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Política

Bolsonaro fala ao Blog sobre as mudanças que pretende fazer, caso seja eleito

O pré-candidato à Presidência da República afirma que as reformas começarão a acontecer logo nos primeros dias de seu governo. Ele já tem, inclusive, um nome para cuidar da Economia
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Por Val-André Mutran – Correspondente em Brasília

Determinado a realizar mudanças de impacto nos primeiros dias de seu governo, caso seja eleito, o próximo presidente da República, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL/RJ), pré-candidato à presidência, falou ao Blog do Zé Dudu que executará um conjunto de medidas que permitirão a imediata redução da burocracia e desregulamentação, com o encaminhamento de uma reforma tributária consistente, “sem meia sola” na economia, para contribuir com a recuperação da atividade produtiva e da confiança do empresário. “É o governo não ficar no cangote do empresário, não lembrar dele só quando precisa de alguma coisa. É o governo entender que ele é o empregado e não o patrão, nessa questão,” disse.

Bolsonaro apresentou suas ideias ao setor privado no Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência da República, em Brasília (DF), em evento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ele voltou a criticar a reforma da Previdência, mas defendeu a modernização das leis do trabalho – para cuja reforma, já aprovada no parlamento, deu voto favorável. “O discurso contrário é bom para ganhar voto. Não estou contra patrão, não estou contra empregado. Nós temos de buscar o meio termo,” relatou.

Na avaliação do pré-candidato, que ouviu o economista Paulo Guedes, considerado o primeiro ministro já definido, o governo Temer encaminhou para o Congresso Nacional uma reforma previdenciária impossível de avançar. Mas, considerou importante haver avanço na questão, como no estabelecimento de uma idade mínima crescente para o funcionalismo público. “A [conta da Previdência] mais onerosa é a pública. Acho difícil ser aprovada, mesmo com os cortes, mesmo mostrando que o avião vai bater na montanha,” afirmou.

Bolsonaro criticou a atual cultura de barganha em troca de apoio político para assegurar a governabilidade e afirmou que não há uma busca por coligações para a composição de um eventual governo. Caso seja eleito, frisou, a atual estrutura ministerial terá, “no máximo”, 15 ministérios, para os quais não descarta a nomeação de oficiais das Forças Armadas. “Não dá para continuar a governar o país loteando ministérios, estatais. Se continuar assim vamos todos para o buraco,” disse.

Um dos ministérios para os quais sinalizou a indicação de um militar é o dos Transportes, que afirmou ser “um grande foco de corrupção”. “Não que um general seja incorruptível, mas a possibilidade é menor por sua formação,” ressaltou. Em relação à atuação de órgãos públicos, ele também criticou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cuja atuação estaria paralisando empreendimentos estratégicos para o país em áreas como mineração e geração de energia.

Principais pontos da apresentação de Jair Bolsonaro aos empresários

Reforma da Previdência

“Temos que fazer? Vamos discutir. Essa reforma da Previdência colocada pelo senhor [Henrique] Meirelles é remendo novo em calça velha. Temos um filtro pela frente: Câmara e Senado. Temos de levar em conta algumas especificidades. Vamos dar as mesmas garantias aos militares que os demais têm. Mas essa é uma discussão para mais para frente”.

Reforma trabalhista

“Quando votei essa reforma ano passado, confesso que pensei: vou passar por tudo isso de novo? Mas resolvi, vou. Não adianta querer salvar o meu mandato e o Brasil afundar na economia. Não tive tantos ataques assim, mas os reflexos positivos apareceram. Mas, confesso para vocês: eu jamais quero ser patrão no Brasil com essa legislação”.

Funcionalismo

“Onde estão as fábricas de marajás? Um servidor da Assembleia Legislativa ganha R$ 10 mil de salário, pega um cargo em comissão e ganha mais R$ 8 mil. Dali a oito anos incorpora a comissão e pega outro cargo. Num passe de mágica, ele não precisa de mais comissão. Isso acontece em todo lugar no Brasil. Vamos acabar com as incorporações? Esse pode ser um primeiro passo”.

Investimento público

“Quais são os grandes problemas e como resolvê-los sem dinheiro? Não adianta me perguntarem aqui, por exemplo, sobre investimento. Nós estamos praticamente insolventes, quase todo o nosso orçamento está com despesas obrigatórias”.

Meio ambiente e licenciamento

“Ninguém tem o que nós temos: terras agricultáveis, biodiversidade. Pode, sim, em outros países pesquisar a biodiversidade. Por que, para se fazer uma PCH (pequena central hidrelétrica) no Brasil, que gera energia para aquela região e pode servir para criar peixe, o Ibama leva dez anos para conceder uma licença? Aqui é dois meses de licença e acabou. Tem que quebrar esses monopólios”.

Segurança pública

“Tem soluções que não são fáceis, mas, se for para garantir as nossas vidas, que vá a dos outros. Querem combater a violência com essa politicalha de ‘desencarceiramento’? De direitos humanos como está sendo feita, de audiência de custódia, de achar que deve ter segunda chance? Grande partes, sim. Outra, não”.

Educação

“O currículo escolar não dá para continuar esse que está aí. Nas últimas provas do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), 70% da garotada nossa não sabe uma regra de três simples, quem dirá uma regra de três composta. O mesmo percentual não consegue interpretar um texto adequadamente. Isso vem da base; quem vem de uma base dessa não adianta inventar cotas. Valorizando o professor na base, dá para encontrar soluções”.

Tabelamento

“Os problemas foram se avolumando e o governo foi ignorando. A questão do eixo levantado com o caminhão sem carga, no meu entender – claro que tem a questão do contrato – isso é uma cláusula leonina. Por que cobrar? O nosso pedágio é extorsivo. Os caminhoneiros lá atrás foram iludidos. Agora, tabelar aí não dá certo. Isso vai na contramão da pessoa que eu confio para tratar a nossa economia”.

Mercosul

“Vamos nos aproximar de países que economicamente nós temos a lucrar, e eles também. O nosso comércio não pode continuar feito pelo viés ideológico. O Mercosul foi muito bem gestado. Ao longo do tempo ele, infelizmente, mudou de lado. Passou a ser uma arma para uma grande política que integre no bolivarianismo o nosso Brasil”.

Esplanada dos ministérios

“Não vai ter pressão política para fazer coisa que não deve. Queremos é ter gente que funcione, que não chegue lá pelo viés ideológico. Sendo militar ou civil, para mim tanto faz. No papel agora, vai bater no máximo em 15 ministérios. Não posso adiantar, já temos alguns nomes – civis, inclusive – mas não vou falar enquanto não avançar para não ter problemas”.

OPINIÕES

Glauco Côrte, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC)

“O candidato tem uma visão ampla da economia e dos problemas que o país precisa enfrentar para voltar a crescer, como a desburocratização. Também mostrou que valoriza os empresários. Reconheceu que as empresas são imprescindíveis para o desenvolvimento e para a criação de empregos e que os empresários precisam ser ouvidos. Ele disse estar disposto a ouvir a CNI e o Senai na questão da educação. A impressão que ele deixou foi positiva”.

Pedro Alves de Oliveira, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG)

“Bolsonaro falou de forma geral sobre vários temas. Foi incisivo na questão da segurança pública e deu um sinal positivo para os empresários quando falou sobre a reforma trabalhista. Disse também que é preciso melhorar a educação. Mas em alguns assuntos, como a reforma da Previdência, ele não disse precisamente qual é a sua posição. De modo geral, ele demostrou um grande interesse em corrigir as distorções do país, inclusive a questão da observância das leis e a segurança jurídica. Há uma boa vontade do candidato em fazer as coisas corretas”.

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