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Parauapebas

Educação pública de Parauapebas é referência no atendimento aos autistas

A rede de educação pública em Parauapebas tem expertise em educação inclusiva. Atualmente são 60 crianças com TEA no ensino fundamental e 10 na educação infantil.

“Meu filho tem síndrome de Asperger, que está dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele estudava em escola particular, mas lá não tinha uma professora auxiliar para ajudá-lo com as tarefas na sala. A professora tinha que atender todos os alunos. Então eu tinha que pagar uma auxiliar pra ajudá-lo, o que pesava no orçamento. A neuropediatra me aconselhou a colocá-lo numa escola pública porque na rede pública já é regra ter a professora auxiliar. Hoje ele estuda na escola municipal Chico Mendes e tem se desenvolvido bastante”, relatou Ana Cristina Costa, técnica em mineração.

“Nem sei o que seria de mim e do meu filho se não fosse a escola. Ele sempre foi muito bem atendido, tanto na Ruth Rocha quanto na Dorothy. No início, a cuidadora dele disse que iria pedir demissão, porque não estava dando conta do Félix, mas aí ela foi aprendendo a mexer com ele e se encantou pelo meu filho. Ele melhorou muito depois que entrou na escola”, afirma a dona de casa, Maria das Dores Silva.

O relato dessas duas mães é endossado por outros pais de crianças autistas e também daquelas que possuem outras deficiências, o trabalho de inclusão desses alunos é um diferencial do município, apesar das dificuldades comuns do serviço público. “As bases da educação inclusiva em Parauapebas foram lançadas pela pedagoga Márcia Guedes, pela fonoaudióloga, Lurdes Câmara, e por alguns outros profissionais que levantaram a bandeira, ainda no início dos anos 90”, informou a psicopedagoga, Lucilene Reis. Portanto, a rede de educação pública em Parauapebas tem expertise em educação inclusiva.

Em 2012, por meio da Lei Federal 12.762, as pessoas com TEA passaram a ter os mesmos direitos das pessoas com deficiência. “Quando chegou o autismo, há cinco ou seis anos, não estávamos preparados. Se pensarmos em estrutura física, ainda estamos engatinhando, pois nesse quesito nem escolas públicas e nem particulares estão preparadas para atender esse público, devido às necessidades de desenvolvimento para quem tem TEA variarem muito de um aluno para outro”, pontuou Lucilene Reis.

O atendimento na rede pública não é perfeito, claro, mas tem avançado muito graças ao processo de qualificação contínua dos profissionais de educação e também devido o apoio aos profissionais e alunos da rede, promovido pelo Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Social (Napp), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Educação (Semed).

“Realizamos uma formação mensal com os profissionais de educação da rede para que eles possam entender as características da criança que tem TEA e possam utilizar as melhores ferramentas de trabalho”, informou Maria Arnete Bezerra, coordenadora do Napp, que conta com equipes multiprofissionais compostas por fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos e assistentes sociais. Essas equipes dão suporte diretamente nas escolas.

Em quase 100% dos casos, as crianças já vem com um laudo, mas há situações em que a equipe da escola observa um comportamento diferenciado da criança e solicita uma avaliação da equipe do Napp. “Mesmo que o aluno não tenha laudo a gente atende. Fazemos um relatório para a escola, pontuando as atividades direcionadas para o desenvolvimento das habilidades que aquele aluno mais carece. A família também é acionada para buscar o atendimento em saúde. Precisamos desse suporte, pois não somos nós quem fechamos o diagnóstico de TEA e, em alguns casos, a melhora do desenvolvimento só ocorre com o apoio da medicação”, informou Lucilene Reis.

Atualmente são 60 crianças com TEA no ensino fundamental e 10 na educação infantil. As escolas públicas de Parauapebas contam com a seguinte estrutura para atender crianças com deficiência: sala regular com apoio com um cuidador; sala de recurso multifuncional, onde são desenvolvidas atividades específicas para o desenvolvimento de cada criança, no horário extra aula, individualmente ou em um grupo pequeno com outras crianças. São 28 salas multifuncionais em todo o município.

“A implantação das salas de recurso na rede pública é uma determinação do governo federal, a partir de 2008. Antes disso existia a sala de apoio pedagógico. Observo grandes ganhos com a sala multifuncional, como o aumento da frequência das crianças na escola, a diminuição das desistências e o maior envolvimento e aceitação dos familiares. Agrega muito porque trabalha as áreas de desenvolvimento da criança. É mais funcional para o menino aprender a ter mais independência”, observou Maria Benedita, que é responsável pela formação dos professores.

“Logo que descobri que meu filho era autista fomos embora para Belém para ele ter atendimento adequado. Porém, quando retornei à Parauapebas percebi que aqui tem profissionais capacitados. Meu filho estuda aqui, em escola pública, e vejo a cada dia mais o desenvolvimento dele”, relatou a pedagoga Adriana Mol.

“Por conta do nosso trabalho de referência recebemos muitas famílias de outros municípios. Creio que o maior desafio hoje para os profissionais da educação é saberem lidar com as situações comportamentais, tais como as birras, estereótipos, ecolalia, e isso só se alcança com qualificação. Não basta apenas estrutura física, todos os profissionais da educação precisam saber mais sobre o autismo”, reforçou Maria Arnete.

Escolas particulares e o autismo

De acordo com a nota técnica 24/2013 do Ministério da Educação, as escolas particulares não podem negar matrícula para crianças autistas e devem garantir o atendimento às necessidades educacionais específicas do aluno. Assim, não podem repassar as despesas decorrentes da educação especial à família do estudante, ou qualquer inserção de cláusula contratual que exima a instituição, em qualquer nível de ensino.

Em Parauapebas algumas escolas particulares têm avançado na qualificação da oferta de serviços educacionais para crianças autistas, uma delas é a Pequeno Aprendiz, que atende seis alunos autistas e conta com apoio de professores auxiliares para as turmas desses alunos. A escola implantou a sala multifuncional em 2016, e já está colhendo resultados positivos.

“Verificamos a necessidade de atendimento individual e especializado complementar ao trabalho realizado na sala de aula regular. Ao oferecer atividades com materiais diferenciados e um acompanhamento mais personalizado é possível maximizar o atendimento, de forma a aumentar a chance de sucesso na inclusão escolar. A maior parte dos alunos que frequenta a sala de recursos apresentou melhora. Os resultados variam. Alguns apresentam um aumento no desempenho mais significativo rapidamente, outros precisam de mais tempo. É esse o papel desse apoio complementar, atender o aluno, de forma mais individualizada e adequando o progresso ao ritmo de desenvolvimento dele às necessidades específicas apresentadas em cada momento do aprendizado”, relatou a diretora da escola, Claudeth de Souza Santana Gomes.

Mas, infelizmente ainda é pequena a quantidade de estabelecimentos educacionais da rede privada que tem essa preocupação de atender os autistas como a legislação requer.  Como relatado no primeiro parágrafo dessa matéria, ainda existem escolas particulares que não se atentaram nesta garantia de direitos.

Comentários ( 2 )

  1. sou tia de um autista ele mora e estuda na escola da palmares sul(1) acho bacana sim porque sempre tem uma auxiliar para ajudar ele nas atividades, como eles sao muito lento na aprendizagem e muito bom ter sempre alguem pra ajuda. ele ja conhece as cores os numeros e outros.

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