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Marabá

Lixões se “perpetuam” nas esquinas e Ministério do Trabalho tranca coletores na garagem

Prefeitura de Marabá reconhece a deficiência no recolhimento e alega problemas com a empresa de coleta de lixo.

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

A coleta de lixo em Marabá voltou a virar um caos. Com isso, os lixões em esquinas vão crescendo e se perpetuando, atraindo urubus e repelindo os moradores. Em alguns bairros, a ausência da coleta chega a mais de 20 dias. A Prefeitura de Marabá reconhece a deficiência no recolhimento e alega problemas com a empresa de coleta de lixo.

Segundo a prefeitura, nove caminhões deveriam atuar na coleta de lixo do município, mas a empresa responsável atua apenas com quatro veículos no momento. Para ajudar na coleta, o município informou que disponibilizou caminhões para retirar o entulho das ruas. A prefeitura confirmou ainda que deve cerca de R$ 7 milhões à empresa, mas que já fez a negociação e está pagando a dívida de forma parcelada.

Com isso, a cidade vai sendo tomada pelos urubus e os moradores se revoltam. É o caso do comerciante José Elias Castro, que mantém um depósito de bebidas no bairro Belo Horizonte. Ele alega que um lixão vai se formando na esquina a 7 metros de sua casa e o lixo doméstico que vai sendo entulhado pelos moradores atrai urubus e exala mau cheiro. “Está um absurdo, porque o povo aqui da outra rua sabe que a gente tem criança e eles não se preocupam com nada e vem só jogando o lixo e a gente só adoecendo, porque o lixo vem todo para a porta da gente”, reclama ele.

O motorista José Ribamar conta que procurou servidores da limpeza e se propôs a pagar para que eles fizessem a coleta na área. Segundo o morador, o último dia em que foi realizada a coleta na área foi 14 de outubro. “Não é mais e nem menos, eu estou contando e anotando, 20 dias”, relata Ribamar.

Com a ausência da coleta, os moradores evitam deixar o lixo na porta de suas casas e realizam o descarte em qualquer local, como terrenos baldios. A situação resulta em um ambiente propício para a proliferação de larvas do mosquito Aedes aegypti e preocupa os moradores, com a proximidade do período de chuvas.

Em 2014, num esforço de melhorar a coleta de lixo, a Prefeitura de Marabá chegou a colocar até motocicletas com carrocinhas para dar celeridade à coleta em alguns pontos estratégicos, mas até esse serviço não está sendo mais visto pelos moradores do Bairro Laranjeiras, por exemplo.

Em 2016, constam no Portal de Transparência da Prefeitura apenas três pagamentos para a empresa Limpus, que realiza a coleta de lixo em Marabá. Dois deles no valor de R$ 1 milhão cada e outro de R$ 15 mil. Em nota enviada ao blog através da Assessoria de Comunicação, a Prefeitura reconhece o passivo financeiro com a empresa, mas garante que vem pagando mensalmente parte desse valor. “Porém, eles sempre estão com problemas nos caminhões ou nas máquinas que realizam a limpeza na cidade”, disse a nota.

Por telefone, João Marcelo, gerente da Limpus em Marabá, disse à Reportagem do blog que de fato a coleta esteve paralisada nos últimos dias porque a Justiça do Trabalho identificou irregularidades na empresa e impediu a saída dos caminhões para coleta do lixo na rua. “Nossos carros foram liberados agora às 11 horas e, com isso, a coleta bagunçou e o lixo acumulou nas ruas da cidade”, reconheceu.

A previsão otimista de João Marcelo é que até a próxima segunda-feira, dia 7, a coleta na cidade seja normalizada. Todavia, ele não descartou que a fiscalização do Ministério do Trabalho retorne hoje e possa paralisar as ações da empresa novamente porque há pendências que ainda precisam ser resolvidas em relação aos 130 trabalhadores, mas não informou quais. “Vamos trabalhar hoje e amanhã, mas domingo nossas equipes não vão para as ruas”, disse.

O gerente da Limpus confirmou que há débitos em atraso, mas não soube precisar qual o valor. Disse que a Prefeitura vem pagando nos últimos meses, com certo atraso e que ao poucos vai liquidando o saldo devedor.

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