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Marabá

Shopping de Marabá é obrigado a “deslacrar” lojas do Grupo Chic’s

Em menos de cinco anos de funcionamento, Pátio Marabá assistiu a debandada de quase 30 lojas de grande, médio e pequeno porte. Torres de hotel e escritório nunca funcionaram.
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Quase 60 meses depois de inaugurado, o número de lojas no Shopping Pátio Marabá despenca a cada ano. Um fato estranho do ponto de vista das relações comerciais foi registrado naquele centro de compras no início de 2018. Muitos clientes lamentaram a saída da Chic’s Presente e Chic’s Joias e Relógios dos espaços que ocupavam. Mas, nos bastidores, uma batalha judicial iniciou quando os proprietários decidiram encerrar as atividades e a administração do shopping resolveu passar cadeado nas portas das lojas para impedir que os locatários retirassem as mercadorias.

O impasse foi parar na Justiça e a juíza Maria Aldecy, a pedido dos autores, decretou segredo de justiça no processo. Mas a Reportagem do blog procurou o advogado Wadson Veloso Silva, que defende os interesses da Chic’s Presente, o qual fez explicações gerais sobre o dilema que a empresa tem vivido nos últimos meses com a direção do shopping.

Segundo ele, as duas partes celebraram contrato de locação em julho/2012, para locação dos espaços L328 e L207, nas quais seriam instaladas, respectivamente, as lojas Chic’s Presente e Chic’s Joias e Relógios.

Por ocasião do lançamento, negociação e assinatura do contrato, a direção do shopping prometeu entregar o empreendimento com inúmeros atrativos (2 torres com hotel e salas comerciais, tenant mix com diversas lojas de renome, fluxo diário de pessoas, cobrança razoável de encargos condominiais etc. e, sobretudo, um centro de compras de sucesso, dotado de um fluxo médio de 25.000 consumidores/dia). “Mas estas promessas não foram cumpridas, frustrando a expectativa dos lojistas”, disse o advogado.

Todavia, ao longo dos últimos cinco anos, o shopping passou a apresentar um movimento baixíssimo de consumidores, provocando a saída de inúmeros lojistas, com corredores vazios e com poucas lojas. Neste contexto e por conta de prejuízos com baixo faturamento, as empresas Chic’s insistiram perante a administração do shopping a renegociação dos encargos da locação.

Segundo o advogado, as partes acordaram verbalmente novo valor de locação, que, embora ainda considerado alto, viabilizava a continuidade das operações. Mas em dezembro de 2017, shopping e grupo Chic’s passaram a discutir os termos para renovação dos contratos de locação, cuja negociação não evoluiu, tendo em vista que o lojista pretendia a manutenção dos encargos cobrados, não concordando com os novos e “vultosos” valores propostos pela administradora do shopping.

Por esse motivo, a Parkway Shopping passou a cobrar novamente o aluguel e encargos inicialmente previstos em contrato, não restando alternativa aos lojistas, senão encerrar suas operações no referido Shopping, tendo notificado a direção do centro de compras no dia 6 de fevereiro, manifestando sua discordância quanto à cobrança integral dos encargos, bem como de que fechariam as portas no dia 10, após a retirada de suas mercadorias, entregando as chaves dos espaços.

LACROU TUDO
Os diretores da Chic´s foram tomados de surpresa quando se dirigiram ao shopping no dia 11 de fevereiro último e foram impedidos de acessar as dependências comuns do centro de compras antes do horário de acesso ao público (horário de lojistas). “Se não bastasse isso, quando os lojistas conseguiram ingressar no shopping – após liberação do acesso ao público – foram surpreendidos com a lamentável, maliciosa e grosseira conduta dos gestores do shopping que, sem nenhuma informação ou justificativa prévia, lacraram as operações das duas lojas”, critica o advogado.

Na avaliação de Wadson Veloso, a direção do shopping sequer preocupou-se em mitigar constrangimentos e escancarou os lojistas ao ridículo, pois se não bastasse lacrar o acesso aos espaços, com todas as mercadorias ali expostas e presas, colocou correntes e cadeados que ficaram expostas a todos que ali transitavam, o que levou os proprietários a registrar Boletim de Ocorrência Policial e ata em cartório. Pondera o advogado que “em aproximadamente uma década atuando em demandas envolvendo lojistas e shopping centers em São Paulo, jamais me deparei com uma postura tão irracional e inconsequente como a praticada pelo Shopping Pátio Marabá. É lamentável, sobretudo, se considerarmos que este ato abusivo se deu em desfavor de lojistas que estão desde o início do empreendimento e moveram os melhores esforços para o sucesso de suas operações, assumindo um investimento altíssimo, sem, contudo, o retorno mínimo esperado. Vale dizer que os lojistas são empresários sérios e respeitados na região, que fazem questão de honrar com suas obrigações, porém na forma como proposta pelo Shopping é inviável e ilegal”, vocifera.

O advogado ressalta ainda que, além da exposição negativa do nome das empresas perante seus consumidores e parceiros locais, o grupo Chic’s ficou com todas as suas mercadorias presas, suportando prejuízos imensuráveis.

A direção do shopping teria se manifestado no dia 16 de fevereiro, negando que tenha impedido o acesso às mercadorias “e tentado transparecer uma situação de mera liberalidade no que concerne à readequação dos valores do contrato”.

Quando a ação chegou às mãos da juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati, da 3ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Marabá, esta reconheceu a decisão equivocada da Parkway. Embora a Reportagem não tenha conseguido acesso à decisão, Wadson explicou que, nela, a magistrada reconheceu o ato abusivo praticado pela administração do shopping e de maneira acertada deferiu liminarmente o pedido feito pelos lojistas.

Diante da decisão judicial, o acesso às lojas por representantes do Grupo Chic’s foi garantido e uma conciliação esta marcada para a próxima quarta-feira, dia 11, no Fórum local.

O fechamento das duas lojas do grupo Chic’s do Shopping Pátio é um fato lamentável, principalmente quando se avalia que diversas outras dos mais variados segmentos de pequeno, médio e de grande porte também encerraram suas atividades naquele centro de compras. De lá já saíram, por exemplo, a Ri-Happy, Belém Importados, Big Ben, Joias Fábio, Leolar, ADJI, Marisa, Sports, Giraffas, Hering, Le Postiche, Scala, Jin Jin Wok, Livraria Jerusalém, Di Santini, Casa & Coisa, Manga Rosa, Pharmapele, Ellus Calçados, Farmácia do Trabalhador, Be-be-lu, Sempre Feliz, Lilica Ripilica, Loja da Oi, Big & Picanha e Lavandeira Plaza. Apenas entre as descritas acima, 28 empresas.

A Reportagem do blog entrou em contato com a direção do Shopping Pátio Marabá por telefone e, posteriormente, enviou pedido de explicações desse fato por e-mail, mas até o horário definido não houve resposta.

Pelo que a Reportagem sondou, Jin Jin Wok e Leolar também teriam sido lacradas recentemente pela direção do shopping, mas em virtude do silêncio da Parkway Shopping Center sobre o assunto não foi possível certificar.

Comentários ( 6 )

  1. Tentaram fazer em Marabá o que é comum em grandes centros,esqueceram-se do principal, não se muda comportamento de uma população da noite para o dia.Esse empreendimento já nasceu falido.

  2. Podia ter sido um shopping menor mas renderam_se à conhecida megalomania para que duas Torres? Três pisos? Agora tai o Elefante Branco. Em Maraba até quando acertam,erram.

  3. O problema não é o porte do Shopping. Pelo contrário, acho que Marabá foi agraciado com um empreendimento de vulto, sendo uma variável econômica importante para região. O grande problema está na forma como os gestores do Shopping conduzem seus negócios. A gestão é péssima.
    Eles exploram os lojistas locais e exigem encargos absurdos. Não é a toa que há vários corredores vazios.

    Os empresários da região deveriam ser respeitados e não tratados como retrata a notícia acima. Estes é quem deveriam ter boas condições negociais para se manter no empreendimento.

    Se os gestores tivessem um pouco mais de competência e sensibilidade, este Shopping estaria lotado de lojistas, viabilizando, inclusive, a utilização da torre de salas comerciais.

    É lamentável!

  4. Diante de tamanhos abusos a lojistas tem-se como resultados a não participação de clientes… Daí, vira um ciclo: encargos altos, promessas não cumpridas, lojas não aguentam e fecham, clientes não compram, nao gira dinheiro e o fecha o ciclo.. O Shopping se acha o dono dos produtos dos lojistas. Aqui em Macapá eu fiz melhor: “To trocando a coleção”. Coloquei tudo no carro e fui embora! Eu vou já já ter mais prejuízo porque a gerência quer porquê quer que eu deixe a loja aberta sendo que ninguém compra e tudo que eles me prometeram não cumpriram! Ah! Tá!

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