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Entrevista

Ex-prefeito Valmir Mariano concede entrevista exclusiva ao Blog e se diz inocente das acusações de usar Caixa 2 em 2012

"As poucas doações de campanha que houve foram de empresas e pessoas de Parauapebas. Eu nunca recebi nenhum centavo da empresa Odebrecht e tampouco negociei nenhum contrato futuro com ninguém, tenha sido colaborador ou não da campanha", afirmou o ex-prefeito.

Conforme noticiado com exclusividade por este Blog na semana passada, o nome do ex-prefeito de Parauapebas Valmir Queiroz Mariano está na lista dos investigados pela Operação Lava Jat0, divulgada pelo ministro Fachin, do STF. Segundo a denúncia, ele é acusado de ter recebido um milhão de Reais da Odebrecht não contabilizados na campanha de 2012. O ex-prefeito, no dia da divulgação da lista, estava viajando e o Blog não conseguiu localizá-lo para ouvir a sua versão sobre os fatos.

No sábado, pela manhã, o Blog finalmente conseguiu falar com Valmir Mariano. Falamos sobre a Operação Lava Jato, sobre o seu governo e a derrota nas urnas para Darci Lermen. Acompanhe o que disse o ex-prefeito:

Zé Dudu – Sr. Valmir, o que o senhor tem a dizer sobre essa acusação que apareceu contra o senhor após delação premiada negociada com o diretor da Odebrecht?

VQM – Zé Dudu, estou surpreso em ver meu nome na Operação Lava Jato, da Justiça Federal. Eu quero dizer a você que minha campanha de 2012 foi uma campanha simples, pé no chão, andando cerca de quatro horas por dia de casa em casa. E por esse motivo não houve grandes somas de dinheiro na campanha. As poucas doações de campanha que houve foram de empresas e pessoas de Parauapebas. Eu nunca recebi nenhum centavo da empresa Odebrecht e tampouco negociei nenhum contrato futuro com ninguém, tenha sido colaborador ou não da campanha.

Zé Dudu – E a que o senhor atribui essa acusação?

VQM – As doações para minha campanha em 2012 foram singelas. Como te disse, a campanha foi com parcos recursos e a maioria veio de minha empresa. Eu quero dizer que eu nunca tive nenhum operador financeiro de campanha e jamais dei autorização para que solicitassem qualquer tipo de contribuição para a campanha em meu nome. Se assim o fizeram foi sem minha conivência e o recurso, se foi doado pela Odebrecht, como diz a denúncia, não chegou até mim e, se tivesse chegado estaria devidamente lançado em minha prestação de contas. Quero e vou contribuir com a justiça para que os fatos sejam esclarecidos o mais rápido possível e para que meu nome seja excluído desse processo, pois, posso afirmar com todas as letras: não pedi e não recebi nenhum centavo desta empresa.

Zé Dudu – Pelo que o senhor diz o Sr. Heleno Costa, então, teria feito essa negociação à sua revelia?

VQM – Eu seria leviano se dissesse que isso aconteceu. Não sei te dizer se o Heleno Costa pediu ou recebeu algum recurso usando o meu nome, mas posso sim afirmar que ele nunca teve minha autorização para pedir nada em meu nome e se as investigações apontarem para isso que ele pague pelo erro que por ventura tenha cometido. Como te disse, irei me defender dessa acusação com a maior tranquilidade porque acredito na justiça e quero que isso se resolva o mais breve possível.

Zé Dudu – O senhor fez algum negócio com a Odebrecht depois de eleito?

VQM – Não, durante o meu governo não houve nenhuma relação, nenhum contrato, entre o município e esta empresa.

Zé Dudu – O senhor conhece Mario Amaro da Silveira e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, diretores da Odebrecht, que afirmaram em delação premiada terem lhe repassado um milhão de Reais?

VQM – Não, não os conheço.

Zé Dudu – Fazia parte da sua estratégia para resolver o problema crônico da falta de água em Parauapebas a privatização do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas – SAAEP?

VQM – Durante toda a campanha era notório que a falta de água nas torneiras de Parauapebas era o problema que mais afligia a população e eu tinha a convicção de que o modo como o SAAEP era conduzido não era o correto; Logo que assumi a prefeitura procurei investir pesado para solucionar esse problema e parcialmente até conseguimos, elevando o volume de captação, tratamento e distribuição de água em quase toda a cidade. Privatizar o SAAEP era preciso, pois assim entraria recursos extras nos cofres municipais e a autarquia seria gerida de forma profissional, sem as intervenções políticas que tanto atrapalham as gestões. Todavia, em virtude dos inúmeros problemas políticos que rodearam meu mandato desde o início, a privatização do SAAEP não foi possível, até porque para tal seria necessária a anuência da Câmara Municipal, e eu não tinha a maioria necessária dos votos para conseguir privatizar. Então, deixei esse assunto para um segundo momento, mais oportuno.

Zé Dudu – Bom, já que o senhor tocou no assunto, vamos falar da sua gestão e da derrota eleitoral em 2016? Quais foram os principais erros cometidos pelo então prefeito Valmir Mariano que o levou à derrota?

VQM – Acredito que a falta de experiência política foi o fator que mais pesou para a derrota. Em segundo lugar, não menos relevante, à maciça campanha difamatória orquestrada por alguns meios de comunicação, que insistiam que tudo de errado que acontecia em Parauapebas era motivado pela minha gestão. Acredito que houve um equívoco na estratégia de combater tal difamação. Eu e meus assessores acreditávamos que essa difamação seria superada pelas obras que consegui fazer durante a minha gestão, e, infelizmente não foi isso que aconteceu, culminando com a derrota nas urnas. Nunca antes um governo foi tão perseguido pelos meios de comunicação dominados pela oposição. O interessante é ver, agora, passado pouco menos de 4 meses, que parece que vivemos uma outra realidade, em outro município, onde os problemas já não mais existem. As denúncias contra o governo, que eram diárias, hoje não acontecem mais… Mandato e campanha são coisas distintas. Quem está de fora, querendo entrar, tenta de toda forma desconstruir e é muito mais fácil criticar do que fazer. Tenho a consciência tranquila de que fiz tudo que pude para deixar meu legado ao município. Mas, em virtude do momento político conturbado, não foi possível transformar as mais de trezentas obras realizadas em votos que me fizessem vencer as eleições.

Zé Dudu – Por falar em denúncias, o senhor ou seu governo, recebeu a visita da Polícia Federal por doze vezes. A quantas andam essas denúncias?

VQM – É muito difícil governar Parauapebas e ainda mais você tendo que conviver com essas visitas, tendo que explicar o que fez, como e porque fez as coisas. A Polícia Federal estava no seu papel de investigar e meu governo procurou colaborar fornecendo todo e qualquer tipo de documento solicitado. Nunca me opus às investigações, mas confesso que houve excessos por parte de alguns agentes. Algumas colocações midiáticas foram proferidas por agentes da justiça naquele calor das investigações e várias delas se provaram equivocadas. Até o momento não fui citado de nenhuma irregularidade durante o meu mandato e, se o for, estarei pronto para apresentar todo e qualquer prova de que todas as ações do meu mandato foram feitas em consonância com o que reza a Lei. Vez ou outra o processo foi atropelado para garantir a execução das obras ou serviços, mas tudo dentro da Lei, isso eu posso te afirmar com toda a certeza.

Zé Dudu – Mas o senhor teve colaboradores presos…

VQM – Sim, é verdade! Mas, ao longo das investigações, como eu já te disse, houve excessos e as prisões dos colaboradores da Semed foram desnecessárias. O tempo provará o que eu estou te dizendo. Não preciso detalhar pra você o que aconteceu na Semed, mas posso lhe dizer que o  Índice de Desenvolvimento da Educação Básica –  IDEB – teve um grande avanço no meu governo; a merenda escolar foi premiada; o transporte escolar, que custava uma fortuna aos cofres públicos ganhou 105 novos ônibus. Outra denúncia foi referente à compra do terreno junto ao empresário Hamilton Ribeiro, quando a oposição e até o MP, fizeram um verdadeiro estardalhaço na mídia local e estadual. Posso te dizer que o valor pago foi inferior ao praticado pela gestão anterior e, inclusive, o Ministério Público já emitiu declaração afirmando que o processo se deu de forma correta. Infelizmente tal declaração só foi feita depois das eleições.

Zé Dudu – A sua relação com a Câmara Municipal de Parauapebas foi muito difícil?

VQM – Sim, foi muito difícil! Mas eu posso te dizer que eu deixei um grande legado, que foi a quebra de um paradigma que havia do legislativo em relação ao executivo. Eu te digo que no meu governo houve uma moralização dessa relação. Infelizmente a um preço muito alto para mim. Eu espero que o atual prefeito dê continuidade à essa relação, que mantenha os vereadores legislando, que é para qual foram eleitos. Ficou claro com o tempo que toda aquela panaceia protagonizada por alguns vereadores de oposição não passava de conveniências políticas, de busca por interesses escusos que foram combatidos por mim.

Zé Dudu – O senhor tem o sentimento do dever cumprido?

VQM – Absolutamente cumprido. Infelizmente, o projeto como um todo necessitaria de mais um mandato para ser concluído. Mas, posso te dizer que Parauapebas é outra totalmente diferente da que recebi. As obras na área da saúde, mobilidade urbana, habitação… estão ai para todo mundo ver e vários recursos estão engatilhados (citando o dinheiro do BID para saneamento e a orla) para o atual prefeito usar e deixar Parauapebas com 100% de saneamento.

Zé Dudu – Quais são os planos para o futuro?

VQM – Amigos já me disseram que “política só tem uma porta de entrada, não tem porta de saída”. Apesar de todas as dificuldades, nós tivemos quase 48 mil votos na última eleição e isso não se despreza de maneira nenhuma. Eu quero continuar dando a minha parcela de contribuição para o município. Mas, em se tratando de futuro político, o melhor a ser feito é aguardar um pouco mais para decidir o que fazer em relação à carreira política. Eu acredito que ainda é muito cedo para se tomar qualquer decisão. Nesse momento meu foco é reerguer minha empresa, de onde tiro o meu sustento. Mas eu não devo sair do processo não!

Zé Dudu – Especulou-se, logo que o senhor perdeu a eleição, que havia uma negociação para que o senhor assumisse um cargo no governo Jatene. Isso procede?

VQM – Sim. O governador Jatene pretende fazer um bom trabalho na região sul e sudeste do Estado. Nós estamos discutindo essa minha participação no governo. Mas ainda não há nada definido no sentido de fazer essa integração do governo nessa região. Conversamos há pouco mais de 30 dias e agora, com essa denúncia, não sei ainda o que pensa o governo.

Zé Dudu – E profissionalmente, quais os planos de Valmir Mariano?

VQM – A minha empresa não pôde participar do Salobo e S11-D, as duas maiores obras na região, em virtude da minha estada como prefeito. Então ela perdeu muito dinheiro com isso. Agora pretendo reerguer a empresa, e isso vai me dar muito trabalho. Mas é isso que eu sei fazer, trabalhar. A população de Parauapebas pode ter certeza de que eu trabalhei muito e, se não fiz mais, não foi por falta de trabalho e de vontade de fazer, foi porque não me foi possível mesmo.

Comentários ( 6 )

  1. Boa entrevista, agora quanto as denuncias so com as investigações que será esclarecido. Quanto a derrota politica ele esta certo ele foi mau acessorado desde o inicio do mandato que ocasionou o desgaste da imagem do governo. Agora a integral tomara que ele erga novamente pois ela é uma geradora de empregos no município.

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