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Marabá

Marabá: Mulheres fazem bolo irônico para celebrar 4 anos de mamógrafo encaixotado

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Uma Sessão Especial da Câmara Municipal de Marabá realizada para celebrar o Outubro Rosa (mês de luta e combate ao câncer de mama) foi marcada por uma comemoração irônica e lamentável.

Um grupo de mulheres foi ao evento e, durante o discurso de Gilmara Mendes, ela convidou todos os presentes para cantar, ironicamente, “Parabéns pra você” em comemoração aos quatro anos em que um mamógrafo foi enviado para Marabá e continua guardado em caixa na sede do Crismu. A festa às avessas tinha um bolo em formato de mamógrafo que, depois de apresentado aos vereadores, foi cortado e servido aos presentes.

Gilmara Mendes revelou que só em Marabá, segundo levantamento que o grupo realizou, há mais de 800 pessoas com câncer. “Elas não têm tratamento em Marabá e no Pará e algumas vão buscar socorro no Maranhão, Tocantins, Piauí, São Paulo e em outros estados. Precisamos não apenas de um Outubro Rosa diferente, mas ações eficazes”, advertiu.

Gilmara apresentou o cenário do Outubro Rosa em 2015 e lembrou que havia demora na entrega dos laudos de câncer; falta de atendimento ideal, porque a quantidade de equipamentos é insuficiente; Havia mamógrafo na caixa desde 2013; falta de médicos na atenção básica, morte devido a atraso de início de tratamento; TFD (Tratamento Fora do Domicílio) com atrasos e péssimas condições de transportes nas idas a Belém.

Em 2016, segundo ela, o cenário é um pouco pior. Ainda há demora na entrega de laudos devido a problemas com internet; falta de atendimento ideal devido à quantidade insuficiente de equipamentos; morte devido a atraso de início de tratamento; mamógrafo na caixa desde 2013; e falta de médico ginecologista nas unidades básicas de saúde; TFD com atraso desde 2015 e os pacientes que ficam na hospedagem do Hospital só recebem R$ 4,00 de diária e o hospital também não recebe o dinheiro”.

Gilmara reconheceu que houve melhora no sistema de transporte para pessoas em tratamento de câncer, ao mudar a empresa prestadora de serviço. Todavia, por falta de pagamento, uma das empresas abandonou o serviço e as passagens aéreas estão suspensas.

“Além disso, não estão fazendo nenhum exame oferecido à mulher por falta de material (revelador). Há aumento de casos de câncer, mas descaso do poder público com a saúde básica”, lamentou.

A sessão na Câmara foi presidida pela vereadora Irismar Araújo Melo, mas contou também com a presença das colegas Antônia Carvalho (PT) e Vanda Américo na Mesa Diretora, as quais são membros da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Mulher. Também foram convidadas para a Mesa Diretora Katarina Kátia, Gilmara Neves, Cláudia Chini e Rosalina Isoton.

Na abertura, o médico e oncologista Rodolfo Amoury proferiu palestra sobre “Câncer na mulher: diagnóstico precoce e tratamento”. Na avaliação dele, o papel das mulheres com Outubro Rosa mostra para a sociedade local que câncer não é sentença de morte. “Quando está em estágio inicial, tem mais de 95% de cura. A prevenção é exatamente se antecipar. Mesmo sem sentir nada, sem sintomas, você precisa procurar auxílio médico”, alertou.

Segundo ele, o principal fator de risco é a idade. “Quanto mais velho vamos ficando, maiores as chances de termos câncer. O auto-exame é muito importante, desde que a paciente tenha certeza que não tem nada. O auto-exame por si só não é encorajado pela Sociedade Brasileira de Mastologia”, destacou.

O médico disse ainda que grupos de oração ajudam, mas não se pode desmotivar qualquer tratamento. “A medicina não foi feita pelo diabo, é instrumento de Deus para chegar à cura. O religioso que proclama cura total não está sendo honesto”, advertiu.

Rodolfo disse ainda que é preciso que o serviço público faça sua parte para atender os pacientes de oncologia com qualidade. Chegamos a fazer uma proposta para se montar uma ala de oncologia no Hospital Municipal de Marabá, mas não saiu. Mesmo assim, vamos continuar com o mesmo entusiasmo e lutando pelas conquistas para melhorar o diagnóstico e tratamento”.

Mayana Stringari, estudante de Fisioterapia, disse que faz TCC sobre paciente oncológico. A doença, segundo ela, é de difícil tratamento, mas é preciso que seja encarado com resiliência. “A dor é uma das coisas que mais afetam o paciente oncológico, e essa dor precisa de cuidados urgentes. A fisioterapia tem um leque de tratamento em relação ao paciente oncológico, devolvendo a independência e melhorando a qualidade de vida”.

Coordenadora da Saúde da Mulher, Camila Lopes Chagas apresentou o calendário de atividades do Outubro Rosa. Ela esclareceu algumas dúvidas e sustentou que é preciso relembrar o assunto permanentemente para que as mulheres se cuidem, detectando precocemente o câncer de mama. “Devemos, antes de falar em curar, tratar, discutir a prevenção.

Segundo ela, o autoexame é necessário e comprovado por organismos munidas de atuação. Deve ser feito uma mamografia de rastreamento no mínimo a cada 2 anos. A mamografia é oferecida pelo SUS por todo o ano, infelizmente sofremos dessa mamografia nos últimos 2 meses, em Marabá.

A advogada Cláudia Chini também ministrou palestra para falar sobre os direitos da mulher e mostrou como o SUS financia todas as fases, desde a prevenção, passando pelo diagnóstico e tratamento. “Para onde foram os recursos enviados pelo governo federal. Isso é descaso e crime de responsabilidade. Esta Casa precisa denunciar ao Ministério Público Federal sobre o mamógrafo e a utilização dos recursos repassados pelo governo federal. O mandato ainda é de vocês. Foram quatro anos de omissão e conivência desta Casa”.

A vereadora Antônia Carvalho disse que, lamentavelmente, não há o que comemorar no Outubro Rosa 2016. Não houve avanços, mas retrocessos, além de denúncias sobre o descaso. “Não visto carapuça em relação à omissão, mas a gente sabe como as coisas funcionam e como o Parlamento atua”.

Toinha disse que fica triste quando há pessoas que são mestres para gritar, mas na hora de tomar decisões são omissas. Parabenizou os grupos que estão lutando pela garantia de direitos. “Tive depressão e fiquei desesperançada com muitas coisas. Para sair não foi fácil, porque as coisas neste mundo são colocadas de forma muito duras”.

A vereadora Vanda Américo disse que ela e a colega Júlia Rosa já atuavam em relação aos cuidados com o câncer mesmo antes de existir a campanha Outubro Rosa. A Câmara, lembrou, nunca se omitiu nesse processo. Lamentou que a reforma do Crismu não tenha sido concluída, mas garantiu que não foi por falta de cobrança do Legislativo, assim como o mamógrafo guardado. “Nunca nos calamos, trouxemos secretários de Estado para discutir a realidade da população local para melhorar o atendimento de oncologia”, sustentou.

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