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Mineração

Relatório da Comissão Mista do Senado define novas alíquotas para cobrança da CFEM

Projeto de Lei será analisado na próxima quarta-feira (25). Prefeito Darci Lermen comemora e diz que essa é uma vitória do povo de Parauapebas

A comissão mista da Medida Provisória (MPV) 789/2017, do Senado Federal, deve analisar na próxima quarta-feira (25) o projeto de lei de conversão apresentado à proposta, que define novas alíquotas para a incidência da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) que irão de 0,2% a 4%. A reunião terá início às 14h30.

Nesta quarta (18), foi concedida vista coletiva ao relatório apresentado pelo deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). O texto define alíquotas de 0,2% (para ouro e diamante, quando extraídos sob o regime de permissão de lavra garimpeira; demais pedras preciosas e pedras coradas lapidáveis); 1,0% (para rochas, areias, cascalhos, saibros e demais substâncias minerais quando  destinadas para uso imediato na construção civil, águas minerais e termais, potássio, fosfato e calcário para uso como corretivo de solo); 2% (para ouro, diamante e demais substâncias minerais); 3% (para bauxita, manganês, nióbio e sal-gema); e 4% para o minério de ferro.

O texto estabelece que um decreto presidencial, a ser publicado em até 90 dias, a partir da promulgação da lei, definirá critérios para que a entidade reguladora do setor de mineração, mediante demanda devidamente justificada, possa reduzir a alíquota da CFEM do ferro de 4% para até 2%. A medida será adotada para não prejudicar a viabilidade econômica de pequenas minas, exploradas principalmente por pequenas e médias empresas, que explorem jazidas de baixo teor de ferro. Apenas minas de baixo desempenho em razão do teor de ferro, da escala de produção, do pagamento de tributos, da estrutura de custos, do número de empregados ou das condições de mercado farão jus à redução da alíquota da CFEM para até 2%.

Em seu relatório, Pestana manteve o faturamento bruto como base de cálculo da contribuição. Na distribuição da CFEM, 7% irão para a entidade reguladora do setor de mineração; 2,8%, para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT); 0,2%, para o Ibama; 20%, para os estados produtores; 60%, para os municípios produtores e 10%, para os municípios afetados pela atividade da mineração.

Base de cálculo
Desde a publicação da Lei 7.990/1989 e de seu regulamento (Decreto 1/1991), iniciou-se uma progressiva judicialização em torno da base de cálculo da CFEM, em face de divergências no entendimento do que seria faturamento líquido. Ou seja, quais itens de custo abateriam a base de cálculo. O texto proposto pela MP, em tese, pacifica o entendimento sobre o tema.

Na elaboração do relatório, Pestana disse que considerou a segurança jurídica e a viabilidade política, a fim de “clarear ao máximo áreas sombrias do texto” para que não haja questionamento jurídico da matéria, além dos legítimos direitos dos estados mineradores e municípios afetados e a competitividade das empresas mineradoras.

“Não tenho nenhum viés antiempresarial. Ainda que reconhecendo que a base de cálculo não é ideal, o ideal seria por jazida por mina, foi mantido o conceito que veio na MP. Nas alíquotas, chegou-se a uma calibragem justa, com redução das alíquotas para minérios agregados à construção civil, agronegócio e turismo associado a aguas termais e minerais”, afirmou Pestana.

Segundo ele, no caso de minério de ferro, não viu sentido na escala de alíquotas. “Estabelecemos alíquota única de 4%. A lógica econômica tem que ser a mesma para todos. No capitalismo, se o preço de mercado não paga os custos, a empresa fecha, isso ocorre não só na mineração, isso é regra de mercado”, afirmou.

No caso do diamante, Pestana disse que o rebaixamento foi motivado por uma situação concreta, que envolve a exploração profunda em escala industrial de diamante na Bahia e em outras regiões em curso. “Trouxemos investidores estrangeiros e a regra do jogo era 0,2%. De repente, a MP fez uma variação grande, de 3%, correta do ponto de vista internacional, mas o Brasil tem problemas de estabilidade regulatória, o investidor estrangeiro não entende isso. Lá na frente podemos rever isso e ter outro tipo de alíquota”, ponderou.

Mineração
Crítico da MP, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) reiterou que a mineração gera US$ 25 bilhões (R$ 79,25 bilhões) por ano, 33% da balança comercial e mais de dois milhões de empregos no Brasil.

“A alíquota de 4% vai destruir os pequenos e inviabilizar o projeto de mineração da Bahia, que defendo. A MP já era uma paulada na cabeça do setor, um aumento de 60% na arrecadação. O relator resolveu dar um pouquinho mais. A MP dá dinheiro para o estado, dá dinheiro para o município e gera o desemprego”, afirmou.

Em resposta, Pestana disse que a MP foi debatida em quatro audiências públicas interativas em Brasília, uma em Belo Horizonte (MG) e uma em Belém (PA), com a participação de empresários, mineradores, garimpeiros, intelectuais e pesquisadores do tema. “O problema de competitividade da economia não está na CFEM. O relatório está muito equilibrado. Os próprios documentos que a indústria me entregou nortearam a tese que construiu o relatório. Acatei parcialmente a maioria das emendas apresentadas. A CFEM vai dobrar, vai haver incremento de 100%, mas isso depende também do comportamento da economia”, rebateu.

Vitória
Para o prefeito de Parauapebas, Darci Lermen, o dia de hoje entra para a história como a data de uma virada extraordinária, no que se refere não só à CFEM, mas sobre o debate daquilo que representa a mineração no País e a importância do município para o Brasil.

“Depois de anos a fio sendo solenemente ignorados por grande parte dos entes federados e por grande parte das lideranças políticas do País, finalmente fomos reconhecidos. Esta vitória ė para o povo de Parauapebas”, comemorou ele.

Lermen, que cheogu a ser elogiado pelo relator durante a sessão de hoje por seu empenho na questão, se disse feliz também pela atuação da Câmara Municipal de Parauapebas por meio da integrantes da Comissão de Assuntos Relevantes (CAR). “Estou feliz também porque tanta gente, como vocês, acreditou em mim nesta luta durante a qual, por tantas vezes, ouvi vozes contrárias, mas nunca desisti. Teremos em 2018 uma arrecadação de aproximadamente R$ 1,4 bilhão”, afirmou.

O secretário de Fazenda de Parauapebas, Keniston Braga estava empolgado com a decisão da Comissão e afirmou ao Blogger que com a alíquota aprovada, teremos em 2018 uma arrecadação de aproximadamente R$1,4 bilhão , sendo 800 milhões de Reais com a CFEM.

O relatório aprovado diz que a CFEM será calculada com 4% sobre o total bruto do faturamento do minério de ferro, sendo que desse valor 60% irão para os municípios mineradores; 10% para municípios impactados, 20% para o Estado e 10% para União. (Com informações da Agência Senado)

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