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Falsa inocência.

A política é mesmo um ensinamento a cada dia. Nela se aprende tudo, se vê tudo, tanto para o bem como para o mal.

Em seu discurso de promulgação da Constituinte de 1988, o saudoso Ulysses Guimarães, talvez a última e raríssima âncora moral da política brasileira, disse: “não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem rouba. Eis o primeiro mandamento da moral pública”.

Ulysses Guimarães morreu em 12 de outubro de 1992 com a queda no mar do helicóptero em que viajava.

O global “Fantástico” de ontem  me fez lembrar do “Senhor das Diretas” e de como a política é feita de momentos, mas, assim como a vida, dá voltas. José Sarney, notadamente um desafeto da população brasileira, afirma em sua defesa às acusações de Sérgio Machado (em delação o ex-presidente da Transpetro disse que Sarney recebeu R$20 milhões em propina)  que Machado é um ‘monstro moral’ e uma ‘pessoa abjeta’. “A total falta de caráter de quem, como meu amigo por mais de vinte anos, frequentando com assiduidade minha casa, almoçando e jantando comigo, e visitando-me sempre, teve a vilania de gravar nossas conversas, até mesmo em hospital, revela o monstro moral que ele é.”

Aos que não são contemporâneos da ascensão de Sarney à presidência da República, em 1985, explico que quem deveria assumir a presidência com a morte do eleito Tancredo Neves era o presidente da Câmara (Ulysses Guimarães) e não o vice-presidente. Ulysses preferiu entregar o cargo a Sarney para que este conduzisse o país, mesmo desconfiando da solidariedade de Sarney, que ficou provado não tê-la quando foi eleito Fernando Collor de Mello.

Mas, como o que se trata no momento são momentos políticos, me espanta a frase de Sarney em relação ao delator Machado referindo-se a este como traidor. Sarney, como poucos, conhece todos os atalhos da política e os usa com maestria. Esperar fidelidade de um político me parece imaturo vindo de Sarney.

Parafraseando o saudoso Jarbas Passarinho, falecido ontem aos 96 anos, em frase dita minutos antes da assinatura do Ato Institucional número 5, que deu início à ditadura, relembro à Sarney: “às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”.

 

Comentários ( 6 )

  1. Ulisses Guimarães certamente teria sucumbido moralmente se vivo estivesse,senhor ardiloso, tal qual Tancredo, sabia como poucos os atalhos do poder,pena a situação ter chegado ao ponto que chegou,aqueles que fizeram da política meio de vida familiar,estão um a um, caindo nas armadilhas armadas por seus pares,jogos de guerras particulares,estratégias sórdidas em benefícios de grupos alheios ao anseio nacional,nesse salve-se quem puder,não haverá se sobrar um se quer,para recomeçar reconstruir o Brasil.
    Sem querer me mostrar o mais pessimista dos brasileiros,estou cético,não vejo solução para a encalacrada que nos meteram,temo pelo que está por vir…a única vantagem nisso tudo foi termos nos livrado do projeto criminoso do PT,isso foi só uma parte,agora precisamos encontrar um jeito de nos livrarmos do resto.
    Em um país que se decompõe moral e economicamente,perder um “passarinho”talvez seja apenas mais um sinal sombrio que as coisa tendem a piorar,estão morrendo os passarinhos,canários,curiós,perpetuam-se urubus carniceiros vorazes e todo tipo de aves de rapina…nessa terra já não tem palmeiras,já não cantam os sabiás.
    Os canalhas brasileiros também envelhecem,não sem antes,deixarem seus sucessores.

      1. Você está a margem do debate,você torce para o PT como se partido fosse time de futebol,as pessoas que pensam torcem para um país melhor,eu quero que se explodam todos os corruptos sejam eles de que partido forem.
        Negar os crimes do lulopetismo é no mínimo ser cego politicamente.

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