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Cemitérios viram mercado em dia de reverenciar a memória dos que se foram

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Churrasquinho, água, banana, refrigerante, geladinho, coroa de flores, velas, flores, plantas ornamentais, pedras para túmulos tomaram de conta das portas dos cinco cemitérios de Marabá neste 2 de novembro. Vendedores se aproveitaram da sensibilidade do marabaense para visitar os jazigos de familiares e outras pessoas queridas para transformar a porta dos campos santos em mercado.

E os comerciantes se instalaram nos três principais cemitérios até mesmo com grandes tendas e funcionários padronizados. O mais procurado deles foi o Cemitério da Saudade, na Folha 29, por onde passaram cerca de 25 mil pessoas nesta quarta-feira, segundo avaliação do administrador do cemitério, João Mauro Garcia.

João Mauro disse que de um ano para cá foram sepultados, em média, 800 pessoas no local e que a média mensal é de 70 novas covas abertas naquele espaço, que deverá ter sua capacidade esgotada em menos de dois anos.

Ainda segundo o administrador, a movimentação no local teve início já na segunda quinzena de outubro, com limpeza dos túmulos por parentes dos enterrados ali.

O servidor público Carlos Eduardo, que foi ao Cemitério da Saudade para visitar o túmulo de sua mãe, que faleceu há cinco anos, disse que ficou espantado com a rua tomada por vendedores. “O cheiro de churrasquinho na entrada não faz lembrar um cemitério. A Prefeitura deveria colocar um basta nisso”, sugeriu.

Mas o vendedor ambulante de lanches Edinaldo Caldas Silva, que trabalha no ramo há oito anos, defende a presença de vendedores, alegando que a crise não permite perda de oportunidade. “A gente aproveita esses feriados par fazer um extra. Aonde a gente sabe que vai ter movimento estamos vendendo. Não estamos fazendo mal para ninguém, nem para vivos, nem para mortos”, defendeu-se.

Cemitério particular

No Parque das Flores, primeiro cemitério particular da cidade, muitas pessoas também aproveitaram a data para prestigiar entes queridos sepultados ali. Localizado às margens da Rodovia Transamazônica (BR-230), à altura do Km 7, o local começou as atividades no início do ano e esteve de portas abertas neste Dia de Finados. A unidade comporta mil lápides nesta primeira etapa do empreendimento, é dotado de três salas para realização de velório, acompanhadas por suítes e uma lanchonete, sendo o único com boa estrutura na região.

De acordo com o proprietário, Paulo Brache, havia necessidade de um local como este em Marabá. “Aqui a família sente que, pelo menos, está colocando o seu ente querido em local decente. O cemitério é vigiado por mais de 50 câmeras durante 24 horas”, propaga.

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