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Parauapebas

Exposição fotográfica que retrata a cultura dos índios Xikrin é bem recebida pelo público

“O grande barato dessa exposição é isso. Trazer essa cultura para perto da cidade, para o ambiente urbano”, disse um professor de geografia da UFPA que visitou a exposição

Quem passa pelo Shopping em Parauapebas tem a oportunidade de prestigiar a exposição “Povo Xikrin do Cateté”, do fotógrafo Anderson Souza, e assim conhecer um pouco sobre a cultura dos primeiros habitantes que se tem registrado na região sudeste do Pará. O lançamento da exposição ocorreu na sexta-feira (17) e os organizadores comemoram a boa recepção por parte dos visitantes.

“Está sendo surpreendente, nunca imaginei que poderia ter esse alcance”, disse Anderson Souza sobre os primeiros dias de exposição, que é resultado de um trabalho realizado ao longo de quatro anos de registro fotográfico dos mais diversos momentos vivenciados pela comunidade indígena Xikrin do Cateté.

“Eu tive a oportunidade de ir frequentemente às aldeias em função de outro trabalho que eu realizava. Chamou muito a minha atenção o modo de viver deles, os traços da sua cultura. Então comecei a fazer os registros despretensiosamente. Sempre tive vontade de fazer um trabalho autoral e depois de algum tempo enxerguei nesses meus registros na aldeia a oportunidade de realizar esse desejo”, relatou Anderson Souza.

A exposição autoral de Anderson Souza segue a linha de trabalho que ele e outros fotógrafos, integrantes do grupo Coletivo 2.8, realizam: o de registrar a região de Carajás por meio da fotografia documental e apresentadas nas exposições “Cenas da Cidade”, com imagens do cotidiano de Parauapebas.  “Nesse contexto, nada mais significativo do que documentar os primeiros habitantes desta região”, pontuou o fotógrafo.

O desejo de levar mais conhecimento para a população local sobre a cultura dos Xikrin também foi um dos motivadores para a realização da exposição. “Acredito que mostrar um pouco dessa simbologia que o povo Xikrin detém e o seu mundo místico foi um dos meus maiores motivos para fazer essa exposição. Moramos há poucos quilômetros de uma aldeia e a gente desconhece completamente o que é a cultura Xikrin”, afirmou Anderson Souza.

“Eu acho que o grande barato dessa exposição é isso. Trazer essa cultura para perto da cidade, para o ambiente urbano”, disse o professor de geografia da UFPA, Luiz Pacheco, que estava passando pelo Shopping e viu a exposição. “Me interessei em vir prestigiar logo que percebi que era uma ação cultural”, acrescentou.

      Fotógrafo Anderson Souza

Ainda sobre a exposição, o professor relata sobre a importância dos registros, já que demonstram uma luta dos indígenas em preservar sua cultura, mas também a grande influência da cultura ocidental no cotidiano da aldeia. “Essa influência é retratada nas fotos como a presença da bola, de um painel de alfabetização, e até mesmo nas vestimentas, principalmente das mulheres”. Eu vi um material de um francês, produzido no final da década de 70 e início de 80, que publicou um livro sobre os Xikrin, mas não teve notoriedade aqui na região. Fazendo uma comparação nas fotografias registradas por ele, percebi uma mudança significativa na cultura dos índios a partir da influência do homem branco. Também vi um documentário em vídeo, desenvolvido a partir da visita à aldeia da rainha do Catar. Portanto, esse material que produzimos é o primeiro totalmente idealizado dentro da nossa região”, informou Anderson Souza.

Algumas peças da exposição serão vendidas e outras doadas, inclusive algumas serão entregues para a Procuradoria Geral da República, por meio da advogada Amanda Saldanha, que é a advogada dos indígenas.

Um pouco sobre os índios Xikrin

Os índios Xikrin Kayapó ou Mebengokré Xikrin, ou seja, “gente do buraco d’água” ou “gente da água grande”, referindo-se aos rios Tocantins e Araguaia, vivem na TI Cateté, com extensão 439.150 ha, contígua às Flonas Carajás, Tapirapé-Aquiri e Itacaiúnas, na região de Carajás, municípios de Parauapebas e Água Azul do Norte, Pará, Brasil, com acesso rodoviário pela PA 279 que liga Xinguara a São Felix do Xingu.

Além da autodenominação mebengokré, os Xikrin costumavam denominar-se Put Karôt, tendo o nome Xikrin surgido do modo como outro grupo kayapó, os Irã-ã-mray-re, hoje extintos, os chamavam. Os Xikrin falam a língua Kayapó (ou Mebengokré), da família linguística Jê, tronco lingüístico Macro-Jê.

Os Xikrin, como a maioria dos subgrupos kayapó do sudeste do Pará, apesar do acesso aos bens de consumo da sociedade envolvente, ainda preservam sua língua e cultura. Atualmente vivem em três aldeias: Cateté, Djudjêkô e O-odjã, com uma população de cerca de 1.015 índios. Em 1982, nos primórdios da implantação do Projeto Ferro Carajás, a população dos Xikrin era em torno de 280 indivíduos.

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