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Conflito Agrário

Jagunços promovem tiroteio e terror no Acampamento “Hugo Chavez”, em Marabá

Líder dos sem-terra diz que o local seria desocupado pacificamente na quarta-feira, mas agora não vão mais sair, “aconteça o que acontecer”

Por Eleutério Gomes – de Marabá

O Acampamento “Hugo Chavez”, localizado na Fazenda Santa Tereza, em Marabá, foi alvo de novo ataque de jagunços no início da noite desta segunda-feira (11). Sete homens chegaram em duas camionetes brancas fazendo disparos para todos os lados, provocando terror e correria. Ninguém saiu ferido nem houve revide, mas o clima no local é de medo e revolta. O relato foi feito, por telefone, ao Blog, pelo líder Manoel Souza.

Ele contou também que, em seguida, o bando se dirigiu à vicinal que dá acesso à fazenda e atirou rumo aos trabalhadores do acampamento, que retornavam para casa, os quais também fugiram correndo e se embrenhando no mato, com medo de morrer sob a chuva de balas. Souza disse que no acampamento vivem 300 famílias, cerca de 1.500 pessoas, 180 das quais são crianças e adolescentes que estudam na escolinha do “Hugo Chavez”. Segundo ele, após audiência na Vara Agrária de Marabá, com o juiz Amarildo Mazutti, ficou acertado que depois de amanhã, quarta-feira (13), a área seria desocupada pacificamente. Porém, após o ataque de hoje, a decisão mudou: “Eles não viram as famílias se arrumando para a retirada e, com certeza, vieram aqui se antecipar, nos expulsar antes do prazo combinado. Pois bem, agora nós não vamos mais sair, pode vir polícia, pode vir quem quiser. Aconteça o que acontecer, não sairemos”, bradou Manoel, afirmando que “o conflito está instalado”.

A Santa Tereza pertence aos pecuaristas Osvaldo Saldanha e Rafael Saldanha e está ocupada desde 8 de junho de 2014, por militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), o que deu início a uma série de conflitos que parece não ter fim.

Em julho último, a fazenda foi atacada e a sede destruída, assim como máquinas em implementos queimados. Os ocupantes se eximiram de culpa, acusaram o gerente da propriedade de ter perpetrado a manobra para culpá-los. O gerente Oswaldo Parente rebateu dizendo que era mentira e afirmou que não tinha motivo para destruir a propriedade.

O Incra analisou o processo de desapropriação no final de 2016 e constatou que a fazenda é produtiva, por isso não pode ser desapropriada. O instituto, então, optou pelo processo de compra da propriedade, mas os dois proprietários não concordaram com o preço oferecido pela União, segundo eles, um valor muito abaixo do que a fazenda vale.

Os sem-terra, entretanto, insistem em dizer que a documentação da fazenda é irregular, cercada de ilegalidade, por isso querem que ela seja desapropriada para fins de reforma agrária.

O Blog tentou, mas não conseguiu contato com a Deca (Delegacia de Conflitos Agrários) para saber que providências seriam tomadas. Manoel Souza também se queixou de não estar conseguindo contato com a especializada. “Se fossem os fazendeiros que estivesse chamando, eles viriam rapidamente”, desabafou Manoel.

Comentários ( 2 )

  1. Não é muita coincidência esse pessoal atacar justamente na ante véspera do MST sair do acampamento, o mais estranho aí dá e não terem acertado ninguém,
    Eu quero acreditar na polícia militar e desmonte esse teatro que eles armaram e orientar os atores desse pastelão

    1. Com esse nome deve ter a ver com esse último período em que houve influencia venezuelana e migração de venezuelanos para o país e instalação de colônia daquele país em Marabá. Tem que investigar as duas partes porque olheiros comunistas também ficam mancomunados com práticas ilegais.

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