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Miomas, tumores benignos

Por Dr. Ricardo Wagner(*)

Hoje iremos falar sobre os miomas, que são tumores benignos; o significado da palavra deriva de “leio”, que significa liso, “mio” que significa músculo e “oma” que significa tumor. Nem todo tumor é câncer e existem dois tipos do mesmo: tumores benignos e malignos, sendo que todos os malignos são câncer, inexistindo a doença em um tumor benigno.

Voltando ao mioma, não há causa para apreensão quanto a ele, se trata de um tumor benigno, composto basicamente de músculo, que cresce dentro, no meio ou fora do útero, podendo alterar sua forma. Algumas pessoas podem ter apenas um mioma mas, não maioria das vezes, quem tem um, tem outros, de forma similar aos nódulos de mama. Dados online explicam que o fenômeno é mais comum em mulheres negras, mas como o Brasil se trata de uma nação extremamente miscigenada, dificilmente existe alguém 100% branco ou negro, logo essa afirmação não vale para o nosso país.

Outros fatores que predispõem ao mioma são a obesidade, não ter filhos e o histórico familiar. Sua causa é desconhecida, mas pode ser causado por um desequilíbrio hormonal, uma vez que, com a chegada da menopausa e a queda na produção de hormônios, o mioma costuma encolher e até desaparecer, não existindo registro antes da primeira menstruação.

A maior parte dos miomas são descobertos por “acidente”, isso é, quando não havia suspeita dos mesmos: exames de rotina, em que o médico pede uma ultrassonografia pélvica ou transvaginal por queixas de dor no abdômen ou alteração na menstruação, e neste exame foi descoberto um mioma, por exemplo. Geralmente, a causa dessa dor/desconforto abdominal ou alteração da menstruação não se deu devido ao mioma, mas por algum outro motivo a ser diagnosticado.

Conforme citado anteriormente, o mioma pode estar localizado em qualquer local do útero: fora, dentro, no meio ou alguma combinação destes. Quando fora ou no meio do útero, dificilmente causa alguma coisa, podendo gerar algum desconforto quando não muito grandes. Os mais preocupantes ocorrem na parte interna do útero, isso porque, quando neste local, podem vir a dificultar a gravidez ou fazer com que a menstruação ocorra em maior quantidade e/ou dure mais tempo.

Outro fator preocupante é o crescimento do mioma, por isso a necessidade do controle após a sua descoberta. Quando ocorre um crescimento rápido do tumor, pode não se tratar de um mioma e sim um sarcoma, que não é um tumor benigno e sim um tipo de câncer no útero. Assim, com a descoberta de um mioma, são necessárias ultrassonografias periódicas para a avaliação do seu crescimento.

A necessidade de tratamento se estende apenas a aqueles que são muito grandes, de crescimento rápido, que dificultam uma gravidez ou que estão sangrando demais. Caso contrário, apenas em caso de preocupação por parte da paciente.

O tratamento definitivo do mioma é a retirada do útero pois, como explicado anteriormente, só existe mioma no útero, mas é um tratamento extremo para algo que, na maioria das vezes, não causará mal algum. Outros tratamentos dependem do caso específico da paciente, do que sente e sua necessidade: se for um mioma que atrapalhe a gravidez, pode ser necessária sua retirada; se for um mioma que sangra muito e esteja causando anemia, um método para controle ou parada do sangramento é suficiente; mas em miomas que estejam crescendo muito e/ou muito rápido, uma cirurgia deve ser realizada, por poder se tratar não de um mioma, mas de um sarcoma.

A cirurgia pode ser realizada de diversas formas, sendo as principais: via abdominal, com um corte igual ou menor ao de cesariana, dependendo do médico; pela vagina, na qual o repouso é pequeno, por não requerer corte da barriga; ou por laparoscopia. De todas, a pior é a com corte por impor maior repouso e dor maior após a cirurgia. Na laparoscopia e vaginal, o repouso é quase o mesmo, sendo possível, na laparoscopia, ver dentro da barriga e, com isso, verificar se existem outras alterações.

Assim, se uma paciente for diagnosticada com um mioma e ele não estiver crescendo rapidamente, não for muito grande, não impedir gravidez ou causar anemia, não será necessário nenhum tratamento, a menos que a mesma não consiga conviver com ele. Caso esteja causando um desses fatores, mesmo psicologicamente, aí sim é preciso um tratamento, sempre lembrando que qualquer cirurgia pode levar a complicações e em caso de dúvida quanto a sua necessidade, deve-se procurar uma segunda opinião.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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Você sabe o que é fibroadenoma?

Por Dr. Ricardo Wagner(*)

Hoje falaremos sobre o fibroadenoma, o tumor mais frequente da mama e que pode se desenvolver em qualquer idade, ocorrendo frequentemente em adolescentes e menores de trinta anos. É um tumor benigno, conforme explicado em postagem anterior, sobre miomas. Sua causa é desconhecida, mas assim como os miomas, acredita-se que pode estar relacionada aos hormônios reprodutivos. O fibroadenoma de mama aparece como um nódulo duro que não causa dor ou incômodo, semelhante a uma bolinha de gude. Ele raramente vira câncer e, na maioria dos casos, não necessita de tratamento específico, podendo desaparecer após a menopausa.

No exame da mama, o fibroadenoma é um tumor de forma arredondada, duro ou com consistência de borracha, c que se move de um lado para outro, não ficando agarrado ao tecido que o rodeia; tem um tamanho de 2 a 3 centímetros. Por essas características, ele é muitas vezes palpável, tanto pelo médico como pela paciente.

Então se você notou um mais caroço na sua mama a primeira providência antes de se desesperar é procurar um médico, principalmente para afastar o câncer de mama, pois ele também é um nódulo indolor só que com algumas características diferentes do fibroadenoma. Mas qual médico procurar? Você pode procurar um desses 4 especialistas: mastologista, ginecologista, cirurgião oncológico ou oncologista.

Eles irão examinar sua mama e dependendo da idade irão pedir alguns exames, os principais são a mamografia e a ultrassonografia da mama. Se tiver mais de 40 anos fará os 2 se menos talvez só o ultrassom resolva. Mas porque fazer exames e não tirar logo este nódulo. Primeiro porque pode não ser nada, segundo pois você pode ter outros nódulos que não sejam palpáveis e por último pois além deste nódulo você pode ter um câncer que ainda não consegue sentir nesta mama ou na outra, por isso temos que fazer uma investigação completa das duas mamas.

E qual é o melhor tratamento para o fibroadenoma? Isto dependerá das características do nódulo e das características da paciente. Lesões pequenas, que não são dolorosas podem ser acompanhadas clinicamente, sem a necessidade de cirurgia, mas devem ser acompanhadas com mamografias e ultrassonografias anuais para vigiar o desenvolvimento do nódulo. Lesões maiores e que levem a defeito estético e/ou a paciente deseje remover são melhor abordadas com a cirurgia. Porém, caso o médico suspeite que o nódulo seja câncer em vez de fibroadenoma, pode recomendar cirurgia e fazer uma biópsia que confirme o diagnóstico.

E porque não devemos tirar os nódulos? Primeiro porque a cirurgia pode distorcer a forma e a textura da mama; segundo o fibroadenoma pode diminuir ou desaparecer por si só; e por último porque a mama pode ter vários fibroadenomas e mesmo após sua retirada outros nódulos podem surgir e a paciente ficaria sendo cortada com frequência. Por tanto a cirurgia só deve ser utilizada em casos de suspeita de câncer da mama. Mas se a forma do nódulo se alterar ou se ele estiver crescendo pode ser necessário removê-lo.

Então façam o autoexame mensalmente, consultem com um ginecologista anualmente e durante a consulta peça para que ele também examine suas mamas e após os 40 anos façam a mamografia anualmente.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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Dores nas mamas

Outro assunto que sempre causa dúvidas e preocupação entre as mulheres são as dores nas mamas; no meio médico esta dor é chamada mastalgia. A dor na mama é um dos sintomas mais comuns em mulheres, podendo aparecer em qualquer fase da vida e se apresentando como um leve desconforto ou até dores severas, que interferem no seu dia a dia. A principal preocupação dessas pacientes é o medo do câncer, mas, na maioria das vezes, o câncer de mama não dói. O câncer, quando em estágio avançado, aparece como um caroço duro que não dói, mas o ideal é que esse diagnóstico seja feito quando ele só aparece na mamografia, não sendo palpável por ninguém nessa fase – médico ou paciente – e sendo identificado somente pelo exame.

Mas voltando a falar sobre o assunto dor nas mamas, é preciso primeiro saber se a dor é na mama ou é uma dor extra-mamária. A dor extra-mamária é referida na mama, porém, é de origem muscular que pode ter acontecido por uma pancada, início na academia, dor na costela. Então, uma vez confirmado que a dor é na mama, esta dor é dividida em cíclica, quando tem relação com o ciclo menstrual, ou acíclica, quando não tem relação com a menstruação.

Quando tais dores ocorrem próximas ao ao período menstrual, geralmente tem como causas as alterações hormonais e, ao entender que a dor não está relacionada a processo maligno, nem eleva o risco para o câncer, a mulher passa a encarar o sintoma com naturalidade, tornando-o suportável. Já as dores acíclicas têm várias outras causas que vão desde alimentação errada, falta de atividade física, sutiã errado e o estresse emocional, sendo menos comum que a cíclica. Então, quando uma paciente entra no consultório e menciona dor na mama, o primeiro passo a tomar é tranquilizá-la, mostrando que a dor raramente possui relação com o câncer de mama.

Se a paciente examinada tiver mais de 40 anos, e nada for encontrado na mama,  pede-se uma mamografia para checar por lesões na mama. O risco de câncer subclínico, após exame físico e mamografia normais, é estimado em apenas 0,5%. Pacientes com menos de 40 anos devem fazer ultrassonografia da mama, com a qual alterações muito pequenas, que não seriam detectadas durante palpação, podem ser identificadas.

É necessário instruir pacientes sobre a ação que alguns alimentos podem ter na mama, os quais deveriam ser evitados em períodos de maior incômodo, tais como: xantinas e metilxantinas, encontradas nos chocolates e achocolatados, refrigerantes (principalmente aqueles feitos na base de coca), chás (preto e mate), ginseng, coco e no café; sal e açúcar refinados, pois aumentam a retenção de líquido; recomenda-se ainda a redução a quantidade de gordura da alimentação. Além disso, práticas que devem ser adotadas incluem: o uso de um sutiã confortável, de tamanho adequado, que promova contenção e sustentação das mamas, diminuindo a mobilidade mamária; redução nas doses dos hormônios, seja para menopausa ou anticoncepcionais; atividade física regular, para a liberação de endorfinas, substâncias “analgésicas e anti-inflamatórias” produzidas pelo corpo; além da manutenção do peso correto para sua altura.

Se, apesar de todas essas práticas, a dor persistir, será iniciado o uso de medicamentos, podendo eles ser à base de hormônios, analgésicos, anti-inflamatórios, dentre outros. Em suma, o tratamento de dor mamária pode ser explicado em três passos: excluir a possibilidade de câncer; orientação e tranquilização da paciente; e medicar ao mínimo.

Artigo: Desmistificando os implantes hormonais

Por Dr. Ricardo Wagner ( * )

Vocês já ouviram falar em implantes hormonais? Muitas de vocês certamente já, e talvez até já o tenham usado, pois há alguns anos a Secretaria de Saúde de Parauapebas disponibilizou um desses implantes como método anticoncepcional. Muitas se adaptaram bem, outras nem tanto. Isso porque o implante disponibilizado pela prefeitura tinha um inconveniente, um sangramento irregular que é muito comum com ele e por isso muitas optaram por retirá-lo.

Sabiam que os implantes são o método anticoncepcional mais seguro, bem mais seguro que a laqueadura ou a vasectomia? Enquanto na laqueadura a chance de gravidez é de 1% no implante, essa chance no implante hormonal é de apenas 0,05%, sendo ele, então, vinte vezes, isso mesmo, vinte vezes mais seguro.

No mercado existem vários hormônios que podem ser manipulados sob a forma de implantes e assim serem usados como método anticoncepcional, e cada um destes têm um custo e uma duração diferente. No caso do implante disponibilizado pela prefeitura de Parauapebas, ele tinha a duração de três anos. Mas existem implantes que duram seis meses e até 1 ano.

Os ovários das mulheres produzem várias substâncias importantes, dentre essas, duas são de fundamental importância para elas, que são os hormônios femininos Estrogênio e Progesterona.

O Estrogênio é o responsável pelas características físicas da mulher, como o desenvolvimento das mamas, a distribuição da gordura e dos pelos do corpo (que são diferentes da distribuição do homem).

Já progesterona, como o próprio nome diz, é derivado da palavra pro gestare e é o grande responsável pela manutenção da gravidez. Porém, quando a mulher não engravida, ele é o causador do inchaço que antecede o período da menstruação, gerando o desconforto mamário e as dores de cabeça, entre outros sintomas.

A maioria dos métodos anticoncepcionais existentes, seja ele comprimido, injeção, adesivos, anel vaginal, têm como base a progesterona, por isso algumas pacientes ficam um pouco mais inchadas quando o usam. Dos implantes utilizados para evitar a gravidez, o que as mulheres mais procuram é um chamado gestrinona, que também é o mais caro de todos e tem duração de mais ou menos 1 ano.

E porque ele é o mais desejado? Primeiro porque dificilmente causa sangramento irregular. Mas seu grande segredo está no universo das mulheres que frequentam as academias. Essas mulheres descobriram um efeito colateral da gestrinona, que era o que elas buscavam, um corpo mais perfeito. Ela aumenta o metabolismo destas mulheres acelerando a queima de gordura e criando mais músculos, ficando, então, mais facilmente com a barriga “chapada” e as pernas mais grossas e sem celulite. Outro efeito colateral da gestrinona, mas neste caso quem desfruta é o marido é que ela aumenta o apetite sexual da mulher.

Então eu só tenho a ganhar com o uso da gestrinona? Não, tudo na vida tem seu preço! Ela também tem efeitos colaterais, que não são desejados pelas mulheres, são eles: mudança no tom de voz, que vai ficando mais rouca e grave; aumento da oleosidade da pele, provocando acne; probabilidade de engrossar o cabelo.

Por isso, nem todas as mulheres são candidatas a este tipo de implante. Imaginem uma cantora que ganha sua vida com a voz e ao usar o implante não consegue mais cantar no mesmo tom. Por isso é importante uma avaliação médica para saber qual o melhor tipo de implante anticoncepcional para o seu perfil. O implante que a sua amiga usa talvez não seja o ideal para o seu estilo de vida e o seu biótipo.

Na medicina existem, ainda, outras aplicações para os implantes, como tratamento de menopausa; andropausa (menopausa do homem); e problemas de tireoide, entre outros, mas isso abordaremos em uma próxima conversa.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

Saúde da Mulher

Artigo: Desmistificando as cirurgias íntimas

Por Dr. Ricardo Wagner ( * )

Muitas de vocês já devem ter ouvido falar de alguém que já fez alguma cirurgia na área genital. A cirurgia mais conhecida é a perineoplastia. Esta cirurgia é feita em mulheres que tiveram mais de 1 parto por via vaginal para correções de roturas ou perda de urina aos esforços.

Mas não é disso que quero falar com você hoje. Vamos falar de uma situação em que várias mulheres não falam com ninguém, nem com o médico, nem com a amiga e nem mesmo com o seu marido ou namorado, apesar disso a incomodar bastante. Estou falando do aumento dos pequenos lábios vaginais.

Ao longo desta minha convivência com as pacientes, vejo que muitas convivem com a vergonha do corpo, de ficar nua na frente de alguém, com o desconforto ao andar de bicicleta ou em usar uma calca jeans apertada, ou roupas de ginástica, pelo simples fato de que não sabem que esse aumento tem tratamento e que hoje, com a evolução da cirurgia íntima, conseguimos um aspecto estético bem natural.

Esta falta de conhecimento não é culpa de vocês e sim de nós, ginecologistas, pois somos preparados em nossa formação médica e da especialidade a tratarmos doenças. A parte estética é sempre deixada para segundo plano, principalmente por essa formação ocorrer 99% das vezes em serviços públicos via SUS e todos nós sabemos que a saúde de nosso país anda sem recursos, seja aqui em Parauapebas ou em outros lugares.

Então não tem como ficarmos operando a parte estética e deixar de fazer cirurgias que podem salvar ou melhorar a qualidade de vida de uma pessoa. Assim, não fazemos e nem vemos muito dessas cirurgias chamadas estéticas e quando vemos elas geralmente são feitas por pessoas que também não estão acostumadas a fazer. Assim o aspecto estético nunca fica bom.

Desta forma entravamos em uma roda viva. Vemos poucas cirurgias e quando vemos o aspecto estético não ficava bom. E ai quando você toma a coragem de falar com o médico que não se sente bem com o tamanho de seus lábios, que tem vergonha de ter relação sexual e que só faz de luz apagada, que não se troca perto do marido o que este médico te diz? Ele simplesmente olha para você e diz: “meche com isso não, pois a cirurgia vai deixar ela ainda mais feia, e talvez pode até atrapalhar você a ter prazer”. Sei disso pois até novembro de 2016 era um desses médicos.

Ano passado fui a um Congresso de Medicina em João Pessoa – Paraíba e nele assisti uma palestra do Dr. Paulo Guimarães – um dos maiores especialistas do mundo neste tema – sobre estética vaginal.  Vi os resultados obtidos por ele. Por isso resolvi fazer, em março deste ano, um curso de estética vaginal ministrado por ele em Brasília, quando foi ensinada a sua técnica. Fizemos nestes 5 dias de curso mais de 30 cirurgias. Hoje consigo ajudar essas pacientes e orientá-las corretamente.

É logico que a cirurgia intima não se resume a períneo e redução dos pequenos lábios vaginais. Neste curso aprendemos vários outros procedimentos, como por exemplo, a ampliação do ponto G, que melhora o prazer sexual de mulheres que tem orgasmos vaginais e não clitoriano e a criação o ponto H, que amplifica o prazer do homem (o ponto é feito na mulher) durante a relação sexual, mas estes tópicos abordaremos em uma outra oportunidade.

( * ) –  especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300,  esquina com  Rua 4, bairro Cidade Nova.

Saúde

Atenção integral à saúde da mulher é discutida durante conferência de saúde em Parauapebas

O evento foi promovido pelo Conselho Municipal de Saúde (CMSP) e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, com apoio das secretarias municipais de Saúde e Mulher

Alta de taxa de óbito materno, feminização da Aids e aumento da quantidade de mulheres com transtornos mentais foram alguns dos assuntos apresentados brilhantemente pela enfermeira da rede pública de Parauapebas, Cleice Reis, durante a palestra magna de abertura da I Conferência Municipal de Saúde da Mulher, realizada na sexta-feira (19), no auditório do IFPA.

O evento foi promovido pelo Conselho Municipal de Saúde (CMSP) e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, com apoio das secretarias municipais de Saúde e Mulher, com o foi objetivo discutir a “Implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher”, tema da Conferência.

Durante a conferência foram eleitos delegados que participarão do evento estadual, que realizar-se-á em Belém, promovido pelo Conselho Estadual de Saúde. As conferências municipais e estaduais para tratar da Atenção à Saúde da Mulher ocorre em todo o país e todas as propostas discutidas serão levadas para a 2ª Conferência Nacional de Saúde, que realizar-se-á em Brasília, no mês de agosto, promovida pelo Conselho Nacional de Saúde.

Em sua fala, na abertura do evento, o presidente do CMSP, Mardem Henrique, destacou os impactos que as reformas trabalhistas e previdenciárias terão na saúde da mulher, caso elas se efetivem da forma como têm sido propostas pelo governo federal, e reforçou a necessidade de discutir de forma mais ampliada as políticas voltadas à saúde da mulher.

“Temos que discutir no contexto político nacional a PEC que limita os investimentos em saúde e em educação. Isso é um absurdo, temos que repudiar. Esta plenária é de suma importância para que a sociedade participe, solte sua voz, para que não permitamos um retrocesso do Sistema Único de Saúde, que garanta a sua universalidade e equidade. Não é simplesmente tratar do câncer ou do preventivo, existe toda uma política macro que delineia os investimentos nas políticas públicas implementadas e na saúde da mulher não é diferente”, afirmou Marden Henrique.

Sobre a realidade municipal, o presidente do conselho disse que a rede de atendimento à saúde da mulher não está boa. “O Conselho está aqui para ajudar a encontrar essas falhas. Precisamos fazer uma reflexão da situação da atenção à saúde da mulher em nosso município, não adianta fazermos conferência e a partir de amanhã cada um ir para suas casas e as políticas públicas de fato não sejam implementadas por quem é de dever implementar e por quem é de direito cobrar que somos nós, o controle social. Precisamos rever sim a situação do preventivo em Parauapebas, que já está parado desde o ano passado e até então não foi retomado. A mamografia está estagnada e são todos avanços de política preventiva de saúde da mulher. Então se vamos discutir, vamos começar por aqui, pelo nosso quadrado, pela nossa realidade”.

Dados apresentadas na Conferência

De acordo com o último Censo realizado pelo IBGE, Parauapebas contava com 76.015 mulheres, o que representava 49,39% da população. As principais causas de morte de mulheres em Parauapebas, nos últimos anos, são: Diabetes Mellitus, Acidente Vascular Cerebral e Infarto Agudo do Miocárdio. Outro dado preocupante é o relacionado ao aumento de mulheres com transtornos mentais. De acordo com os dados do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), 58% do público atendido na unidade de saúde é de mulher, a maior parte com quadros de Depressão e Transtornos Ansiosos.

Os dados relacionados à taxa de mortalidade materno infantil também foram discutidos durante a conferência, no sentido de propor melhorias nas políticas voltadas para o atendimento do pré-natal e assistência ao parto. Em 2017 a taxa de mortalidade materna do município está em 135,96 por 100 mil nascidos, de acordo com o Ministério da Saúde. Esse número é calculado levando em consideração o “número de óbitos femininos por causas maternas, por 100 mil nascidos vivos, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado” (OPAS, 2002).

O número de nascidos vivos em Parauapebas reduziu ao longo dos últimos anos, de 2013 à 2016, foram 5.162, 5.355, 5.014 e 4.638 respectivamente. Em 2017, até agora, foram 1.471 nascidos vivos, conforme os registros do Ministério da Saúde.

Com relação à sífilis congênita, doença sexualmente transmissível durante a gravidez e que pode causar graves sequelas, tanto para a mãe quanto para o feto, inclusive podendo levar ao óbito, Parauapebas tem uma taxa elevada de incidência, a média entre 2013 e 2016 foi de 11,5%.

Os números relacionados à proporção de gravidez na adolescência caíram entre 2013 e 2016, os percentuais foram 24,04% e 18,40% respectivamente, mas em 2017 houve um leve aumento, até a presente data o percentual está em 19,5%. Em 2016 o número de mulheres com HIV e de gestantes com HIV se equipararam, 26 em cada grupo, totalizando em 52 casos.

Em 2016 também foram registrados 12 casos de grávidas com Zika Vírus, e, de acordo com a enfermeira Cleice Reis, o município tem quatro crianças com caso de microcefalia, porém apenas uma tem relação com o Zika Vírus. Dentre as doenças infecciosas transmitidas sexualmente, a Síndrome do Corrimento Cervical em Mulheres foi a que teve os maiores índices de ocorrência entre 2013 e 2016.

Os dados relacionados à violência contra a mulher também foram apresentados. Conforme os órgãos oficiais, apenas 234 casos foram registrados em 2016. “Diariamente a Polícia Militar (PM) realiza pelo menos dois procedimentos relacionados à Lei Maria da Penha (esses dados são informais). Onde estão essas mulheres? Elas estão procurando a rede de saúde? Claro que sim, mas nossos profissionais não estão preparados para verificar os sinais das vítimas de agressão e fazer a notificação. Temos dados irrisórios, dessa forma não conseguimos lutar por políticas públicas. É preciso notificar mais os casos de violência doméstica. Também precisamos de um protocolo de atendimento eficiente para essas mulheres, tanto na rede de Saúde, quanto na rede da Secretaria Municipal da Mulher”, afirmou a assistente social, Juliana Araújo, que também participou da palestra magna.

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