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Justiça

Medrado diz que ligações entre Eletro, João Salame e aeronaves são muito fortes

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Em entrevista ao blog na manhã desta quinta-feira, 20, o procurador de Justiça Nelson Pereira Medrado, coordenador do Núcleo de Combate à Corrupção e à Improbidade Administrativa do Ministério Público Estadual, esclareceu as motivações que levaram à operação “Ícarus” de busca e apreensão em pelo menos oito alvos em Marabá, entre os quais a casa do prefeito João Salame, a sede de seu Jornal, o Opinião”, do empresário Josemar Eneas da Costa, conhecido como Eletro, sua empresa Mundial Ar Condicionado, o Hangar da Juta Táxi Aéreo no Aeroporto de Marabá, entre outros.

Medrado disse que a operação “Teia de Penélope” é uma espécie de mais do mesmo da operação Asfixia, realizada pela Polícia Federal em maio deste ano para desarticular esquema criminoso de fraudes em licitações públicas de gases, operado por um grupo de empresários e funcionários públicos, em Marabá e Parauapebas.

Todavia, o procurador disse que a Polícia Federal fez investigação de fraude de empresários contra o município, que seria vítima. Todavia, o GAECO descobriu que a fraude envolvia também o município e o prefeito municipal João Salame. “Como houve pagamento do gás com recursos do Estado e município, atrai também a atribuição do Ministério Público Estadual”, explicou.

Questionado por que o MP demorou tanto para realizar a operação, quando a da PF ocorreu em junho deste ano, Nelson Medrado explicou já havia o pedido de busca e apreensão em abril deste ano e a operação do MP deveria ter ocorrido entre maio e junho, mas como já havia realizado a quebra dos sigilos bancário e fiscal, com comprovação de que o gás que custava R$ 3,70 no mercado era vendido para a Prefeitura de Marabá a R$ 37,00, e ainda de que a empresa que fornecia os produtos não era a mesma que recebia o dinheiro, o Tribunal de Justiça do Estado entendeu que uma ação às vésperas de uma campanha eleitoral poderia influenciar no resultado das urnas. “Naquele tempo, não sabíamos se João Salame seria ou não candidato à reeleição. Causaria impacto o MP entrando na casa do prefeito, e as pessoas poderiam imaginar que nosso objetivo seria beneficiar algum candidato concorrente”, justificou.

Ele também revelou que havia o sobre-preço de 1000% voltava para os beneficiários do esquema na aquisição de aeronaves, carros de luxo (Camaro e outros), lanchas, jet ski, entre outros bens que foram apreendidos pela Polícia Federal. “Inclusive, as aeronaves (helicóptero e avião) estavam em nome do PROS (que era o partido do prefeito João Salame). Ouvimos o antigo dono e ele confirmou que vendeu a aeronave para o senhor Josimar, e quem utilizava o avião e o helicóptero na maioria das vezes era o prefeito João Salame. Esse é o único foco que nossa investigação difere da Polícia Federal”, disse o procurador.

Medrado informou que o volume de material apreendido na casa do prefeito João Salame foi pequeno, mas isso já era esperado, porque as pessoas supostamente envolvidas no esquema já estavam atentas por causa da operação realizada antes pela Polícia Federal.

É bom lembrar que o empresário Eletro estava foragido da Justiça desde junho deste ano, mas entregou-se à Polícia Federal há dez dias. Na ocasião, ele fez um depoimento sigiloso de dez horas de duração em que pode ter revelado muita coisa. Há indícios de que ele tenha feito delação premiada, mas essa informação não foi confirmada pela Polícia Federal nem por seus advogados, que mantêm-se distantes da Imprensa.

Em Marabá, o GAECO cumpriu mandado judicial de busca e apreensão de documentos na residência do prefeito João Salame, Prefeitura Municipal, Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Administração, Hospital Municipal de Marabá, Hospital Materno Infantil, sede da empresa Oxipar Oxigênio na Folha 15, sede da empresa de Josemar (Eletro), sede da empresa WJE da Costa e Cia Ltda, residência de Josemar Eneas na Folha 28, Aeródromo Aero Helinorte, no Km 8 da Transamazônica, residência de Cláudio Cabral de Oliveira, na Folha 15; residência de Cleuton Costa Nery, também na Folha 15; Juta Táxi Aéreo; sede do PROS, em Belém.

Em Marabá e Parauapebas, participam das operações o procurador de Justiça Nelson Pereira Medrado (coordenador do NCIC) e os promotores de Justiça Milton Meneses (coordenador do Gaeco), Helio Rubens Pinho (Parauapebas) Juliana Dias Ferreira de Pinho Palmeira, (Muaná), Francisca Suênia Sá (Tucuruí), Mauro Guilherme Messias Santos (Goianésia), Francisco Charles Pacheco Teixeira (Breu Branco) e Cristine Magella Silva Corrêa (Marabá).

O advogado Odilon Vieira Neto, que representa o prefeito João Salame Neto, ficou de conceder entrevista coletiva às 16 horas de hoje, na Prefeitura, para falar da operação do MPE em Marabá. Paralelamente, a Ascom prometeu emitir nota sobre o assunto no início desta tarde.

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