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Comércio

Rede de lojas “aluga-se” e “vende-se” cresce em Marabá, assim como o comércio informal, hoje com 1.500 ambulantes

Cinco por cento dos 30 mil desempregados na cidade, sobrevivem de pequenos negócios feitos com o dinheiro da indenização ou do FGTS

Por Eleutério Gomes – de Marabá     

Conforme o último relatório consolidado da Jucepa (Junta Comercial do Estado do Pará), de janeiro a outubro de 2016, exatas 7.632 empresas foram abertas no território paraense.

Em tempos de crise esse número seria motivo de comemoração. Porém mais adiante, o órgão informa que, em contrapartida, 11.103 empresas cerraram suas portas. Ou seja, um saldo negativo de 3.471 negócios fechados e milhares de trabalhadores na rua da amargura. Isso, sem contabilizar os dois últimos meses do ano, cujos dados ainda não foram divulgados.

Em Marabá o reflexo dessa catástrofe econômica pode ser percebido facilmente com o crescimento do que o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) local, Pedro Lopes de Brito, chama de “rede de lojas ‘aluga-se’ e ‘vende-se’”, numa alusão aos pontos comerciais fechados e com placas de locação ou de venda.

O blog percorreu nesta sexta-feira (9), os principais corredores de comércio dos três núcleos residenciais urbanos e constatou, além de muitos prédios comerciais fechados, inúmeros trabalhadores no comércio informal. Eles são, na cidade, segundo o Departamento de Posturas da prefeitura, em torno de 1.500, o que representa 5% dos 30 mil desempregados na área urbana, segundo estatísticas do Sindicato Patronal do Comércio, Associação Comercial e CDL.

“Aqui funcionou por anos, uma sapataria, que agora fechou por causa dessa maldita crise”, lamenta o aposentado Euclides Lameira, que mora na Avenida Antônio Vilhena, no Bairro Liberdade, Núcleo Cidade Nova. Segundo ele, com a falência, o “mais triste foi que os funcionários – todos antigos – perderam o emprego e hoje estão penando atrás de trabalho”.

Na Nova Marabá, o vigilante João Moisés Ribeiro, há um ano e oito meses desempregado, vende doces de chocolate produzidos pela mulher dele. “Não tem emprego, já bati em muitas portas e nada. Vamos nos defendendo por aqui. Por sorte, tenho uma casinha na Folha 6 e não pago aluguel. Me viro por um lado, minha esposa, por outro e vamos levando”, conta ele, que não quis ser fotografado. “Fico constrangido”, disse.

Para o presidente do Sindicom (Sindicato do Comércio de Marabá), Raimundo Gomes Neto, essa situação é motivo de muita preocupação para a entidade. “Além da crise, sabemos que há vários fatores que levam ao encerramento das atividades, entre eles, os elevados preços dos alugueis, a carga tributária elevada e também o fracionamento de ofertas por municípios vizinhos”, explica.

Ouvido pelo blog, o secretário municipal de Indústria e Comércio de Marabá, Ricardo Pugliese, também lamenta a situação. Afirma que sua pasta está fazendo um estudo, um levantamento completo da situação a fim de tentar encontrar saídas. Puglise anuncia que reativou a Sala do Empreendedor, onde a pessoa que ficou desempregada e está começando um pequeno negócio, a partir do dinheiro da indenização ou do FGTS “pode ser orientada sobre como investir corretamente o recurso e assim ir garantindo uma renda”.

“Coloquei um espetinho na calçada de casa e está dando certo, Pelo menos vou ganhando o da alimentação, o da água e o da conta de luz”, afirma a doméstica Jandira Gama, que ficou sem emprego há 10 meses e espera os “dias melhores que virão”.

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