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Marabá

Menos de 24 horas depois de ter deixado o marabaense sem água por dois dias, adutora da Cosanpa volta a estourar

Apesar do investimento de R$ 300 milhões, rede de abastecimento e equipamentos continuam sucateados

Por Eleutério Gomes – de Marabá

A exemplo dos movimentos sociais de luta pela terra, que fundaram o MST, o marabaense poderia e já tem motivos para fundar o OSAMA (Os Sem-Água de Marabá) tantos são os transtornos que mais de 100 mil pessoas, que vivem em 27 mil domicílios dos núcleos Nova Marabá e Cidades Nova, passam nas mãos da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), que detém um contrato de 37 anos com o município para abastecimento de água e rede de esgoto sanitário.

Só neste semestre, depois de amargar falta de água permanente, seguida de aproximadamente dois meses de racionamento, por conta da seca do Rio Tocantins, de onde sai a água que jorra – em tese – nas torneiras marabaenses, a situação se normalizou, depois que a Cosanpa estendeu o ponto de captação para o meio do rio.

Mas, a alegria durou pouco: na madrugada da última quinta-feira (19), a adutora que faz a distribuição para os dois grandes núcleos rompeu e foi recuperada já na manhã de sexta-feira (20). Porém, era necessário que a espera durasse mais 12 horas, tempo em que a capa de concreto colocada sobre o tubo secaria completamente.

Por volta das 20h de ontem a água voltou aos poucos às torneiras e, na manhã deste sábado (21), tudo já estava normalizado. Entretanto, outra malfada surpresa estava por vir: na tarde de hoje, no mesmo local, a adutora rompeu novamente e a capa de concreto – não muito concreta, por sinal – não resistiu.

O resultado é que um novo remendo está sendo feito e, em pleno fim de semana, o consumidor está na seca novamente. Nas redes sociais, circula a notícia de que estabelecimentos comerciais que lidam com comida fecharam as portas mais cedo, contabilizando prejuízos; e que alguns eventos familiares foram suspensos.

O Blog tentou contato com a Gerência Regional da Cosanpa, mas não obteve sucesso. Informação extraoficial dá conta de que operários da estatal estão novamente no local, trabalhando para recuperar a adutora, mas sem prazo para que o abastecimento seja regularizado.

Terceirização

Vale lembrar que, em 2014, o então prefeito João Salame, argumentando que o contrato da Cosanpa com o município havia se esgotado em 2008 e com base nas reclamações da população, chegou a abrir licitação para que empresas de outros Estados pudessem assumir o abastecimento de água na cidade e dotar a área urbana de esgoto sanitário.

A proposta, no entanto, provocou muitos protestos e foi rechaçada por sindicatos, associações, pelo Ministério Público Estadual e pela própria Cosanpa, cujos dirigentes da época argumentaram que estavam fazendo um investimento de R$ 300 milhões para aperfeiçoar o sistema, aumentar a oferta do líquido e implementar o esgoto, que hoje só cobre 4% da cidade.

De outra parte, se espalhou entre a população a contrapropaganda de que as faturas, caso a água fosse terceirizada, viriam com valores estratosféricos; que os mais pobres não teriam água em casa e outras tantas lendas sobre o assunto. O projeto acabou engavetado.

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