, intestino, rim – ou em casos de infertilidade.

Assim, em casos de cólicas menstruais que não parecem melhorar com a ingestão de remédios normais, ficando mais fortes a cada mês, é recomendada uma conversa com o ginecologista.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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Qual a diferença entre a menopausa e o climatério?

Entenda como distinguir e reconhecer os efeitos dos dois fenômenos na vida da mulher
 Por Dr. Ricardo Wagner ( * )

Hoje explicaremos a diferença entre a menopausa e climatério, dois conceitos similares por se referirem a mesma fase da vida da mulher, mas em momentos diferentes. O climatério é a fase de transição de quando se pode haver a gravidez para o período em que ela não é mais possível; a menopausa tem seu início com a última menstruação da vida de uma mulher.

Durante o climatério, a produção de hormônios no corpo da mulher diminui rapidamente, surgindo sintomas como ondas de calor (principalmente no rosto), alteração de humor (comumente depressão), alteração de sono, além de uma série de mudanças no ciclo menstrual – podendo ele ficar mais curto, mais longo ou causarem hemorragias após alguns meses sem menstruação.

O climatério é um fenômeno natural que ocorre com todas as mulheres, das quais, cerca de 80% apresentam sintomas em menor ou maior intensidade.

Uma sensação de inchaço no corpo e mamas, alterações de humor (nervosismo, irritação, tristeza profunda ou mesmo depressão), fortes dores de cabeça ou enxaquecas podem manifestar-se ao longo de até quinze dias antes da menstruação. É comum ainda, do meio para o fim do climatério, a irregularidade de ciclos e a variação do fluxo menstrual, por isso, a menopausa só é “diagnosticada” após pelo menos doze meses sem menstruação.

A menopausa ocorre geralmente entre os 45 e 55 anos, podendo ser chamada de precoce ou tardia, dependendo de quão antes ou depois desta idade ela acontecer. É comum ainda que ocorra na mesma idade entre familiares. Com o fim da menstruação, há uma diminuição na produção dos hormônios sexuais femininos, o que pode resultar em mudanças no corpo da mulher, sentidas a curto, médio e longo prazos.

Ao curto prazo, a aproximação e chegada da menopausa podem causar calor; alteração no humor, com possíveis episódios de irritação e depressão; tontura; dor de cabeça e libido baixa. Além da diminuição do desejo sexual, a médio prazo pode ocorrer também a atrofia da vagina, sua parte interna ficando mais fina e com pouca lubrificação, causando dor durante a relação sexual. Ao longo prazo, pode haver osteoporose e doenças cardiovasculares. Uma vez que o estrogênio, hormônio sexual feminino, protege o coração e os vasos sanguíneos das mulheres, com a redução de sua produção, o corpo perde parte dessa proteção natural.

Para amenizar os sintomas da menopausa, o tratamento mais recomendado é a terapia de reposição hormonal: cujo objetivo é a promoção de uma melhor qualidade de vida, a partir da compensação dos níveis de certos hormônios no organismo da mulher. Entre os hormônios mais utilizados estão a progesterona e o estrogênio. Dependendo do tipo de tratamento recomendado pelo médico, eles podem ser administrados em forma de géis, adesivos, comprimidos ou implantes.

Uma vez que a menopausa não possui uma data determinada para acontecer, é preciso estar atenta aos sintomas e fazer visitas regulares ao ginecologista.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

 Por Dr. Ricardo Wagner ( * )

Uma condição sobre a qual se ouve frequentemente em consultórios ginecológicos sãos os cistos de ovário, existindo diversos tipos. Na presente coluna, o foco são os ovários policísticos, ou mais especificamente, a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Uma síndrome caracteriza um conjunto de sinais e sintomas, logo, apenas uma ultrassonografia não é suficiente para se obter um diagnóstico.

A Síndrome dos Ovários Policísticos é um distúrbio que interfere no processo normal de ovulação, em virtude de um desequilíbrio hormonal.

Os cistos nada mais são do que óvulos, assim, fazem parte do funcionamento dos ovários. A maioria destes são expelidos a cada ciclo menstrual, na tentativa de gerar uma gravidez – que pode ocorrer ou não, caso encontre um espermatozóide. Em portadoras da Síndrome, o óvulo não é expelido, isso é, os cistos permanecem, modificando a estrutura ovariana e tornando o órgão até três vezes mais largo que o tamanho normal.

Além do aumento dos ovários, este descontrole hormonal pode levar à secreção de hormônios masculinos, os chamados androgênios, em excesso, gerando oleosidade na pele, espinhas, acne e aumento de pêlos em regiões que não são características do sexo feminino. As portadoras da Síndrome dos Ovários Policísticos também ovulam com menor frequência, geralmente apresentando ciclos irregulares e, por vezes, passando de três a seis meses sem menstruação.

Não se sabe a causa exata desse distúrbio, mas ela possui origem genética, em parte, uma vez que irmãs ou filhas de uma portadora têm 50% de chance de desenvolvê-la. Também pode ser associada com a produção de insulina em excesso pelo organismo: o aumento da substância no sangue provocaria o desequilíbrio hormonal. Com base nisso, medicamentos para diabetes podem ser usados em seu tratamento, pois diminuem a quantidade de insulina no sangue.

Além dos ciclos irregulares e dificuldade para engravidar – podendo a portadora estar há mais de dois anos tentando, sem sucesso –, a Síndrome dos Ovários Policísticos favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade. Quanto ao excesso de hormônios masculinos previamente mencionado, podem ser observados os seguintes sinais: crescimento anormal nas regiões do baixo ventre, seios, queixo e buço; aumento da oleosidade da pele e aparecimento de espinhas e cravos; queda de cabelos; aumento de peso; manchas na pele, principalmente nas axilas e atrás do pescoço.

O distúrbio é caracterizado pela dificuldade na liberação de um óvulo do ovário todo mês, que pode ser causada por outras doenças como problemas de tireóide ou a glândula suprarrenal. Conforme mencionado anteriormente, uma ultrassonografia isolada não é suficiente para fornecer o diagnóstico da Síndrome, sendo necessários exames de sangue para a dosagem de alguns hormônios, principalmente os masculinos, e investigação das causas da irregularidade menstrual.

Seu tratamento usualmente depende do desejo e necessidade da paciente. Quando seu interesse não inclui gravidez, apenas a diminuição dos sintomas físicos (pêlos, acne) e controle do ciclo menstrual e da pré-diabetes, métodos anticoncepcionais hormonais como pílulas, anéis vaginais e implantes protegem os ovários contra a formação dos microcistos, além de diminuírem os níveis de hormônios masculinos e insulina. Caso a paciente deseje gravidez, indutores de ovulação e a mefiformina – medicamento para diabetes que diminui a insulina no sangue – podem ser indicados.

Portadoras da Síndrome dos Ovários Policísticos devem adotar ainda dietas mais leves, especialmente quando apresentam obesidade, acompanhadas da prática de exercício físico, que pode beneficiar a todas. Dependendo do caso, tratamentos cosméticos com dermatologista podem ser indicados. É necessário lembrar que o maior inimigo dos hormônios, e a principal causa para o seu descontrole, é a obesidade.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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Vírus do Papiloma Humano (HPV)

 Por Dr. Ricardo Wagner ( * )

Conforme seu nome indica, o vírus do papiloma humano (HPV) infecta exclusivamente seres humanos, podendo ser transmitida através do contato pela pele, ocorrendo ainda pelo compartilhamento de objetos sexuais – o mesmo não pode ser dito de outros objetos, como toalhas, roupa de cama ou roupas íntimas. Da mesma forma, não é possível contrair o vírus em banheiros públicos, piscinas, saunas ou praias.

A doença sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo possui mais de 150 tipos de vírus, sendo a principal causadora de verrugas, genitais ou em outras partes do corpo, e de algumas formas de câncer. Apenas 14 tipos podem causar lesões precursoras de câncer, mas os principais são os tipos 16 e 18 nos casos de câncer do colo de útero, estando o HPV-16 por trás da maioria dos casos de câncer anal, peniano, vaginal, vulvar e alguns tipos de câncer da orofaringe (garganta, amígdalas, língua), o que o caracteriza como o subtipo mais perigoso do HPV, tanto para homens quanto para mulheres.

Quando ocorre a primeira relação sexual, 1 em cada 10 meninas já entraram em contato com o vírus, um número que aumenta para 80 a 90% conforme o tempo passa, mesmo que não haja o desenvolvimento de lesão. É importante lembrar que mais de 90% das pessoas conseguem eliminar o vírus do organismo naturalmente, sem ter manifestações clínicas; isso ocorre após um ou dois anos da exposição, bastando um sistema imunológico forte o suficiente para lidar com o HPV. Apenas 10% dos contaminados desenvolvem infecção persistente, sendo eles os que apresentam maior risco de câncer.

A descoberta do vírus geralmente ocorre durante exame de rotina com o ginecologista, a partir do preventivo. Outra forma é o aparecimento de uma verruga nas partes íntimas, na boca ou em qualquer local que tenha contato sexual – no caso do HPV persistente, o tratamento é a remoção da verruga, mas isso não significa que o vírus tenha sido eliminado pelo organismo; o paciente continuando infectado e podendo desenvolver novas verrugas enquanto estiver presente.

Em casos de lesões pré-malignas, ou seja, antes de ser câncer, uma vez que ela é identificada, deve ser removida cirurgicamente pelo ginecologista, o que também não significa a eliminação do vírus, podendo novas lesões potencialmente malignas surgir ao longo dos anos se esta permanecer infectada. Quando o exame detecta a presença do vírus, mas não há manifestação dele pelo corpo, nem mesmo  subclínicas, será necessário apenas um acompanhamento, com exames de rotina realizados com maior frequência.

Curiosamente, o HPV é uma infecção que não possui tratamento, mas que é curável. Não existem medicamentos que matam o vírus, mas a vacina acelera o processo de cura ao fortalecer o sistema imunológico, que espontaneamente eliminará o vírus com o passar do tempo. Esse fortalecimento do sistema imunológico também pode ser obtido pela paciente através de uma alimentação equilibrada, visitas frequentes ao médico conforme a determinação do mesmo, praticando sexo seguro e evitando fumar; medidas que permitem uma melhor convivência com o diagnóstico.

Em casos de gravidez, existe a possibilidade de transmissão do vírus da mãe para o filho durante o parto, seja ele normal ou não. É uma transmissão rar, ocorrendo em 1 em cada 10 mil gestações com uma verruga de HPV, no entanto, suas consequências podem ser graves: pode causar papilomatose laringea juvenil, doença em que a criança desenvolve as verrugas e lesões no sistema respiratório.

É praticamente impossível determinar quando ou com quem se contraiu o vírus, uma vez que o HPV pode ficar encubado – ou seja, presente no organismo, mas sem se manifestar – por até 20 anos. Apesar disso, o parceiro ou parceira de alguém diagnosticado com a doença deve visitar o médico e investigar se lhe foi transmitida. Em caso de lesões clínicas ou subclínicas, é preciso também que se trate, não só para evitar os perigos da doença, mas para não trasmiti-la novamente ao parceiro já diagnosticado.

Além da camisinha, a melhor opção de prevenção é a vacinação. Existem duas vacinas contra o HPV, uma específica contra os subtipos 16 e 18, mencionados anteriormente como os mais perigosos, e outra que protege contra os subtipos 16, 18, 6 e 11, eficaz contra o câncer de colo do útero e verrugas genitais. As vacinas contra o HPV são muito eficazes, com taxas de sucesso acima de 95%, principalmente quando administradas em meninas jovens, que ainda não começaram sua vida sexual. A vacina apresenta uma base científica sólida, tanto na questão da eficácia quanto da sua segurança.

Ainda que se pratique sexo seguro e seja tomada a vacina, não é eliminada a necessidade da paciente passar por consultas de rotina com o ginecologista para a realização de exames preventivos.

De acordo com a literatura científica, as vacinas contra o HPV previnem, aproximadamente, 70% dos casos de câncer de colo do útero, aqueles causados pelos subtipos 16 e 18. Elas atuam estimulando a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV. A proteção contra a infecção dependerá da quantidade de anticorpos produzidos pelo indivíduo vacinado, a presença destes no local da infeção e sua persistência durante um longo período de tempo.

É possível encontrar a vacina em qualquer clínica especializada. Em Parauapebas, um dos locais indicados é o Núcleo Saúde onde, além da vacina contra HPV, também é possível encontrar vacinas contra a febre amarela, hepatite, entre outras.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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Chip da beleza

Por Dr. Ricardo Wagner ( * )

Mencionado em uma das primeiras colunas, o uso do implante hormonal como método contraceptivo é a forma mais segura de evitar uma gravidez indesejada, muito mais seguro, por exemplo, que a laqueadura. Com a utilização desse método, a chance de engravidar é de apenas 0,05%, mas sua utilização não se restringe à contracepção.

Os implantes configuram uma via mais segura para a administração de medicação, uma vez que não contêm uma dose tão forte do medicamento, o qual vai direto para a corrente sanguínea – um comprimido, por exemplo, necessita de dose maior por ser absorvido pelo estômago e passar pelo fígado, que destrói metade do mesmo. Além disso, um implante tem durabilidade de meses a anos, a depender do tipo de hormônio e não requer ingestão diária ou regular.

Uma das suas indicações é para mulheres que sofrem com a tensão pré-menstrual (TPM). A atriz Bruna Marquezine, por exemplo, supostamente implantou o “chip” para não mais precisar suportar a mesma.

É preciso lembrar que mesmo com a prática de atividade física, uma alimentação saudável e seguindo à risca as orientações de um nutricionista e de um personal trainer, nem sempre será possível ganhar massa muscular, perder peso ou se livrar da celulite. Caso a causa dessa dificuldade resida em um descontrole hormonal, o implante pode ser uma possível solução.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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Miomas, tumores benignos

Por Dr. Ricardo Wagner(*)

Hoje iremos falar sobre os miomas, que são tumores benignos; o significado da palavra deriva de “leio”, que significa liso, “mio” que significa músculo e “oma” que significa tumor. Nem todo tumor é câncer e existem dois tipos do mesmo: tumores benignos e malignos, sendo que todos os malignos são câncer, inexistindo a doença em um tumor benigno.

Voltando ao mioma, não há causa para apreensão quanto a ele, se trata de um tumor benigno, composto basicamente de músculo, que cresce dentro, no meio ou fora do útero, podendo alterar sua forma. Algumas pessoas podem ter apenas um mioma mas, não maioria das vezes, quem tem um, tem outros, de forma similar aos nódulos de mama. Dados online explicam que o fenômeno é mais comum em mulheres negras, mas como o Brasil se trata de uma nação extremamente miscigenada, dificilmente existe alguém 100% branco ou negro, logo essa afirmação não vale para o nosso país.

Outros fatores que predispõem ao mioma são a obesidade, não ter filhos e o histórico familiar. Sua causa é desconhecida, mas pode ser causado por um desequilíbrio hormonal, uma vez que, com a chegada da menopausa e a queda na produção de hormônios, o mioma costuma encolher e até desaparecer, não existindo registro antes da primeira menstruação.

A maior parte dos miomas são descobertos por “acidente”, isso é, quando não havia suspeita dos mesmos: exames de rotina, em que o médico pede uma ultrassonografia pélvica ou transvaginal por queixas de dor no abdômen ou alteração na menstruação, e neste exame foi descoberto um mioma, por exemplo. Geralmente, a causa dessa dor/desconforto abdominal ou alteração da menstruação não se deu devido ao mioma, mas por algum outro motivo a ser diagnosticado.

Conforme citado anteriormente, o mioma pode estar localizado em qualquer local do útero: fora, dentro, no meio ou alguma combinação destes. Quando fora ou no meio do útero, dificilmente causa alguma coisa, podendo gerar algum desconforto quando não muito grandes. Os mais preocupantes ocorrem na parte interna do útero, isso porque, quando neste local, podem vir a dificultar a gravidez ou fazer com que a menstruação ocorra em maior quantidade e/ou dure mais tempo.

Outro fator preocupante é o crescimento do mioma, por isso a necessidade do controle após a sua descoberta. Quando ocorre um crescimento rápido do tumor, pode não se tratar de um mioma e sim um sarcoma, que não é um tumor benigno e sim um tipo de câncer no útero. Assim, com a descoberta de um mioma, são necessárias ultrassonografias periódicas para a avaliação do seu crescimento.

A necessidade de tratamento se estende apenas a aqueles que são muito grandes, de crescimento rápido, que dificultam uma gravidez ou que estão sangrando demais. Caso contrário, apenas em caso de preocupação por parte da paciente.

O tratamento definitivo do mioma é a retirada do útero pois, como explicado anteriormente, só existe mioma no útero, mas é um tratamento extremo para algo que, na maioria das vezes, não causará mal algum. Outros tratamentos dependem do caso específico da paciente, do que sente e sua necessidade: se for um mioma que atrapalhe a gravidez, pode ser necessária sua retirada; se for um mioma que sangra muito e esteja causando anemia, um método para controle ou parada do sangramento é suficiente; mas em miomas que estejam crescendo muito e/ou muito rápido, uma cirurgia deve ser realizada, por poder se tratar não de um mioma, mas de um sarcoma.

A cirurgia pode ser realizada de diversas formas, sendo as principais: via abdominal, com um corte igual ou menor ao de cesariana, dependendo do médico; pela vagina, na qual o repouso é pequeno, por não requerer corte da barriga; ou por laparoscopia. De todas, a pior é a com corte por impor maior repouso e dor maior após a cirurgia. Na laparoscopia e vaginal, o repouso é quase o mesmo, sendo possível, na laparoscopia, ver dentro da barriga e, com isso, verificar se existem outras alterações.

Assim, se uma paciente for diagnosticada com um mioma e ele não estiver crescendo rapidamente, não for muito grande, não impedir gravidez ou causar anemia, não será necessário nenhum tratamento, a menos que a mesma não consiga conviver com ele. Caso esteja causando um desses fatores, mesmo psicologicamente, aí sim é preciso um tratamento, sempre lembrando que qualquer cirurgia pode levar a complicações e em caso de dúvida quanto a sua necessidade, deve-se procurar uma segunda opinião.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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Você sabe o que é fibroadenoma?

Por Dr. Ricardo Wagner(*)

Hoje falaremos sobre o fibroadenoma, o tumor mais frequente da mama e que pode se desenvolver em qualquer idade, ocorrendo frequentemente em adolescentes e menores de trinta anos. É um tumor benigno, conforme explicado em postagem anterior, sobre miomas. Sua causa é desconhecida, mas assim como os miomas, acredita-se que pode estar relacionada aos hormônios reprodutivos. O fibroadenoma de mama aparece como um nódulo duro que não causa dor ou incômodo, semelhante a uma bolinha de gude. Ele raramente vira câncer e, na maioria dos casos, não necessita de tratamento específico, podendo desaparecer após a menopausa.

No exame da mama, o fibroadenoma é um tumor de forma arredondada, duro ou com consistência de borracha, c que se move de um lado para outro, não ficando agarrado ao tecido que o rodeia; tem um tamanho de 2 a 3 centímetros. Por essas características, ele é muitas vezes palpável, tanto pelo médico como pela paciente.

Então se você notou um mais caroço na sua mama a primeira providência antes de se desesperar é procurar um médico, principalmente para afastar o câncer de mama, pois ele também é um nódulo indolor só que com algumas características diferentes do fibroadenoma. Mas qual médico procurar? Você pode procurar um desses 4 especialistas: mastologista, ginecologista, cirurgião oncológico ou oncologista.

Eles irão examinar sua mama e dependendo da idade irão pedir alguns exames, os principais são a mamografia e a ultrassonografia da mama. Se tiver mais de 40 anos fará os 2 se menos talvez só o ultrassom resolva. Mas porque fazer exames e não tirar logo este nódulo. Primeiro porque pode não ser nada, segundo pois você pode ter outros nódulos que não sejam palpáveis e por último pois além deste nódulo você pode ter um câncer que ainda não consegue sentir nesta mama ou na outra, por isso temos que fazer uma investigação completa das duas mamas.

E qual é o melhor tratamento para o fibroadenoma? Isto dependerá das características do nódulo e das características da paciente. Lesões pequenas, que não são dolorosas podem ser acompanhadas clinicamente, sem a necessidade de cirurgia, mas devem ser acompanhadas com mamografias e ultrassonografias anuais para vigiar o desenvolvimento do nódulo. Lesões maiores e que levem a defeito estético e/ou a paciente deseje remover são melhor abordadas com a cirurgia. Porém, caso o médico suspeite que o nódulo seja câncer em vez de fibroadenoma, pode recomendar cirurgia e fazer uma biópsia que confirme o diagnóstico.

E porque não devemos tirar os nódulos? Primeiro porque a cirurgia pode distorcer a forma e a textura da mama; segundo o fibroadenoma pode diminuir ou desaparecer por si só; e por último porque a mama pode ter vários fibroadenomas e mesmo após sua retirada outros nódulos podem surgir e a paciente ficaria sendo cortada com frequência. Por tanto a cirurgia só deve ser utilizada em casos de suspeita de câncer da mama. Mas se a forma do nódulo se alterar ou se ele estiver crescendo pode ser necessário removê-lo.

Então façam o autoexame mensalmente, consultem com um ginecologista anualmente e durante a consulta peça para que ele também examine suas mamas e após os 40 anos façam a mamografia anualmente.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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Dores nas mamas

Outro assunto que sempre causa dúvidas e preocupação entre as mulheres são as dores nas mamas; no meio médico esta dor é chamada mastalgia. A dor na mama é um dos sintomas mais comuns em mulheres, podendo aparecer em qualquer fase da vida e se apresentando como um leve desconforto ou até dores severas, que interferem no seu dia a dia. A principal preocupação dessas pacientes é o medo do câncer, mas, na maioria das vezes, o câncer de mama não dói. O câncer, quando em estágio avançado, aparece como um caroço duro que não dói, mas o ideal é que esse diagnóstico seja feito quando ele só aparece na mamografia, não sendo palpável por ninguém nessa fase – médico ou paciente – e sendo identificado somente pelo exame.

Mas voltando a falar sobre o assunto dor nas mamas, é preciso primeiro saber se a dor é na mama ou é uma dor extra-mamária. A dor extra-mamária é referida na mama, porém, é de origem muscular que pode ter acontecido por uma pancada, início na academia, dor na costela. Então, uma vez confirmado que a dor é na mama, esta dor é dividida em cíclica, quando tem relação com o ciclo menstrual, ou acíclica, quando não tem relação com a menstruação.

Quando tais dores ocorrem próximas ao ao período menstrual, geralmente tem como causas as alterações hormonais e, ao entender que a dor não está relacionada a processo maligno, nem eleva o risco para o câncer, a mulher passa a encarar o sintoma com naturalidade, tornando-o suportável. Já as dores acíclicas têm várias outras causas que vão desde alimentação errada, falta de atividade física, sutiã errado e o estresse emocional, sendo menos comum que a cíclica. Então, quando uma paciente entra no consultório e menciona dor na mama, o primeiro passo a tomar é tranquilizá-la, mostrando que a dor raramente possui relação com o câncer de mama.

Se a paciente examinada tiver mais de 40 anos, e nada for encontrado na mama,  pede-se uma mamografia para checar por lesões na mama. O risco de câncer subclínico, após exame físico e mamografia normais, é estimado em apenas 0,5%. Pacientes com menos de 40 anos devem fazer ultrassonografia da mama, com a qual alterações muito pequenas, que não seriam detectadas durante palpação, podem ser identificadas.

É necessário instruir pacientes sobre a ação que alguns alimentos podem ter na mama, os quais deveriam ser evitados em períodos de maior incômodo, tais como: xantinas e metilxantinas, encontradas nos chocolates e achocolatados, refrigerantes (principalmente aqueles feitos na base de coca), chás (preto e mate), ginseng, coco e no café; sal e açúcar refinados, pois aumentam a retenção de líquido; recomenda-se ainda a redução a quantidade de gordura da alimentação. Além disso, práticas que devem ser adotadas incluem: o uso de um sutiã confortável, de tamanho adequado, que promova contenção e sustentação das mamas, diminuindo a mobilidade mamária; redução nas doses dos hormônios, seja para menopausa ou anticoncepcionais; atividade física regular, para a liberação de endorfinas, substâncias “analgésicas e anti-inflamatórias” produzidas pelo corpo; além da manutenção do peso correto para sua altura.

Se, apesar de todas essas práticas, a dor persistir, será iniciado o uso de medicamentos, podendo eles ser à base de hormônios, analgésicos, anti-inflamatórios, dentre outros. Em suma, o tratamento de dor mamária pode ser explicado em três passos: excluir a possibilidade de câncer; orientação e tranquilização da paciente; e medicar ao mínimo.