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Miomas, tumores benignos

Por Dr. Ricardo Wagner(*)

Hoje iremos falar sobre os miomas, que são tumores benignos; o significado da palavra deriva de “leio”, que significa liso, “mio” que significa músculo e “oma” que significa tumor. Nem todo tumor é câncer e existem dois tipos do mesmo: tumores benignos e malignos, sendo que todos os malignos são câncer, inexistindo a doença em um tumor benigno.

Voltando ao mioma, não há causa para apreensão quanto a ele, se trata de um tumor benigno, composto basicamente de músculo, que cresce dentro, no meio ou fora do útero, podendo alterar sua forma. Algumas pessoas podem ter apenas um mioma mas, não maioria das vezes, quem tem um, tem outros, de forma similar aos nódulos de mama. Dados online explicam que o fenômeno é mais comum em mulheres negras, mas como o Brasil se trata de uma nação extremamente miscigenada, dificilmente existe alguém 100% branco ou negro, logo essa afirmação não vale para o nosso país.

Outros fatores que predispõem ao mioma são a obesidade, não ter filhos e o histórico familiar. Sua causa é desconhecida, mas pode ser causado por um desequilíbrio hormonal, uma vez que, com a chegada da menopausa e a queda na produção de hormônios, o mioma costuma encolher e até desaparecer, não existindo registro antes da primeira menstruação.

A maior parte dos miomas são descobertos por “acidente”, isso é, quando não havia suspeita dos mesmos: exames de rotina, em que o médico pede uma ultrassonografia pélvica ou transvaginal por queixas de dor no abdômen ou alteração na menstruação, e neste exame foi descoberto um mioma, por exemplo. Geralmente, a causa dessa dor/desconforto abdominal ou alteração da menstruação não se deu devido ao mioma, mas por algum outro motivo a ser diagnosticado.

Conforme citado anteriormente, o mioma pode estar localizado em qualquer local do útero: fora, dentro, no meio ou alguma combinação destes. Quando fora ou no meio do útero, dificilmente causa alguma coisa, podendo gerar algum desconforto quando não muito grandes. Os mais preocupantes ocorrem na parte interna do útero, isso porque, quando neste local, podem vir a dificultar a gravidez ou fazer com que a menstruação ocorra em maior quantidade e/ou dure mais tempo.

Outro fator preocupante é o crescimento do mioma, por isso a necessidade do controle após a sua descoberta. Quando ocorre um crescimento rápido do tumor, pode não se tratar de um mioma e sim um sarcoma, que não é um tumor benigno e sim um tipo de câncer no útero. Assim, com a descoberta de um mioma, são necessárias ultrassonografias periódicas para a avaliação do seu crescimento.

A necessidade de tratamento se estende apenas a aqueles que são muito grandes, de crescimento rápido, que dificultam uma gravidez ou que estão sangrando demais. Caso contrário, apenas em caso de preocupação por parte da paciente.

O tratamento definitivo do mioma é a retirada do útero pois, como explicado anteriormente, só existe mioma no útero, mas é um tratamento extremo para algo que, na maioria das vezes, não causará mal algum. Outros tratamentos dependem do caso específico da paciente, do que sente e sua necessidade: se for um mioma que atrapalhe a gravidez, pode ser necessária sua retirada; se for um mioma que sangra muito e esteja causando anemia, um método para controle ou parada do sangramento é suficiente; mas em miomas que estejam crescendo muito e/ou muito rápido, uma cirurgia deve ser realizada, por poder se tratar não de um mioma, mas de um sarcoma.

A cirurgia pode ser realizada de diversas formas, sendo as principais: via abdominal, com um corte igual ou menor ao de cesariana, dependendo do médico; pela vagina, na qual o repouso é pequeno, por não requerer corte da barriga; ou por laparoscopia. De todas, a pior é a com corte por impor maior repouso e dor maior após a cirurgia. Na laparoscopia e vaginal, o repouso é quase o mesmo, sendo possível, na laparoscopia, ver dentro da barriga e, com isso, verificar se existem outras alterações.

Assim, se uma paciente for diagnosticada com um mioma e ele não estiver crescendo rapidamente, não for muito grande, não impedir gravidez ou causar anemia, não será necessário nenhum tratamento, a menos que a mesma não consiga conviver com ele. Caso esteja causando um desses fatores, mesmo psicologicamente, aí sim é preciso um tratamento, sempre lembrando que qualquer cirurgia pode levar a complicações e em caso de dúvida quanto a sua necessidade, deve-se procurar uma segunda opinião.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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