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Chapecoense

Mecenas: Bruno Rangel, da Chapecoense, mandava chuteiras e dinheiro para jogadores do Águia de Marabá

Presidente Sebastião Ferreira revela que após sucesso na Chape, ex-atacante continuava se comunicando com atletas do Azulão

Por Ulisses Pompeu – de Marabá  

A morte de quase todo o elenco da Chapecoense abalou o mundo. Entre eles estava o maior goleador de todos os tempos da equipe de Santa Catarina: Bruno Rangel, que em 2009 atuou pelo Águia de Marabá na Série C do Campeonato Brasileiro, deixando uma marca de seis gols em sete jogos. E a torcida local soube valorizar o faro de gol do atacante.

Mesmo tendo passado menos de um ano no Águia, Bruno Rangel criou laços que carregaria até o fim da vida. Nesta quarta-feira, em entrevista para o blog, o presidente do Águia, Sebastião Ferreira Neto, o Ferreirinha, revelou que em 2009, quando deixou Marabá, após a disputa da Série C, Bruno Rangel estava “em condição financeira difícil”. Porém, três anos depois, estava bem financeiramente.

“Ele era um cara humilde, de verdade. Após o sucesso na Chapecoense, continuava se comunicando com jogadores nossos, alguns receberam ajuda financeira dele. Em outras ocasiões ele mandava chuteiras para nossos atletas”, revela Ferreirinha.

O presidente do Azulão conta ainda que, por várias vezes a delegação do Águia ficava na mesma cidade em que estava o time da Chapecoense, embora disputassem competições diferentes. “Humildemente, ele saiu do hotel em que estava e ao local em que estava nossa delegação para conversar conosco. O sucesso não subiu à cabeça dele…continuou a mesma pessoa simples e humilde”, destaca Ferreirinha.

Outro que recorda a boa passagem de Bruno Rangel pelo Águia de Marabá é o técnico João Galvão. Segundo ele, o atleta era um exemplo de humildade e sua morte deixa todas as pessoas que o conheceram chocados.

Galvão diz também que seu filho, Danilo, está muito abalado com a morte de Artur Maia, também da Chapecoense. Os dois jogaram durante nove anos no Vitória, da Bahia. “Todos estamos sentidos com esse acidente trágico”, diz Galvão.

O meia Flamel, que jogou ao lado de Bruno Rangel quando passou pelo azulão marabaense, revelou que não consegue acreditar no acontecimento.

“O Bruno era um cara muito amigo, parceiro, muito humilde, quieto e muito dedicado. Ele sempre foi muito concentrado no que queria. Sempre buscou o melhor para ele e sua família. Era um cara de grupo e de muita personalidade. Estou sem acreditar no acontecimento. Estamos todos de luto. Que seus familiares e amigos tenham força em Cristo Jesus. Ele vai estar sempre em nossos corações e em nossa memória. Ele se foi vivendo um sonho”, disse Flamel.

Bruno Rangel Domingues, de 34 anos, era natural de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Em 2007 teve sua primeira experiência no futebol paraense ao defender o Ananindeua. Dois anos mais tarde defendeu o Águia, de Marabá, em sete jogos e marcou seis gols. Logo chamou a atenção do Paysandu, onde vestiu a camisa em 2010. Atuou em 12 partidas e marcou nove gols, onde foi o artilheiro da Série C do Campeonato Brasileiro. Ainda foi campeão do Campeonato Paraense naquele ano.

O atacante era o mais novo de 11 irmãos e começou a carreira esportiva no Ananindeua e passou por equipes pequenas como Baraúnas, Águia de Marabá e times como Paysandu, Guarani, Joinville e Metropolitano, mas foi na Chapecoense que fez sua história. No dia 9 de setembro, 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, marcou, de pênalti, seu 80º e último gol com a camisa alviverde.

O atacante deixa, além da esposa Girlene, um casal de filhos. A mais velha, Bárbara, de 6 anos, e o mais novo, Daniel, que ainda não completou 2.

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