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Pará

Ao mercado internacional, Vale prevê exaustão das minas de Itabira em 10 anos

Informação está em relatório emitido neste mês de maio, destinado à agência controladora das bolsas de valores dos Estados Unidos
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O que muita gente comenta em Itabira pode estar mais próximo do que se imagina. Em relatório destinado à agência que controla as bolsas de valores nos Estados Unidos no fim de maio, a Vale informou que a exaustão das minas de Itabira se dará em dez anos. Para o município, significaria perder sua principal fonte de arrecadação, algo há muito bradado por setores que lutam pela diversificação econômica, mas que ainda não se converteu em resultados robustos capazes de se equiparar à renda proveniente da mineração.

O relatório, intitulado 20-F, é uma exigência da Securities and Exchange Commission (SEC) a todas as empresas estrangeiras com ações negociadas nas bolsas de valores nos EUA. O documento traz um panorama de cada um dos negócios da Vale, apresentando os resultados financeiros e operacionais, fatores de risco e o andamento dos investimentos e projetos da mineradora que completa 76 anos neste 1º de junho.

Na parte em que cita as reservas que possui no Brasil e no mundo, a Vale cita que as minas de Itabira em atividade (Cauê e Conceição) começaram a produzir em 1957 e têm data prevista de exaustão em 2028. Entre as operações da empresa no país, são as que têm cronograma mais imediato para chegarem ao fim. As minas de Itabirito, por exemplo, em atividade desde 1942, têm previsão para exaurirem em 2118.

Há dois meses, em entrevista à Revista Época, o presidente da mineradora, Fabio Schvartsman, com as atenções se voltando paulatinamente para a produção no Norte do país, especialmente para o projeto Va, em Canaã dos Carajás/PA. No relatório ao mercado internacional, a Vale afirma que “a expectativa de exaustão das minas foi ajustada de acordo com o nosso novo plano de produção e a revisão da capacidade dos projetos.

Dependência
A exaustão das minas não significa exatamente a saída da Vale de Itabira, mas representaria um impacto gigantesco nas contas da Prefeitura. A empresa até poderia manter outras atividades na cidade, só que o fato de não extrair minério de ferro tiraria do município o grosso da Compensação Financeira por Exploração de Recursos Minerais (Cfem), segunda maior fonte de arrecadação da Prefeitura, somente atrás do ICMS.

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Para se ter ideia, no ano passado, a Cfem, mesmo em época de crise na mineração, representou a arrecadação de R$ 83,5 milhões dos quase R$ 400 milhões que passaram pelos cofres da Prefeitura no ano passado. Isso sem contar o ICMS e o ISSQN também gerados pela exploração do minério de ferro.

Em 2018, de janeiro a maio, a arrecadação com a Cfem já atinge R$ 55,8 milhões. O valor é mais alto por causa da recente mudança na alíquota do royalty da mineração, que passou de 2% sobre a produção bruta para 3,5% sobre a produção líquida.

Diversificação
“Diversificação econômica” é uma expressão muito falada em Itabira há vários anos. Quer dizer deixar de ser dependente da mineração e fazer com que o município se mantenha com outras fontes de renda. A bola da vez é o foco no empreendedorismo e na inovação, incentivado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, setores empresariais e universidades.

O campus local da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) é o principal indutor dessa nova realidade que se espera para Itabira. O atual governo tenta formas de baratear o projeto executivo do campus para dar continuidade à construção do mesmo. Pelos cálculos atuais, seriam necessários mais R$ 400 milhões para chegar à plenitude do projeto, quando a Unifei Itabira abrigaria 10 mil estudantes.

Na Associação Comercial (Acita), a aposta é no WIN , programa que nasceu há alguns anos, mas que ganhou nova relevância com a atual direção da entidade. Dividido em vários segmentos, o projeto busca fortalecer a cadeia produtiva de cada setor, incentivando novos negócios.

As startups também são vistas com bons olhos. Tanto que o governo municipal financia o ItabiraHub, primeiro coworking público de Minas Gerais e considerado uma das melhores iniciativas para o desenvolvimento no Brasil pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O projeto completou um ano nesse mês de maio.

Fonte: DeFato

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