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Parauapebas

Mandados de reintegração são cumpridos no bairro Cidade Jardim

A ação se deu em virtude do atraso no pagamento das parcelas referentes aos contratos firmados com a Buriti
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Os mandados de reintegração de posse – seis neste primeiro momento – foram expedidos em favor da Empresa BURITI, e determinam que sejam desocupadas casas no bairro Cidade Jardim, em Parauapebas, todas pelo mesmo motivo: atraso nos pagamentos de parcelas com a impossibilidade de negociação.

A equipe do Blog acompanhou a Ação da Justiça, ali representada pelos Oficiais de Justiça da Comarca de Parauapebas, que, com o apoio do Grupo Tático Operacional da Polícia Militar, garantiu a segurança dos agentes da Lei e evitou que os ânimos se alterassem, o que é muito comum nesse tipo de situação.

Enquanto o advogado da Associação de Moradores do bairro Cidade Jardim tentava negociar com a loteadora no Fórum, os Oficiais de Justiça aguardavam a decisão. Como não houve um acordo, um dos mandado foi cumprido e uma casa desocupada.

O morador, cujo nome será omitido pra preservar sua intimidade, admitiu que o pagamento das parcelas está atrasado. Porém, conta que procurou, sem sucesso, negociar com a loteadora. “A proposta que apresentei não foi aceita por eles, que foram irredutíveis”, conta o morador, informando que seu contrato com a loteadora é de R$ 33 mil, dos quais já pagou, pelo menos, R$ 30 mil; mas, de acordo com os valores constantes nos dados da empresa, com os juros, sua dívida passa de R$ 50 mil reais.

A situação de litígio entre a Buriti e seus clientes não é nova, já tendo, inclusive, uma Ação Civil Pública no Ministério Público local que obriga a loteadora a rever negociações e até abater parcelas de clientes que pagaram com reajustes e juros abusivos. “Temos um TAC criado em 2015, vigente até o final deste ano, 2018, que dá direito aos moradores de abatimento de 40%, o que representa em torno de 52 parcelas”, afirma Udeanes de Sousa, presidente da Associação dos Moradores, detalhando que o acordo deveria ter sido aplicado para as Etapas da 1ª à 11ª, porém foram concedidas apenas para as Etapas de 1ª a 4ª.

Udeanes, afirma que a inadimplência dos moradores foi gerada devido o não cumprimento do TAC, por não ter sido abatidas as parcelas, o que fez com que deixassem de pagas, e assim acumulou a dívida, ficando impossível a quitação.

A desocupação se deu sem resistência por parte dos moradores e da população. Portanto, a família não aceitou ser acolhida no abrigo provisório oferecido pela loteadora e mudou-se para uma casa que fica logo em frente ao seu antigo endereço, em espaço cedido por uma vizinha.

Ulionópolis

Ulianópolis: Juiz suspende reintegração de posse da Fazenda Bela Vista

O magistrado acatou parecer do Ministério Público Agrário, que coloca sob suspeita a documentação apresentada anexada ao processo
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O juiz Amarildo Mazutti, da 3ª Região Agrária de Marabá, expediu sentença suspendo o cumprimento do Mandado Liminar de Reintegração de posse da Fazenda Bela Vista, localizada na Rodovia BR-010, pertencente ao pecuarista Camillo Uliana. A liminar havia sido concedida pela juíza Elaine de Oliveira, de Ulianópolis, mas o Ministério Público Agrário se manifestou pela revogação diante da possibilidade da existência de título deslocado, quando a propriedade reivindicada está em outra área ou pertence a outro município. O magistrado, então, considerou prudente aguardar um laudo do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) sobre a certificação do georreferenciamento da terra em questão.

Figuram com réus no processo Orleans Gomes da Silva, José Nildo Silva de Sousa e outras pessoas, ocupantes do imóvel rural, os quais reivindicam a Fazenda Bela Vista para fins de Reforma Agrária. Ali está instalado o Acampamento Boa Esperança, onde vivem 320 famílias de agricultores familiares ligados ao MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores).

O juiz argumenta em sua decisão que, inicialmente, o Iterpa informou haver duplicidade de cadeia dominial em relação ao título objeto desta ação, com indícios da prática de grilagem em terra pública. Cadeia dominial é a relação dos proprietários de determinado imóvel rural, desde a titulação original pelo Poder Público até o último dono, atual proprietário.

Diz ainda que apesar do proprietário da fazenda ter apresentado georreferenciamento, o documento não está devidamente certificado pelo Incra e pelo Sigeo (Sistema de Informações Geográficas do Tribunal de Justiça do Estado) e, “pelo que se observa, nem poderia, neste momento, pois existe suspeita de sobreposição de área”.

Por isso – segue o juiz Mazutti nas argumentações – cabe ressaltar que se presume de boa-fé a posse adquirida por Justo Título (ou seja, aquele sem vícios ou fraudes), salvo se houver prova em contrário, nos termos do parágrafo único do art. 1201 do C ódigo Civil, ou se o autor comprovar que ignorava o vício que impediria a aquisição do
bem.

“Só é justa, legitima e de boa-fé a posse adquirida sem atos de violência, clandestinidade e precariedade, consoante o artigo 1.200 do Código Civil. Logo, há indícios de precariedade na posse alegada pelo autor, em vista da possibilidade desse exercício em área pública, adquirida mediante escritura pública de venda de compra de terceiro, cujo título definitivo de posse que a originou, expedido pelo Estado, encontra-se com vicio de duplicidade e irregularidades, que deverão ser apuradas no decorrer deste processo”, aponta o juiz, em decisão publicada no Diário da Justiça do último dia 26.

Por Eleutério Gomes – Correspondente em Marabá

Reforma agrária

Justiça expede reintegração de posse de área ocupada pela FNL, mas manifestantes não obedecem a ordem.

Mesmo depois de intimados da decisão da juíza, manifestantes se negam a sair das áreas ocupadas.
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Já eram quatro horas da tarde desta segunda-feira (27) quando o Oficial de Justiça chegou na portaria que dá acesso a Floresta Nacional de Carajás para entregar, aos representantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), uma intimação sobre o movimento.

“O Poder Judiciário, através da Juíza, expediu um mandato de reintegração de posse da área e o oficial de justiça veio citar as pessoas que estão fazendo a interdição. A PM só veio garantir que o oficial cumpra o papel dele”, esclareceu o subcomandante do 23º Batalhão da Polícia Militar, Major Sérgio Pastana, que na sequência se retirou do local.

Apesar do anúncio, uma assentada que participa da paralisação, Vanilma Rocha, afirmou que não há prazo para que a FNL desocupe as três áreas. De acordo com ela, a Vale tem descumprido algumas negociações com os assentados e agregados.

“Vamos passar a noite, o dia, o tempo necessário. Nós só queremos os nossos direitos”, disse a assentada, destacando que entre as solicitações estão a melhoria da comunicação com instalação de torre de celular; construção de escola; posto de saúde; e apoio na produção para cerca de 28 comunidades.

No momento em que nossa equipe de reportagem esteve no local, os carros de passeio, pessoas que iam para o aeroporto, ambulâncias, entre outros veículos, eram liberados para subir ou descer a Serra dos Carajás. Porém, a fila de ônibus com trabalhadores da Mineradora Vale e caminhões ocupavam a PA-275, além das ruas E e F, chegando próximo ao Rio Verde.

Por volta das 23 horas, os manifestantes permaneciam interditando as áreas.

Sobre a interdição em Parauapebas, a Assessoria de imprensa da Vale emitiu a seguinte nota:

“Integrantes da Frente Nacional de Luta (FNL) interditam, desde a madrugada desta segunda-feira, 27/11, a Estrada de Ferro Carajás, a portaria de Carajás e a rodovia Faruk Salmen, no município de Parauapebas (PA), prejudicando o acesso dos empregados e prestadores de serviço e impedindo o transporte de passageiros e cargas. A Vale informa que obstruir a ferrovia e impedir o direito de ir e vir das pessoas são crimes passíveis de multa e prisão e que adotará as medidas judiciais cabíveis para desinterdição das vias e portaria.

A Vale repudia veementemente a ação criminosa e ilegal da Frente Nacional de Luta (FNL) e refuta as afirmações feitas por integrantes do movimento. Em nenhum momento, a empresa fez acordos com a FNL, como informado pelo movimento. A pauta de reivindicações relacionada à infraestrutura e de responsabilidade do Poder Público foi acolhida pelos órgãos públicos competentes que, inclusive, reuniam-se com o grupo em encontros mensais, o que torna ainda mais injustificável a ação intempestiva da FNL. A Vale participou destas reuniões como convidada, atendendo ao convite dos órgãos públicos e também como parte de sua política de responsabilidade social.

A empresa ressalta a sua indignação com atos como este, que não contribuem em nada para o diálogo, e reforça ainda que, diante desta ação ilegal, fica rompida qualquer participação da Vale em tais discussões.

Interdição prejudica a região

Com a interdição, a operação da Estrada de Ferro Carajás (EFC) está paralisada e o trem de passageiros está suspenso, impactando mais de 1.300 pessoas que diariamente usam o transporte ferroviário. A ação impacta ainda consideravelmente as cidades do Sul e Sudeste paraense, com a possibilidade de problemas no abastecimento de combustível, que é transportado pela ferrovia, além de provocar a queda na arrecadação municipal e a insegurança na implantação de novos empreendimentos na região.

Sobre o trem de passageiros

O trem de passageiros não circulou hoje de São Luís para Parauapebas e não irá partir de Parauapebas para São Luís nesta terça-feira. Mais informações podem ser obtidas no Alô Ferrovias: 0800 285 7000.”

Reforma Agrária

Por determinação da Justiça, Sem Terra começam a deixar as fazendas Cedro e Fortaleza, no município de Marabá

A operação vai até a quarta-feira (29), quando todos os acampados deverão deixar as áreas das fazendas.
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Por Lima Rodrigues, de Marabá-PA

De forma pacífica, as famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) estão deixando, nesta segunda-feira (27), às áreas das fazendas Cedro e Fortaleza, que vinham sendo ocupadas desde 2009, na BR 155, entre Marabá e Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará. A determinação de reintegração de posse das fazendas, na área denominada Assentamento Helenira Rezende, partiu do Tribunal de Justiça do Pará.

As duas fazendas pertencem ao Grupo Santa Bárbara. A operação de despejo começou por volta de 7h15 da manhã, comandada pelo Ten-Cel. Sérgio Neves, do Comando de Missões Especiais. “Tudo será feito com toda tranquilidade possível. Vocês têm até às 18h de quarta-feira (29) para deixarem as áreas das duas fazenda. Quem ainda não recolheu seu material, comece a desmontar seus barracos, sem atropelo”, disse o coronel, acrescentando que “as tropas da PM permanecerão no local até a quarta-feira (29) para garantir a segurança total da reintegração de posse”.

As ordens judiciais, do Juiz Arnaldo José Mazutti, titular da 3ª Vara Agrária de Marabá foram lidas pelos oficiais de justiça Roberto Sousa e Ederaldo Sousa. Outros dois oficiais de justiça também acompanharam a operação de despejo: Claudionor Santos e Rafael Benevides. No momento da leitura estavam presentes policiais da Tropa de Choque, representantes do Incra, do Ministério do Desenvolvimento Social, da Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará), e um grupo de trabalhadores Sem Terra.

A leitura foi feita por volta das 8h bem no meio da BR 155, que chegou a ficar fechada por quase duas horas, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, até que a operação de despejo começasse de fato. A rodovia foi liberada às 10h15. A operação contou também com o apoio do Comando de Missões Especiais (Coordenação); Comando do Policiamento Regional, Grupamento Tático Operacional, Polícia Civil e o apoio de um helicóptero.

Inicialmente, os Sem Terra pretendiam montar os barracos nas áreas de 20 metros nas laterais da rodovia, pertencente ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), mas depois foram convencidos pelo coronel Neves que teriam que ir para outro local. Segundo ele, “a ordem da justiça determinava que ninguém poderia ficar nas áreas próximas às fazendas reintegradas”.

As lideranças do MST concordaram e o pessoal deu prosseguimento ao desmonte dos barracos, cujo trabalho havia se iniciado ainda no dia anterior. Durante à noite e madrugada várias famílias embalavam seus pertences em caixas ou sacos, já com a meta de deixar o local pacificamente. Aqueles que moram em casas de alvenarias ainda têm até quarta-feira para derrubar suas residências e fazer o aproveitamento de tijolos e telhas. “As negociações envolvendo a Fazenda Santa Bárbara e o Incra vinham se arrastando, mas agora chegou esta ação de despejo e temos que cumprir porque se não sairmos numa boa, a polícia militar pode derrubar tudo com a ajuda de tratores”, afirmou Ayala Ferreira, da Coordenação Regional do MST no Pará. Ela disse que a coordenação não sabia para onde levar as famílias despejadas das fazendas Cedro e Fortaleza e que aguardava uma resposta do Incra sobre o assunto.

Ayala Ferreira informou, ainda, que as famílias dos Sem Terra estavam produzindo na área vários produtos, como, por exemplo, banana, mandioca, feijão e até leite para alimentação das famílias e comercialização na região.

O agricultor Manoel Messias Barbosa, conhecido por “Goiano”, 67 anos, casado e pai de 11 filhos, chegou ao local ainda de madrugada e disse que obedeceria a ordem de despejo. “Decisão da justiça tem que ser cumprida. Não vamos entrar em confronto com a polícia. Vamos é tentar encontrar outra área para a gente produzir e criar as nossas famílias”, disse ele, de forma serena.

O presidente da Fazenda Santa Bárbara, Cleiton Custódio, informou que a justiça foi feita. “Esperamos quase nove anos por esta decisão. Agora, estamos vendo ela ser cumprida de forma pacífica. Perdemos casas, maquinários, pesquisas genéticas na área da agropecuária, mas vamos voltar a produzir tudo isto aqui na fazenda, além de gerar emprego na região”, destacou.

AgroSB
Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo AgroSB informou que a empresa tem cinco grupos de fazendas no Pará, que abrigam mais de 1.000 colaboradores e geram mais de 20 mil empregos diretos. Segundo a nota, “por causa das invasões, a empresa se viu privada de produzir em áreas que adquiriu em conformidade com a legislação”. E prossegue: “Na tentativa de equacionar o conflito agrário na região, a empresa aceitou dialogar com o Incra para aquisição dessas fazendas, mas o processo estende-se há mais de três anos sem sucesso.”

Ainda de acordo com a nota oficial, “a AgroSB sempre buscou na Justiça os seus direitos e a retomada das fazendas ocupadas ilegalmente”. “Aliado a seu compromisso ambiental, a empresa mantém escolas em suas fazendas, proporcionando o desenvolvimento da população da região ligada direta ou indiretamente às suas atividades”.

A nota da AgroSB conclui dizendo que agora “iniciará imediatamente a reconstrução do seu projeto de pecuária e agricultura, com a geração de centenas de empregos em Marabá e cidades vizinhas, proporcionando renda e dignidade aos trabalhadores, além de educação para eles e seus filhos. O comércio regional também será beneficiado com a compra de máquinas, equipamentos e insumos, assim como os municípios devido ao recolhimento de tributos. Os benefícios são, assim, de todos, incluindo o estado do Pará”.

Você que mora em Parauapebas poderá ver cobertura em vídeo das reintegrações de posse das Fazendas Cedro e Fortaleza no Programa Conexão Rural, do apresentador Lima Rodrigues no próximo domingo, às 9h30, pela RedeTV.

Reforma agrária

Justiça do Pará adia reintegração de posse em fazendas tomadas pelo MST no sul do Pará

A reintegração de posse das fazendas Cedro, Maria Bonita e Fortaleza ficaram para a segunda fase da operação no sul do Estado, a ser realizada a partir do dia 27, informou a PM.
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A Justiça do Pará adiou a reintegração de posse das fazendas Cedro, Maria Bonita e Fortaleza, invadidas por integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), na região sul do Estado, que seriam realizadas esta semana pela Polícia Militar. Em audiência realizada na segunda-feira, 6, na Vara Agrária de Marabá, foi agendada reunião para o dia 23 com representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e de outros órgãos públicos para definir o local para onde as famílias serão levadas e as políticas assistenciais. O presidente da Associação dos Criadores do Pará (Acripará), Maurício Fraga, disse que o adiamento “cria dificuldade para o cumprimento dos mandatos e causa insegurança no setor”.

As fazendas Cedro, Maria Bonita e Fortaleza, do Grupo Santa Bárbara, que estão na lista de reintegrações, têm liminar para a retomada da posse desde a invasão pelo MST em 2009. “Até o momento, passados oito anos, não houve reintegração de posse e as fazendas continuam invadidas”, informou o grupo, ligado ao empresário Daniel Dantas. Na audiência, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) alertou para o risco de conflitos nos despejos e para a presença de crianças nas ocupações.

Uma nova audiência foi marcada para o dia 23, quando o Incra e outros órgãos públicos devem apresentar os locais para onde serão levadas as famílias após a desocupação, assim como as políticas assistenciais. A CPT informou que as três áreas tinham sido objeto de acordo para compra pelo Incra, o que tornaria desnecessária a reintegração.

De acordo com a Santa Bárbara, as negociações com o Incra se arrastam há quatro anos, sem que o acordo seja efetivado. “O Incra realizou levantamento cadastral de todas as áreas, não encontrando qualquer irregularidade nos títulos de aquisição. As fazendas eram produtivas, criavam centenas de empregos na região e sempre trabalharam em respeito à legislação ambiental e com grande compromisso social, inclusive fornecendo escolas a filhos de funcionários e população do entorno”, diz a empresa.

A partir de 2009, essas fazendas passaram a sofrer ataques que a empresa descreve como violentos e criminosos. “Matança de gado, ameaça e sequestro de funcionários, casas e máquinas agrícolas incendiadas, escolas depredadas e cercas e currais destruídos eram práticas comumente utilizadas pelos invasores.”

A Agro Santa Bárbara alega que, em razão dos ataques, perdeu a posse das fazendas e, desde então, tem entrado com medidas judiciais para reaver seus direitos. “A empresa se viu privada de produzir nas áreas e, tentando encontrar alguma forma para a resolução do conflito agrário na região, a empresa aceitou abrir diálogo com o Incra para a aquisição dessas fazendas, num processo longo e sem sucesso.”

Nova etapa

O subcomandante da Polícia Militar do Pará, Coronel Emmanuel Leão Braga, informou que a reintegração de posse das fazendas Cedro, Maria Bonita e Fortaleza ficaram para a segunda fase da operação no sul do Estado, a ser realizada a partir do dia 27. “Definimos, em conjunto com a Vara Agrária de Marabá, fazer a reintegração de 16 fazendas invadidas, mas em duas fases. Na primeira, iniciada em outubro, e que prosseguirá até este domingo, incluímos as fazendas Mutamba, Cristalina, Geraldo de Assis, Mococa, Boa Vista, Esperantina, Pontual e Astrúrias. As demais serão na segunda fase.”

Segundo ele, os 106 policiais da força especial retornam para Belém no início da próxima semana para cumprir ordens de reintegração em Castanhal, na região norte do Estado. “Temos uma agenda, mas a gente trabalha com orçamento financeiro. Assim, devemos retornar à região de Marabá no dia 27 para, a partir daí, cumprir as liminares em outras oito fazendas, conforme ficou definido com a Vara Agrária.”

Notícias

Juíza revigora mandado de reintegração de posse e invasores das casas do bairro Nova Carajás deverão ser retirados em breve

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Em 27 de janeiro de 2016 cerca de 150 pessoas invadiram as 300 casas do Projeto Minha Casa, Minha Vida que estão sendo construídas no bairro Nova Carajás, em Parauapebas. À época, a Construtora e Transportadora Carvalho Ltda, empresa firmou contrato para produção de empreendimento habitacional do Programa Minha Casa Minha Vida, junto ao Banco do Brasil S.A, ingressou com pedido de reintegração de posse na justiça, sendo deferida a liminar em 29 de janeiro do corrente ano pela juíza Eline Salgado, que estava respondendo pela 3ª Vara Cível e Empresarial da comarca à época.

Relata a juíza Eline Salgado em sua decisão:

Patente o esbulho possessório, já que além de terem invadido imóvel alheio, com violência, ainda estão a prejudicar mais de trezentas famílias que esperam desde 2012 as casas ficarem pronta, em frontal abuso de direitos. Com estas razões, defiro a expedição de mandado de reintegração liminar de posse, devendo os requeridos, imediatamente desocuparem a área, abstendo-se de quaisquer atos que visem o exercício pleno da posse do autor, bem de novas práticas de atos atentatórios ao direito de exercício da posse do autor, sob pena de multa diária e individual no valor de R$10.000,00 (dez mil reais). Defiro desde já reforço policial, devendo imediatamente fornecer tropa necessária para o fiel cumprimento da presente ordem, sob pena de multa diária, pessoal e individual no valor de R$1.000,00 (um mil reais) ao Comandante do Grupamento da Polícia Militar de Parauapebas, ao Secretário Estadual de Segurança e ao Governador do Estado. Da mesma forma defiro o arrombamento, se necessário, bem como, cumprimento com os benefícios do artigo 172 do CPC e INCLUSIVE EM PLANTÃO.

O mandado não chegou a ser cumprido em virtude da desocupação dos imóveis pelos invasores, e foi devolvido à secretaria.

No último fim de semana o projeto habitacional foi novamente invadido, supostamente pelos mesmos do início do ano. A empresa renovou o pedido de reintegração de posse e este foi revigorado pela juíza substituta Tereza Waldemar da Silva na manhã desta terça-feira (24) e aguarda cumprimento por parte do Oficial de Justiça.

Leia a decisão da magistrada:

Havendo nos autos informação de que os requeridos desocuparam o imóvel objeto da lide antes do cumprimento da decisão liminar de reintegração de posse e que voltaram a ocupar a área no último dia 21/05/2016, determino que se proceda ao desentranhamento do mandado para o fiel cumprimento da decisão de fl. 76. Não tendo havido citação até o presente momento, não há que se falar em descumprimento. Fica a parte autora ciente de que o cumprimento a diligência dependerá do prévio recolhimento da diligência do Oficial de Justiça, nos termos da Lei Estadual n. 8.328/2015. Cumpra-se com as cautelas necessárias.

O Oficial de Justiça aguarda posição da Polícia Militar do Pará para cumprir o mandado, fato que deve acontecer nas próximas horas.

Fotos: Ademilson Oliveira

Notícias

ALEPA: projeto pretende coibir violência no campo durante ação de despejo

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Tramita na Assembleia Legislativa do Pará o projeto de lei nº 26/2011 que pretende garantir procedimentos pacíficos nos despejos realizados em território estadual pelas polícias Civil e Militar. De autoria do líder da bancada petista na casa, deputado Zé Maria, e protocolada em março do ano passado, a matéria recebeu parecer contrário da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relator, deputado João Salame (PPS), alegou inconstitucionalidade ao afirmar que originaria despesas ao Executivo estadual, o que infringiria à competência privativa da União Federal.

Zé Maria defende a aprovação da proposta afirmando que o Pará tem sido destaque na mídia como um dos Estados em que mais ocorre a prática da violação dos direitos humanos, o que precisa ser combatido. “Entre eles o alto índice de violência no campo. Crimes ocasionados pela posse da terra no Estado culminaram, nos últimos 10 anos, na morte de centenas de trabalhadores rurais, sindicalistas e militantes que atuam na Região Norte, o que deixa o campo paraense em permanente tensão”, destaca o parlamentar. 

Por ano são expedidas diversas liminares pelo Poder Judiciário determinando o despejo de centenas de produtores rurais que ocupam a terra para trabalhar. Esses despejos contam com forte aparato policial, tanto militar quanto civil. Em muitos casos essas ações acontecem com violência, culminando em mortes.

A violência utilizada por policiais foi recentemente noticiada no jornal Diário do Pará. Com a manchete “Participação de PMs em ‘reintegração’ de posse vai à justiça” , e segundo o líder do PT reforça a necessidade de estabelecer uma legislação que trate deste tipo de ação. “Estamos regulamentando algo que já está previsto no parágrafo 4º do art. 193 da Constituição do Pará. De acordo com o documento, as polícias Civil e Militar não intervirão em questão possessória e despejo, a não ser em necessidade de atuação preventiva, flagrante delito ou ordem judicial”, explica.

O parlamentar, que é do movimento sindical e possui um extenso histórico de luta pela garantia dos direitos dos trabalhadores rurais, destaca: “os despejos são praticados com um aparelho bélico militar de proporções preocupantes, como se os trabalhadores que ocupam a terra fossem pessoas desprovidas de direitos, inclusive de possuir a terra para o desenvolvimento de seu trabalho”. 

Fonte: Assessoria de Imprensa do Dep. Zé Maria

Juiz nega reintegração de posse para suposta proprietária de área de conflito em Curionópolis

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Em sentença publicada no final da semana, o juiz Jonas da Conceição Silva, da Vara Agrária de Marabá,, indeferiu o pedido de reintegração de posse da área denominada “Fazendinha”, cuja propriedade era requerida pela pecuarista Kênia de Freitas Barreto. 

O juiz extinguiu o processo com julgamento do mérito da causa e sentenciou como improcedente o pedido da autora. Para o juiz, a autora estava ocupando ilegalmente terra pública e não preenchia os requisitos para regularizar o imóvel em seu nome.

A área encontra-se parcialmente ocupada, há dois anos, por 280 famílias sem terra ligadas ao MST. O acampamento “Frei Henri”, nome dado em homenagem ao padre e advogado dominicano que trabalha na CPT do sul do Pará, está localizado no município de Curionópolis, próximo da cidade de Parauapebas e vem sendo alvo de constantes litígios entre fazendeiros da região e militantes do MST nos últimos dias.

O MST acusa os fazendeiros de usarem de táticas de guerrilha contra os militantes para que, intimidados, deixem o local.

A Polícia Militar tem acompanhado o desenrolar dos fatos e diariamente vai ao local, todavia, não toma qualquer atitude para melhorar a relação entre fazendeiros e sem terras. Na última semana, durante um bloqueio na PA-275, um sem terra atirou contra uma van ferindo dois passageiros.

O clima no local é de tensão e será necessária uma atitude rápida e eficiente por parte das autoridades para que não ocorra mais derramamento de sangue em virtude da precária política de reforma agrária do governo federal.