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Opinião

Parauapebas: pobre cidade rica ou rica cidade pobre?

2016 vai se acabando e dele poucos terão saudades. Que venha 2017, Parauapebas!

A população de Parauapebas aumentou demasiadamente nos últimos 15 anos. Entre 2000 e 2010 saltou de 71.568 para 153.908 habitantes, um percentual de crescimento de 115,51%. E, de acordo com as estimativas do IBGE, esse número continuou crescendo nos anos posteriores e os cálculos apontam uma população de 189.921 habitantes no município, tendo como base o ano de 2015.

Porém, de acordo com a prefeitura, esse número passa e muito dos 260 mil habitantes. Pelo menos é o que aponta o levantamento realizado pelos agentes de endemias da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), que realizam visitas nos domicílios da cidade e conseguem informar dados mais semelhantes com a realidade do município.

Quem mora na cidade desde o seu início percebe esse aumento populacional quando tem a oportunidade de visitar bairros como o Cidade Jardim, Nova Carajás e VS-10, áreas comercializadas por imobiliárias e que impulsionaram a expansão urbana do município. “Eu cheguei aqui em 83 para trabalhar em Carajás, era só um vilarejo. Fico impressionada com o tamanho de Parauapebas hoje. Foi um crescimento assustador, em pouco tempo”, disse Terezinha Gomes Ferreira, uma das pioneiras da cidade.

Todo esse crescimento populacional foi motivado pela fama de “cidade que corre muito dinheiro” e que tem muitas oportunidades de emprego. Porém, em 20016, essa imagem parece que começou a mudar. O atual cenário econômico tem influenciado muitas famílias na decisão de ir embora de Parauapebas. “Nos últimos meses tenho levado em meu caminhão a mudança de muita gente que está retornando para suas cidades de origem. Muitos são da região de Belém, mas, a maioria é do Maranhão. Muitas histórias tristes, de pessoas que vieram para cá, trabalharam, juntaram alguma coisa, mas perderam o emprego e não deram conta de pagar aluguel, alimentação e as parcelas da Buriti (empresa responsável pelo loteamento do bairro Cidade Jardim). Muita gente que comprou lote lá, para sair do aluguel, e agora tá indo embora de mãos abanando”, disse Manoel Alves de Souza, que chegou em Parauapebas no início da década de 80 e que trabalha no ramo de transporte de cargas.

O desemprego realmente tem aumentado na cidade e é comprovado pelos dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), que aponta queda na oferta de empregos formais. Em 2013 foram realizadas 26.953 admissões; em 2014 esse número teve um leve aumento e foi para 27.392. A queda drástica começou em 2015, que fechou o ano com 20.839 contratações formais e infelizmente 2016 deve fechar com dados ainda mais alarmantes. De janeiro até outubro somente 13.776 profissionais foram admitidos.

Quando se leva em consideração a comparação entre admitidos e demitidos, os números reforçam o aumento do desemprego, o saldo negativo é de 12.274 vagas entre janeiro de 2013 e outubro de 2016. A redução da receita que o município sofreu com a diminuição de royalties da mineração e a queda no valor arrecado com o ICMS gerou uma forte retração econômica do município, percebida na diminuição do movimento no comércio, se comparado ao período natalino de outros anos, e no setor imobiliário, que conta com centenas de imóveis à venda e para alugar na cidade, mesmo com uma considerável queda dos preços.

“Meu tio estava desempregado há um bom tempo, se mantinha do valor recebido da rescisão do seu último emprego. Quando o dinheiro acabou retornou para sua cidade acompanhado da sua família”, informou a engenheira civil, Larissa Costa Magalhães. “Tenho dois conhecidos que foram embora de Parauapebas por questão de emprego, um foi para Canaã dos Carajás, por conta do novo projeto da Vale lá, e o outro veio para Belém, tentar uma oportunidade depois de ter sido demitido na cidade”, disse a jornalista Uliana Motta. “Eu conheço umas três famílias que foram embora por causa do desemprego”, relatou a administradora Franciele Souza.

“Parauapebas era para ser uma cidade modelo, mas não o é. Caramba, uma ida ao banco te toma o dia inteiro e o atendimento é nota zero. Passei minha infância e adolescência na cidade e fui embora aos 18 anos. Me formei e retornei com o intuito de ficar. Consegui um bom emprego, com bom salário e plano de saúde, mas percebi que a cidade não era uma boa opção para criar minha filha. Por isso, decidi ir embora”, relatou o advogado Sérgio Henrique.

Mesmo com todo esse contexto de crise, Parauapebas ainda é uma cidade com boas perspectivas para muita gente e ainda atrai pessoas que enxergam boas oportunidades. “Vejo muito esse fluxo de pessoas na cidade. Trabalho em secretaria de escola pública, muita gente se vai, mas ainda tem muita gente chegando”, disse a servidora pública Roseli Lima.

“Eu não pretendo sair daqui. Construí minha família nesse lugar. Tenho meus pontos comerciais, que são minha fonte de renda e minhas filhas estão bem empregadas. Duas já se formaram,aqui em Parauapebas mesmo, e a caçula está concluindo. Me sinto realizada”, disse a pioneira Terezinha Gomes, que teve usa opinião compartilhada pelo também pioneiro Manoel Alves: “eu vi essa cidade crescer. É um bom lugar para se viver, apesar de todos os problemas. Mas vejo que daqui pra frente quem não conseguiu juntar alguma coisinha e se estabilizar terá muita dificuldade, não dá para ganhar tanto dinheiro como antes”.

Esse futuro de Parauapebas depende muito dos rumos que a nova gestão for dar ao município. Nas palavras da juíza Eline Salgado, durante a diplomação do prefeito e vereadores eleitos, “é necessário buscar novos recursos para o município, pois a fonte daqui já não é capaz de atender, sozinha, as grandes demandas da população, que beira os 300 mil habitantes”.

Para este blogueiro, que está aqui há 32 anos ininterruptos e conheceu a vila quando ainda pertencia ao município de Marabá, é notório o crescimento do município. Crescimento muitas vezes desordenado e sem a devida ingerência do poder público. Hoje temos uma excelente prefeitura, hospital, postos de saúde, telefonia celular, vários canais de TV, várias rádios e jornais. Temos uma vida noturna aprazível e um povo batalhador e trabalhador que tem a esperança de um futuro melhor. Mas esse futuro só será melhor se nossos dirigentes políticos despertarem para este futuro, buscando novas matrizes econômicas e fazendo com que a mineração não seja, até o seu final, o carro-chefe de nossa receita. Precisamos buscar alternativas, criar um polo de educação de nível superior, investir no turismo, na agricultura e na pecuária para sermos grandes no futuro.

2016 vai se acabando e dele poucos terão saudades. Que venha 2017. Que venha uma nova administração e uma nova Câmara de vereadores com pensamentos altruístas, progressistas e que buscam o progresso. Quem sabe com atitudes assim, nossos futuros vereadores possam ratificar o que diz nosso hino, tantas vezes cantado na CMP:

“Parauapebas, Parauapebas;
És estrela entre milhões
Parauapebas, Parauapebas
Perpetuarás as gerações
Parauapebas, Parauapebas
Já conquistastes os corações
És escolhida e abençoada por Deus
Pra acolher o povo teu.”

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