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Política

Adnan Demachki esteve em Marabá e disse que governo não vai criar falsas expectativas sobre a Cevital

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia afirmou que as negociações continuam, mas não fixou datas nem disse em que estágio estão

Por Eleutério Gomes – de Marabá

O temor de que aconteça com a Siderúrgica Cevital o que ocorreu com a natimorta Alpa (Aços Laminados do Pará), a qual gerou grande expectativa de investimentos e empregos na cidade, atraiu grande leva migratória e, por fim, não saiu do papel, a Câmara Municipal de Marabá decidiu tomar posição firme. Doravante vai acompanhar e participar ativamente das tratativas que cercam a instalação da empresa em solo marabaense. E isso foi comunicado, na tarde desta quarta-feira (28), ao secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Adnan Demachki, em reunião fechada com uma comissão de vereadores, que entrou pala noite.

Antes da reunião, entretanto, Adnan concedeu coletiva aos meios de Comunicação locais para falar sobre o assunto. Novamente ele não fixou prazos nem falou do estágio em que se encontra o empreendimento. Disse que o governo continua trabalhando para criar um cenário adequado para a implantação da siderúrgica em Marabá. “Um investimento desse porte não se faz por decisão de um político, se faz por decisão de quem vai empreender, das empresas. Não é também um investimento de uma pequena empresa, é um investimento de algo em torno de 6 bilhões de dólares [cerca de R$ 19,68 bilhões]”, destacou o secretário.

Sem falsa expectativa

Ele lembrou que o cenário mundial, em relação ao aço, está retraído, muitas empresas fecharam no mundo todo e algumas no Brasil e observou que o cenário nacional é o pior possível.  “A gente não quer criar expectativa falsa. A sociedade não merece reproduzir o que aconteceu aqui no passado, de anunciar algo e depois não realizar”. Disse que continua conversando com as duas empresas, a Cevital e a Vale, e que na próxima segunda-feira (3 de julho) novamente vai ao Rio para mais uma série de reuniões com a mineradora: “Existem muitos critérios, muitas nuances nesse processo todo, e está se reestruturando o projeto inicial para que efetivamente se tenha viabilidade econômica”, salientou.

Adnan afirmou que, quando houver uma decisão sobre quando as coisas vão começar a acontecer efetivamente, serão as duas empresas que virão a Marabá anunciar para a sociedade: “O governo não constrói nada, o papel do governo é criar um cenário, seja de incentivo fiscal, seja de viabilização da logística, viabilização da área, busca de mercado, financiamentos, esse é o papel do governo e é o que nós estamos fazendo nesse momento pra tentar atrair aqui para Marabá essa siderúrgica”.

Zona de Processamento

Sobre a ZPE (Zona de Processamento de Exportação), Adnan Demachki também não estipulou prazo e explicou que houve necessidade de reestruturar o projeto inicial para apresentar ao Ministério de Indústria e Comércio. “Estamos trabalhando e atacando em várias frentes ao mesmo tempo. Orem, se quiserem nos ajudar. Não haverá da nossa parte nada que não seja a verdade, não estamos fazendo proselitismo nem campanha política. A gente está trabalhando para viabilizar uma indústria para a região, a Cevital está se esforçando e a Vale também tem contribuído”, reforçou.

A respeito da reativação das siderúrgicas Ibérica e Maragusa, no Distrito Industrial, voltando a produzir ferro-gusa, para que a Vale possa dar a elas um tratamento diferenciado no que diz  respeito ao fornecimento de minério de ferro, Adnan Demachki contou que já recebeu os executivos das duas empresas. “Eu disse a eles da disposição do Estado e já conversei até com a Vale e não há dificuldade da gente encontrar uma equação para viabilizar. Entretanto, eles não vão poder repetir o que provocou o fechamento do polo guseiro em Marabá: o uso do carvão de floresta nativa, de desmatamento, da exploração do trabalho escravo e do trabalho infantil”, advertiu, complementando: “Se o carvão for de eucalipto não tem a menor dificuldade. O Estado vai apoiar o retorno dessas duas guseiras. Não podemos manter o mesmo modelo do passado”.

Ferrovia

Sobre a Fepasa (Ferrovia Paraense), PPP (Parceria Público Privada), que receberá investimentos de R$ 8 bilhões e garantirá o escoamento da produção paraense para outros Estados e para fora do País, Demachki disse que esse projeto também está caminhando. “Não é o governo que vai construir, é uma PPP que nos foi apresentada em 2015, está avançando, queremos fazer aqui em Marabá uma audiência pública sobre a ferrovia no começo de agosto”, anunciou ele, informando que também haverá também audiências em Santana do Araguaia, Barcarena, e Paragominas. “A gente quer que a sociedade esteja presente para conhecer o projeto da ferrovia. Estamos trabalhando para isso, estamos na busca de interessados. Claro que o cenário nacional é o pior possível, a gente vê que os investidores pisam no freio, se afastam, mas não vamos desanimar. Vamos ouvir sugestões para o edital de licitação porque queremos publicá-lo até o final do ano”, antecipou.

Câmara

Ouvido pelo Blog, o presidente da Câmara Municipal de Marabá, Pedro Correia Lima (PTB), disse que, diante da preocupação da sociedade quanto à vinda ou não da Cevital, respeita a posição do governo no Estado, de não passar uma falsa expectativa à sociedade, para não acontecer o que aconteceu com a Alpa, mas decidiu fazer parte desse processo e para isso formou uma comissão de vereadores. “Até então só olhávamos de longe, já se passaram dois anos e muitos comentários negativos chamaram a nossa atenção. A Câmara Municipal precisa estar inserida nesse processo para que não corra o risco de perder esse empreendimento tão importante para Marabá”, concluiu.

Saúde

Secretário de Saúde de Marabá explica por que a prefeitura não tem condições de colocar a UPA da Cidade Nova para funcionar

No prédio funcionará toda a parte ambulatorial do Serviço de Atenção à Oncologia, hoje inexistente no município.

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Desde que o governo municipal anunciou que o erário não tem condições de mobiliar, equipar nem manter a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Cidade Nova, um grupo político formado pelos vereadores Irismar Araújo Melo (PR), Ilker Morais (PHS) e Marcelo Alves (PT) vem se mobilizando a fim de reverter essa situação. Quer em discursos da tribuna da Câmara Municipal de Marabá, quer em entrevistas a meios de Comunicação ou em audiências públicas, eles garantem que a prefeitura tem sim condições financeiras de abrir a UPA e colocá-la para funcionar e que vão mobilizar a comunidade para que isso aconteça.

Para ter uma posição da Prefeitura de Marabá sobre a UPA da Cidade Nova, o Blog ouviu o secretário municipal de Saúde, o advogado e jornalista Marcone Nunes Leite, que explicou ponto a ponto por que motivo a Administração Municipal não vai fazer a UPA funcionar.

Marcone começou informando que, da UPA, apenas o prédio foi entregue pelo governo passado, já ao apagar das luzes, sem sequer uma única cadeira. Ou seja, sem mobiliário algum muito menos equipamentos médicos.  Disse que para mobiliar e equipar seriam necessários em torno de R$ 2 milhões, fora o valor a ser empregado na contratação de pessoal, principalmente médicos para que a Unidade funcionasse a contento 24 horas.

Depois falou do recurso mensal para a manutenção do serviço com qualidade: entre R$ 1.500.000,00 e R$ 1.800.000,00 mensalmente. “Vamos dizer que o Ministério da Saúde, com muito boa vontade e muito esforço, enviasse R$ 750 mil para a manutenção da UPA, mesmo assim ainda teríamos dificuldade para conseguir o restante, entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão”, explica ele.

Por esse motivo, segundo Marcone Leite, a prefeitura propôs ao Ministério da Saúde que os R$ 1.950.000,00 empregados na construção do prédio sejam devolvidos e, assim, a edificação possa ser usada para outra finalidade, também voltada à saúde pública.

O Blog perguntou ao secretário de Saúde sobre outros municípios que possuem UPA e que estão funcionando. Marcone disse que muitas estão em atividade sim, “mas em condições precárias”, citando como exemplos Parauapebas e Jacundá. Esta última inaugurada há menos de um ano, mas que já funciona com muita dificuldade, devido os elevados custos com manutenção.

“Se não fosse assim, o Ministério da Saúde não estaria abrindo mão e aceitando que muitos outros municípios, cerca de 500 em todo o País, devolvessem o dinheiro da  construção dos prédios”, argumenta ele.

Serviço Oncológico

Segundo o secretário de Saúde de Marabá, o prédio da UPA abrigará em breve um recurso importantíssimo para a comunidade marabaense, o Serviço de Atendimento Oncológico, com a Atenção Básica à Oncologia. Ali, conta ele, homem, mulher e idoso terão atenção básica, como consultas, exames e avaliações. Ou seja, toda a parte ambulatorial de Oncologia. O projeto já está na sua fase final e o serviço deve funcionar em breve.

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