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Conflito Agrário

Acampamento “Hugo Chaves”, em Marabá, é alvo de ataques de jagunços. Eles dispararam tiros e incendiaram o mato em volta das barracas

A área faz parte da Fazenda Santa Tereza, cujo dono se recusou a vender ao Incra porque o preço oferecido é muito baixo

Por Eleutério Gomes – de Marabá

Notícia repassada ao Blog nesta tarde dá conta de que desde a noite de ontem, sábado (15), o Acampamento “Hugo Chavez”, do MST, localizado a 27 km de Marabá, na Fazenda Santa Tereza, está sendo alvo de tiroteio. O ataque armado teria começado por volta das 23h, quando uma caminhonete passou em frente ao acampamento e dela partiram vários disparos de arma de fogo em direção à entrada do local.

Neste domingo, 16, o ataque teria recomeçado às 13h, quando jagunços atearam fogo ao redor das barracas levando perigo às 320 famílias do acampamento. Eles usam uma caminhonete para bloquear o acesso. Várias mulheres e crianças estão passando mal no local, onde as famílias seguem em resistência. Não se sabe se há feridos.

Maria Raimunda César, da direção estadual do MST estadual, teria protestado e dito que “essa tragédia já era anunciada e de conhecimento das autoridades”.

Ouvido pelo Blog, o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista Afonso, disse que teve informações “muito gerais” de que estava havendo o conflito e solicitou que a Deca (Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá) fosse até o local.  José Batista contou que a situação ali é complexa. Segundo ele, anos atrás o Incra fez proposta de compra da área da Fazenda Santa Tereza, para assentamento de famílias sem-terra. A princípio, o proprietário, Rafael Saldanha Camargo, aceitou vender pelo preço oferecido pela União. Porém, antes de fechar o negócio, o Incra decidiu descontar o passivo ambiental e o preço caiu demais, fazendo com que o fazendeiro desistisse do negócio.

“No caso de compra e venda – diferente de desapropriação -, o proprietário pode desistir da venda e foi o que aconteceu. Desde então se criou essa situação de conflito: ele tanta tirar as famílias da terra e elas insistem em ficar. As autoridades têm de providenciar logo uma solução para que não acabe em tragédia”, explicou José Batista.

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