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Marabá

Toni Cunha convoca imprensa para entrevista coletiva neste sábado

Novo prefeito tem apenas 11 dos 21 vereadores ao seu lado para eleger Mesa Diretora da Câmara.

Às 11h50 desta sexta-feira, 30 de dezembro de 2016, a Carta de Renúncia do prefeito eleito e diplomado de Marabá, Sebastião Miranda Neto, foi protocolada na Presidência da Câmara Municipal, tendo como testemunhas o presidente Miguel Gomes Filho, procuradores jurídicos da Câmara e do staff do próprio Tião. Em tom melancólico e de comoção, a carta de cinco parágrafos foi lida pelo advogado Marcone Santos.

Na sala da Presidência, o clima de tristeza e comoção estava no semblante das cerca de 20 pessoas presentes. O advogado Marcone Leite, amigo pessoal de Tião e que está cotado para ocupar o cargo de secretário de Saúde disse que foi com grande tristeza que Miranda renunciou ao cargo que ocuparia a partir do próximo domingo, 1º de janeiro. “Esperamos que as pessoas entendam. É uma questão pessoal e de saúde dele, que está bastante debilitada neste momento”.

Miguel Gomes Filho disse que o momento é delicado para Marabá nesta virada do ano e pediu para que as pessoas não julguem Tião Miranda, que quando atuou como prefeito desenvolveu um trabalho sério e que orgulhou a muitos marabaenses. “O problema de saúde dele é delicado e precisa de tempo para se recuperar. O trabalho de prefeito, certamente, não ajudaria. Julgá-lo, neste momento, seria leviano”, ressaltou.

Vanda Américo, vereadora de oito mandatos e amiga de Tião Miranda há mais de 20 anos disse ter ficada triste com a renúncia, assim como todas as pessoas, mas ponderou que ele precisava, sim, evitar a turbulência que seria administrar a Prefeitura de Marabá para cuidar do que lhe é mais sagrado, a saúde.

Acometido de AVC, o vereador Beto Miranda, irmão de Tião, disse que vem acompanhando o drama do “mano” há vários meses e reconhece que ele não tem condições emocionais para assumir o cargo de prefeito. “Hoje, eu trocaria o cargo que ocupo de vereador por minha saúde, e acho que foi exatamente isso que o Tião fez agora, antes que seu quadro piore mais ainda”, disse Beto.

Escrita na noite anterior, a carta de renúncia é marcada por substantivos e adjetivos e outros vocábulos que traduzem seu momento de angústia pessoal: “desgastes”, “não temos mais a mesma vitalidade”, “abalo”, “esgotamentos”, “limitações”, “calamitoso”, “exaurimento”. Nela, não há a palavra doença e há quem conteste o fato de Miranda se dizer preparado para ajudar Marabá na Assembleia Legislativa, como deputado, e não apontar para uma licença médica de suas funções públicas para cuidar da saúde.

Assessores de Tião disseram à reportagem, logo após a leitura da carta de renúncia, que ele participaria da reunião marcada com o vice-prefeito Toni Cunha e os vereadores na tarde da sexta-feira, às 16 horas, na Câmara Municipal, para discutir a eleição da Mesa Diretora, mas ele não compareceu, apenas Toni Cunha.

Também é preocupante o número de vereadores que participaram da reunião: apenas 11 dos 21. Embora tenha maioria, Toni ainda tem um número bastante preocupante e caso um abandone o grupo em cima da hora a eleição de Pedro Correa para a Presidência da Câmara (e consequente vice-prefeito) estará comprometida.

Cunha convocou, no final da tarde de ontem, uma entrevista coletiva com a Imprensa de Marabá para a manhã deste sábado, às 9 horas, no Hotel Itacaiúnas para tentar acalmar a sociedade sobre a mudança brusca na equipe de governo 48 horas antes da cerimônia de posse no cargo.

Antes da chegada da carta, advogados e procuradores da Câmara discutiam sobre a possibilidade de realização de novas eleições ou não com a renúncia de Miranda. O corpo jurídico da Casa entende que a Câmara deve dar posse a quem comparecer.

Repercussão
Tão logo a imagem da carta de renúncia se disseminou pelas redes sociais, muitas pessoas começaram a comentar. Alguns se solidarizando com o deputado, outros criticando sua posição, afirmando que ele está fugindo da responsabilidade que pediu ao povo e lhe foi concedida nas urnas em outubro passado. “Isso é estelionato eleitoral”, disse Ronaldo Chaves, pela rede social Facebook.

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